Os mirandelenses chamam-lhe mesmo a noite mais longa do ano. “É certamente o dia do ano em que a gente de Mirandela vai para a cama mais tarde, porque é um dia de pura diversão e de convívio com os que moram cá e aqueles que estão fora, em Portugal e no estrangeiro. Alguns só os vemos nessa noite e depois só voltamos a encontrá-los no ano seguinte”, conta Manuel Silva, um mirandelense para quem a noite dos bombos é sagrada, há cerca de 40 anos.
Para o presidente do Município não restam dúvidas que esta tradição “é uma imagem de marca que seduz milhares de pessoas e os bombos de Mirandela estão imortalizados”, afirma Vítor Correia.
Esta tradição original começou há mais de 60 anos. “Na altura eram meia dúzia, mas agora, as pessoas vêm de todo o lado tocar bombo e é difícil encontrar alguém em Mirandela que não tenha um bombo em casa”, conta Rui Barreira, da Associação dos Bombos de Mirandela (ABOMIR), um dos organizadores o evento. “Isto já atingiu proporções impensáveis”, confessa este empresário da terra da alheira. “Agora até já há famílias inteiras a integrar o desfile e grupos de amigos que usam fardas personalizadas”, diz.
Por volta da uma da manhã, os “tocadores de bombo” vão concentrar-se no mercado Municipal. Têm à sua espera, centenas de litros de sangria, vinho, barris de cerveja, potes de rancho, sardinhas, alheiras e outros produtos regionais.
Por volta das duas da manhã, e já com milhares nas ruas para assistir ao desfile, os tocadores de bombo vão percorrer algumas artérias da cidade durante horas. Aos primeiros raios de sol, os mais resistentes ainda fazem barulho.


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