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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

IPB leva debate sobre a valorização dos produtos alimentares a vários concelhos transmontanos

 Iniciativa “Ano D’Alimentação” promove cinco encontros dedicados à produção, transformação, certificação e valorização dos alimentos de Trás-os-Montes.


O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a promover um conjunto de encontros em vários concelhos de Trás-os-Montes com o objetivo de aproximar produtores, investigadores, empresas, autarquias e consumidores e contribuir para a definição de estratégias de valorização dos produtos alimentares da região.

A iniciativa, denominada “Ano D’Alimentação”, é desenvolvida através do Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia em Regiões de Montanha (SusTEC) e contempla cinco seminários dedicados a alimentos e temáticas considerados estratégicos para o território transmontano.

“O Ano D’Alimentação pretende promover o diálogo em torno dos alimentos, desde a sua produção, transformação e comercialização até à valorização e investigação, de forma que sejam definidas estratégias concretas de valorização dos produtos alimentares da região de Trás-os-Montes”, explicam os organizadores Márcio Carocho e Sandrina Heleno.

A programação começou em Mogadouro, no dia 29 de abril, com um encontro dedicado aos alimentos do planalto e à passagem “do terroir à gastronomia”, que colocou em destaque produtos como o mel, o queijo e os cogumelos.

O segundo workshop realizou-se em Alfândega da Fé, em 27 de maio, e incidiu sobre a cereja e a amêndoa, com particular atenção às questões da autenticidade, diferenciação e certificação dos produtos.

O próximo encontro está marcado para 17 de junho, em Carrazeda de Ansiães, e terá como tema a qualidade e valorização dos alimentos de montanha. O vinho, a maçã e o azeite serão os produtos em maior evidência durante a jornada.

A programação descentralizada prossegue em 23 de setembro, em Montalegre, com um workshop dedicado à segurança alimentar, centrado nas carnes e nos enchidos.

O evento final realiza-se em Bragança, no dia 14 de outubro, sob o tema “Património Alimentar e Território”, reunindo os contributos e conclusões dos diferentes encontros realizados ao longo do ano.

Balanço positivo dos primeiros encontros

Márcio Carocho e Sandrina Heleno fazem um balanço “muito bom” dos dois primeiros workshops, destacando o envolvimento das autarquias, dos produtores e dos restantes participantes.

“O feedback dos participantes tem sido francamente positivo, bem como o das diferentes autarquias, que se têm mostrado muito recetivas a receber os workshops”, afirmam.

Segundo os organizadores, os encontros têm conseguido mobilizar estudantes do IPB, formandos dos cursos de especialização tecnológica ligados à gastronomia do Instituto do Emprego e Formação Profissional, empresas, produtores locais e elementos da comunidade em geral.

As mesas-redondas têm assumido particular importância, ao permitirem colocar em contacto diferentes intervenientes do setor agroalimentar e identificar dificuldades comuns.

“Temos conseguido comunicar transversalmente entre os vários intervenientes do setor alimentar, sobretudo durante as mesas-redondas, permitindo identificar lacunas e formas de as colmatar para valorizar os alimentos da nossa região”, salientam.

Apesar da adesão registada, a organização pretende alargar a participação nos próximos encontros e chegar a novos públicos interessados na alimentação, na produção agrícola e no desenvolvimento dos territórios de montanha.

Debate levado aos territórios de origem dos produtos

A realização dos workshops em diferentes localidades da região foi uma opção assumida pela organização para aproximar o debate das comunidades e dos locais onde os produtos são produzidos e transformados.

“A decisão de descentralizar estes eventos prende-se com a importância de aproximar o debate dos territórios onde estes produtos têm origem e onde se constrói diariamente o seu valor económico, cultural e social”, explicam Márcio Carocho e Sandrina Heleno.

Cada concelho apresenta produtos, tradições, conhecimentos e desafios próprios, pelo que a realização dos encontros nos respetivos territórios permite envolver diretamente produtores, empresários, associações e comunidades.

“Realizar os workshops nesses contextos permite dar maior visibilidade às suas singularidades, envolver diretamente produtores, empresários e comunidades locais e promover uma reflexão mais próxima da realidade”, acrescentam.

A descentralização pretende igualmente contribuir para a valorização do conjunto do território transmontano, reforçando a sua identidade agroalimentar e criando novas oportunidades de desenvolvimento económico.

Visitas técnicas, palestras e degustações

Os próximos workshops mantêm uma estrutura semelhante à adotada nos dois primeiros encontros. A participação é gratuita e, nos eventos descentralizados, está previsto transporte a partir de Bragança.

O programa começa, durante a manhã, com visitas técnicas a explorações agrícolas, unidades de produção ou empresas locais ligadas aos alimentos em destaque em cada concelho.

Durante a tarde realizam-se palestras temáticas e uma mesa-redonda com a participação de empresários, associações, investigadores, produtores e representantes das entidades locais.

O objetivo é promover “uma comunicação ampla e multidirecional” entre os vários agentes, permitindo cruzar o conhecimento científico com a experiência de quem produz, transforma e comercializa os alimentos.

Cada encontro termina com uma degustação dos produtos em destaque, proporcionando aos participantes um contacto direto com os sabores e características diferenciadoras de cada território.

Cooperação para um setor mais competitivo

Para os organizadores, a colaboração entre produtores, investigadores, autarquias e empresas é fundamental para reforçar a competitividade e a sustentabilidade do setor agroalimentar de montanha.

“As parcerias permitem unir conhecimento, inovação, experiência e capacidade de posicionamento no mercado. Os produtores conhecem o território, os investigadores desenvolvem soluções inovadoras, as autarquias apoiam o desenvolvimento local e as empresas ajudam a criar valor e a chegar aos consumidores”, referem.

A cooperação entre estes intervenientes poderá contribuir para melhorar os processos de produção e transformação, reforçar a certificação e diferenciação dos produtos e facilitar a sua entrada em novos mercados.

“Em conjunto, tornam o setor agroalimentar de montanha mais competitivo, sustentável e resiliente”, defendem Márcio Carocho e Sandrina Heleno.

Os seminários pretendem também recolher contributos que possam ser utilizados na definição de estratégias futuras para o desenvolvimento regional.

“Pretendemos recolher contributos de todos os intervenientes do setor para identificar prioridades e construir uma visão partilhada para o futuro”, sublinham os organizadores.

A expectativa é que o “Ano D’Alimentação” ajude a definir estratégias capazes de valorizar os produtos regionais, reforçar a inovação, promover a atividade económica e aumentar a atratividade dos territórios de Trás-os-Montes. “Estes seminários deverão ajudar a definir estratégias que valorizem os produtos da região, reforcem a inovação, promovam o desenvolvimento económico e aumentem a atratividade dos territórios”, concluem.

António G. Rodrigues

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