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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

COMO OS HOMENS FAZEM SUAS MEDIDAS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Lembra-nos os "Apólogos Dialogais", de D. Francisco Manuel de Melo, uma grande verdade, mas poucas vezes dita:

Andava em alvoroço e sobressaltada, a gente alojada nas costas do Reino - porque havia misero pirata, que infestava, a costa macedónica, com duas pequenas barcas, movido a remos. Até que janízaros o arrastaram à presença do Grande Alexandre,

Na presença de Sua Majestade, o pobre corsário, tremia e temia, receando severo castigo. Porém, movido de coragem, empertigou-se, e de voz macia e segura, respondeu-lhe às ásperas injurias de Sua Majestade. Transcrevo as próprias palavras do nosso insigne clássico, conservando o sabor e a elegância da sua sublime prosa:

- Tá, tá, senhor Alexandre! Não me trates, que tu e eu, ambos temos um próprio ofício, mas com tal diferença: que a ti, porque roubas o mundo cercado de exércitos, te saúdam as gentes por monarca, e a mim, que com poucos companheiros faço pequenos danos, me infamam de corsário."

E Manuel de Melo, remata: " Eis aqui como os homens fazem suas medidas! "

Este texto merece reflexão ponderada:

Se cai nas teias da justiça, grande senhor, este, apresenta-se aos magistrados, acobertado de juristas experientes, que com presteza, conseguem que saia ileso ou, pena reduzida.

Mas, se o larápio inculto, que nunca topou oportunidade, ou por ser fraco de inteligência e de memória, assalta galinheiro, e não sendo ligeiro, como lebre, foi apanhado nas malhas da justiça.

Este, sofre sentença impiedosa, que sirva de exemplo, para os demais. 

Recordo o hábil chefe, que era benévolo para prevaricadores, e validos dos diretores; e cruel, para servidores humildes. E dizia – se lhe pediam razão. - É necessário dar exemplo...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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