O cientista, falecido aos 94 anos na sequência de uma curta doença, é considerado uma das grandes mentes do século passado: o seu legado enriqueceu os domínios da física matemática e teórica.
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| Cordon Press-Peter Higgs (1929-1964). |
Nascido em Newcastle Upon Tyne, Inglaterra, em 1929, Higgs dedicou a sua vida à investigação em física, que o levou a descobrir, aos 35 anos, a existência do bosão de Higgs, ou "partícula de Deus", que explica como a matéria se formou após o Big Bang.
A descoberta, no entanto, só foi reconhecida no século seguinte. Especificamente em 2012, quando o Grande Colisor de Hadrões da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) testou com sucesso as teorias de Higgs. Um ano depois, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel.
Para além disso, o seu trabalho como professor, doutor e investigador na Universidade de Londres e na Universidade de Edimburgo deixou uma marca indelével no conhecimento dos seus alunos. Neste sentido, o director desta última instituição, o Professor Peter Mathieson, declarou que "o seu legado continuará a inspirar muitas outras gerações futuras".
Os primeiros grandes passos de Higgs na ciência centraram-se no cálculo dos espectros vibracionais das moléculas, que mais tarde conduziram à investigação da teoria quântica dos campos. Assim, em 1964, publicou dois artigos nos quais propôs o que viria a ser conhecido como o mecanismo de Higgs, que, explicado de forma breve e simples, é um processo que confere massa às partículas elementares.
Foi a partir deste trabalho que a sua carreira começou a caminhar para o Prémio Nobel, pois um desses artigos foi rejeitado por uma prestigiada revista científica. Isto levou-o a rever a sua abordagem e a perceber que a sua teoria revelava a existência de um bosão pesado – um tipo de partícula básica na natureza, como o fotão.
DEPOIS DO BOSÃO DE HIGGS OU "PARTÍCULA DE DEUS"
Nos anos que se seguiram à descoberta, vários cientistas de todo o mundo utilizaram as ideias de Higgs para explicar outros fenómenos da física, como os físicos Sheldon Lee Glashow, Steven Weinberg e Abdus Salam na sua teoria electrofraca. No entanto, só em 2012 é que o CERN, com a colaboração activa de Higgs, comunicou ter detectado o sinal de uma partícula que correspondia às descrições do bosão de Higgs.
A descoberta demorou um ano a ser confirmada, mas levou a que o físico e professor recebesse o Prémio Nobel da Física em 2013. Foi um reconhecimento merecido pelas suas extensas contribuições para a disciplina científica, que já tinham sido consideradas em múltiplas ocasiões por outras instituições: por exemplo, em 1983 Higgs entrou para a Royal Society, uma das mais antigas e prestigiadas sociedades científicas do mundo, e ao longo da primeira década do século XXI foi galardoado com o Prémio Wolf e o Prémio J.J. Sakurai, juntamente com outros investigadores de renome.
A morte de Higgs – que ocorreu "pacificamente em casa, devido a uma curta doença", segundo a Universidade de Edimburgo – veio trazer de novo à ribalta as abordagens inovadoras que o levaram a ser considerado uma das grandes mentes do século passado. Era "uma pessoa extraordinária, um cientista dotado cuja visão e imaginação enriqueceram a nossa compreensão do mundo que nos rodeia", afirmou Mathieson.

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