Um dos objetivos é perceber de que forma o ensino artístico especializado em música pode contribuir para a educação, a cultura e o desenvolvimento do território.
A investigação é desenvolvida pelo Centro de Investigação Transdisciplinar em Educação e Desenvolvimento da Universidade Politécnica de Bragança e envolve cerca de quatro investigadores.
Tiago Madalozzo, investigador responsável pelo projeto, explica que o estudo vai decorrer ao longo de 12 meses e pretende analisar os primeiros anos de atividade do Conservatório:
“O objetivo é dar a conhecer à comunidade científica o que é que acontece no âmbito do Conservatório Regional de Macedo de Cavaleiros e de que modo as atividades pedagógico-musicais têm não só o ensino especificamente de música, mas também a ideia de promover um espaço de acesso da população a esse tipo de atividade que, durante muitos anos, não era uma procura possível de ser satisfeita na região.”
A investigação vai recorrer a entrevistas, observação de aulas e atividades e análise de documentos do próprio Conservatório, procurando perceber não só a dimensão pedagógica, mas também a relação da instituição com a comunidade e com o território.
Esta questão ganha particular importância numa região onde, segundo Vasco Alves, diretor do Conservatório e também investigador do projeto, o acesso a este tipo de ensino continua a ser mais limitado:
“O que acontece é que, no interior e principalmente aqui na nossa região, não existem muitas estruturas que permitam às crianças e aos jovens ter acesso a esse direito.
Grande parte das instituições de ensino que oferecem este tipo de formação artística estão confinadas ao litoral.”
O projeto ECOS pretende, assim, perceber de que forma uma instituição como o Conservatório pode contribuir para combater estas assimetrias e reforçar a participação cultural e a coesão territorial.
A investigação poderá também ter uma dimensão para além de Macedo de Cavaleiros. Os investigadores querem perceber se a experiência do Nordeste Transmontano pode ser útil para outros territórios periféricos:
“O caso da região do Nordeste Transmontano tem a sua especificidade, mas, ao mesmo tempo, há outras regiões, inclusive em outros países da Europa, que também passam por essas mesmas necessidades e em que talvez uma instituição como o Conservatório possa ser uma das possibilidades para se repensar essa situação e levar o ensino artístico especializado.”
Os primeiros resultados científicos deverão surgir no próximo ano.
O projeto ECOS vai acompanhar esta realidade para perceber o impacto que o ensino artístico especializado está a ter em Macedo de Cavaleiros e na região.
O projeto será apresentado na Noite Europeia dos Investigadores, em Bragança, que reúne mais de 30 bancas científicas, com a participação de centros de investigação da Universidade Politécnica de Bragança e de outras entidades ligadas à ciência e à inovação.
O programa inclui ainda atividades de astronomia, desporto e bem-estar, música e animação, numa iniciativa que pretende aproximar a investigação científica da comunidade.
Fotografia: Brandão



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