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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

AEVP ALERTA QUE USO EXCLUSIVO DE AGUARDENTE DO DOURO “DESTRÓI O SETOR” DO VINHO DO PORTO

 A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) reforçou esta quinta-feira a oposição à proposta que prevê a utilização exclusiva de aguardente vínica produzida na Região Demarcada do Douro (RDD) na produção de vinho do Porto e moscatel do Douro, considerando a medida “inviável, ilegal e destrutiva para o setor”.


Em comunicado, a associação classificou a proposta como “uma ilusão perigosa”, acusando-a de esconder “uma total inviabilidade jurídica, operacional e económica” sob o argumento de resolver o problema dos excedentes de vinho DOC Douro.

A polémica ganhou força nas últimas semanas, após audições realizadas na Assembleia da República sobre o diploma apresentado pelo partido Juntos pelo Povo (JPP), aprovado em janeiro, que pretende consagrar o uso exclusivo de aguardente produzida na região duriense para a beneficiação do vinho do Porto e do moscatel.

A AEVP já tinha manifestado preocupação durante as audições parlamentares, alertando para um impacto social severo. A associação estima a perda de cerca de 3.000 postos de trabalho em Vila Nova de Gaia e na Região Demarcada do Douro, além do encerramento de centros de vinificação, armazéns e linhas de engarrafamento.

Segundo a entidade representativa das empresas do setor, a medida poderá provocar uma contração do negócio na ordem dos 50%, afetando igualmente indústrias associadas, como a cortiça, o vidro e as embalagens, devido à redução drástica da atividade económica.

No comunicado divulgado hoje, a associação defende que “a regulação dos excedentes de vinho da DOP Douro não pode ser feita à custa da sustentabilidade e sobrevivência do vinho do Porto”.

A AEVP alerta ainda para possíveis consequências ao nível europeu, considerando que a proposta poderá abrir espaço a questionamentos por parte de Bruxelas sobre pilares fundamentais do setor, como o sistema de benefício, a lei do terço e o engarrafamento na origem.

“Estamos a abrir uma caixa de Pandora”, advertiu a associação, receando uma eventual desregulamentação de um setor que considera ser “a bandeira de Portugal no mundo”.

Do ponto de vista económico, a associação sustenta que a utilização exclusiva de aguardente regional implicaria custos muito superiores aos praticados no mercado internacional, estimando um aumento de 1,60 euros por litro e uma subida de cerca de 40% no preço dos vinhos standard.

A perda de competitividade poderá colocar em risco, segundo a AEVP, cerca de 198 milhões de euros em vendas anuais.

Outro dos receios apontados prende-se com o excesso de ‘stocks’ que a medida poderá gerar. A associação alerta que o comércio poderá passar até três anos sem comprar uvas durante as vindimas, agravando a situação financeira dos pequenos viticultores durienses.

Além da questão económica, a AEVP considera que os vinhos excedentários do Douro, sobretudo tintos com elevado teor alcoólico, “não possuem o perfil enológico adequado” nem quantidade suficiente para garantir a produção da aguardente necessária.

A entidade avisa ainda que a coexistência de dois tipos de vinho do Porto produzidos com aguardentes de origem diferente poderá comprometer a comercialização de 261 milhões de litros atualmente em envelhecimento nas caves da região.

Entre os riscos apontados está também uma eventual perda de reputação da Região Demarcada do Douro e ameaças ao estatuto do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.

“Esta lei não resolve o problema dos excedentes do Douro. Pelo contrário, cria um ciclo vicioso de destruição de valor que ameaça a sobrevivência económica de milhares de famílias”, conclui a associação.

Como alternativa, a AEVP propõe um plano baseado em medidas estruturais e ambientais, incluindo a ativação da vindima em verde, a reconversão cultural da vinha, projetos-piloto ligados a créditos de carbono e valorização dos serviços de ecossistema.

O projeto-lei do deputado único do JPP foi aprovado na generalidade com os votos contra do PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal.

A utilização exclusiva de aguardente produzida no Douro continua a dividir o setor vitivinícola: enquanto alguns defendem a medida como resposta à crise provocada pela quebra das vendas e dos rendimentos dos viticultores, outros alertam para os riscos económicos, legais e reputacionais associados à imposição.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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