A mostra reúne utensílios domésticos, peças de decoração e outros objetos antigos que ajudam a recordar a forma como se vivia na aldeia há várias décadas.
Grande parte do espólio pertenceu a uma antiga casa de lavoura que foi doada à Junta de Freguesia. Teresa Pereira, uma das mentoras da exposição, conta que foi ao conhecer o interior do imóvel que percebeu o valor patrimonial das peças que ainda ali permaneciam:
“Um dia fomos lá ver aquilo e eu fiquei parva. Quando saí, disse: ‘O espólio que está dentro desta casa, para mim, tem mais valor do que a própria casa’.
A senhora levou parte do espólio e deixou lá ficar estas peças, e eu disse: ‘Não, isto tem que se recuperar’. Deu-me um imenso trabalho, tive de lavar tudo, tratar das peças de cobre e de outras, mas estou muito contente.”
Às peças recuperadas desta casa juntaram-se objetos pertencentes à família de Teresa Pereira e algumas doações feitas por outros habitantes.
Embora seja difícil determinar o número exato, a exposição reúne já mais de uma centena de referências inventariadas e o número total de objetos deverá ultrapassar os 150:
“Peça por peça, com vários grupos incluídos, estamos com 120, quase 130 referências, mas deve ultrapassar as 150 peças.
Eu acho que, quando as pessoas vierem aqui e virem o que aqui está, mais pessoas nos vão dar coisas antigas que têm lá em casa.”
A exposição pretende, por isso, ser também um ponto de partida para continuar a recolher e preservar objetos ligados à história e às vivências da população de Talhas.
Mas o objetivo é mais ambicioso. Teresa Pereira explica que a intenção passa por conseguir apoio para recuperar a casa onde se encontrava parte do espólio e transformá-la num espaço museológico dedicado à agricultura e à vida rural:
“O nosso objetivo é termos um apoio para recuperar a casa, para fazer, no rés do chão, que é grande, um museu da agricultura e da lavoura e, na parte de cima, fazer turismo de habitação, para nos dar fundo de maneio para manter o museu.
Até lá, vai ficar aqui e quero que as pessoas venham, vejam, deem opiniões e também possam trazer mais peças.”
Enquanto esse projeto não avança, “Memórias de uma Casa Antiga” fica patente na antiga Escola Primária de Talhas, permitindo a residentes e visitantes conhecer objetos que contam parte da história da aldeia e de várias gerações que ali viveram.


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