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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 14 de abril de 2019

O tio Rocha, homem da tia Angelina, de bigode farfalhudo, cor de mel e retorcido nas pontas, a poder de indicador e polegar e também muita saliva.

Por: António Orlando dos Santos 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Levantei-me hoje bem cedo e para não incomodar o sono matinal da minha mulher, não fui directo para o duche, antes dirigi-me à sala e liguei o meu i-pad para ver o correio que hoje em dia vem mais por esta via do que pela postal.
Li um texto que me foi enviado pelo meu amigo António Gomes, filho do Garrido, a quem agradeço a perspicácia de saber que eu gosto destas coisas e das enviar. Não reproduzirei todo o texto pois nem tenho esse direito legal e os interessados poderão encontrá-lo no mural de Lourdes dos Anjos, sua autora e deliciarem-se com esta maravilha. 
Feita a introdução vamos ao tio Rocha e às semelhanças que achei na história dos meninos e no que eu conheci desta personagem. 
O tio Rocha vivia com a tia Angelina no nº 64 da Caleja do Forte, por debaixo da tia Ilda Pireta que era esposa do tio Miguel Chamorro e tinham estes quatro filhos meus dilectos amigos, Álvaro, Nuno, Manuel e Frederico. 
Que eu saiba da relação do Rocha com a Angelina não havia descendentes. A semelhança encontrada nesta história e as vividas pelo Frederico e o tio Rocha mais eu próprio, que diga-se de passagem, estava sempre pronto para tudo o que implicasse acção colectiva.
Ora o tio Rocha que era um Senhor muito circunspecto e bem-falante (para os padrões da Caleja) que eu apreciava pelo seu bigode e também pelo facto da sua figura ser a ideal para fazer par com a da tia Angelina, mulher de meia-idade mas sempre limpa e escarolada, de rosto agradável e também sempre pronta para o que se apresentasse, pacífico ou violento pois ela respondia sempre com a mesma firmeza a que adequadamente respondesse ao desafio.
Mas, estas características que garantiam ao casal uma certa aura de excelência não lhes conferiam a amenidade de poderem usar uma sentina no espaço rectangular e paralelepipédico do seu quarto no nº 64 da nossa Rua. 
Assim sendo era inevitável que o tio Rocha fosse "a campo" à Cortinha da Albininha Guerra. E era aqui que o acto mais vulgar dos actos fisiológicos que a humanidade imperativamente tem que realizar para poder viver, se transformava num ritual de dignidade e alguma filosofia, que o tio Rocha do alto da sua sapiência e com voz afectada nos transmitia muitíssimas vezes a mim e ao Frederico que como companheiros e pupilos mais assíduos aprendemos nas horas de arrear a calça debaixo da figueira da encosta da Cortinha, onde hoje se faz a mesmíssima coisa a coberto dos muros e portas do abandonado Hotel Torralta: -O homem necessita de comida e bebida para viver, mas, imperativamente terá de defecar. Quando não defeca morre. 
E aqui vos transmito uma verdade insofismável aprendida na infância através do imperativo de transformar uma necessidade num acto com dignidade. A vida ensinou-me que até nas acções mais vis o homem pode e deve fazer por ser digno, cumprindo com o que Jave ordenou aos hebreus e está registado em Deuteronómio 23 versiculo 13 e seguintes: -Haverá um lugar fora do campo, onde deves ir para as tuas necessidades. Entre os teus utensílios terás um sacho com o qual, ao sentares-te lá fora, farás uma cova e em seguida cobrirás os teus excrementos... ,de modo que o Senhor nada veja em ti de desagradável e não se afaste de ti.
Pois bem os meninos, alunos da professora Lourdes dos Anjos quando ela ía ao Porto ao fim-de-semana pediam-lhe para trazer papel macio para o cú e boa roupa p'rá gente. No tempo mencionado que era o mesmo, eu o Frederico e o tio Rocha, colhíamos umas mãos cheias de erva da Cortinha e macia e fresca utilizávamo-la para limpar o sítio por onde séculos antes ao responder aos fariseus, Jesus de Nazaré, disse que era pelo tal orifício milagroso que saía o que pela boca comiam os seus discípulos e toda a humanidade.
Agradeço à Professora Lourdes dos Anjos o texto maravilhoso e realista que escreveu, ao Toninho Garrido por mo ter facultado, à Google pela visualização e ao tio Rocha por me haver ensinado a por dignidade até no acto que será o mais vil de todos os fisiológicos mas é também o que retira de nós o veneno que nos liquidaria.
Porque fomos capazes de o compreender e dignificar temos o dever de o desmistificar, mesmo que hoje o sacho do texto Deuteronómico se haja tornado em "papel macio para o cú" e se tivesse inventado o Bidé para a lavagem dos ENTREFOLHOS, vocábulo que a minha mãe nos gritava ao domingo de manhã quando entrávamos na celha para a lavagem semanal: -Lava bem os entrefolhos, que assim andas mais aliviado!






V.N. de Gaia 12/04/2019
A. O. dos Santos
(Bombadas)

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