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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Cada um por si

Por: Jorge Oliveira Novo
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Há datas que não são meros dias de calendário, como são o Natal, o Carnaval, a Páscoa, pois convocam-nos às memórias, às raízes, às tradições e cultura, enfim à nossa identidade.

Portanto, é natural e compreensível e até louvável que, à volta do imaginário coletivo e valor que traduzem, as Câmaras Municipais mobilizem recursos para organizar eventos para afirmar o território, dinamizar o comércio local e fortalecer o turismo, numa estratégia de valorização territorial e económica.

Contudo, uma reflexão se impõe: quando dois, três ou quatro municípios organizam eventos semelhantes nas mesmas datas, estamos a afirmar identidade ou a fragmentar o impacto? Estamos a somar forças ou a disputar públicos? Não estaremos, inadvertidamente, a enfraquecer aquilo que pretendemos fortalecer?

Talvez as respostas tenham diferentes perspetivas e todas corretas e verdadeiras na mesma. No entanto, eu inclino-me, nesta fase, para a constatação de que, em datas próximas ou coincidentes, com diferentes concelhos a promoverem eventos de natureza semelhante, ocorrerá, necessariamente, uma fragmentação de públicos, de investimento e de impacto mediático. Em vez de soma, lá está, produz-se dispersão.

Neste sentido, à legítima afirmação da autonomia municipal, importaria introduzir alguma racionalidade estratégica e cooperação estruturada, uma capacidade de articular interesses sem abdicar da sua própria identidade. 

Adaptando o que um dia disse Aristóteles, “o todo é necessariamente anterior à parte” significa que a prosperidade de cada município está também vinculada à vitalidade do conjunto regional, percebendo o território como um espaço coeso, articulado e estrategicamente inteligente, para todos beneficiarem.

É neste enquadramento que se coloca a questão do diálogo intermunicipal. Poderia a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) assumir um papel mais ativo de coordenação estratégica? Não como instância hierárquica, mas como plataforma de convergência, com calendário partilhado e planeamento integrado? A autonomia não é antagónica da colaboração, pelo contrário, amadurece quando se reconhece a interdependência.

Por outro lado, traduzindo o pensamento de muitas pessoas, por que razão não se concebe, à escala da CIM-TTM, um grande evento anual, estruturante e agregador? Um evento que possa unir cultura e património, turismo, ecologia e sustentabilidade, inovação tecnológica, produtos endógenos (o azeite, a castanha, a carne, o mel, o vinho, etc), a gastronomia e até setores industriais distintivos? Um evento com conferências nacionais e internacionais, capaz de projetar a região como laboratório de inovação territorial e de excelência rural?

Num tempo em que as regiões de baixa densidade competem por investimento, talento e notoriedade, a cooperação estratégica é mesmo uma necessidade. A nossa competitividade territorial aumentaria pela capacidade de trabalhar em rede. Como se depreende do 9.º Relatório sobre a Coesão Económica, Social e Territorial (2024) da Comissão Europeia  “a governação multinível eficaz e a cooperação entre autoridades locais e regionais são determinantes para maximizar o impacto das políticas públicas e fortalecer a resiliência territorial”.

Para cumprir este desafio, que não é apenas organizativo, mas político, exige-se visão, confiança institucional e cultura de colaboração. Exige que passemos da lógica do evento isolado para a lógica do projeto partilhado, para deixarmos de perguntar “quem organiza?” para perguntar “que impacto regional queremos gerar?”.

Se o território for pensado como comunidade, a articulação deixa de ser ameaça à identidade e torna-se ampliação da sua força, descobrindo que, quando se trabalha pelo bem comum do território e das pessoas, ninguém perde protagonismo e todos ganham escala.

Jorge Manuel Esteves de Oliveira Novo (Professor)

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