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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Francisco António da Silva

«Mestre entalhador», da vila do Mogadouro, arrematou em 1771 a obra de talha do retábulo da capela-mor da igreja de Urrós nas seguintes condições: 
«Levará em primeiro luguar sua banqueta com suas coartelas nas bandas para a receber. Levará seus pedestais, banco, coluna e friso. Levará hum caixilho na boca da tribuna em parte entalhado. Levará logo ao pé do caixilho por cada lado seu pilar entalhado, e logo primeira coluna tersada e entalhada com suas tarjas; e logo de cada banda hûa meia cana fazendo o retiro para tras com sua cupula e sua pianha que sirva para nicho dos Santos; e logo de cada lado sua coluna também tersada e entalhada; e hum pilar por banda para acabar de ligar a parede; e na meia cana que vai entre os pedestais se abrirá com seus gonzes para entrada do camarim; levará sua tarja para o Sacrario...... e subindo ao remate será nesta forma: em partes será acrecentado a proporção do pitique (?) e em cima do camarim levará hûa cupula com seu franjado que servirá a receber em cima das colunas do centro que para o mesmo se lhe faram suas coartelas; e em cima das tais coartelas levará de cada lado seu Anjo de altura correspondente ao menos de coatro palmos; com seu resplendor romano e por cima virá ao modo de pavilhão crescendo para diante comprimento necessario ao menos quatro palmos». Esta obra foi justa por 197$000 réis.
O doutor Francisco Vaz de Quina, provisor e vigário-geral do bispado de Miranda, por ordem do respectivo bispo mandou pôr a pregão, no pátio do palácio episcopal, «a factura do retabulo da capella mór da igreja matriz do lugar de Urrós por assim se lhe ordenar por sua Excelencia Reverendissima e sendo com efeito apregoada a dita obra pollo porteiro do juizo geral desta cidade em altas e inteligiveis vozes dizendo quem quer lançar na obra e factura do retabulo da capella mór da igreja do lugar que se hade rematar e repetindo o mesmo pregam hua, duas, tres e mais vezes; appareceu logo Francisco António da Silva, mestre e entalhador da villa do Mogadouro e lançou na ditta obra na forma dos appontamentos na quantia de cento e noventa e sette mil reis, e logo o ditto porteiro tornando a pregoar na forma sobreditta por nam achar quem fizesse menor lanço lhe aceitou o seu ao sobreditto e veio a elle Reverendo Doutor Menistro dizendo que tendo afrontado muitas vezes a ditta obra nam tinha achado quem nella lançasse por menos quantia de cento e noventa e sette mil reis pello que respeita tam somente a obra que se deve mandar fazer por conta dos fructos da Abbadia e apregoando ultimamente o mesmo porteiro disse em vozes altas entelegiveis ha quem por menos de cento e noventa e sette mil reis faça a obra do retabulo da capella mór do lugar de Urrós que se arremata e mandou outra vez elle Reverendo Menistro afrontar e logo o porteiro andou para baixo e para cima se havia quem por menos fazia a ditta obra com hum ramo verde na mam fazendo afronta e dizendo que afronta fazia porque mais nam achava e dizendo que se mais achara mais tomara doulle hûa doulle duas doulle outra mais pequenina ha quem faça por menos senam dou o ramo e por nam haver quem fizesse menos lanço logo elle Reverendo Doutor Menistro lhe mandou entregar o ramo ao sobreditto Francisco Antonio da Silva que o recebeo da mão do porteiro de que eu escrivam dou fé e lhe houve por rematada a dita obra».
Esta obra fora preceituada pelo visitador na diocese em 1771, que mandou «alargar dez ou dose palmos a parede de tras da capella mór e fazer de novo o seu retabulo…… [além de outras alfaias para o culto, ordenava mais que se fizessem] seis castiçais a romana».
Na obra de carpintaria arrematada para esta capela em 1771 por José Gonçalves, de Sanhoane, mestre carpinteiro, se declara que «será de pernas e terão os caibros de grosso meio palmo... e levarão de vão entre perna e perna palmo e meio, e levarão as pernas e os oliveis embotidos a meia madeira. Será o forro por cima das pernas em tosco de escama de peixe e será por baixo forrada e apainelada com suas coartelas e flores ou rosas nos remates dos paineis e toda na forma da capella de Carragosa».
Em outro processo, junto a estes documentos de Urrós, declara-se que a capela-mor «levara um retabolo de novo todo pelo feitio da capela mór de Rabal termo de Bragança».
Em outras arrematações de obras, como na da capela-mor da igreja de Mós de Rebordãos, em 1745 adjudicada aos mestres-canteiros José da Costa e Isidoro Martins, de Santa Comba de Rossas, por 200$000 réis, se diz apenas:
que a autoridade eclesiástica mandou pôr a pregão a obra pelo porteiro e, como não houvesse quem a fizesse por menos «lhe mandou entregar o ramo» aos ditos arrematantes. Assim por este teor aparecem vários outros autos de arrematação.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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