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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Exposição “Apontar o dedo ao lobo" na Casa da Cultura de Vimioso

 A exposição “Apontar o dedo ao lobo”, composta por desenhos de Agostinho Santos e Valter Hugo Mãe, estará na Casa da Cultura de Vimioso, distrito de Bragança, a partir de quarta-feira, até 22 de março, divulgou a autarquia.


“A mostra, constituída por cerca de 25 desenhos a grafite e tinta-da-China sobre papel foi concebida propositadamente para este município e pretende realçar e reconhecer a presença do lobo [ibérico] nesta região transmontana, e dar a conhecer esta espécie”, disse à agência Lusa a vereadora da Cultura do Município de Vimioso, Carina Lopes.

Todos os trabalhos que compõem a exposição “Apontar o dedo ao lobo” foram executados recentemente, pelos dois artistas - Agostinho Santos e o premiado escritor Valter Hugo Mãe -, e marca o início de um projeto de desenho a quatro mãos que pretende demonstrar as várias fases de vida do lobo ibérico.

Carina Lopes recorda que o lobo é motivo de muitas lendas e mesmo fonte de medo, mas o que a mostra pretende sublinhar, para lá da presença no imaginário coletivo, é a importância da preservação desta espécie protegida, sendo atualmente o único membro que resta da família dos grandes predadores de Portugal.

 “É com orgulho que Vimioso recebe os artistas plásticos Agostinho Santos e Valter Hugo Mãe, este último também conhecido e reconhecido escritor, sobre esta temática do lobo que é uma espécie ameaçada e sobre a qual existem várias lendas”, disse.

Ainda de acordo com a autarca, as obras agora expostas foram construídas segundo "as mais diferentes técnicas, e os múltiplos olhares aqui apresentados permitem afirmar que a pandemia não foi um momento de apatia, mas sim de criatividade e de superação”.

O município de Vimioso está também a elaborar um percurso interpretativo na aldeia de Vale de Frades, sobre o lobo ibérico, que está “ameaçado de extinção”, e que pretende alertar para os perigos que esta espécie corre.

“Por este motivo, esta exposição foi preparada de propósito para o concelho de Vimioso, e faz todo o sentido quando temos uma candidatura para um centro interpretativo do lobo ibérico. Faz todo o sentido a mostra estar patente neste território”, explicou Carina Lopes.

A vereadora realçou que é importante receber em Vimioso artistas de renome como Agostinho Santos e Valter Hugo Mãe.

Pintor e curador, diretor da Bienal Bienal Internacional de Arte de Gaia, mestre pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, doutorado em Museologia, Agostinho Santos assina a ilustração das capas dos mais recentes livros de Valter Hugo Mãe, nomeadamente “Contra Mim” e “As doenças do Brasil”.

Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade, com residência em Vila do Conde. A sua obra está traduzida em espanhol, catalão, francês, alemão, entre outras línguas, "merecendo um prestigiado acolhimento em vários países, como o Brasil, Alemanha, Espanha, França e Croácia", como destaca a Porto Editora, que o publica.

A sua obra inclui oito romances, entre os quais "Contra mim", Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, "A máquina de fazer espanhóis", Prémio Oceanos de literatura em língua portuguesa, e "O remorso de Baltazar Serapião", Prémio Literário José Saramago.

O seu mais recente livro, "As doenças do Brasil", publicado em 2021, marca os seus 25 anos de edição e 50 de vida.

A par da escrita, Valter Hugo Mãe mantém ligação às artes visuais, quer como curador, quer como criador, reconhecendo, como já o fez em várias entrevistas, que desenhar é algo que lhe "liberta o pensamento", podendo abrir assim "caminho para a literatura".

sábado, 29 de janeiro de 2022

Nascentes... O Eldorado.

Nos tempos em que a televisão era apenas para os muito ricos. Nos tempos em que não existia internet nem dinheiro para ir ao Mac Donald´s nem ao Burger King... nem havia batatas fritas em pacotes, nem havia cinema ou dinheiro para comprar os bilhetes,  depois da escola era preciso ter imaginação para estar ativo. E imaginação não nos faltava.
E como brincávamos?!
Uma pedra, um prego dos caibrais e as primeiras chuvadas de Outono,  era tudo o que nos faltava para começarmos a escavar nas barreiras de terra que abundavam nas imediações.
O eldorado era quando a água começava a brotar. Tínhamos descoberto uma nascente que cuidávamos todos os dias como se fosse a fonte da vida. A natureza era a nossa companhia amiga. – Já descobri uuuuumaaaa. Os outros vinham ver. Eu estava feliz. Tinha descoberto a primeira nascente do ano. Depois abria-se uma espécie de trilho pela pequena encosta abaixo por onde corria a água até desaparecer algures… por baixo do recreio da Escola.
O Tozé, visionário como sempre, leu num livro qualquer que onde havia quartzo havia ouro.
Quanto cavámos, ali bem perto da escola das Beatas. Muito quartzo mas nada de ouro…ainda hoje lá deve estar a marca das nossas eternas escavações à mão e com pregos daqueles grandes que utilizávamos para jogar ao prego também nas primeiras chuvadas quando o terreno ficava mais molhado.
Quando chovia já não dava para jogar ao bóio, para alegria das rabaças ou pionças, que passavam uma temporada sem ir ao “endireita”.
Pouco ortodoxo era o que fazíamos por vezes no jogo da bilharda quando era praticado sem a luz do dia. O desgraçado que ia a “saber” da bilharda, ao regressar, tinha sempre uma desagradável surpresa no buraco.
Começámos a saber o que era andar de bicicleta quando o velho Soares na Boavista comprou 3 bicicletas que alugava. 
20 minutos, custavam duas coroas mas com cinco coroas era uma hora de sprint. Uma hora ou mais. 
O A. Teixeira e o C. Meneses eram o terror do Soares. Alugavam as bicicletas por duas coroas e depois nunca mais apareciam. O Soares bem sabia que só lhe restava vir à procura deles. Nada se fazia com má intenção, o tempo era curto e os sonhos eram imensos... Eles nunca apareciam, mas as bicicletas lá ficavam encostadas numa ribanceira qualquer. 
Da próxima vez, que aparecessem 5 coroas no bolso, pediam a um dos garotos mais pequenos para irem ao Soares alugar as bicicletas. Eles os dois... tinham de estar uns tempos sem dar sinais de vida lá para os lados da Boavista...


Evidência

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Fausto e Cecília ainda recuperavam do grande choque que fora a morte súbita do seu amigo, colega de trabalho e mentor Francisco Azevedo. Estavam a elaborar uma sequência de entrevistas de recrutamento, que fora uma das últimas atividades programadas que o amigo deixara.

Há cerca de dez anos que ambos haviam sido recrutados pelo amigo comum para integrarem um enorme e secreto projeto científico financiado pelo estado. A empatia que existiu entre eles desde o primeiro momento, logo desde a entrevista de recrutamento, criou laços inquebráveis e que tornavam agora a ausência ainda mais difícil.

O projeto tinha como objetivo, nada mais nada menos, que a possibilidade de viajar no tempo. Francisco já chefiava uma equipa de cerca de sete cientistas quando contratou os dois. Era impossível desanimar com os retrocessos, porque as conquistas, por ínfimas que fossem, eram festejadas e elogiadas como se se tivesse descoberto o segredo da vida eterna. Assegurava aos companheiros que tinha absoluta certeza de que havia por aí muitas provas vivas das viagens no tempo, só que nós não as reconhecíamos. Muitas vezes, feliz com ele próprio e como ele só, dizia em altas vozes: “Nasci em Montalegre, a terra mais bonita do país, formei-me no Porto, a cidade mais bonita de Portugal e trabalho naquilo que gosto, rodeado dos melhores cientistas do mundo!” Quem poderia resistir a dar tudo por aquele homem?

Ele tinha a certeza de que o objetivo era possível e prometia-lhes que estaria lá com eles para ver o resultado, mas era óbvia para todos a degradação de saúde rápida que o afligia, apesar de ter apenas cinquenta e oito anos. Ausentava-se vários dias para exames médicos e tratamentos no IPO de onde regressava mais macilento e cansado.

Na noite anterior à sua partida, resolveram relaxar um pouco e foram os três para um bar onde Francisco os fez prometer que nunca desistiriam do projeto, acontecesse o que acontecesse. Ele tinha a certeza de que os dois amigos eram cruciais para atingirem o objetivo, que estava muito próximo. Conseguira novo financiamento e iam admitir mais três cientistas para a investigação. Naquela altura, ninguém imaginava que iriam perder aquele homem extraordinário tão depressa e ninguém queria acreditar quando souberam que a empregada doméstica o encontrara sem vida no escritório de sua casa na manhã seguinte.

Organizado e previdente como era, Francisco deixara todo um conjunto de determinações e planos que lhes permitiu facilmente continuar a investigação. Indicou Cecília como investigadora sénior, logo seguida de Fausto, para tomarem o rumo e gerirem o projeto após a sua morte. Não podia evitar, porém, que o desânimo se instalasse e o ritmo de trabalho decrescesse, falho do ânimo e orientação do falecido.

E foi assim que chegaram ao momento atual, os dois cientistas a executar uma das últimas atividades completamente organizada pelo saudoso amigo: as entrevistas para a contratação dos novos investigadores entre os recém-formados das universidades. As candidaturas a entrevistar já estavam escolhidas e tudo. Francisco fizera-os prometer que seriam eles nesta atividade, acontecesse o que acontecesse e que a não confiariam a ninguém.

Fausto estava aborrecido, depois de entrevistarem mais de uma dezena de jovens que variaram entre o petulante e o inseguro, mas todos, claro, sem experiência no campo pretendido. Foi Cecília quem demonstrou mais paciência e confortou o colega, fazendo-o aguentar até ao fim, alegando que tinham uma promessa a cumprir. Até poderiam não escolher nenhum dos candidatos e abrir novo concurso, se necessário, não havia indicações de quem deveriam escolher, nem se deveria ser alguém daquele concurso especificamente.

Chegaram finalmente ao último candidato, não havia mais pastas com processos, mas sabiam que havia mais um jovem na sala de espera. Nesse momento entrou uma das secretárias da empresa que acompanhava o processo e entregou-lhes um envelope A4, fechado, onde estava escrito o nome deles. A funcionária explicou, antes de sair novamente, que foram dadas instruções para que só lhes fosse dada essa pasta quando fosse a última entrevista.

Abriram o envelope, que continha uma capa de processo igual às dos outros entrevistados, mas, ao abri-la, ambos ficaram um pouco confundidos ao ver uma foto do falecido amigo, muito jovem à cabeça do processo.

Simultaneamente, a porta do gabinete abriu-se e um autêntico clone do cientista desaparecido, embora mais novo uns bons anos, apresentou-se:

— Chamo-me Francisco Azevedo, tenho vinte e sete anos, natural de Montalegre e sou formado em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Manuel Amaro Mendonça
nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016), "Daqueles Além Marão" (Abril 2017) e "Entre o Preto e o Branco" (2020), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Foi reconhecido em quatro concursos de escrita e os seus textos já foram selecionados para duas dezenas de antologias de contos, de diversas editoras.
Outros trabalhos estão em projeto e sairão em breve. Siga as últimas novidades AQUI.

O que procurar no Inverno: a camarinha

 Procurar a camarinha em flor é uma excelente razão para sair de casa por estes dias de Inverno. Os melhores locais são as dunas, arribas rochosas, pinhais e zimbrais no litoral, sugere a botânica Carine Azevedo.

Caminha na Marinha Grande. Foto: Júlio Reis/WikiCommons

Já muitos terão ouvido falar em camarinhas, umas pequenas bagas brancas com um agradável e revitalizante sabor ácido e fresco, que torna o seu paladar tão peculiar.

O que a maioria desconhece é a origem destes pequenos frutos, uma pequena planta arbustiva com o mesmo nome – a camarinha (Corema album).

A camarinha

A camarinha, ou camarinheira, é uma espécie arbustiva da família Ericaceae que liberta uma intensa e espetacular fragrância, semelhante ao mel.

É um arbusto perenifólio, muito ramificado desde a base, e que pode crescer até um metro de altura. Os caules são glabros, com ramos verticilados, mais ou menos erectos e os ramos do ano são tomentosos e acinzentados.

As suas folhas são pequenas, lineares, estreitas, alternas, aproximadamente verticiladas, revolutas, com comprimento entre 6 e 10 mm e largura de 1 mm. São verde-escuras, brilhantes, glabras ou raramente pilosas quando jovens.

A floração pode ocorrer entre o final do inverno e o início da primavera, mais precisamente a partir de janeiro estendendo-se até abril.

As flores não são muito vistosas, possuem dimensões muito reduzidas e passam muitas vezes despercebidas. São actinomorfas e surgem geralmente dispostas em inflorescências. O número de flores por inflorescência está dependente do sexo/género; no entanto, no máximo cada inflorescência apresenta até 20 flores.

Esta espécie é geralmente descrita como sendo dioica, contudo já foram encontrados alguns exemplares hermafroditas, muito em particular em duas regiões, uma no sudoeste de Espanha – em Asperillo e outra no sul de Portugal – em Vila Real de Santo António.

As flores masculinas e femininas são semelhantes. Ambas são constituídas por três sépalas e três pétalas e são ambas avermelhadas. As flores masculinas surgem dispostas em fascículos mais ou menos condensados e terminais e são providas de brácteas protetoras. As flores femininas são solitárias ou surgem aos pares e são ligeiramente mais rosadas.

O fruto é uma pequena drupa globosa, geralmente de cor branca, que pode apresentar uma tonalidade rosa ou até mesmo parecer translúcida e de sabor ácido. Cada fruto contém duas a quatro sementes, sendo o mais comum três sementes.

O aparecimento do fruto ocorre no verão ou no início do outono, entre os meses de julho e outubro.

Endemismo ibérico

A camarinha é uma espécie endémica do Ocidente Ibérico e do Arquipélago dos Açores, onde existe uma população isolada, que corresponde à subespécie Corema album subsp. azoricum, que ocorre nas ilhas de São Miguel, Pico, Faial, São Jorge e Graciosa.

Em Portugal a camarinha é frequente por toda a faixa litoral do país, estando as maiores populações desta espécie concentradas entre a Nazaré e Ovar, na região centro-norte e de Sines a Tróia, a sudoeste de Portugal.

É uma planta particularmente comum em sistemas dunares, arribas rochosas e também em pinhais e zimbrais que se encontrem próximos de sistemas dunares.

Camarinha. Foto: Pampuco/WikiCommons

As comunidades dominadas por camarinha são conhecidas como camarinhais e constituem frequentemente as orlas de zimbrais, onde também é comum a abundância de espécies como a sargacinha (Halimium calycinum), estevinha (Cistus salvifolius), perpétua-das-areias (Helichrysum picardi), tojo-chamusco (Stauracanthus genistoides), tomilho-carnudo (Thymus carnosus), sabina-das-praias (Juniperus turbinata), entre outros.

A camarinha desenvolve-se em condições extremas de temperatura e de falta de água sobretudo no período de verão, em solos pobres, preferencialmente com textura arenosa e pH compreendido entre 5,6 e 7,8.

A beleza e aroma desta planta, aliadas à sua resistência à secura, e a possibilidade de se desenvolver em substratos arenosos e pobres, conferem-lhe um potencial ornamental elevado, ainda que pouco comum. A camarinha pode ser plantada em canteiros, bordaduras ou em vasos, desde que em solos soltos e bem drenados, de forma isolada ou em associação com outras espécies psamófilas.

Esta espécie tem uma polinização do tipo anemófila, o que significa que depende do vento para fazer a dispersão do seu pólen. Já relativamente à dispersão das sementes, esta é do tipo zoocoria, ou seja, depende dos animais, que se alimentam dos seus frutos e consequentemente ajudam na propagação da espécie. As gaivotas, melros e coelhos são os principais responsáveis pela disseminação das sementes e propagação da planta.

Pérola do Atlântico

A camarinha é conhecida sobretudo pelo seu fruto – bagas brancas, semelhantes a pérolas, daí muitos as conhecerem como as pérolas do Atlântico. Internacionalmente é conhecido como Portuguese Crowberry.

O fruto, além da sua cor branca, rara nos frutos, e de sabor doce, é um excelente e apetitoso fruto natural de época que apresenta um valor nutricional elevado e características antioxidantes significativamente importantes.

A camarinha pode ser consumida fresca, como aperitivo, usada em limonadas pelo seu sabor ácido, compotas, geleias, caldas e licores, ou ainda processada e transformada sob a forma de biscoitos.

A utilização desta planta para fins medicinais já é antiga. Os frutos foram usados, noutros tempos, como antipiréticos e vermicidas.

A incorporação destes frutos numa dieta saudável pode trazer benefícios para a saúde.

Estudos recentes corroboram essas propriedades. Os extratos das folhas e dos frutos têm demonstrado que possuem propriedades antipiréticas e anti-helmínticas e podem ser empregues no tratamento de algumas doenças, nomeadamente no combate ao stress oxidativo, a principal causa de doenças hepáticas e da doença de Parkinson.

Flores da camarinha. Foto: Júlio Reis/WikiCommons

Além da sua utilização alimentar e medicinal, a planta também já terá sido usada no fabrico de vassouras e escovas, muito em particular graças à ramificação densa e erecta e às folhas curtas e grossas, será essa a origem do seu nome científico. O termo genérico Corema deriva do grego korema, que significa vassoura, precisamente pelo facto de esta planta já ter sido usada para fazer vassouras. O restritivo específico album deriva do latim albus – branco, referindo-se à cor dos seus frutos.

Poesia e lendas

Ainda que pouco conhecida para muitos, a camarinha faz parte da nossa história. São inúmeras as referências a esta planta em lendas, cantigas populares ou mesmo nomes de localidades.

Existe uma lenda em particular, retratada num poema, de que as camarinhas terão surgido pelas lágrimas da rainha Santa Isabel, que procurava, chorosa, nos pinhais de Leiria, o rei Dom Dinis.

“Dizem que Santa Isabel
Rainha de Portugal
Montando branco corcel
Percorria o seu pinhal!
-“Ai do meu Esposo! Dizei!
Dizei-me, robles reais!
Meu Dinis! Senhor meu Rei!
Em que braços suspirais?!…
Os robles silenciosos
Do vasto Pinhal do Rei
Responderam receosos
– não sei!…
E o pranto da Rainha
Nas suas faces rolava,
Regando a erva daninha
No pobre chão que pisava!
– “ ó meu Pinhal sonhador
Que o meu Rei semeou!
Dizei-me do meu Amor
E se por aqui passou…”
Os robles silenciosos
Do vasto Pinhal do Rei
Responderam receosos:
– Não sei !…
Mas cristalizou-se o pranto
Em muitas bagas branquinhas
E transformou-se num manto
De brilhantes camarinhas!…
Eis que repara a Rainha
Numa casa iluminada…
– “ Quem vela nesta casinha
Numa hora adiantada ?!…”
Os robles silenciosos
Tão tristes que nem eu sei,
Responderam receosos:
– O Rei!…”

(autor desconhecido)

São mais de 20 as designações toponímicas associadas à camarinha ou à camarinheira. São inúmeras as ruas, travessas, largos ou vales com referência a esta planta que, embora coincidam na sua maioria com a distribuição litoral, surge também em localidades de contexto ecológico muito distante das exigências da espécie, cuja origem pode estar relacionada com outros significados ou derivados das palavras. Por outro lado também revela que num determinado momento, ao longo dos séculos, esta terá tido uma importância significativa naquela região.

Broom-crowberry – a Corema das Américas

A camarinha tem despertado um interesse crescente por parte da população e da comunidade científica, relacionado com a utilização dos seus frutos como alimento funcional e devido às suas potencialidades medicinais.

No entanto, a regressão do seu habitat natural, consequência de efeitos antropogénicos, coloca esta planta em perigo de extinção, daí ser muito importante a sua preservação. É importante recordar que a sua distribuição é limitada a ambientes costeiros da Costa Atlântica da Península Ibérica – não existe em mais nenhuma região do mundo de forma espontânea.

Além da camarinha (Corema album) existe apenas mais uma espécie pertencente ao género Corema: a broom-crowberry (Corema conradii). Trata-se também de uma espécie endémica, cuja distribuição geográfica ocorre do outro lado do oceano atlântico. Esta espécie desenvolve-se em sistemas dunares sob as rochas graníticas e ígneas das montanhas costeiras do noroeste dos Estados Unidos e sudeste do Canadá. Distingue-se facilmente da camarinha pelo fruto, de tamanho mais reduzido, desprovido de polpa e coberto com apêndices oleosos associados à dispersão pelas formigas.

Desafio-vos a procurar esta planta única, num dos vossos próximos passeios ao longo da bela costa Portuguesa! E lembrem-se, se estiver com frutos podem provar, mas não os colham todos, para que sirvam de alimento aos animais selvagens que também ajudarão à sua disseminação e sustentabilidade.

Dicionário informal do mundo vegetal:

Perenifólio – de folha persistente ou folha perene. Arbusto que mantém as folhas verdes ao longo de todo o ano, fazendo a sua renovação gradual sem que fique despido.
Glabro – sem pêlos. 
Verticilado – quando 3 ou mais órgãos semelhantes (por ex. ramos, folhas) se dispõem no mesmo nó.
Linear – folha estreita e comprida, com margens quase paralelas.
Alterna – folha que ao longo do caule se insere de forma alternada, uma em cada nó.
Actinomorfa – flor com simetria radial, ou seja a flor pode ser dividida em várias partes iguais.
Inflorescência – forma como as flores estão agrupadas numa planta.
Dioica – espécie que apresenta flores unissexuadas, femininas e masculinas, ocorrendo em indivíduos diferentes.
Hermafrodita – flor que possui órgãos reprodutores femininos (carpelos) e masculinos (estames).
Sépala – peça floral, geralmente verde, que forma o cálice.
Pétala – peça floral, geralmente colorida ou branca, que forma a corola.
Fascículo – conjunto de flores reunidas em grupo.
Bráctea – folha modificada, localizada na base da flor que a protege enquanto está fechada.
Drupa – fruto carnudo que contém uma única semente, protegida por um caroço duro.
Endémica – espécie nativa de uma região, com uma distribuição muito restrita.

Carine Azevedo

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Santa Sé eleva igreja matriz de Torre de Moncorvo a Basílica

 O Papa Francisco, através de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, assinado a 12 de janeiro de 2022, concedeu o título de Basílica menor à igreja matriz de Torre de Moncorvo, na Unidade Pastoral de S. José, Arciprestado de Moncorvo.


Esta atribuição reconhece a importância deste templo na ação pastoral, litúrgica e espiritual e o seu valor patrimonial e arquitetónico.

A celebração solene da promulgação do título está prevista para o dia 18 de julho de 2022, memória do Arcebispo São Bartolomeu dos Mártires. Assim, o dia 18 de julho ficará a ser o dia do aniversário da Basílica.

No uso cristão, a basílica é um edifício sagrado, sendo que se dividem em duas categorias: as basílicas maiores (as papais, que são quatro, e são elas a de S. Pedro, a de São Paulo Fora-de-Muros, a de S. João de Latrão e a de Santa Maria Maior) e as basílicas menores.

Em 2014, a igreja-santuário de Santo Cristo de Outeiro também foi elevada a Basílica, sendo a única em Portugal situada em meio rural.

O início da construção da igreja matriz de Moncorvo (Nossa Senhora da Assunção) remonta ao ano de 1544 no local de um templo paroquial primitivo.

Situada no Largo General Claudino, em pleno centro histórico da vila, a nova Basílica apresenta um estilo quinhentista, com uma fachada onde domina uma possante torre sineira, com relógio, e rematada por balaustrada. A sua planta é retangular e tem três naves à mesma altura, bem como uma capela-mor retangular, absidíolos, sacristia e alpendre lateral.

«Na sua parte inferior situa-se um belo pórtico renascentista. No interior existem retábulos dos séculos XVII e XVIII e um magnífico órgão de tubos no coro alto.

O interior do templo encontra-se organizado segundo o esquema de hallenkirchen (igrejas-salão), sendo os cinco tramos das naves abobadados à mesma altura.

A capela-mor ostenta na parede fundeira um retábulo barroco de talha dourada, e nas paredes laterais frescos alusivos a cenas bíblicas, entre as quais uma “Última Ceia”. Outra notável campanha moderna foi a que deu origem ao retábulo lateral na nave do Evangelho, do século XVII, com painéis alusivos à “Paixão de Cristo”.

A igreja é um dos imóveis com maior valor arquitetónico do distrito, considerado mesmo Monumento Nacional desde 16 de junho de 1910.

A proposta de elevação a Basílica foi lançada por D. José Cordeiro e contou com a colaboração da Conferência Episcopal Portuguesa (que na Assembleia Plenária de junho de 2020 deu parecer positivo), do Conselho Presbiteral da Diocese de Bragança-Miranda, da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, da Direção Regional de Cultura do Norte, da Junta de Freguesia de Moncorvo, da Unidade Pastoral de São José e de muitas pessoas e instituições.

O templo tem culto regular.

SDCS

Matriz de Torre de Moncorvo tem em curso projeto de conservação e restauro

 Igreja Matriz de Torre de Moncorvo: Conservação e restauro das pinturas murais da capela-mor. Esta intervenção insere-se no âmbito de uma candidatura para requalificação e valorização da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo, com um valor global de 204.900,00 euros
.

A capela-mor da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo possui uma pintura integral, sobre granito na abóbada de berço, cornija, arco cruzeiro e enxalços dos vãos, e sobre reboco nas paredes. O conjunto pictórico denota o resultado do mau estado de conservação do edifício, particularmente as pinturas sobre reboco dos alçados.

A degradação resultou sobretudo de infiltrações de águas pluviais, provenientes quer das coberturas, quer dos vãos. As intervenções realizadas no edifício pela Direção Regional de Cultura do Norte, nos últimos anos, atuaram sobre as referidas causas de degradação. Agora, os trabalhos constarão, genericamente, de estabilização do suporte e revestimentos pictóricos.

Esta empreitada foi objeto de consulta prévia tendo sido efetuada a adjudicação à empresa Intonaco, Conservação e Restauro pelo valor de 56.780,00 euros, a que acresce a taxa de IVA.

A obra iniciou-se ainda no passado mês de Dezembro de 2021, com a execução dos trabalhos preparatórios de análise e diagnóstico, encontrando-se já a decorrer a intervenção de conservação e restauro das pinturas.

Esta intervenção insere-se no âmbito de uma candidatura para requalificação e valorização da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo, com um valor global de 204.900,00 euros, apresentada pela Direção Regional de Cultura do Norte ao Aviso 2020-87 – Património Cultural do programa NORTE 2020. Esta candidatura inclui também uma empreitada de “Reabilitação do alpendre sul e das portas da Igreja matriz de Torre de Moncorvo” e uma intervenção de “Mapeamento das deteriorações da pedra existentes nos portais da igreja”, ações que se iniciarão durante o ano de 2022.

A Igreja matriz de Torre de Moncorvo encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto de 16-06-1910 e, sendo propriedade do Estado Português, encontra-se afeta, para efeitos de gestão e abertura ao público, à Direção Regional de Cultura do Norte.

Algumas tradições do Carnaval (em Trás-os-Montes e Alto Douro)

 Em Paradinha Nova fazem bonecos de palha, no dia de Carnaval, e distribuem-nos pelos bairros da aldeia. À noite, embarram-nos em árvores e destroem-nos à pancada, com paus. 
Em Pinela e Babe, os vizinhos entram em casa no dia de Carnaval e trocam a panela do butelo por outra onde há apenas cebola. 
Em Babe levam a panela para a rua. Em Babe, terça-feira à noite, mascaram-se adultos e crianças e vão a casa dos vizinhos sem se deixarem reconhecer. Chamam-se farramechos ou farramasqueiros. Em Pinela, na segunda-feira à tardinha, fazem um boneco e vão escondê-lo numa casa qualquer, sem o dono saber. Na terça-feira à tarde, dão volta à aldeia a saber do entrudo. Na casa onde for encontrado têm de lhes dar de comer. Na quarta-feira de tarde queimam o entrudo. 
Em Penhas Juntas, na terça-feira de Carnaval, os rapazes desfazem a cama às raparigas e as raparigas aos rapazes. Se for necessário entram pela janela e deitam farinha ou açúcar na cama. Na noite de Carnaval, rapazes e raparigas também se vestem de caretos e vão pedir pelas casas. 
Nas aldeias da Bouça e Ferradosa jungem dois burros e com um arado fazem que lavram. Dois homens trazem um saco de cinza e fazem que vão semeando, enquanto deitam cinza às pessoas. 
Em Carrazedo, no dia de Carnaval à noite, os rapazes fazem um boneco de palha e vão colocá-lo à porta das moças. Cada uma durante a noite, vigia e, se o boneco de palha estiver à sua porta, vai colocá-lo a outra. De manhã, a moça onde estivesse o boneco de palha não casava.
Estes elementos são extraídos da revista Brigantia (Bragança, 1987), dirigida pelo investigador Belarmino Afonso. Algumas das tradições, com uma ou outra variante, são comuns a todo o país, como deitar cinza (farinha ou água) às pessoas, usar máscaras e queimar o Entrudo. 
Em Podence (Macedo de Cavaleiros) os caretos são vistosos e barulhentos, havendo quem pense tratar-se da figuração de forças obscuras da natureza como o Espírito da Vegetação ou uma espécie de demónios brincalhões a que não é alheia uma tradição que ganhou corpo nos autos populares.
As máscaras de Lazarim (Lamego) são também muito expressivas, tendo-se já convertido numa poderosa atracção turística. Costume bem pitoresco é ainda o do Cavalinho que se usava e se vê cada vez menos nas aldeias durienses.

© António Cabral [1931-2007] foi um poeta, ficcionista, cronista, ensaísta, dramaturgo, etnógrafo e divulgador da cultura popular portuguesa.

Amparo: quando um restaurante serve de mote para mudar de vida

 Da cidade para o campo, da horta para a mesa. Neste novo restaurante, os produtos da terra alinham-se com a cozinha de autor e servem de amparo ao sonho de mudar de vida.


Deixar a cidade para cozinhar produtos locais e dedicar-se à agricultura. O sonho moveu dois jovens engenheiros informáticos a mudar de vida. Com foco nos produtos da terra, abriram o restaurante Amparo, em Torre de Moncorvo, na última primavera.


João e Daniel trabalhavam juntos numa empresa do Porto. Os dois engenheiros informáticos, um apaixonado pela cozinha, o outro pela agricultura, sonhavam mudar de vida e dedicar-se ao que mais gostam de fazer, respetivamente, cozinhar e produzir. A oportunidade surgiu na primavera passada quando um espaço camarário, inserido no Jardim Doutor Horácio de Sousa, ficou vago.

Aproveitaram a oportunidade e mudaram-se de armas e bagagens para Torre de Moncorvo, onde Daniel tem raízes familiares.


Com a ambição de “mostrar cozinha de autor em Trás os Montes com produtos da estação, focar produtos e produtores locais”, abriram o Amparo em maio, do último ano. A sala despojada e luminosa, a esplanada ampla e a música enquadram uma cozinha ligada à terra, motivada pela vontade de fazer diferente.

Vinho, amêndoas e mel são os produtos estrela da região e também do Amparo, a que se acrescentam as carnes e os vegetais, micro legumes e aromáticas que aos poucos vão nascendo na horta de Daniel.

Traduzem-se em pratos como o “Croquete de alheira” (€2), para começar, a “Torricada de presunto bísaro e queijo fresco” (€6), os “Ovos rotos com chouriça” (€6), ou os “Cogumelos e gema de ovo” (€4). Nos principais, destacam-se a “Costeleta de borrego com mel” (€15), as “Espetadas de frango em pau de louro e milhos” (€9), o “Porco bísaro e arroz de cogumelos cremoso” (€13) ou a tradicional “Posta” (€17). O  “Hambúrguer do chef” (€10) e a “Francesinha à transmontana” (€11) são alternativas.

Uma das apostas do espaço passa também pelo fogo, onde são finalizados a maioria dos pratos. Para começar, o pão feito na casa acompanha manteiga com alho carbonizado e patê de azeitona.


Mercearia Amparo

O pão de massa mãe, servido e vendido no restaurante, em vários tamanhos com sabor de antigamente, é um dos produtos-chave e um dos primeiros da mercearia Amparo, a funcionar apenas online e cujo objetivo passa por se expandir para a entrega de cabazes compostos por produtos locais e da horta própria, tanto para os habitantes da vila como para clientes mais distantes.

Naturalmente, também os vinhos são montra do melhor que se faz na região, em particular no Douro Superior, com diversas referências servidas a copo.

Restaurante Amparo (Av. Eng. Duarte Pacheco, Torre de Moncorvo. Tel. 913718084) conta ainda com uma agradável esplanada, perfeita para os dias de sol e para o tempo estival. Está aberto para almoço e jantar todos os dias, das 12h30 às 14h30 e das 19h00 às 22h30, exceto à segunda e à terça-feira, dias de descanso.

Ana Maria Fonseca

Bragança vai resgatar igreja leiloada

 O município pondera destinar o espaço à criação de um museu de arte sacra ou de arqueologia.
A Câmara de Bragança vai resgatar a igreja leiloada exercendo o direito de preferência.

Em entrevista à Renascença, o presidente da autarquia, Hernâni Dias, revela que “os valores do resgate andam na ordem dos 420 mil euros, porque são dois edifícios”.

"Esta aquisição não colocará em causa a saúde financeira do município”, garante.

A igreja do Convento de São Francisco foi arrematada num leilão no âmbito de um processo que deu entrada no tribunal de Bragança em 2007, de cobrança de uma dívida por parte de um empreiteiro. E chegou a ser arrematada por uma construtora de Setúbal.

Mas a Câmara Municipal decidiu exercer o direito de preferência e Hernâni Dias acredita que, “no espaço de um mês, um mês e meio, teremos todo este processo devidamente resolvido”.

Confirma a intenção da Câmara Municipal em exercer o direito de preferência?

A Câmara Municipal está disposta a exercer o seu direito de preferência para resgatar estes dois imóveis. Trata-se da igreja e também do edifício que é contíguo e que é a casa do despacho. São dois imóveis com algum valor arquitetónico, valor patrimonial e cultural. Se me perguntar neste momento qual é o destino que terão os dois imóveis, eu tenho duas ou três ideias.

E pode partilhá-las?

Posso. Não significa que seja necessariamente o que eu vou dizer, mas poderá passar por aí. Por exemplo, termos ali um museu de arte sacra, porque a igreja tem ali património muito valioso no seu interior. E também eventualmente até o museu arqueológico, tendo em conta que ali também já foram trabalhos arqueológicos na naquela zona.

Tudo isso poderá permitir-nos, no âmbito do Portugal 2030, fazer ali um projeto financiado e nós conseguirmos dotar o município de Bragança de mais equipamentos, que continuem a fazer tornar o município cada vez mais atrativo. Nós estamos ainda numa fase muito embrionária do processo. Ainda nem sequer os imóveis estão na posse do município. Vamos agora desenvolver todo o processo nesse sentido, toda a tramitação legal que é necessária, porque ainda vamos ter de receber uma notificação da agente de execução para podermos exercer o direito de preferência.

O desenlace final de toda esta situação poderá não estar longe ou ainda é um processo burocrático que se poderá prolongar no tempo?

Não, eu acho que é um processo burocrático relativamente rápido. Eu creio que no espaço de um mês, um mês e meio sensivelmente teremos todo este processo devidamente resolvido sob o ponto de vista administrativo.

Vamos então falar dos valores do resgate

Os valores do resgate andam na ordem dos 420 mil euros, porque são dois edifícios: a Igreja e também a casa do despacho. Uma delas ultrapassou os 200 mil euros e a outra ficou ali muito próximo, nos 199. Portanto, nós vamos querer resgatar os dois, o que totaliza um montante na ordem dos 420 mil euros.

É um esforço acrescido por parte da autarquia. Não coloca em causa as suas finanças?

Vamos ter que fazer aqui algumas alterações orçamentais, porque não tínhamos essa capacidade imediata de podermos suportar este investimento, mas de qualquer forma fá-lo-emos. Não estará aqui em causa a saúde financeira do município pelo facto de procedermos a esta aquisição.

Henrique Cunha

Domus Brigantiae

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Não é fácil ler o Ernesto José Rodrigues! O narrador é um camaleão metamorfótico que vai variando ao longo da trama que desafia constantemente o leitor a rever, a reler, a focar-se e interrogar-se sobre o fio da história que o autor nos conta. É assim no Romance do Gramático. É difícil mas igualmente desafiante.
Contudo, esta dificuldade e desafio transformam-se em prazer e fascínio na sua obra mais recente: A Casa de Bragança. Porque esta, ao contrário daquela, não é uma historia que se acompanha e segue atentamente, antes  é  um conjunto harmonioso de histórias que nos procuram, que nos agarram, que nos envolvem. Leio o Ernesto de forma sequencial mas adivinho-me a relê-lo de forma arbitrária saltando de capitulo em capítulo certo que a mensagem não se adultera, antes se confirma e tomará, quiçá novas formas, novas mensagens, novas sensações. A metamorfose aqui é das circunstancias e não do narrador que “apenas” lhe vai dando (mesmo que com sujeitos diferentes) o fio que as une e que as conduz. Sendo relatores de todas as peripécias brigantinas, os vários sujeitos que nos falam, apagam-se por trás dos fascinantes episódios e são estes que nos prendem a atenção. Aqueles subentendem-se com naturalidade independentemente da sua verdadeira identidade! 
 
Não me achando competente para o classificar, não me arrisco muito garantindo que, contrariamente ao que de início esperava, a Casa de Bragança não é  um romance! Apesar da ficção que o autor brilhantemente verteu na obra, há um trabalho intenso e exaustivo de pesquisa histórica e bibliográfica que lhe conferem rigor fatual mas não o transformam num documentário sobre a urbe nordestina. Também não é a defesa de uma tese que existe de facto e que é brilhantemente exposta e sustentada. Vai mais longe que isso.
Para classificar a obra haverá gente bem melhor apetrechada e documentada que eu. Do que eu quero falar é das sensações que o livro me desperta… admitindo desde já a minha incapacidade de me distanciar, do local, do tempo e do autor.
 
Leio o Ernesto e retrocedo, na companhia do escritor, quarenta anos para a Bragança misteriosa e sedutora da nossa juventude. De uma forma estranha. Familiarmente estranha! Fascinantemente estranha. Porque a viagem que este velho amigo me proporciona não é de um simples recordar de tempos idos. Não é a revisita de gente conhecida. Muito menos e muito especialmente não é uma viagem na memória a lugares familiares. Os lugares estão lá. Reconheço-os. Mas não da forma como os vi, nessa data, nem tão pouco como os vejo agora sempre que regresso. Estão lá sim, mas agora escancarados. Estão lá com todas as histórias que nessa altura já adivinhava, todas as fantasias que me prometiam, mas que, igualmente, escondiam. O Ernesto mostra-as abrindo as cortinas mágicas e todos os sonhos de infância, toda a mitologia fantástica, ganha vida e é real, é histórica e veste a paisagem com todo o peso humano que incognitamente carregavam. As pedras da calçada, os muros das igrejas, as ameias das muralhas, a silhueta dos pelourinhos já não estão sós mas fazem-se acompanhar de gente simples, de servos, de mercadores, de príncipes e condes, de soldados, padres, frades e senhores feudais, de rameiras, ladrões, malfeitores, assaltantes e pedintes!
 
Leio o Ernesto e lembro-me de uma história fabulosa da minha infância: o conto do Touro Azul. De que não vou falar já, porque, por um lado, o espaço mo não permite mas também e, sobretudo, porque o tempo o não consente. Falar agora do Touro Azul seria tirar-lhe o sentido que sempre teve. Fica a promessa de lhe dedicar uma próxima crónica. Confesso que, já várias vezes a ensaiei escrever nestas páginas mas que nunca fiz, e ainda bem, pois perderia o momento adequado que é este, depois de ler a fabulosa Casa de Bragança!

José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia) e A Morte de Germano Trancoso (Romance), Canto d'Encantos (Contos) tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

quase poema... ou das memórias

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Abril chegou e os carrascos fugiram para o Brasil... acoutaram-se no silêncio... resistiram. 
O tempo passou em galope de cavalo... as memórias  esmoreceram... e poucos se lembram dos horrores da polícia de estado... da guerra... do martírio... do pensamento amordaçado... poucos se lembram dos pobres andajosos... dos ciganos que deambulavam pelos povoados e pela fome... das famílias que repartiam uma sardinha para três  pessoas... dos trabalhadores que mendigavam uma jeira por uma côdea de pão... da saúde e educação somente para minorias abastadas... dos tontinhos que estendiam a mão  à caridade... das aldeias vilas e cidades sem saneamento, de cântaro no braço para ir à fonte... da longa noite da candeia... dos idosos sem pensão... do país sem Serviço Nacional de Saúde... da fome de imensas famílias... do mourejar de sol a sol amanhando a terra ... ceifando o centeio... cozendo o pão... remendado a roupa... lavando no rio... das mulheres obedientes e domésticas sem direito ao voto... das eleições de partido único... do assassinato de Humberto Delgado... poucos se lembram... e os carrascos acordaram da longa hibernação... a democracia os tolerou e em breve regressarão em esplendorosa alvorada... cavalgando a falsa moral e os bons costumes...vitoriosos!

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

A DEMOCRACIA DE MUITOS " DEMOCRATAS"

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Certa vez, vendo na minha rede social, foto da Princesa Isabel, do Brasil, que tinha tanta de bondade como feiura, resolvi comentar a fotografia, enviada por amigo.
Escrevi, o seguinte: "Uma grande Senhora! Digna da admiração de todos, principalmente dos brasileiros.
Volvido dias, ao consultar a rede social, deparei com alerta. Era de senhor desconhecido, que em termos reles, dizia mais ou menos isso: " Só néscio é que elogiava tal figura."
Agora coloco só: "gosto". Os comentários – críticas e elogios rasgados, – se os há, faço em recato.
Tio-avô, dizia meu pai – para evitar incómodos em época de revoluções, ao perguntarem-lhe nas barreiras de milícias: " Quem viva?" respondia: " Viva você e mais quem você quiser..."
Estratagema astuto, que lhe permitia circular pelas hostes rivais de militares e civis armados, sem ser preso.
Infelizmente, quem escreve e tem a ousadia de levar o texto a publico, corre sério risco de ser enxovalhado, quando aborda tema: religioso, político ou até sobre educação.
É o grave risco de quem pensa, raciocina e divulga ideias e opiniões que não se encontram na moda.
Mas creio, que vale a pena arriscar...
É lamentável, que em democracia, ainda não se respeite a liberdade de expressão. Que cada qual não possa expor livremente, o que pensa, sem ser insultado na praça publica.
Estamos em época onde todos têm que seguir a vontade da maioria (ou será da minoria agressiva e atrevida?)
É que, para o vulgo: pensar, refletir, pesquisar, concluir, após aturado estudo, dá trabalho. Mais cómodo é dizer, os que os fazedores de opinião ou líderes políticos, querem.
Quem tiver ideias próprias, for divergente do que está na berra, é abafado pelos brados ou maltratado pelos energúmenos.
É a democracia de muitos " democratas".

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

A necessidade de um interior mais urbano

DR
 É necessário um aumento da liberdade dos municípios para definirem a sua própria carga fiscal ou a negociação de condições de trabalho através de uma concertação social a nível local.
Muito se tem falado, escrito e discutido sobre os problemas do interior de Portugal, as respetivas causas e possíveis soluções. Todavia, a realidade que se observa é dura e as evidências são claras: o principal problema do interior continua a ser, usando expressões correntes, a emergência demográfica. Esta traduz-se quer na redução da população residente, como no envelhecimento cada vez mais acentuado da mesma, segundo os dados obtidos no Censos 2021. Depois de tanto investimento em coesão territorial e estratégias para fixar e,até mesmo atrair pessoas e empresas, o que é que está a falhar?

Não sendo especialista nestas matérias, gozo da experiência de vida de quem nasceu e cresceu no coração do Alentejo, viveu, estudou e trabalhou por Lisboa e fora do país e se fixou recentemente em Viseu. Usando esta última mudança como exemplo, há muito tempo que não me identificava com Lisboa e tinha o objetivo de me mudar para um lugar com melhor qualidade de vida para a minha família. No entanto, esta vontade esmorecia na simples pergunta “como vamos ganhar a vida numa cidade mais pequena de interior?”. Em conversa com vários amigos, apercebi-me que esta é uma questão na cabeça de várias pessoas, pelo que podemos considerar que até existe um potencial de atração de população para as regiões do interior, pela possibilidade de uma melhor qualidade de vida e de um custo de vida mais baixo. Então, porque é que pouca gente arrisca nesse sentido? Principal motivo: falta de oportunidades.

Basta perguntar aos jovens que crescem e vivem no eixo Bragança-Guarda-Castelo Branco-Portalegre- Évora-Beja, qual é a sua perspetiva de futuro e as respostas dividem-se entre os que têm condições para procurarem oportunidades de uma vida melhor em cidades maiores, normalmente localizados no litoral, e os que não tendo condições para mudar, se conformam em construir uma vida nestas regiões a partir das poucas oportunidades existentes. Como é que se pode mudar esta tendência?

Antes de mais, é preciso desmistificar a divisão entre “litoral” e “interior” e perceber que a verdadeira causa das assimetrias observadas resulta da diferença entre “urbano” e “rural”. Quanto maior for um centro urbano, maior capacidade terá para atrair população de outras regiões, uma vez que a concentração de pessoas aumenta as oportunidades de negócio e de trabalho ao mesmo tempo que permite alguns ganhos de eficiência derivada da proximidade entre as pessoas. Por razões históricas, em Portugal os maiores centros urbanos desenvolveram-se junto ao litoral, resultando na assimetria demográfica que hoje temos no nosso território.

Um dos principais desafios que as regiões do interior de Portugal enfrentam é a necessidade de encontrarem formas de integrarem as atividades tradicionalmente ligadas ao mundo rural, com o desenvolvimento de centros urbanos capazes não só de complementar e acrescentar valor aos produtos agrícolas, mas também de desenvolver outras atividades ligadas a setores que não tenham necessariamente uma relação com o meio rural. Existem já exemplos nesse sentido: o principal empregador privado em Mangualde é a PSA; Évora tem apostado no desenvolvimento de um cluster aeronáutico; a Covilhã procura diferenciar-se através da atração de empresas ligadas às tecnologias de informação.

Viseu é também um outro exemplo, sendo até o único concelho localizado numa região interior considerado com um grau de desenvolvimento equivalente aos concelhos do litoral. E basta analisar o contexto deste concelho para perceber que este desenvolvimento não foi alcançado através de uma aposta em atividades relacionadas com a agricultura mas sim com a diversificação de atividades típicas de meios mais urbanos como serviços, indústria, turismo, construção civil e tecnologias de informação. Mais uma vez, não quero com isto minimizar a agricultura, mas aceitar que não será a agricultura a criar grandes necessidades de recursos humanos qualificados.

No entanto, a agricultura poderá contribuir para o desenvolvimento de outros setores relacionados com a sua atividade. Uma forma de o fazer seria através da criação em cidades do interior de clusters de empresas tecnológicas especializadas em agricultura, com o objetivo de desenvolver, produzir e fornecer soluções de monitorização e automatização dos processos produtivos na agricultura. Este tipo de clusters, posicionados também para o mercado global, poderiam vir a compensar os postos de trabalhos perdidos na agricultura, gerando oportunidades de emprego para jovens e outras pessoas de fora da região, tanto para trabalho mais operacional, como em funções qualificadas.

Para que este tipo de desenvolvimento possa ocorrer é necessário criar condições para tal. Isso passa por resolver os problemas de acessibilidade e mobilidade, nomeadamente, assegurar ligação ferroviária e encontrar uma solução definitiva para o problema do IP3. Mas a economia não cresce apenas pelas infraestruturas, pelo que é necessário também reforçar a descentralização do Estado e dotar os municípios de instrumentos que possam aplicar para tornar os seus territórios mais competitivos e atraentes para empresas e pessoas, seja pelo aumento da liberdade para definirem a sua própria carga fiscal ou pela negociação de condições de trabalho através de uma concertação social a nível local.

Estas são apenas algumas medidas que poderiam contribuir para termos um interior mais urbano e capaz de criar oportunidades interessantes para fixar e atrair mais pessoas e empresas, potenciando assim o crescimento económico que permita gerar riqueza e proporcionar uma vida melhor para todos, tanto no interior como no resto do País.

Miguel Lemos Santos

Agricultores de Gostei queixam-se de prejuízos por falta de arranjo dos caminhos

 Vários agricultores da freguesia de Gostei, em Bragança, queixam-se que a falta de limpeza de vários caminhos da freguesia está a provocar prejuízos.


O Mensageiro foi ao terreno e constatou que vários caminhos que dão acesso a propriedades agrícolas estão intransitáveis, seja pela acumulação de mato e silvas que impedem que se circule, inclusivamente, a pé, seja pelo deslizamento de terras que impede a passagem. Desta forma, vários agricultores são obrigados a deslocações maiores, com os consequentes gastos de combustível, enquanto, noutras situações, são os próprios proprietários a ter de ceder passagem pelos seus terrenos aos vizinhos pelo facto de os caminhos não poderem ser utilizados, deixando algumas terras por cultivar e vendo lameiros destruídos pela passagem dos veículos agrícolas.

Amadeu Fernandes, um dos maiores produtores de gado do concelho de Bragança, não esconde a revolta com a situação.

"Os caminhos não têm condições nenhumas para as pessoas acederem às suas propriedades. Estamos a falar de trocos para os tornar acessíveis a todas as propriedades. Os que estão limpos e dão acesso às nossas propriedades são feitos pelos próprios particulares", relata.

Amadeu Fernandes aponta "várias situações". "Um caminho desabou há um ano e meio e já precisa de uma intervenção maior. Nos outros basta cortar silvas e ramos de árvores. Já estão de tal forma grandes que já não se passa nem a pé. Passamos pelas terras uns dos outros mas as pessoas estão a ficar cheias pois tem de se deixar de cultivar para deixar passar os outros. Há caminhos que não são intervencionados há oito anos", acusa.

Já António Pinto fala em "muitos constrangimentos". Há caminhos onde não se consegue passar. Há terrenos aonde não consigo ir.

Temos de improvisar passagens para chegar às nossas propriedades. Obriga a deslocações maiores e a mais gastos por causa disso", sublinha.

Por sua vez, João Fernandes diz que esta "é uma situação que afeta todos". No seu caso, tem de "contornar e andar quase o dobro da distância" para chegar às suas propriedades. Noutras situações, "as pessoas passam pelo lameiro do vizinho". "Não se percebe como é que o caminho está intransitável. E se as pessoas passam lá, estragam as culturas. Se fosse meu, não admitia que passassem", contou.

Amadeu Fernandes revela que já contactaram a Junta de Freguesia, que declinou responsabilidades. " A Junta só faz os serviços que lhes interessam e não acho correto os particulares terem de pagar do próprio bolso para acederem às suas propriedades. Falei com a Junta mas a resposta que me deu é que não era com eles mas com a Câmara. Também falei com a Câmara, tendo o Sr. Presidente ficado muito admirado com uma resposta dessas", relatou.

Já António Pinto lembra que "os autarcas são eleitos para servirem o povo e alguns nem sequer conhecem os caminhos". "É isso que nos deixa desgostosos. Gostaríamos que fossem mais ativos. Temos falado com a Junta sobre isso mas estão no jogo do empurra para a Câmara. Não digo que não seja a Câmara mas eles têm de pressionar para que isso aconteça", frisa.

Câmara garante resolução

O Mensageiro contactou a Junta de Freguesia, presidida por Rui Gonçalves, eleito nas listas do PSD, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.

Já o presidente da Câmara, Hernâni Dias, garante que o problema será resolvido. "Acho estranha esta situação porque se os caminhos fossem muito usados, as juntas de freguesia, quando há necessidade de intervenção, levam os nossos destroçadores e fazem esses trabalhos. Confesso que é estranho. Relativamente ao caminho que abateu, a solução está a ser trabalhada para se solucionar. Se houver alguma situação que não esteja devidamente atendida, fá-la-emos. Mas parece-me um bocado exagerado", disse.

"Temos a maquinaria, fazemos as intervenções, em articulação estreita com as Juntas. Essas situações são-nos reportadas pelas Juntas e resolvemo-las", garantiu.

Hernâni Dias revelou, ainda, ter recebido, por parte da Junta, a informação de que "existe um projeto candidatado para a criação de uma rota de moinhos que prevê também a limpeza de caminhos. Não há má vontade da junta nem há nenhum problema da nossa parte", garantiu.

António G. Rodrigues