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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 25 de abril de 2026

Os Amigos


 O 25 de Abril, com o passar dos anos, transporta-me para um passado que traz nostalgia e saudade, e lembro-me deles, dos meus amigos, que comigo partilharam essa época maravilhosa de luta, alegria, fé e de esperança… Uma gaivota voava, voava… como ela, somos livres, não voltaremos atrás…

Neste 25 de Abril vou falar de nós… 

Os meus amigos não cabem no tempo. Não se explicam com palavras simples, nem se medem em anos ou em encontros. As amizades são feitas de instantes que, sem sabermos, se tornam eternos. De risos e de olhares que diziam tudo, quando nada precisava de ser dito.

Os amigos são, talvez, a forma mais pura de família que escolhemos. São aqueles que entram na nossa vida sem aviso, que ficam sem pedir licença e que, pouco a pouco, passam a fazer parte de quem somos. Com eles aprendemos a ser mais verdadeiros, mais humanos. Com eles dividimos o melhor de nós, mas também o pior, as falhas, os medos, os dias cinzentos que só eles sabiam, e sabem colorir.

E depois… o tempo. Sempre o tempo.

O tempo que, sem pedir permissão, começa a levar. Primeiro devagar, quase sem darmos conta. A vida acontece, os caminhos mudam, as rotinas afastam. Promessas de “havemos de nos encontrar” vão ficando suspensas no ar, como cartas nunca enviadas. E acreditamos, talvez ingenuamente, que haverá sempre mais um dia, mais uma oportunidade, mais uma conversa por acabar e uns copos para beber.

Mas nem sempre há… já quase nunca.

Há aqueles que partem cedo demais, levados por uma realidade que nunca estamos preparados para aceitar. E fica um vazio impossível de preencher. Um silêncio pesado, onde antes havia gargalhadas. Um lugar à mesa que nunca mais será ocupado. E a dor… a dor de saber que não houve despedida, que ficou tanto por dizer, tanto por viver.

E há também os que não partem de vez, mas vão ficando mais distantes. A vida pesa, o corpo cansa, a saúde falta. Os encontros tornam-se raros, as conversas mais curtas, os abraços mais demorados por serem demasiado espaçados no tempo, como se, no fundo, soubéssemos que cada momento pode ser o último. E isso dói de uma forma diferente. Uma dor lenta, silenciosa, que cresce na consciência de que nada é como antes… e nunca mais será.

Com o passar dos anos, vamos percebendo que a amizade não desaparece, transforma-se, passa a viver mais na memória do que no presente, nos detalhes que só nós entendemos, nas histórias que repetimos, mesmo sabendo o final, nas fotografias que ganham um peso quase insuportável, porque capturaram um tempo que não volta.

Lembramo-nos das conversas sem fim, das noites que pareciam eternas, das pequenas loucuras que hoje contam como grandes aventuras. Lembramo-nos dos momentos bons… e também dos menos bons, porque até nesses havia verdade, havia ligação, havia vida. Tudo isso nos moldou, construiu-nos, fez-nos quem e o que somos hoje.

A maior herança dos amigos é permanecerem em nós.

Vivem nas palavras que dizemos sem perceber que são deles. Nos gestos que repetimos. Nas decisões que tomamos guiados por aquilo que aprendemos juntos. Vivem em cada memória que o tempo não conseguiu apagar.

A saudade, essa, nunca desaparece. Aprende-se a viver com ela. Torna-se presença constante. Às vezes dói, noutras surge como um sorriso inesperado, uma lembrança no meio de um dia qualquer.

E há dias em que tudo pesa mais… e demais. Dias em que damos por nós a querer voltar atrás, nem que seja por um instante. Só para ouvir mais uma vez aquela voz, partilhar mais uma gargalhada, dizer aquilo que ficou por dizer.

Mas o tempo não volta.

E talvez seja por isso que as amizades sejam tão preciosas. Porque são frágeis. Porque são finitas. Porque, um dia, inevitavelmente, tornam-se em memória.

Ainda assim, há algo que nem o tempo, nem a distância, nem a morte conseguem levar. O que sentimos!

Os amigos que tivemos, e os que temos, são parte da nossa história, da nossa alma. Enquanto os mantivermos vivos nas nossas memórias e no nosso coração, nunca desaparecem por completo.

Ficam. Ficam para sempre.

Talvez, no fundo, seja isso que nos salva da perda total… saber que, mesmo ausentes, continuam a caminhar connosco… calados… distantes, mas para sempre.

Nem sequer ouso nomear os meus melhores amigos. Não é necessário… eles sabem quem são!

HM
Dia 25 de Abril de 2026. VIVA O 25 de ABRIL de 1974!

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