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SOBRE O BLOG: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite. Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues e João Cameira..
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blog, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

História do Mouro

Local: Duas Igrejas, MIRANDA DO DOURO, BRAGANÇA

Era no tempo qu'os mouros andavam à cata dos cristãos.  E um mouro apanhou um cristão e trazia-o a lavrar c'um burro.  E depois, de noite, metia-o numa arca.  E o mouro dormia em cima da arca.  E inda c'uma espada, pa tê-lo...  E algemado de pés e mãos.

E 'tá ainda lá, no Nazo, ainda, as algemas.  Então ainda está lá os ferros dos pés e os ferros das mãos.  Estão lá, postos na capela.  Ah, ah, esta história é verdadeira.
E o cristão sempre rezava a Nossa Senhora que o livrasse das mãos do mouro, porque sofria muito d'andar a lavrar c'o animal, não é?, e dos maus tratos que le dava.
Até que uma noite, sem saber como nem como não, o mouro acordou ao som dos sinos.  Portanto na mourama não havia sinos, porque não havia igrejas, não é?  E disse pò cristão:
--Acorda, cristão.  Na tua terra há cencernas?
(Que diziam inda os antigos.  Isto ouvia aos meus avós, não é?  Cencernas, que eram sinos.)
E disse:
--Pois há.
Diz:
--Até aqui foste tu o meu escravo.  Hoje sou o teu escravo, porqu'estamos na tua terra. 
E então o cristão tinha prometido fazer um poço à Virgem do Nazo se fosse libertado das mãos do mouro.  E ele estava muito longe, e sem sabê como nem como não apareceram ali.  Não se sabe...  Acordaram só ali, na terra cristã, mesmo ao pé da igreja.
E a depois o mouro viu que o Deus do cristão que era mesmo um Deus verdadeiro, que não era nada d'impostorice, porque era impossível serem transportados pr'ali, e ele a dormir.  Deitou-se na parte dos mouros e acordou ali, que era muito longe.  Não sei onde é que era, não diz.
E antão foi ele, até ele próprio qu'ajudou a fazer o poço lá no Nazo, e ainda lá está.
(Esta foi a tal história que eu disse que vi no livro que diziam que tinha sido não sei onde é que era, mas não foi.  É no Nazo. [...]  Foi em Miranda do Douro.  Estão as algemas ali, está lá o cristão assim, de joelhos, algemado, e está um quadro na parede, mui entiguíssimo, e está o mouro co'a lança.  'Tá co'a pintura lá.)

Fonte:FONTES, Manuel da Costa Portuguese Folktales in North America: Canada n/a, sem editora, s/d , p.7A233:94

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