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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A festa do Apóstolo no cabeço


 No próximo domingo, 23 de agosto de 2026, às 18h00, a comunidade cristã de Bragança, Samil e aldeias vizinhas une-se na “Capela do Planalto de São Bartolomeu”. Fá-lo para uma celebração que, de forma atípica, antecipa a Solenidade do Apóstolo. É no pulsar da nossa terra que recuperamos a memória de Natanael, o homem a quem Jesus elogiou pela ausência de fingimento («Eis um verdadeiro israelita») e que levou o Evangelho até aos confins do mundo.

Celebrar São Bartolomeu neste altivo planalto é fazer ecoar a liturgia na própria geografia e nas peripécias da nossa história. Olhar para o Monte de São Bartolomeu, erguido a sul da nossa Cidadela e separado do Monte do Sardão pelo compasso do Rio Fervença, é evocar séculos de fé. Mas é também evocar a paciência bragançana.

Reza a lenda popular, documentada por Dias Parente, que naqueles fraguedos habitam três mouras encantadas, uma cobra, um dragão que deita lume e um gigante. Diz-se que o feitiço dura cem anos e um dia, à espera de jovens destemidos que o quebrem à meia-noite.

Olhando de perto para o nosso Planalto e para os tão aguardados melhoramentos que se impõem ao espaço e aos acessos, parece haver ali um verdadeiro encantamento, e não é o das mouras. É o das infraestruturas. Por aquelas bandas, o “já” e o “ainda não” travam uma batalha mais dura do que a do dragão. A requalificação e a valorização teimam em perpetuar a longevidade da lenda, passam os cem anos, passa o tal dia, e a realidade teima em não se desencantar.

A ironia é que o gigante desentorpece da letargia e comunica. O pseudo herdeiro do Cabeço que chegou, viu, venceu, instalou-se e ficou. Pelos vistos, gostou tanto das chouriças, do presunto e do vinho das encostas do Monte que, por artes de um novo encantamento, serve-se já sem rodeios nem compromissos. Lá comunicar, comunica […] mas mais com os seus parceiros comerciais.

Brincadeiras e peripécias à parte, a verdade é que a preservação do nosso património, longe dos holofotes, é uma urgência a materializar. Tal como os jovens destemidos da lenda, a nossa comunidade precisa de ver as melhorias do Planalto libertas do eterno feitiço burocrático-corporativo.

A fé purifica a cultura, e a cultura dá corpo à fé. Na oração coleta deste dia, pedimos ao Senhor que fortaleça em nós a entrega sincera a Cristo. Que essa mesma força nos inspire a zelar pelo que é nosso, os nossos altares, as nossas lendas e o futuro dos nossos lugares sagrados.

Fica o convite a todos os paroquianos e vizinhos para se juntarem à “Eucaristia Solene neste domingo, às 18h00”. Venham celebrar o Apóstolo e, quem sabe, inspirar o destemor necessário para que as obras, as melhorias e o respeito pela nossa terra deixem finalmente de ser um mito brigantino.

Pe. Estevinho Pires

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