O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a promover um conjunto de encontros em vários concelhos de Trás-os-Montes com o objetivo de aproximar produtores, investigadores, empresas, autarquias e consumidores e contribuir para a definição de estratégias de valorização dos produtos alimentares da região.
A iniciativa, denominada “Ano D’Alimentação”, é desenvolvida através do Laboratório Associado para a Sustentabilidade e Tecnologia em Regiões de Montanha (SusTEC) e contempla cinco seminários dedicados a alimentos e temáticas considerados estratégicos para o território transmontano.
“O Ano D’Alimentação pretende promover o diálogo em torno dos alimentos, desde a sua produção, transformação e comercialização até à valorização e investigação, de forma que sejam definidas estratégias concretas de valorização dos produtos alimentares da região de Trás-os-Montes”, explicam os organizadores Márcio Carocho e Sandrina Heleno.
A programação começou em Mogadouro, no dia 29 de abril, com um encontro dedicado aos alimentos do planalto e à passagem “do terroir à gastronomia”, que colocou em destaque produtos como o mel, o queijo e os cogumelos.
O segundo workshop realizou-se em Alfândega da Fé, em 27 de maio, e incidiu sobre a cereja e a amêndoa, com particular atenção às questões da autenticidade, diferenciação e certificação dos produtos.
O próximo encontro está marcado para 17 de junho, em Carrazeda de Ansiães, e terá como tema a qualidade e valorização dos alimentos de montanha. O vinho, a maçã e o azeite serão os produtos em maior evidência durante a jornada.
A programação descentralizada prossegue em 23 de setembro, em Montalegre, com um workshop dedicado à segurança alimentar, centrado nas carnes e nos enchidos.
O evento final realiza-se em Bragança, no dia 14 de outubro, sob o tema “Património Alimentar e Território”, reunindo os contributos e conclusões dos diferentes encontros realizados ao longo do ano.
Balanço positivo dos primeiros encontros
Márcio Carocho e Sandrina Heleno fazem um balanço “muito bom” dos dois primeiros workshops, destacando o envolvimento das autarquias, dos produtores e dos restantes participantes.
“O feedback dos participantes tem sido francamente positivo, bem como o das diferentes autarquias, que se têm mostrado muito recetivas a receber os workshops”, afirmam.
Segundo os organizadores, os encontros têm conseguido mobilizar estudantes do IPB, formandos dos cursos de especialização tecnológica ligados à gastronomia do Instituto do Emprego e Formação Profissional, empresas, produtores locais e elementos da comunidade em geral.
As mesas-redondas têm assumido particular importância, ao permitirem colocar em contacto diferentes intervenientes do setor agroalimentar e identificar dificuldades comuns.
“Temos conseguido comunicar transversalmente entre os vários intervenientes do setor alimentar, sobretudo durante as mesas-redondas, permitindo identificar lacunas e formas de as colmatar para valorizar os alimentos da nossa região”, salientam.
Apesar da adesão registada, a organização pretende alargar a participação nos próximos encontros e chegar a novos públicos interessados na alimentação, na produção agrícola e no desenvolvimento dos territórios de montanha.
Debate levado aos territórios de origem dos produtos
A realização dos workshops em diferentes localidades da região foi uma opção assumida pela organização para aproximar o debate das comunidades e dos locais onde os produtos são produzidos e transformados.
“A decisão de descentralizar estes eventos prende-se com a importância de aproximar o debate dos territórios onde estes produtos têm origem e onde se constrói diariamente o seu valor económico, cultural e social”, explicam Márcio Carocho e Sandrina Heleno.
Cada concelho apresenta produtos, tradições, conhecimentos e desafios próprios, pelo que a realização dos encontros nos respetivos territórios permite envolver diretamente produtores, empresários, associações e comunidades.
“Realizar os workshops nesses contextos permite dar maior visibilidade às suas singularidades, envolver diretamente produtores, empresários e comunidades locais e promover uma reflexão mais próxima da realidade”, acrescentam.
A descentralização pretende igualmente contribuir para a valorização do conjunto do território transmontano, reforçando a sua identidade agroalimentar e criando novas oportunidades de desenvolvimento económico.
Visitas técnicas, palestras e degustações
Os próximos workshops mantêm uma estrutura semelhante à adotada nos dois primeiros encontros. A participação é gratuita e, nos eventos descentralizados, está previsto transporte a partir de Bragança.
O programa começa, durante a manhã, com visitas técnicas a explorações agrícolas, unidades de produção ou empresas locais ligadas aos alimentos em destaque em cada concelho.
Durante a tarde realizam-se palestras temáticas e uma mesa-redonda com a participação de empresários, associações, investigadores, produtores e representantes das entidades locais.
O objetivo é promover “uma comunicação ampla e multidirecional” entre os vários agentes, permitindo cruzar o conhecimento científico com a experiência de quem produz, transforma e comercializa os alimentos.
Cada encontro termina com uma degustação dos produtos em destaque, proporcionando aos participantes um contacto direto com os sabores e características diferenciadoras de cada território.
Cooperação para um setor mais competitivo
Para os organizadores, a colaboração entre produtores, investigadores, autarquias e empresas é fundamental para reforçar a competitividade e a sustentabilidade do setor agroalimentar de montanha.
“As parcerias permitem unir conhecimento, inovação, experiência e capacidade de posicionamento no mercado. Os produtores conhecem o território, os investigadores desenvolvem soluções inovadoras, as autarquias apoiam o desenvolvimento local e as empresas ajudam a criar valor e a chegar aos consumidores”, referem.
A cooperação entre estes intervenientes poderá contribuir para melhorar os processos de produção e transformação, reforçar a certificação e diferenciação dos produtos e facilitar a sua entrada em novos mercados.
“Em conjunto, tornam o setor agroalimentar de montanha mais competitivo, sustentável e resiliente”, defendem Márcio Carocho e Sandrina Heleno.
Os seminários pretendem também recolher contributos que possam ser utilizados na definição de estratégias futuras para o desenvolvimento regional.
“Pretendemos recolher contributos de todos os intervenientes do setor para identificar prioridades e construir uma visão partilhada para o futuro”, sublinham os organizadores.
A expectativa é que o “Ano D’Alimentação” ajude a definir estratégias capazes de valorizar os produtos regionais, reforçar a inovação, promover a atividade económica e aumentar a atratividade dos territórios de Trás-os-Montes. “Estes seminários deverão ajudar a definir estratégias que valorizem os produtos da região, reforcem a inovação, promovam o desenvolvimento económico e aumentem a atratividade dos territórios”, concluem.


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