Na vila de Sendim, no concelho de Miranda do Douro, estão a decorrer as vindimas, um trabalho que tradicionalmente é realizado com a ajuda da familia, vizinhos e amigos, como é o caso de Joaquim Soares, que a 6 de setembro, juntou 12 pessoas, para colher as uvas em três vinhas e de seguida iniciar a produção de vinho caseiro.
Iniciou-se no cultivo da vinha e produção de vinho caseiro, em 2010, ao adquirir duas vinhas velhas e ao plantar uma nova, com as castas tinta antiga e tinta roriz. Este ano, Joaquim Soares previu colher cerca de 1500 quilos de uvas, que se destinam a produção caseira de vinho.
“Hoje mesmo, após a conclusão da vindima, em casa, vamos esmagar as uvas para iniciar o processo de fermentação e produção do vinho. Depois, diariamente, há que voltar a pisar e mexer no vinho para ajudar na fermentação alcoólica. A qualidade das uvas tem influência na qualidade e características do vinho. Anualmente, produzo 700 e 800 litros de vinho, para consumo em casa e para dar a familiares e amigos”, explicou.
Na vila de Sendim, o trabalho da vindima é tradicionalmente feito em família e com a ajuda de vizinhos e amigos. Este ano, o vitivinicultor, Joaquim Soares, contou com a ajuda de 12 familiares e amigos, numa jornada de trabalho e de convívio. Na família de Joaquim Soares, o filho, José, também aprecia a vitivinicultura.
“A vinha e a produção de vinho fazem parte da identidade social, económica, cultural e paisagística de Sendim. Por isso, para mim, é importante preservar e dar continuidade a este legado”, disse o jovem sendinês.
No entanto, este ano, em Sendim, alguns vitivinicultores vão deixar as uvas nas vinhas, dado o encerramento da cooperativa agrícola Ribadouro, por dificuldades financeiras. É o caso, de Manuel Marcelino, reformado, que se dedica à agricultura e a vitivinicultura, para ocupar bem o tempo.
“Estou a tratar de duas vinhas, uma minha e outra do meu cunhado emigrante, num total de 0,5 hetare. Com o encerramento da cooperativa Ribadouro, não tenho onde entregar as uvas. Já ofereci as uvas a dois ou três compradores, mas se não as quiserem vou deixar as uvas nas vinhas, pois não pretendo produzir vinho em casa, dado que não o bebo”, disse.
Sobre a alternativa de entregar a colheita de uvas na empresa Sogrape, em Bemposta, Manuel Marcelino, respondeu que isso implica a prévia inscrição e a assinatura de um contrato com a empresa.

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