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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O efeito Boomerang

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Uma das primeiras lições que se aprende, ao dar os primeiros passos na política passa por saber reconhecer que, neste ambiente, o que parece é! Começou por ser ensinada como um aviso para que, para além das evidências, quem pretende fazer carreira nesta área, teria de ter, igualmente, muita atenção com as aparências. Porém, com o decorrer dos tempos e com os avanços da ciência política e dos seus efeitos práticos, esta teoria evoluiu e, sobretudo, com a ascensão dos populismos, começou a ser apelativa enquanto fábrica de cenários construídos artificialmente para serem apresentados aos eleitores, como realidade. Ou, pelo menos, fazer sobrepor a fachada sobre todo o resto do edifício social. Foi isto que, no meu entendimento, Luís Montenegro, seguramente assessorado pelos gurus do marketing político que orbitam o PSD e o Governo, quis atingir quando fez a sua, já célebre, declaração sobre as suas férias. E, fruto disso, querendo fazer um aproveitamento aumentado da realidade, expôs-se, naturalmente, à exploração do mesmo facto, pelos seus adversários.

Quando Montenegro afirmou que não iria gozar férias… exceto em alguns dias e fins de semana, quis, obviamente colocar a ênfase na primeira parte da frase. Foi isso que passou para a opinião pública… porque foi exatamente isso que ele quis que passasse: este ano o Primeiro Ministro não ia tirar férias. A exceção subsequente era apenas um apêndice, para precaver, precisamente os dias que, estando, obviamente, já programados, se retiraria a banhos no inevitável teatro veraneio algarvio. Podia ter dito a mesma coisa, de outra forma: “Este ano vou encurtar as minhas férias e tirar alguns fins de semana para descanso (merecido – apontamento meu) da atividade governativa”. Era a mesma coisa, mas a perceção seria diferente e, aí sim, daria toda a razão ao seu líder parlamentar para protestar pelo “aproveitamento” feito pelo líder da oposição José Luís Carneiro, quando veio evidenciar a contradição entre a jura de não ir de férias e o facto de se fazer fotografar na praia em modo descontraído. Hugo Soares acusou o secretário Geral do PS de mentir… o que, curiosamente, pode ser e não ser verdade, ao mesmo tempo.

Vejamos:

É verdade que Luis Montenegro disse que não ia de férias… e foi. Logo, José Luís Carneiro tinha razão. Mas também disse que poderia, excecionalmente, usar alguns dias de semana com tal objetivo, coisa que o seu opositor, oportunisticamente, omitiu, porque lhe interessava que o foco ficasse na primeira metade da frase… tal como o Primeiro Ministro quis… embora com o objetivo oposto.

Assim sendo, não tem de que se queixar. Quando a necessidade aperta, cada um puxa, como pode, a brasa à sua sardinha. Sendo que, dadas as circunstâncias, o enviesamento é mais criticável no chefe do governo, não só porque reside nele a origem das desfocagem como porque, havendo um desequilíbrio natural na captação da atenção dos cidadãos entre quem está no poder e quem não está, nas atuais circunstâncias, é perfeitamente natural que o líder socialista aproveite todas as oportunidades para capitalizar a opinião pública pois, não só a disputa ao Primeiro Ministro, como igualmente, ao extremismo populista de um partido recordista em mascarar a realidade com cenários virtuais e sem adesão à realidade como é, regularmente, evidenciado por todos os programas de verificação de factos, genericamente conhecidos como polígrafos.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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