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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Segada tradicional em Palácios atrai cada vez mais visitantes

 O Festival da Cultura e Tradição voltou a recriar, em Palácios, no concelho de Bragança, a segada manual e outras etapas do antigo ciclo do pão, como a malha, numa iniciativa que atrai cada vez mais visitantes à região da Lombada.


O evento juntou habitantes da aldeia, emigrantes, turistas e participantes provenientes de diferentes regiões portuguesas e de Espanha. O programa incluiu a segada, o encontro de gaiteiros, artesanato, produtos da terra e gastronomia tradicional e a malha tradicional.

Raul Tomé, um dos responsáveis pela organização, fez um balanço positivo da iniciativa, destacando o aumento do número de visitantes de fora da região.

“Temos aqui um grupo jeitoso para manter mais uma vez a tradição da segada manual e para a dar a conhecer aos jovens”, explicou ao Mensageiro.

Entre os participantes estavam pessoas que nunca tinham assistido a uma segada e outras que regressaram à aldeia para recordar práticas agrícolas vividas durante a infância e a juventude.

Segundo Raul Tomé, as unidades de turismo rural da zona estiveram lotadas, obrigando alguns participantes e músicos a procurar alojamento na cidade de Bragança.

“É bom dar uma vida nova às aldeias e à zona da Lombada, que é culturalmente uma das zonas mais ricas do país”, sustentou.

A organização do festival envolve praticamente toda a população de Palácios, que trabalha voluntariamente na preparação das atividades e das refeições.

“Já somos poucos e começa a sobrar muito trabalho para pouca gente. Todas as pessoas trabalham e colaboram gratuitamente na organização do festival”, contou Raul Tomé.

A presidente da União das Freguesias de São Julião de Palácios e Deilão, Porfíria Margarido, considerou o festival de “extrema importância” para as aldeias, por recuperar um trabalho com o qual se identificam sobretudo os habitantes mais velhos.

“Nós, os mais jovens, ficamos com a lembrança das histórias que nos contaram e vamos repetindo as coisas que ouvimos”, afirmou.

Entre os visitantes estavam pessoas de Vila Nova de Famalicão, de diferentes localidades espanholas e do Planalto Mirandês. Para a autarca, muitos procuram o festival porque conheceram estas práticas no passado e querem revivê-las.

“As aldeias estão a ficar desertificadas. Esperamos que as pessoas mais novas consigam entrar neste espírito de tradição”, apelou Porfíria Margarido, garantindo que a junta de freguesia continuará a apoiar o festival.

A presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, salientou o espírito comunitário existente em Palácios e a capacidade da população para manter vivas as tradições.

“Todos trabalham em comunidade e todos trabalham para o mesmo fim”, destacou.

Para a autarca, a segada deixou de ser apenas uma tarefa agrícola e ganhou componentes recreativas, festivas e sociais importantes para a dinamização das aldeias.

“O caminho das nossas aldeias passa muito por este tipo de iniciativas, que mantêm a autenticidade das atividades rurais, mas com uma componente que chama também o turismo e as pessoas que querem visitar e participar”, explicou.

A presidente considera que a tradição faz parte da identidade de São Julião de Palácios e deve ser divulgada, embora o festival tenha de manter uma dimensão compatível com a capacidade da população local.

“É preciso tirar as pessoas de casa e ajudá-las a participar nestas atividades, mas sempre a uma escala sustentável e que permita repeti-las ano após ano”, defendeu.

Leonel Azevedo, natural de Vizela, participou pela primeira vez na segada.

“É espetacular. É um relembrar de há 40 anos”, descreveu.

O visitante defendeu que estas práticas devem ser transmitidas às gerações mais novas para não desaparecerem.

“Temos de manter as tradições e incutir esta ideia nos jovens, para não perderem o fio. Caso contrário, depois nem sabem o que isto é, porque agora é tudo digitalizado”, concluiu.

António G. Rodrigues

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