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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

FREIXO DE ESPADA À CINTA LEVA O DOURO A BRUXELAS PARA DEBATER O FUTURO DA REGIÃO

 O presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, e o vice-presidente, Pedro Vicente, participaram na Semana Europeia das Regiões e Cidades 2026, que decorreu em Bruxelas, entre 12 e 14 de outubro.


Integrados na comitiva da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), os autarcas participaram em encontros e debates dedicados à coesão territorial, à sustentabilidade e ao desenvolvimento das regiões europeias.

Um dos momentos em destaque foi a sessão promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE), na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia, que assinalou os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.

A sessão permitiu refletir sobre os desafios e as oportunidades do território duriense, nomeadamente nas áreas da inovação tecnológica e económica, da cooperação transfronteiriça e da preservação do património cultural e natural.

A agenda incluiu ainda um encontro entre a CIM Douro e a Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), bem como um diálogo com a eurodeputada Carla Tavares, correlatora do Parlamento Europeu nas negociações do próximo Quadro Financeiro Plurianual, referente ao período 2028-2034. A comitiva participou igualmente em debates sobre a coesão e a resiliência dos territórios.

A participação nesta iniciativa europeia constituiu uma oportunidade para acompanhar discussões sobre políticas e instrumentos de financiamento com impacto no desenvolvimento regional, reforçando a importância da cooperação europeia na resposta aos desafios económicos, sociais e ambientais do Douro.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

Teatro | Hoje Há Ensaio!

 O TAFÉ está de volta ao Auditório Manuel Faria da Casa da Cultura Mestre José Rodrigues, com a peça “Hoje Há Ensaio!”, uma comédia musical que promete muitas gargalhadas, música e momentos inesperados.


Junte-se a nós e venha celebrar o teatro, a música e o talento local, numa noite que promete ficar na memória.

17 de outubro
21h30
Casa da Cultura Mestre José Rodrigues | Alfândega da Fé

Sinopse: 

Estamos na sala de ensaio de uma orquestra filarmónica.

O ambiente é tenso.

Todos se atrasam inclusive o maestro.

Quando finalmente o ensaio começa, começam as complicações, invejas e coscuvilhices, uma ficção muito distante da realidade…. Ou não!

Uma comédia musical que promete, envergonhar mesmo os não incontinentes. Para estes venderemos, material adequado à porta do teatro.

Nesta homenagem a todos os músicos e em particular á nossa banda filarmónica, pretendemos brincar com o ambiente e a dificuldade que se vive nos ensaios de grupo de uma criação artista.

Depois tudo se transforma e o ensaio afinal é um espectáculo.

O CHAVELHO E GUERRA JUNQUEIRO

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Quando era adolescente conheci a filha de Guerra Junqueiro, que diziam não primar pela beleza. Recebeu-me com tanta simpatia e afetividade, que nem sequer reparei se era bela ou não.

Mas, não é da filha do ilustre poeta, que pretendo escrever, mas do pai, famoso autor de " Moleirinha".

O poeta era conhecidíssimo na terra natal, Freixo de Espada à Cinta, onde possuía a “Quinta da Batoca”; mas muito mais em Lisboa, onde era deputado da nação.

Passaram os anos, e passaram os homens, e se os notáveis são esquecidos, quanto mais o simples mortal, que no dia seguinte ao enterro, já ninguém fala nele, por vezes nem os familiares...

No início do século, entrevistei dezenas de individualidades ou filhos destes, quando os pais tinham falecido.

Uma senhora, muito elegante, que recebera avultados bens do avô, quando lhe perguntei por dados biográficos do antepassado, respondeu-me, apontando o indicador para retrato a óleo:

- É o meu avô!... Nada mais sabia... Ia perguntar ao pai...

Voltando ao assunto que pretendo tratar:

Guerra Junqueiro era baixinho. Possuía enormes barbas, e vestia-se modestamente, na terra natal.

Homem sem vaidade, conversava com todos, não ligando a posições sociais.

Andando a espairecer pela sua terra, encontrou pequeno chavelho, e foi-o levando aos pontapés, distraidamente.

Ao passar diante de venda, deparou grupo de camponeses muito altos e fortes, que ao vê-lo naquele brinquedo, desataram-se às gargalhadas, que figurou ao poeta - troça.

Não foi necessário mais, para que Junqueiro lhes desse troco, e bastante ""forte":

- Ah! Ah! Ah!... quê?! Tantos e tão grandes, a rir, à custa do tão pequeno!...

Os lapuzes não perceberam a "farpa", e levaram a coisa para as estaturas, e não para os "chifres", possíveis ou imaginários...

Assim termino, com anedota verdadeira, passada em terras transmontanas, entre Junqueiro e simples aldeões.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

CARRAZEDA DE ANSIÃES TESTA PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA EM EXERCÍCIO DE INCÊNDIO NA ESCOLA

 A comunidade escolar do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães participou, na terça-feira, 13 de outubro, num exercício de proteção civil que simulou um incêndio numa fritadeira elétrica, na cozinha escolar.


A ação teve como objetivo testar os procedimentos de segurança e preparar alunos, professores e funcionários para uma eventual situação de emergência. Ao longo da semana anterior, foram realizadas sessões de formação teórica e prática dirigidas a toda a comunidade escolar, com o intuito de ensinar os participantes a reagir de forma rápida, eficaz e segura perante situações de risco.

Depois desta fase de preparação, o exercício permitiu testar, no terreno, os procedimentos de atuação e evacuação, envolvendo alunos, pessoal docente e não docente. A simulação serviu para avaliar a resposta da comunidade escolar perante um cenário de incêndio e reforçar a importância de conhecer as medidas de segurança a adotar em caso de emergência.

A iniciativa contou com a colaboração dos Bombeiros Voluntários de Carrazeda de Ansiães e da GNR, evidenciando a importância da articulação entre as forças de segurança, os agentes de proteção civil e a comunidade educativa na prevenção de riscos e na preparação para situações de emergência.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

TORRE DE MONCORVO ACOLHE CONCURSO NACIONAL DA OVELHA CHURRA DA TERRA QUENTE

 Torre de Moncorvo recebe, no próximo dia 31 de outubro, a décima edição do Concurso Nacional da Ovelha Churra da Terra Quente, integrado no Encontro Rural das Terras de Moncorvo. A iniciativa tem início marcado para as 10h00, no Largo da Corredoura, e pretende dar destaque a uma raça ovina autóctone com forte ligação à identidade rural da região.


O concurso constitui uma oportunidade para valorizar a Ovelha Churra da Terra Quente, dar visibilidade ao trabalho dos criadores e destacar a importância da preservação das raças autóctones. A criação destes animais está associada às tradições agrícolas e pastoris do território, assumindo um papel relevante na manutenção das atividades rurais.

Integrado no Encontro Rural das Terras de Moncorvo, o concurso contribui também para a promoção dos recursos locais e para a valorização do património rural, colocando em evidência a ligação entre a atividade dos produtores, a identidade regional e as tradições que se mantêm de geração em geração.

A décima edição do Concurso Nacional da Ovelha Churra da Terra Quente realiza-se no sábado, 31 de outubro, a partir das 10h00, no Largo da Corredoura, em Torre de Moncorvo.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

MIRANDELA TESTA REUTILIZAÇÃO DE ÁGUA TRATADA NUM OLIVAL COM MAIS DE 20 HECTARES

 Projeto europeu I-ReWater está a avaliar o potencial da água regenerada na agricultura, numa altura em que as alterações climáticas e a escassez de recursos hídricos pressionam o setor. Encontro na ESACT aproximou a investigação científica dos desafios dos agricultores e abriu caminho a novas aplicações no concelho.


Mirandela está a testar a utilização de água residual tratada na agricultura, através de uma experiência-piloto num olival com mais de 20 hectares, onde é utilizada água regenerada proveniente da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do concelho. A iniciativa integra o projeto europeu I-ReWater, que promove a reutilização de água na agricultura como resposta aos desafios da escassez hídrica e das alterações climáticas.

O projeto esteve em destaque esta terça-feira, 13 de outubro, durante uma Ação de Sensibilização e Jornadas Participativas realizada no Auditório da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESACT), em Mirandela.

A experiência desenvolvida no concelho recorre a água submetida a tratamento terciário, que inclui filtração mecânica e desinfeção por radiação ultravioleta. O objetivo é avaliar o potencial da água regenerada para utilização agrícola, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos.

Financiado pelo programa Interreg Sudoe, o I-ReWater reúne 16 parceiros de Portugal, Espanha, França e Andorra e contempla 15 experiências-piloto. A iniciativa procura aprofundar o conhecimento sobre a utilização de água residual tratada na rega, promovendo soluções que possam responder às necessidades do setor agrícola e reforçar a sustentabilidade dos sistemas de produção.

Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia, sublinhou a importância de aproximar a investigação científica das necessidades concretas dos agricultores, num contexto em que a disponibilidade de água assume um peso crescente na atividade agrícola.

«A tradição é a nossa raiz, mas a ciência é o nosso alicerce para o futuro», afirmou o autarca, defendendo a importância de conjugar o conhecimento e a inovação com a experiência acumulada no território.

As jornadas permitiram ainda alargar a discussão a outras utilizações possíveis da água regenerada, nomeadamente em atividades municipais que não exigem água potável.

Entre as aplicações em análise estão a rega de espaços verdes, a lavagem de ruas e a limpeza de equipamentos, soluções que poderão contribuir para reduzir o consumo de água potável em tarefas compatíveis com a utilização de recursos hídricos alternativos.

A reutilização de águas residuais tratadas surge, assim, como uma possibilidade a explorar numa estratégia de gestão mais eficiente e sustentável da água. A sua aplicação depende, contudo, do cumprimento dos requisitos de qualidade e segurança adequados a cada utilização.

Em Mirandela, a experiência-piloto do I-ReWater coloca o concelho no centro desta reflexão, procurando avaliar soluções que conciliem a atividade agrícola, a proteção dos recursos naturais e a adaptação às crescentes pressões sobre a disponibilidade de água.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

ALFÂNDEGA DA FÉ JUNTA CRIANÇAS E IDOSOS NUM PROJETO QUE USA A MÚSICA PARA CRIAR LAÇOS

 “De Mãos Dadas com a Música” arrancou a 12 de outubro e vai envolver crianças da educação pré-escolar e utentes da Santa Casa da Misericórdia, através de sessões de expressão e educação musical que promovem a criatividade, a descoberta e a partilha entre gerações.


A música começou a unir gerações em Alfândega da Fé com o arranque, a 12 de outubro, do projeto “De Mãos Dadas com a Música”, uma iniciativa que aproxima as crianças da educação pré-escolar do concelho dos utentes da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI) da Santa Casa da Misericórdia local.

O projeto resulta de um protocolo celebrado entre o Município de Alfândega da Fé e a Santa Casa da Misericórdia e será dinamizado pelo professor João Reboredo, através de sessões de expressão e educação musical adaptadas aos participantes.

A iniciativa pretende proporcionar experiências que estimulem a criatividade, a expressão individual e a descoberta através da música, criando oportunidades de participação e interação entre pessoas de diferentes idades.

Ao envolver simultaneamente crianças e pessoas idosas, “De Mãos Dadas com a Música” reforça também a importância da cooperação entre instituições locais na criação de respostas que contribuam para uma comunidade mais próxima, inclusiva e participativa.

Em Alfândega da Fé, a música assume, assim, um papel que vai além da aprendizagem: torna-se uma ponte entre gerações, capaz de despertar emoções, estimular capacidades e criar laços.

Jornalista: Paulo Silva Reis
Foto: DR

BRAGANÇA ESTREIA SEMANA DOS SABORES DE TRÁS-OS-MONTES COM VINHOS, GASTRONOMIA E CULTURA

 A primeira edição da Semana dos Sabores de Trás-os-Montes decorre em Bragança, de 19 a 25 de outubro, numa iniciativa promovida pela Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança (ACISB) que pretende valorizar os produtos regionais e a identidade transmontana. 
O programa tem como destaque a Bragança Wine Experience, a 24 de outubro, nos jardins do Museu Abade de Baçal, com cerca de 20 produtores de vinho, provas, masterclasses, gastronomia e iniciativas culturais. A iniciativa pretende envolver diferentes agentes do território e afirmar Bragança como um destino de referência na valorização dos vinhos, dos sabores e do património regional.

Jornalista: Ana Luísa Lopes

VALE PRADINHOS QUER CONQUISTAR O MUNDO COM A MAIOR AÇORDA DE COGUMELOS

 A “Maior Açorda de Cogumelos do Mundo” é um dos grandes destaques da XII Jornada Micológica, que regressa a Vale Pradinhos, no concelho de Macedo de Cavaleiros, a 24 de outubro.


Organizado pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Vale Pradinhos (ACDR), o evento celebra os cogumelos, a gastronomia tradicional e o património natural transmontano, com um programa que combina saídas de campo, conhecimento científico e animação cultural.

A iniciativa reúne atividades ligadas à descoberta e identificação de cogumelos, com uma saída de campo orientada por guias micológicos e uma sessão de identificação dos exemplares recolhidos, conduzida pelo especialista Juan Antonio Sanchez. O objetivo passa também por promover o conhecimento das espécies existentes na região e sensibilizar para a importância dos recursos naturais.

A gastronomia assume um lugar central nesta edição, com a preparação da açorda de cogumelos num pote de ferro, acompanhada de javali no pote. A jornada inclui ainda momentos de animação cultural, com música, teatro e atividades ligadas às tradições locais.

Ao longo das suas edições, o evento tem atraído participantes de Portugal e do estrangeiro, afirmando-se como um ponto de encontro para apreciadores de micologia e gastronomia regional.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

MIRANDELA INVESTE 280 MIL EUROS EM NOVA MÁQUINA PARA PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

 O Município de Mirandela adquiriu uma nova máquina de rastos, num investimento de cerca de 280 mil euros, para reforçar os meios de intervenção no território, nomeadamente na prevenção de incêndios rurais e na manutenção de caminhos florestais e faixas de gestão de combustível.


O equipamento, conhecido como bulldozer, vai permitir aumentar a capacidade operacional dos serviços municipais e reduzir a dependência de meios externos na realização de trabalhos no terreno. Entre as principais funções estão a abertura e manutenção de acessos florestais, a gestão de combustível e a movimentação de terras.

A máquina poderá também ser mobilizada em situações de emergência, sobretudo em zonas de difícil acesso, reforçando os meios disponíveis para operações de proteção civil e para a resposta a ocorrências que exijam intervenção no terreno.

A aquisição contou com financiamento da União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito de uma candidatura aprovada ao Programa Regional NORTE 2030.

Com este investimento, o município pretende reforçar a prevenção de incêndios, melhorar a capacidade de resposta dos serviços municipais e aumentar a segurança das populações, através da modernização dos meios disponíveis para a proteção do território.

Ana Luísa Lopes
Foto: DR

Offline Weekend regressa para desafiar estudantes a desligarem-se das redes sociais

 A quarta edição do Offline Weekend decorre entre 16 e 18 de outubro, em Argozelo e Malhadas, e propõe aos estudantes um fim de semana de contacto com a natureza, convívio e desconexão digital.


Desligar o telemóvel para reforçar a ligação consigo próprio, com os outros e com a natureza. É este o desafio lançado pela iniciativa, que começa esta sexta-feira, no distrito de Bragança.

O encontro arranca às 15h30, no Santuário de São Bartolomeu, em Argozelo, no concelho de Vimioso, com uma dinâmica de contacto com a natureza.

Às 19h00, os participantes seguem para o Centro de Formação de Malhadas, no concelho de Miranda do Douro, onde permanecem até domingo, às 16h00.

Promovida desde 2025, a iniciativa nasceu como um trabalho teórico no âmbito do curso de Exercícios Espirituais, mas acabou por ganhar dimensão e adesão entre os estudantes do então Instituto Politécnico de Bragança (IPB), mantendo agora a participação de alunos da Universidade Politécnica de Bragança (UPB).

As edições anteriores registaram dezenas de candidaturas.

Na primeira edição, em março de 2025, houve 58 inscritos, dos quais 14 foram selecionados. Na segunda, em outubro do mesmo ano, foram contabilizadas 53 inscrições e escolhidos 15 participantes.

Já a terceira edição, realizada em abril deste ano, contou com 48 inscritos, tendo sido selecionados 15 estudantes de diferentes nacionalidades e cursos.

A organização está a cargo da Capelania, liderada pelo padre Fernando Calado.

O Offline Weekend pretende proporcionar aos estudantes uma pausa no uso das redes sociais e dos dispositivos digitais, privilegiando o contacto humano, a natureza e a experiência de estar presente.

Fotografia: Wikiloc Campelo

Maria João Canadas

Crianças de Macedo de Cavaleiros descobrem o prazer de ler com Pedro Seromenho

 Liberdade, família e imaginação foram algumas das ideias que ficaram das histórias partilhadas pelo escritor e ilustrador na Biblioteca Municipal A. M. Pires Cabral, nesta quarta-feira, pelos alunos do 3º e 4º anos do 1.º Ciclo do Ensino Básico do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros.


“Ler é uma coisa muito importante.” A ideia é de Alicia Melo, de oito anos, e resume uma das aprendizagens que as crianças levaram da passagem de Pedro Seromenho pela Biblioteca Municipal de Macedo de Cavaleiros.

O escritor e ilustrador esteve na cidade no âmbito de uma iniciativa da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM TTM), que prevê 21 sessões em oito municípios, com o objetivo de aproximar os mais novos dos livros e da leitura.

Ao longo das sessões, as histórias deram lugar à descoberta, à reflexão e à imaginação. Para Guilherme Santos, de nove anos, a mensagem foi também sobre a importância de gostar de si próprio e da família.

“Eu aprendi para ser feliz, que eu gosto de mim mesmo e da minha família”, contou.

A liberdade foi outra das ideias que ficou na memória dos participantes. Gonçalo Moreno, de nove anos, destacou ter aprendido “muitas coisas interessantes” e que “todos somos livres”.

Entre as histórias preferidas, O Ninguém conquistou vários dos mais novos. Rosa Cepeda, de nove anos, escolheu este livro por o ter considerado interessante. Já João Pinto, de dez anos, destacou a história por ter “muitas coisas para falar” e também por incluir gatos.

A experiência despertou ainda a curiosidade e a vontade de aprender. Sálvio Coropus, de dez anos, explicou que aprendeu “a criar histórias” e a ler um pouco mais.

A passagem de Pedro Seromenho por Macedo de Cavaleiros proporcionou, assim, um encontro entre livros e crianças, mostrando que uma história pode ser muito mais do que um momento de leitura: pode ser uma oportunidade para aprender, imaginar e descobrir novas formas de ver o mundo.

Maria João Canadas

Cristina Passas e Sónia Borges passam para o papel a história e a tradição da alheira de Mirandela em livro infantil

 Está oficialmente apresentada a “História da Alheira de Mirandela”, um livro dedicado a aproximar os mais novos a um dos maiores símbolos da identidade e da gastronomia mirandelense: o famoso enchido de fumeiro, que há 15 anos foi considerada uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa e que desde 2016 possui o selo da União Europeia de produto IGP, Indicação Geográfica Protegida.


Cristina Passas, de Mirandela, é a autora, que trouxe as suas memórias para esta obra, com o intuito de deixar “um legado histórico e cultural às crianças para transmitir às novas gerações a história, as tradições e os saberes associados à Alheira de Mirandela”.

Para além do cunho pessoal e familiar que incute no livro, Cristina Passas diz que este novo desafio que decidiu abraçar é também “a consequência dos 30 anos de trabalho na Associação Comercial e Industrial de Mirandela”, entidade gestora da Alheira IGP.

“As várias direções que foram passando acrescentaram sempre algo no posicionamento e na estratégia da Alheira de Mirandela para que ela continuasse a ser valorizada. Numa das reuniões, começámos a ter a preocupação de que a nova geração iria perder memórias das imagens que nós temos das nossas avós, na aldeia, na lareira, no convívio, e são realidades que, efetivamente, as nossas crianças não vão viver. Então, surgiu uma necessidade de acrescentar algo nessa área e surgiu a ideia de um livro infantil”, explica a autora.

Sónia Borges é a ilustradora do livro. Nascida e criada em Mirandela, confessa que não podia recusar o convite. “ Tinha de ser porque, primeiro, por terem logo confiado no meu trabalho e nas ilustrações, e depois por ser uma coisa muito nossa, da nossa região, e daquilo que também toca a nível pessoal e familiar, porque lembro-me muito bem que fazer alheiras era um evento familiar”, diz.

Sónia conta que foi “com grande entusiasmo” que desenhou a história, recorrendo às suas memórias pessoais e familiares. “Há aqui muita parte afetiva, emocional e simbólica”, confessa.

“Quando são livros criados por mim há algum surrealismo, aqui não pode haver. Houve uma grande preocupação em ser honesta e rigorosa quando estamos a falar de coisas históricas, quando aparece a estação de Mirandela, tem que ser essa e não uma inventada. Por isso houve aqui muita preocupação para que isso fosse justo. E há também muitas memórias familiares e da minha aldeia que estão presentes, porque é daí que vem a minha memória”, conta a ilustradora.

O Grão-Mestre da Confraria da Alheira de Mirandela sublinha a “enorme importância” desta obra para dar a conhecer a história do famoso enchido aos mais pequenos. “Precisamos que a história da Alheira de Mirandela seja conhecida nas crianças e acho que a forma como está ilustrada e a forma como está contada a história acho que é a cereja no topo do bolo”, diz Rui Cepeda, acrescentando que a obra também é uma forma de “preservar a identidade e genuinidade de um produto que ao longo dos anos tem vindo a ser constantemente valorizado”.

O presidente da ACIM explica que a ideia teve o compromisso de várias entidades e em particular de Cristina Passas, funcionária da associação. Filipe Carvalho não tem dúvidas da utilidade do livro para as gerações vindouras.

“Foi feito para os mais jovens, para conseguirmos transmitir o que é a alheira, o significado que tem para Mirandela e para que no futuro eles consigam absorver e transmitir também a nossa tradição”.

Também o presidente do Município de Mirandela elogia a obra. “É muito importante que nós passemos esta mística para os mais novos. Perceber que a alheira não aparece só nos supermercados, há uma história”, diz Vítor Correia, considerando que o livro vem “preencher uma lacuna que ainda existia para uma maior valorização deste património cultural e gastronómico do concelho”, que é a alheira de Mirandela.

O autarca sublinha que o livro vai permitir que os mais novo também percebam “somos um concelho que se orgulha do caminho que foi feito, somos conhecidos pela alheira e é importante que os mais pequenos tenham essa noção e tenham esse orgulho”, conclui.

O Centro Cultural de Mirandela acolheu, este domingo, a apresentação do livro “História da Alheira de Mirandela”, com texto de Cristina Passas e ilustrações de Sónia Borges, ambas mirandelenses, uma publicação editada pela LEYA que resulta de uma iniciativa promovida pela ACIM e pela Confraria da Alheira de Mirandela, com o apoio do Município.

A cerimónia de apresentação da obra contou com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Desporto e Juventude, Alberto Santos.

INFORMAÇÃO CIR
(Escrito por Rádio Terra Quente)

Original ou cópia? A cores ou preto e branco?

Por: José Mário Leite
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 – Preto! – foi a resposta instintiva do imigrante, contando as moedas na palma da mão quando o dono da loja de fotografias lhe perguntou como queria a fotocópia. Estive pouco tempo neste estabelecimento, mas, pelo que pude observar, facilmente apostaria que o negócio atual passa muito mais pela impressão e fotocópia de documentos do que pela revelação de fotografias.

Cheguei ao n.º 35 da rua Palmira por indicação solícita dos funcionários da delegação dos Anjos, da AIMA em Lisboa aonde me dirigi para ajudar a resolver um processo de regularização com notórios pormenores kafkianos, como a seguir exponho.

Começarei pela óbvia constatação de um velho rifão: não há ninguém insubstituível! Porém há substituições que podem revestir de maior complexidade e que, quando necessárias, acarretam um prejuízo não negligenciável. É o que acontece com Alexander Loktyushin. Tendo sido selecionado após um restritivo processo de recrutamento, foi encarregado de implementar e gerir um sistema que está na base das tecnologias avançadas que suportam os complexos e inovadores tratamentos do Centro de Neuroterapias Digitais da Fundação Champalimaud onde são acolhidos e tratados doentes com Alzheimer, AVC, Perturbação Obsessivo-Cumpulsiva e Depressão. Se o Alex tivesse de deixar este lugar, obviamente que haveria forma de recrutar alguém para o seu lugar, mas, não seria nem fácil, nem rápido com grande prejuízo para a Clínica e, sobretudo, para os doentes.

O Alex, apesar de estar entre nós há perto de três anos, bem integrado e com garantia de continuidade, com remuneração acima da média e com significativo contributo para o bem-estar de muitos portugueses, no processo de legalização, em curso, por iniciativa da AIMA, enfrentou problemas que tinham acabado com a intimação para abandonar o país no prazo de 20 dias. A razão? A validade do registo criminal do último país onde estivera, tinha caducado.

A necessidade de apresentação deste documento é óbvia e não precisa de justificação. Igualmente se entende que tem de ter validade pois não pode ser vitalícia ou perderia significado. Porém, o documento apresentado, mesmo fora de validade, tendo em conta o tempo que o Alex já leva no nosso país, garantia o objetivo pretendido: quando saiu da Alemanha, tinha o registo limpo pois a validade era posterior à sua vinda para cá. E o facto de estar cá há tanto tempo complica este processo porque, não sendo alemão – esteve lá como investigador – não tem familiares lá, teve de tratar do pedido à distância – se saísse do país, arriscava-se a ser retido no regresso – e precisando apresentar uma tradução certificada, facilmente se esgota o tempo! Não se esgota o objetivo.

Aceite a reanálise do processo e com um novo registo criminal, na mão, dentro do prazo, pediu-me para o acompanhar. Entendi os receios dele e, em boa hora, o acompanhei. Porque, ao retomar a elaboração do processo foi-lhe pedido o original de um documento emitido pela entidade de acolhimento. Intervim. O original está arquivado e não pode ser cedido. Mas, pasme-se, queria o original, para fazer uma cópia! Se é uma cópia que pretende… então já a tem. Não precisa de a fazer. E a assinatura? A assinatura é minha. Posso repeti-la aqui, à sua frente. Convencida, passou à frente.

A Segurança Social, nos bolseiros, é opcional! Está na Lei. Mas não é a primeira vez que esta determinação é aceite pela AIMA. Mesmo assim, recomendamos que os bolseiros se inscrevam. Podendo ser feito on-line, o justificativo vem por e-mail. Foi mostrado ao agente que estava encarregado de rever o processo. Não aceitou. Tinha de lho apresentar em papel – e foi por isso que desemboquei na tal lojinha de fotografias, na bicha para as cópias e impressões.

E, para que queria a tal folha de papel, com o conteúdo de um e-mail? Inacreditavelmente, para o digitalizar! É de loucos! Além de que o reencaminhamento de um e-mail leva consigo os metadados que permitem, se for preciso, rastrear a sua origem e autenticidade… o que não acontece com o pdf.

INACREDITÁVEL!


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

Encontro internacional reúne quatro coros a 24 de outubro

 O Teatro Municipal de Bragança recebe, no sábado, 24 de outubro, às 17h30, o XXVII Encontro Internacional de Grupos Corais Cidade de Bragança, que juntará quatro formações de Portugal e Espanha.


Além do anfitrião Coral Brigantino, participam o Coral Amadeus, de Segóvia, o Coral de Chaves e o Orfeão Limiano, de Ponte de Lima.

A iniciativa é organizada pela Associação Coral Brigantino Nossa Senhora das Graças e pela Câmara de Bragança. Na sua 27.ª edição, o encontro volta a proporcionar um momento de partilha entre grupos corais nacionais e internacionais, com um repertório preparado para a ocasião.

O evento conta com o apoio da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, do Teatro Municipal de Bragança e de parceiros locais, sendo o Mensageiro de Bragança um dos parceiros de comunicação.

AGR

Arquivo Distrital de Bragança inicia comemorações dos 110 anos com seminário sobre património bibliográfico

 O Arquivo Distrital de Bragança iniciou, no dia 6 de outubro, as comemorações dos seus 110 anos com o seminário “Biblioteca Pública do Distrito de Bragança: um tesouro por descobrir”, que reuniu investigadores, docentes, estudantes e público interessado no património documental da região.


A iniciativa procurou dar a conhecer o acervo da Biblioteca Pública do Distrito de Bragança e incentivar a sua preservação, estudo e divulgação. O programa incluiu a inauguração de uma exposição de obras impressas entre os séculos XVI e XVIII, com exemplares raros e primeiras edições.

Segundo o comunicado da instituição, o encontro evidenciou o potencial destas coleções para a investigação nas áreas da história, literatura, património e cultura transmontanas, promovendo também o debate sobre os desafios da sua conservação e valorização.

Durante a manhã, intervieram José Montero Reguera, da Universidade de Vigo, e Adília Fernandes, do CITCEM da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. À tarde, Beatriz Ribeiro e Alexia Dotras, da Universidade Politécnica de Bragança, apresentaram investigações e reflexões sobre o património bibliográfico regional.

Na abertura, a diretora do Arquivo Distrital defendeu uma instituição mais próxima dos cidadãos e destacou o contributo da digitalização e das novas tecnologias para facilitar o acesso à documentação, à investigação e à cultura. A sessão contou ainda com intervenções do diretor-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e da presidente da Câmara de Bragança.

A responsável evocou o Abade de Baçal e o Cónego Belarmino Afonso, que dirigiu o Arquivo entre 1985 e 2000, salientando o papel deste último na criação de instalações adequadas à conservação do património. Homenageou também os profissionais, investigadores, colaboradores e cidadãos que contribuíram para o percurso da instituição.

Criado em 1916, o Arquivo Distrital de Bragança tem como missão preservar, tratar e divulgar o património documental à sua guarda e garantir o acesso dos cidadãos à informação.

Agricultores transmontanos pedem medidas de emergência para fazer face aos custos de produção

 Mais de meia centena de organizações de agricultores, cooperativas e produtores agro-florestais de Trás-os-Montes e Alto Douro reafirmam “apoio incondicional” ao manifesto e reivindicações que foram apresentadas pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e que reclamam “medidas de emergência para o setor, face à insustentabilidade dos custos de produção”.


Num comunicado conjunto, divulgado na passada sexta-feira, as organizações dizem subscrever o “grito de alerta para a situação limite em que se encontra o setor primário nacional” e consideram que a agricultura, a pecuária e a floresta enfrentam na região um “cenário de rutura”, dando como exemplos, “a desertificação humana, a interioridade, as alterações climáticas e a disparidade de condições face a outros mercados externos”, considerando que esta conjugação negativa “tornaram insustentável a manutenção de milhares de explorações familiares na região”.

Entre os problemas sinalizados, estão o aumento dos custos com energia, combustíveis, fertilizantes, fitofármacos e alimentação animal.

As estruturas defendem a aprovação imediata do pacote de emergência proposto pela CAP, com medidas destinadas a mitigar os custos de produção e garantir a tesouraria das explorações.

Pedem também, ajustamentos no apoio à agricultura de montanha e de sequeiro, defendendo que as medidas agroambientais e os fundos comunitários sejam adaptados às condições específicas de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Defendem ainda investimentos urgentes em retenção de água e infraestruturas de regadio, que consideram “essenciais para combater a escassez hídrica crónica que ameaça as culturas da região”, explica o comunicado conjunto.

Por fim, reivindicam “a valorização da produção nacional e combate às práticas desleais na cadeia de abastecimento”, com o intuito de “salvaguardar o rendimento de quem trabalha a terra”.

No mesmo comunicado, apelam ao Governo e aos restantes órgãos de soberania para que adotem medidas com urgência, antes que o abandono rural se torne “irreversível”.

Para os subscritores, “Sem agricultura não há coesão territorial, não há Interior e não há futuro para Portugal”.

Fernando Pires

Estudantes guineenses ouvem apelo de Simões Pereira à construção do futuro do país

 Domingos Simões Pereira, presidente eleito da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, entretanto dissolvida, deixou uma mensagem de confiança aos estudantes guineenses em Bragança, desafiando-os a investir na formação e a contribuir para o futuro do país, apesar da instabilidade política.


O dirigente participou, na quinta-feira, 8 de outubro, numa conferência sobre juventude e participação cívica e política, organizada pelo Núcleo de Estudantes Guineenses na Universidade Politécnica de Bragança (UPB).

“Temos que ser resilientes, temos que acreditar”, afirmou, em declarações ao Mensageiro à margem do encontro. Aos jovens, pediu empenho nos estudos e que procurem ser os melhores nas áreas que escolheram, porque “o país vai sempre precisar” dos seus conhecimentos.

Simões Pereira destacou também o papel da diáspora, que considera “uma reserva moral, financeira, económica e cultural” da Guiné. No caso dos estudantes, acrescentou, o contacto com outras realidades e a aquisição de conhecimentos podem ajudar a transformar as comunidades de origem, através da partilha dessas experiências com as famílias e a sociedade.

Para Rajik Mendes, presidente do Núcleo de Estudantes Guineenses, a iniciativa permitiu “promover o debate com uma personalidade com experiência política, diplomática e de trabalho com jovens”.

Segundo o mesmo responsável, foi a primeira visita de Simões Pereira a Bragança e o primeiro encontro desta dimensão promovido pelo núcleo, que habitualmente organiza atividades dirigidas aos seus membros e à comunidade académica.

“Saímos fora da caixa”, explicou, sublinhando a intenção de mostrar que Bragança é uma cidade “que acolhe estudantes de diferentes origens e uma comunidade guineense expressiva”.

Rajik Mendes estima que existam cerca de 200 estudantes guineenses nas várias escolas da instituição, incluindo em Mirandela e Chaves, constituindo, segundo indicou, “a segunda maior comunidade africana, depois da cabo-verdiana”.

A integração académica é uma das principais preocupações do núcleo. O dirigente apontou dificuldades nas competências tecnológicas e linguísticas, associadas às fragilidades do ensino no país de origem, e adiantou que está a ser articulado com a UPB um plano de trabalho para melhorar o acompanhamento destes estudantes.

Orlando Rodrigues, Reitor da Universidade Politécnica de Bragança, identificou igualmente as desigualdades na preparação escolar e as dificuldades económicas como os principais obstáculos.

Embora existam estudantes guineenses com muito bons resultados, explicou, a formação recebida no ensino básico e secundário é desigual, o que exige apoio na recuperação de aprendizagens nas ciências básicas e nas competências linguísticas e digitais.

A instituição disponibiliza formação complementar nestas áreas, além das aulas regulares, mas Orlando Rodrigues defendeu que seria desejável um maior acesso a bolsas de estudo.

“Sem formar quadros, sem formar pessoas, sem formar técnicos, o país também não se vai desenvolver”, afirmou, considerando que apoiar a qualificação dos jovens guineenses é contribuir para o futuro da Guiné-Bissau.

A instabilidade política condiciona também o regresso dos diplomados. Rajik Mendes, que está a concluir um mestrado em Tecnologia e Ciência Animal, contou que chegou a ponderar voltar ao país depois da formação, mas acabou por permanecer em Portugal e continuar os estudos por não encontrar condições e oportunidades para regressar.

Orlando Rodrigues revelou ainda que uma visita de representantes dos politécnicos portugueses à Guiné-Bissau, destinada a desenvolver parcerias, não teve continuidade. Segundo explicou, a situação política e a fragilidade das instituições guineenses dificultaram o diálogo necessário para concretizar a cooperação.

No plano político, Simões Pereira apelou às entidades que controlam a Guiné-Bissau para que deem sinais de compromisso com a reposição da normalidade constitucional. Questionado sobre o risco de os militares permanecerem no poder, como aconteceu em países do Sahel, respondeu: “Espero que não”.

O dirigente disse também desconhecer as condições de um eventual regresso ao país, quando se aproxima o fim do período de três meses autorizado para permanecer em Portugal. Sobre a sua detenção, que considera ter sido um sequestro, reiterou que foi “não só ilegal como arbitrária”.

António G. Rodrigues

Município lançou concurso público para adjudicação de conduta de água no valor 5,3 milhões de euros

 O presidente da Câmara de Mogadouro anunciou a abertura de um concurso para a adjudicação de um sistema de adução de água que vai ligar os reservatórios de Brunhosinho e Mogadouro, com valor base de mais de 5, 3 milhões euros mais IVA.


Segundo António Pimentel, este sistema de adução vai ligar os depósitos de Brunhosinho que têm uma capacidade de cerca de três milhões de litros de agua que proveniente de uma captação situada no rio Douro, aos depósitos instalados no Castelinho, que abastecem a cidade de Mogadouro.

Esta conduta terá uma extensão de cerca de 20 quilómetros, que terá um prazo de construção de 750 dias, com várias frentes de trabalho em ambos os sentidos, tudo depende da capacidade técnica da empresa que ganhar a obra.

“Trata-se de uma obra que tem um prazo de construção de 750 dias, mas estou convencido que no espaço de ano poderá estar concluída. Mas devido à escassez de mão-de-obra demos prazo compatível com as necessidades da empresa”,destacou.

Esta obra teve o aval da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, através do programa “Sustentável”.

O concurso público para esta obra já foi publicado em Diário da República.

O autarca social-democrata explica ainda que esta obra faz parte de ‘Masterplan ‘que está dividido em quatro fases: numa primeira fase haverá uma ligação do depósito de Brunhosinho à Serra do Variz, onde serão construídos dois depósitos. Uma segunda fase vai dos futuros depósitos da Serra do Variz, aos do Castelinho, e uma terceira fase que sairá da Serra do Variz para o ramal de Peredo.

A quarta fase desta iniciativa passa por criar uma alternativa à Barragem de Bastelos, com a construção de uma captação de água no rio Sabor, que contemplará uma adutora para a ligação à Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bastelos.

“Já demos prioridade a esta fase e o projeto que está a avançar a bom ritmo, para ver se no decurso deste mandato, conseguimos fazer esta catação  no rio Sabor, junto à ponte [de Remondes], e trazer a água para a cidade. Com estas intervenções o concelho de Mogadouro ficará com o problema de abastecimento de água resolvido ”, vincou.

António Pimentel deixa ainda a garantia de que logo que o projeto de captação de água no rio do Sabor chegar ao município, avançará para concurso, com ou sem financiamento.

“O problema de abastecimento de água é uma situação que nos preocupa, tanto ao município, como aos munícipes”, indicou.

O problema que afeta a água da barragem Bastelos como é o caso do manganês já leva cerca de 30 anos e que urge resolver.

“A água da barragem de Bastelos cada vez aparece com maiores índices de manganês e há por este motivo, a urgência, em arranjar uma alternativa”, explicou o autarca mogadourense.

Após a conclusão destes projetos, o autarca de Mogadouro, perspetiva que a barragem de Bastelos possa ser utilizada para regadio e abastecer  o setor agrícola  do concelho.

Francisco Pinto

Bombeiros de Mogadouro lançam concurso de 1,2 milhões de euros para Unidade de Formação

 A Associação Humanitária de Bombeiros de Mogadouro, lançou na segunda-feira o concurso público para a construção da Unidade Local de Formação para Agentes de Proteção Civil, com um valor base de 1,2 milhões de euros.


O presidente desta associação humanitária, João Gouveia, disse que a partir de agora há um período de 14 dias para a apresentação de propostas por parte das empresas interessadas nesta obra.

O dirigente espera que o concurso não fique deserto devido à escassez de mão-de-obra e que as empresas apresentem as suas propostas para uma empreitada que tem um prazo de execução de um ano.

“Esperemos que haja propostas para a construção deste equipamento, e que no espaço de cerca de um ano a Unidade Local de Formação para Agentes da Proteção Civil seja uma realidade e estamos otimistas”, sublinhou.

Segundo o projeto, esta nova unidade de formação de agentes de proteção civil surge da necessidade de equipar os bombeiros de Mogadouro de uma estrutura moderna, funcional e ajustada às exigências atuais de treino operacional.

Segundo este mesmo documento, “o espaço integra um edifício de formação, campos de treinos interiores e exteriores, torre escola e contentores técnicos, possibilitando a realização de formação teórica e prática em condições realistas e seguras.

De acordo com João Gouveia, este novo equipamento está aberto a todos as corporações de bombeiros da região e do país que aqui queiram fazer exercícios treinos no âmbito das missões de combate a incêndios urbanos e florestais.

Por seu lado, o autarca de Mogadouro, António Pimentel, explicou que o município disponibilizou uma verba de cerca de 800 mil euros que lhe estava destinada no âmbito da Proteção Civil que foi afetada aos bombeiros para poderem fazer construir um campo de treinos.

“Este montante , o município poderia usá-lo como entende-se mas ficou decidido que esse montante seria destinado a este projeto da Associação Humanitária de Bombeiros de Mogadouro”, sublinhou.

Em 20 de janeiro de 2025, o município de Mogadouro e a Associação Humanitária dos bombeiros locais assinaram um contrato de comodato para a cedência de um terreno com 2,5 hectares para a criação de uma escola de formação e treino de bombeiros, na altura com um valor de 35 mil euros.

Trata-se de um contrato que tem uma vigência de cerca de 30 anos para um terreno situado na zona de Vale Calheiros, em Mogadouro, onde será instalada uma Unidade Local de Formação de Agentes de Proteção Civil.

Imagem: Ana Rita Pombo, atelier Linearch

Francisco Pinto