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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

José Bernardes em Bragança: “Gil Vicente convida-nos a sair do nosso tempo”

José Augusto Cardoso Bernardes, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, proferiu esta terça-feira em Bragança a conferência “Gil Vicente no seu tempo e no nosso tempo”.
Gil Vicente
A iniciativa assinalou o arranque da mini-temporada que as companhias A Escola da Noite e o Cendrev realizam esta semana no Teatro Municipal de Bragança, com a co-produção “Embarcação do Inferno”. 

Referindo-se aos desafios que a obra de Gil Vicente coloca aos espectadores de hoje, 500 anos depois da época em que foi escrita e apresentada, o prestigiado vicentista reconheceu “a estranheza” que as peças de Vicente podem colocar aos artistas e aos espectadores contemporâneos. Para lidar com ela, é necessário “assumir o incómodo de fazer uma viagem ao século XVI” e compreender os seus textos à luz dos valores da época. Como acontece com toda a boa literatura e o bom teatro, afirmou, a obra de Vicente convida-nos “a sair de nós”, “desinstala-nos” e incita-nos ao “descentramento”.

Só assim, exemplificou Bernardes a propósito das personagens de “Embarcação do Inferno”, é possível entender os casos do Judeu que é condenado apenas por ser Judeu, do Enforcado que é alvo de uma segunda condenação post-mortem ou ainda dos Cavaleiros, “salvos apenas porque morreram nas partes d'além”. 

Lembrando Paulo Quintela
No debate que se seguiu à palestra, e a partir de uma intervenção do público, a ocasião serviu ainda para lembrar a figura e a obra de Paulo Quintela, intelectual bragantino que foi, a partir da Universidade de Coimbra e do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, o “grande divulgador da obra vicentina no século XX”. José Bernardes, que se confessou seu devedor, afirmou que foi Quintela quem deu a Gil Vicente a “dignidade universitária” e salientou a importância que os seus estudos tiveram para tirar o dramaturgo “da redoma nacionalista em que estava enfiado” nas décadas de 1940 e 1950 . Foi Paulo Quintela – lembrou – que demonstrou como Vicente se integra “na grande tradição do teatro medieval europeu”. Na abertura da conferência, António Augusto Barros, director artístico d'A Escola da Noite e co-encenador do espectáculo, lembrara também a importância do trabalho de Paulo Quintela, cuja versão do texto é aliás a versão escolhida para o presente espectáculo.

Um programa completo para festejar os 500 anos da Barca
“Embarcação do Inferno” é uma criação d'A Escola da Noite – Grupo de Teatro de Coimbra e do Cendrev – Centro Dramático de Évora. Para além do espectáculo, apresentado em co-produção e estreado no passado mês de Outubro, a iniciativa inclui oficinas para professores e um ciclo de conferências, comissariado pelo próprio José Bernardes, consultor científico do projecto. 

Levado a cabo por duas das companhias portuguesas que mais regular e aprofundadamente trabalham o reportório vicentino, este conjunto de actividades assinala os 500 anos da primeira apresentação e da primeira edição do mais conhecido texto vicentino, também conhecido como “Auto da Barca do Inferno”.

Depois das temporadas em Évora e Coimbra, o projecto estará em digressão nacional ao longo dos anos de 2017 e 2018, com passagens pelas principais cidades e salas do país. 

Em Bragança, o espectáculo passou esta semana, com representações no dias 12 e 13 de Janeiro para o público escolar e restante público. 

Até amanhã, sábado, tem lugar, também no Teatro Municipal, uma oficina para professores com 12 horas de duração. O director artístico d'A Escola da Noite salientou o gosto especial pelo facto de a digressão de 2017 estar a começar em Bragança, numa casa onde “sempre somos muito bem recebidos” e que uma vez mais demonstra a sua “abertura à criação artística nacional”.

in:noticiasdonordeste.pt

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