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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Livro de Alexandre Rodrigues recupera a importância de S. Jorge na história da região e de Portugal

 Alexandre Rodrigues apresentou, na quarta-feira, um livro dedicado à figura de São Jorge e à importância que o cavaleiro medieval assumiu na história de Bragança e na construção da identidade nacional portuguesa.


O autor explicou que a obra não se centra em São Jorge enquanto santo ou beato, mas, sobretudo, enquanto figura simbólica do cavaleiro que combate o mal, faz triunfar o bem e protege os mais indefesos.

“Este livro, se fosse um filme, teria como ator principal S. Jorge. Não S. Jorge como o beato ou santo, mas S. Jorge como o cavaleiro medieval que combate o mal e que faz vingar o bem e, sobretudo, os indefesos”, afirmou Alexandre Rodrigues.

Segundo o investigador, S. Jorge teve um papel relevante na construção da “gesta nacional”, desde a chamada Cruzada Ibérica até ao período dos Descobrimentos e da expansão portuguesa.

A imagem e o exemplo do cavaleiro voltariam a adquirir particular importância durante o período da perda da independência e após a Restauração de 1640, funcionando como fonte de inspiração para a defesa e consolidação da soberania nacional.

Alexandre Rodrigues recordou igualmente a ligação da figura de S. Jorge à cidade de Bragança e às suas memórias de infância. O autor participou, aos nove anos, numa procissão realizada em 23 de abril, entre a Capela de São Sebastião e a Capela de S. Jorge, nas proximidades de Vila Nova.

Nessa celebração, S. Jorge seguia montado num cavalo branco, numa procissão que envolvia diretamente a Câmara Municipal de Bragança e mobilizava representantes das igrejas, mosteiros e estruturas de governação da cidade.

De acordo com o autor, existia um compromisso municipal relativamente ao pagamento das despesas e à participação do clero das igrejas de Santa Maria e São Vicente, do Mosteiro de São Francisco e dos capelães e sacristães dos conventos femininos de São Bento e Santa Clara.

A obra aborda também a capela de S. Jorge, antigo local da igreja matriz de Vila Nova, e analisa o respetivo retábulo e a iconografia das imagens que o integram, entre as quais as de Santo António e Santo Amaro.

O livro publica ainda documentação relacionada com a encomenda, pela Câmara de Bragança, da imagem de S. Jorge que atualmente permanece na capela de Vila Nova.

Figura obrigatória na procissão do Corpo de Deus

Alexandre Rodrigues destacou ainda a presença obrigatória de S. Jorge nas antigas procissões do Corpo de Deus, consideradas as celebrações mais importantes do reino durante o Antigo Regime.

O cavaleiro participava montado num cavalo branco e acompanhado por música, tambores e trombetas, numa festividade que associava uma forte componente religiosa a manifestações de caráter profano.

“S. Jorge era uma das figuras de participação obrigatória, com o seu cavalo branco e acompanhado de música, tambores e trombetas”, explicou o professor.

As procissões integravam também os diferentes ofícios da cidade. Alexandre Rodrigues deu como exemplo os talhantes e marchantes, que participavam com touros utilizados em jogos semelhantes a tradições que ainda sobrevivem em algumas regiões do país.

A procissão do Corpo de Deus foi instituída pela Igreja Católica no século XIII, mas conheceu o seu maior desenvolvimento durante o período barroco, sobretudo no reinado de D. João V. Após a Revolução Liberal e a Guerra Civil, a celebração perdeu progressivamente parte do esplendor anterior.

Embora centrado em Bragança, o livro estabelece comparações com as práticas existentes noutras cidades importantes do reino, como Lisboa, Braga, Porto e Évora.

“É um livro que olha para o nosso contexto, mas não perde de vista o país”, salientou Alexandre Rodrigues, explicando que Bragança importava frequentemente modelos da corte e de outros centros políticos e religiosos.

Símbolo da independência nacional

O autor associa ainda a consolidação de São Jorge como figura nacional à crise de 1383-1385. Nesse período, a bandeira do santo terá sido hasteada numa das torres do Castelo de Lisboa durante o cerco das forças castelhanas.

Foi igualmente nessa época que o grito de guerra “São Jorge” começou a ser utilizado pelas tropas portuguesas, substituindo o apelo a Santiago, associado às forças espanholas.

Alexandre Rodrigues admite também que D. João II possa ter contribuído para reforçar a devoção a S. Jorge no território de Bragança, na sequência da Batalha de Toro, embora reconheça que algumas destas ligações históricas permaneçam no domínio das hipóteses.

António G. Rodrigues

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