16.outubro.1920 – 30.maio.1921
MOGADOURO, 13.7.1879 – MOGADOURO, 16.5.1924
Engenheiro agrónomo. Proprietário agrícola.
Curso de Agronomia pelo Instituto de Agronomia e Veterinária.
Administrador do concelho de Mirandela (1910). Governador civil de Bragança (1920-1921).
Natural da freguesia de Travanca, concelho de Mogadouro.
Filho de José António Pegado, 6.º senhor da Casa dos Pegado de Oliveira (Mogadouro) e da Casa da Junqueira da Vilariça, e de Maria Teresa Barroso de Vilhena de Moura Carvalhais.
Casou com Teresa Corina do Céu Pegado de Meneses de Sousa Barroso, sua prima-sobrinha, de quem teve duas filhas, Maria Teresa de Moura Pegado de Meneses Barroso (n. 7.7.1920) e Ana Maria Angélica de Meneses Barroso de Moura Pegado (24.8.1921).
Sobrinho-neto do 1.º visconde de Seabra, António Luís de Seabra e Sousa, magistrado judicial, ministro da Justiça, deputado.
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Senhor da Casa dos Mouras Carvalhais, em Travanca, de Vilarinho das Azenhas e de Carvalhais, Moura Pegado concluiu a sua formação em Agronomia em 1905, com a apresentação da dissertação inaugural Os prados naturais do Norte de Portugal (lameiros). A escolha da área de formação não era fruto do acaso, antes teria certamente em vista a gestão agrícola das suas propriedades.
De resto, o casamento, em 1918, com a sua prima-sobrinha, Teresa de Sousa Barroso, senhora da Casa dos Barrosos de Travanca, coproprietária da Casa e Quinta de Calvelhe e da Casa e Quinta de Vale da Porca, permitiu-lhe reforçar ainda mais a sua condição de grande proprietário e empresário agrícola.
Destacou-se ainda como administrador e estudioso na área das ciências agrárias.
Dirigiu o Posto Agrário de Mirandela e o da região duriense, a Escola Móvel Profissional de Agricultura “Alves Teixeira”, de Vidago, foi chefe da Secção Agrícola de Bragança e fundou e dirigiu os periódicos O Lavrador Trasmontano, que se publicou em Vidago, e O Fomento Agrícola, de Mirandela.
Noutros domínios, colaborou na Pátria Nova, Nordeste, A Pátria, de Lisboa, e no Norte, do Porto, ali escrevendo numerosos artigos sobre o distrito de Bragança e os seus problemas. Em 1921, deu ao prelo uma Homenagem aos Heróis Portugueses na Grande Guerra.
Na magistratura administrativa, começou por ser nomeado administrador do concelho de Mirandela, em 1910, mas nesse mesmo ano foi exonerado. Nomeado governador civil do distrito de Bragança por decreto de 16 de outubro de 1920, tomou posse três dias depois. Foi exonerado a 30 de maio de 1921.
Eterno defensor da sua terra e das suas gentes, Moura Pegado era considerado “um fidalgo de raça por nascimento, mas um caráter de eleição, sempre na brecha pelas causas nobres e justas, acompanhando o povo nas suas angústias e nas suas revoltas, gozando por isso de uma justificada simpatia” (O Povo de Mirandela).
Faleceu em maio de 1924, com apenas 44 anos. Empresta o seu nome a uma rua na cidade de Mirandela e a um largo e uma rua em Macedo de Cavaleiros.
A criação da Liga de Defesa dos Interesses do Distrito de Bragança, vista por Moura Pegado (1910)
A fundação desta Associação é a consequência da mudança de instituições e do feroz abandono a que tem sido votado este distrito pelos poderes públicos.
Todo o distrito sabe como a política de caciquismo do antigo regime esmagou as mais justas e inadiáveis necessidades coletivas desta região para atender unicamente à política de interesses pessoais e de perseguições mesquinhas ditada por muitos aventureiros sem escrúpulos.
O distrito de Bragança foi o feudo de muitos audaciosos, que subiram manejando a intriga no meio da boa-fé do nosso povo, tão sincero e bom, e por isso bem digno de ser compensado dos imensos sacrifícios que está fazendo sob o peso do inexorável fisco.
A presente Liga tem por fim, como o nome o indica, defender os interesses deste distrito com toda a dedicação e lealdade, pondo de parte vaidades pessoais, interesses de aventureiros, supremacias injustificadas, ódios e intrigas. É pois uma campanha toda feita de energia e justiça na defesa dos legítimos interesses desta região, aquela que se vai encetar. Nela deverão entrar todos aqueles que não ficaram com o travo do fel do antigo regime e que se queiram dedicar com absoluta sinceridade à obra de progresso da democracia.
O distrito de Bragança, todos o sabem, está num caótico estado de abandono, a braços com a miséria e a fome e caminhando para uma situação absolutamente insustentável. Ninguém se iluda, porque o mal está bem evidente. No campo político, os favores pessoais aos caciques do antigo regime e a intriga habilmente manejada, conjugada com as injustiças e pressões feitas pelos Governos, tinham reduzido o eleitorado à degradante condição de dócil rebanho. Daí o princípio assente nas altas regiões do poder que o distrito de Bragança era governamental. E como os governos da Monarquia não tinham a temer a oposição eleitoral do povo, compravam os caciques com favores pessoais, ficando ao abandono os interesses coletivos. Eis pois o nosso distrito gemendo sob o peso duma infame usura que absorve qualquer iniciativa por melhor porfiada que fosse. O alto distrito encontra-se quase isolado por deficiência de vias de comunicação e por isso a agricultura e o comércio estão sem as suas essenciais condições de expansão.
A distribuição do contingente da contribuição predial tem sido feita pelas indicações da política de sectarismo e não pelas razões de ordem económica.
O povo encontra-se mergulhado nas trevas da ignorância e da superstição, e o cacique ameaça continuar com os antigos processos para prolongar na democracia a escravatura moral e intelectual em que trazia acorrentado o nosso eleitorado. Impõe-se nesse distrito uma vasta obra de saneamento político que traga ao povo a consciência da sua independência e por isso lhe mostre o dever de entrar diretamente no caminho das justas reivindicações coletivas.
Está-se já levantando uma nuvem negra de má vontade e até de hostilidade contra esta Associação, mas a justiça do povo há de triunfar dos intrigantes, porque o povo vai falar e felizmente já pode pedir aquilo a que tem direito.
Mãos à obra porque é mister consubstanciar no distrito de Bragança a fórmula democrática. António de Moura Pegado
Fonte: Notícias do Nordeste, 16 de dezembro de 1910, ano 1 n.º 18.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Notícias do Nordeste, 16.12. 1910.
Administradores do Concelho de Mirandela (documento disponível em www.cm-mirandela.pt/uploads/writer_file/document/159/645.pdf ).
FONTE, Barroso da. 1998. Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto-Durienses, vol. I. Guimarães: Editora Cidade Berço.
ALVES, Francisco Manuel. 2000. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, vol. VII. Bragança:
Câmara Municipal de Bragança / Instituto Português de Museus.
Geneall – Portal de Genealogia (disponível em geneall.net).
Publicação da C. M. Bragança
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