As candidaturas à 16.ª edição da Bolsa Nacional de Espécies Florestais Autóctones do projeto Floresta Comum abriram esta terça-feira, 22 de julho, e decorrem até 30 de setembro. Limitações técnicas num dos viveiros reduziram em dezenas de milhares o número de plantas disponíveis este ano.
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| Foto: Joana Bourgard |
Nesta campanha estarão disponíveis 75.065 plantas de 39 espécies de árvores e arbustos.
O sobreiro, o teixo, o bidoeiro, o freixo e o azereiro são as cinco espécies produzidas em maior número nos quatro viveiros do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Destes, o de Amarante produziu 60.000 plantas, o de Valverde produziu 8180, o da Malcata produziu 5000 e o de Montegordo, 1885.
Segundo Pedro Sousa, coordenador do Projeto Floresta Comum (Quercus), esta edição disponibiliza um número muito inferior de plantas devido a limitações técnicas num dos viveiros.
No ano anterior, os quatro viveiros disponibilizaram um total de 110.000 e na época de 2023-2024, o número tinha chegado às 114.000 plantas.
“O número mais reduzido de plantas disponíveis este ano explica-se com limitações técnicas no viveiro da Malcata, um dos que mais produz”, explicou hoje à Wilder o responsável.
Pedro Sousa disse que nas imediações do viveiro da Malcata, onde num ano normal são produzidas entre 50.000 a 60.000 plantas, foi registada uma doença nas árvores e, por precaução, as espécies mais propensas a serem infetadas não foram produzidas “para não se correr o risco de propagar a doença por todo o país”. “Mas este foi um problema pontual que se irá resolver.”
O Floresta Comum, que vai na sua 16ª edição, apoia três tipos de iniciativas: projetos florestais e de conservação da natureza e recuperação da biodiversidade, projetos educativos e projetos para parques urbanos, segundo um comunicado divulgado hoje pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, coordenadora do projeto. Desde o seu início, esta iniciativa já plantou 1.544.331 árvores.
Podem candidatar-se entidades responsáveis pela gestão de terrenos públicos ou comunitários, como autarquias e baldios, que pretendam desenvolver ações de reflorestação, conservação da natureza ou recuperação da biodiversidade.
Segundo a organização, o objetivo é “incentivar a criação de uma floresta autóctone com altos níveis de biodiversidade e de produção de bens e serviços do ecossistema”, escreve em comunicado.
Uma floresta autóctone é uma floresta de árvores originárias do próprio território. “A floresta autóctone portuguesa é toda a floresta formada por árvores originárias do nosso país, como é o caso dos carvalhos, dos medronheiros, dos castanheiros, dos loureiros, das azinheiras, dos azereiros, dos sobreiros, etc.”
De acordo com os promotores, a utilização de espécies autóctones tem várias vantagens ecológicas e de gestão do território. Estas plantas estão adaptadas às condições locais, tendem a resistir melhor aos períodos de seca, são geralmente mais resilientes a pragas e doenças e podem contribuir para aumentar a capacidade dos ecossistemas enfrentarem as alterações climáticas.
A oferta é muito inferior à procura
Segundo Pedro Sousa, a procura é muito superior à oferta e tem vindo a aumentar a cada ano que passa. “Na edição anterior recebemos cerca de 250 mil pedidos de plantas”, mais de o dobro das plantas efectivamente disponibilizadas.
O responsável acredita que esta procura irá aumentar ainda mais, uma vez que o Plano Nacional de Restauro da Natureza, que saiu de consulta pública a 19 de agosto, prevê inúmeras acções de reflorestação por todo o país.
“O Plano Nacional de Restauro prevê o reforço do número de viveiros para cerca de o dobro e também o reforço da capacidade de recolha de sementes geneticamente adequadas”, acrescentou.
Do Plano Nacional faz parte uma medida que visa criar uma rede nacional de viveiros florestais, “destinada a assegurar a disponibilidade, em quantidade e qualidade adequadas, de material florestal de reprodução compatível com os princípios da silvicultura próxima da natureza e com as exigências do restauro ecológico”.
A medida inclui a instalação, reabilitação ou recuperação de nove viveiros distribuídos pelo território nacional (um nos Açores, um na Madeira e sete no Continente). Esta rede deverá estar a funcionar em pleno até 2040. O grande desígnio é possibilitar que Portugal faça a “transição para modelos de gestão florestal mais resilientes, biodiversos e próximos da natureza”.
Por enquanto, os quatro viveiros em funcionamento têm, para este ano, 75.065 plantas. Aqui pode consultar todas as espécies disponíveis.
O regulamento da candidatura e os formulários estão disponíveis na página do projeto Floresta Comum.
Esta é uma parceria entre a Quercus, o ICNF, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). O projeto é parcialmente financiado através do Green Cork, iniciativa de reciclagem de rolhas de cortiça, e conta com o mecenato da REN.


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