Juntava-se um grupo de pessoas e andavam pelas ruas a tocar e a cantar os Reis, normalmente em dias de matança. O frio da rua contrastava com o calor acolhedor vindo das portas que se abriam para os receber. E logo as mesas se enchiam de comida: fumeiro, nozes, vinho, castanhas, figos secos.
Havia quadras para a chegada, para os donos da casa, para os convidados, para aqueles que não ofereciam nada e para a despedida.
O Mestre Hermínio Tomé partilha connosco a letra de uma cantiga dos Reis que antigamente era entoada na aldeia:
Estes Reis do Oriente
Seguiram o seu destino
Guiados por uma estrela
Vão adorar o Deus Menino
Seguiram o seu destino
Guiados por uma estrela
Vão adorar o Deus Menino
Deitai os olhos ao céu
Que lá vereis uma cruz
Com cama e travesseiro
Para o menino Jesus
Que lá vereis uma cruz
Com cama e travesseiro
Para o menino Jesus
Nossa Senhora faz meia
Com uma agulha que reluz
O novelo é a lua cheia
E as meias são o Menino Jesus
Com uma agulha que reluz
O novelo é a lua cheia
E as meias são o Menino Jesus
Adorai a Deus Menino
Que é Jesus de Nazaré
Filho da Virgem Maria
E esposa de São José
Que é Jesus de Nazaré
Filho da Virgem Maria
E esposa de São José
Ainda agora cheguei
Pus o pé nesta escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada
Pus o pé nesta escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada
Esta casa é caiada
Tem assentos de vidro
Muitos anos vivam nela
A mulher e o seu marido
Tem assentos de vidro
Muitos anos vivam nela
A mulher e o seu marido
Viva o senhor João
E os anos que deseja
Viva também uma rosa
Que recebeu na igreja
E os anos que deseja
Viva também uma rosa
Que recebeu na igreja
Quem diremos nós que viva
Por cima da salsa crua
Viva a menina Maria
Que alumia toda a rua
Por cima da salsa crua
Viva a menina Maria
Que alumia toda a rua
Viva o menino José
Por cima do carrascal
Na província de Trás-os-Montes
Deus o faça general
Por cima do carrascal
Na província de Trás-os-Montes
Deus o faça general
Esta casa é caiada
Tem assentos de gesso
Viva os senhores de fora
Que o pronome não conheço
Tem assentos de gesso
Viva os senhores de fora
Que o pronome não conheço
Viva lá o senhor António
Que já tem a porca morta
Se nos quer dar os Reis
Venha-nos abrir a porta
Que já tem a porca morta
Se nos quer dar os Reis
Venha-nos abrir a porta
Despedida, despedida
Como faz a cereja ao ramo
Passe muito bem a noite
Adeus até para o ano
Como faz a cereja ao ramo
Passe muito bem a noite
Adeus até para o ano
Despedida, despedida
Como faz o rouxinol
Que se despede a cantar
Não há regalo melhor.
Como faz o rouxinol
Que se despede a cantar
Não há regalo melhor.
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