Implementado a partir de dia 1 de julho pela Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE), a ‘Resposta Avançada de Medicina Intensiva’ pretende melhorar a resposta clínica do hospital em situações de maior complexidade clínica.
Em entrevista à Rádio Brigantia e ao Jornal Nordeste, o diretor clínico da ULSNE, Rui Terras, explica que o projeto nasceu da necessidade de reforçar a resposta a doentes críticos num hospital que não dispõe de unidade de cuidados intensivos nem de cuidados intermédios.
O objetivo é aproximar a Medicina Intensiva dos cidadãos e reforça a capacidade de resposta da Unidade Hospitalar de Mirandela. “Pretende-se melhorar os cuidados de atendimento ao doente crítico, muito grave, portanto aqueles vulgares conhecidos como os doentes pulseira laranja e pulseira vermelha, sobretudo, aproximando essa capacidade de resposta junto das populações que de facto são servidas pelo Hospital de Mirandela, concretamente a população desse concelho e todos os outros mais do sul do distrito. Portanto, é de facto uma verdadeira transformação na forma como o doente mais grave que entra naquele hospital vai poder ser atendido”, disse.
O grande diferencial deste projeto é que será criado um Posto Avançado de Medicina Intensiva que funcionará 24h por dia e onde será alocado um médico intensivista.
“Em termos de operacionalização, retiramos um médico intensivista da unidade de cuidados intensivos que temos no Hospital de Bragança e colocamo-lo em presença física durante 24 horas por dia, todos os dias do ano, em Mirandela. São de facto médicos que estão preparados para lidar com qualquer tipo de situação muito grave e com situações emergentes”, disse, acrescentando que “é uma equipa de facto que vai trabalhar de forma rotativa no Hospital de Mirandela, porque não seria humanamente possível que fosse circunscrito a uma pessoa ou a um número reduzido de pessoas. É de facto uma equipa que vai estender-se desde o Hospital de Bragança até ao Hospital de Mirandela.”
O diretor Clínico destacou ainda que não se trata de uma necessidade em aliviar a unidade de cuidados intensivos do Hospital de Bragança, mas sim estender esta especialidade até Mirandela porque existe essa possibilidade.
“Neste momento, felizmente, a ULS Nordeste tem um quadro de médicos intensivistas suficiente para que o Hospital de Mirandela também possa beneficiar dessa resposta de maior qualidade e mais diferenciada que o Hospital de Bragança já tem. Neste momento, conseguimos constituir uma equipa da qual podemos abdicar de um elemento por dia para estender esta forma de atuação até o Hospital de Mirandela”, frisou.
Além do acompanhamento dos doentes críticos, o médico intensivista assumirá também a coordenação clínica da urgência, da emergência intra-hospitalar e da articulação com a Unidade de Cuidados Intensivos de Bragança, outras unidades do SNS e o INEM, sempre que seja necessária a transferência de doentes.
Rui Terras acredita que este projeto é, do ponto de vista nacional, um modelo de organização clínica “inovador”, sendo a primeira vez a ser realizado num hospital “que não tem cuidados intensivos.” Para o diretor Clínico da ULSNE este modelo é “transformador” no que à forma do doente mais grave ser atendido diz respeito e por isso destacou que estas equipas dispõem de “um know-how, experiência e conhecimento suficiente para lidar de uma forma muito fluente e segura com este tipo de situações.”
Este projeto é ainda considerado pela ULSNE como um ‘pontapé de saída” para que outras unidades de saúde avancem com este modelo.
“É um aspeto que nos orgulha e que eleva muito a capacidade, o nível assistencial e, por consequência, os resultados em saúde que podem ser alcançáveis no Hospital de Mirandela e que de facto as outras unidades locais de saúde, neste momento, ainda não disponibilizam um modelo equivalente àquele que vamos iniciar no dia 1 de julho”, rematou.
A ‘Resposta Avançada de Medicina Intensiva’ vai ser implementada a partir de dia 1 de julho. Será criado um Posto Avançado de Medicina Intensiva e vai servir a população dos concelhos de Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

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