(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Hoje, fruto dos acasos de, noutras latitudes, valorizarem os «santos da casa que, nas suas latitudes, não fazem milagres», veio à baila a filha de D. Afonso V, que «santa» não é, de facto, mas sim «beata». E, de repente, acelerados pensamentos, me questionei: «Será que os meus conterrâneos saberão que o dito D. Afonso V, o tal que elevou Bragança a cidade há 562 anos, era um Braganção?»… E também me questionei: «E será que querem saber?»… Cogitando com os meus botões, pensei: «Alguém, “pur’i, se calha”, com bastante probabilidade, ficará entusiasmado por saber»… E “prontus’e”, aqui “stou ou’e, tchatu c’mó caralhitchas’e, co ez’ta proa nas nhas terras’e”. E no tanto que proporcionaram a este país… E a tentar lutar contra os horizontes “piquerrutchus’e”…
“Peis é, atãu’e”, o “ti” D. Afonso V, o tal que proporcionou os recentes festejos pela minha capital de distrito, para lá de ser filho de D. Duarte, também precisou da mãe “p’ra bir’ó mundu’e”. E a mãe, D. Leonor de Aragão, era… “ua Bragançã”! “Rais’parta”!… “Ua Bragançã das de berdade”, descendente directa do conhecidíssimo e «Braganção-mor», Fernão Mendes de Bragança, «o Bravo». E bisneta de outra Bragançã ilustre que já por aqui trouxe, a que morreu, literal e figurativamente, de amores pelo nosso D. Pedro. Bragançã essa acerca da qual, por mera coincidência, escrevi “ua” crónica esta semana. Sem saber que, hoje, a sua tetraneta, Santa Joana Princesa, viria “ó barulhu’e”. “Cousas’e”… Vindo, «por arrasto», o seu trineto, o tal “ti” D. Afonso V, “ó barulhu’e, tamém’e”…
Resumindo… Santa Joana Princesa, festejada, por terras bragançanas, em terras salselenses, por “bias’e” de aveirenses influências, mais o seu irmão, o nosso D. João II e, consequentemente, o pai de ambos, o também nosso D. Afonso V, o tal que elevou Bragança a cidade, eram… Bragançãos! Tal como o primo D. Manuel I, também o era. Tal como…
«Mais de metade da História de Portugal não existiria, tal como a conhecemos, sem sangue bragançano»… Resta, aos responsáveis por terras onde tem origem o sangue bragançano, saber o que fazer com isso… “Digu ou, bá, já que m’ássim’e”…
Rui Rendeiro Sousa – Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer.
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas.
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana.
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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