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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Inteligência artificial e participação dos alunos marcam Encontro de Boas Práticas Educativas

 Cerca de 300 professores de várias regiões do país participaram na sexta edição do Encontro de Boas Práticas Educativas, uma iniciativa destinada a assinalar o arranque do novo ano letivo e a promover a partilha de experiências entre docentes. A inteligência artificial, a inovação pedagógica e a participação dos alunos na escola estiveram entre os principais temas em debate.


Promovido pelo Centro de Formação da Associação de Escolas Bragança Norte (CFAE), o encontro registou 320 inscrições, apesar de coincidir com uma época de exames, durante a qual vários professores estão envolvidos em tarefas de vigilância, secretariado e correção.

António Ramos, diretor do CFAE Bragança Norte, explicou que a iniciativa procura criar um espaço onde os docentes possam apresentar projetos e metodologias que têm vindo a desenvolver com os seus alunos.

“O objetivo primordial é marcar e assinalar o arranque do ano letivo”, afirmou, acrescentando que a designação Encontro de Boas Práticas Educativas traduz aquela que é a principal finalidade da iniciativa: permitir aos professores partilharem experiências que possam ser adaptadas e replicadas noutros estabelecimentos de ensino.

“Nas conversas, nas partilhas e nas discussões, essas práticas podem ser aproveitadas para levar para outras escolas, aplicar ou adaptar no trabalho com os alunos”, explicou António Ramos. O responsável destacou o surgimento de ideias e projetos com potencial para enriquecer as aprendizagens e diversificar o trabalho realizado nas salas de aula.

O programa incluiu 14 workshops, nos quais os participantes tiveram oportunidade de conhecer e experimentar diferentes recursos e metodologias. As propostas abrangeram áreas como a inteligência artificial, as bibliotecas escolares e a utilização da cidade enquanto recurso educativo.

Além da componente formativa, o encontro pretende proporcionar um momento de reencontro no início de mais um ano letivo. “O convívio entre os colegas, o reverem-se e o conversar também fazem falta”, salientou António Ramos.

A organização tem procurado ainda convidar especialistas e pensadores de referência para refletirem sobre os desafios colocados à educação. Depois das participações, em edições anteriores, de António Nóvoa e Assunção Flores, o encontro recebeu este ano o cientista Carlos Fiolhais. O programa contou igualmente com a presença de Luís Sebastião, professor da Universidade de Évora, para uma reflexão sobre educação, utopias, ucronias e inteligência artificial.

Carlos Fiolhais considerou que estes encontros assumem particular importância por coincidirem com o regresso às aulas, um momento que professores e estudantes vivem de formas diferentes.

“Para os professores há uma repetição, mas para os estudantes que estão perante eles é uma coisa nova”, explicou. Segundo o cientista, cada criança e cada jovem regressam à escola diferentes, devido às experiências e aprendizagens do ano anterior, cabendo aos docentes prepará-los para que, no final de mais um percurso letivo, também tenham evoluído.

A presença da inteligência artificial na educação foi um dos assuntos centrais da intervenção de Carlos Fiolhais. O cientista defendeu que estas ferramentas já fazem parte da sociedade e, consequentemente, não podem ser afastadas do espaço escolar.

“A inteligência artificial está aí na sociedade toda e, portanto, também está na escola. Não se pode parar o vento com as mãos”, afirmou. No entanto, alertou para a necessidade de utilizar com “conta, peso e medida” não apenas a inteligência artificial, mas também os computadores, os telemóveis, os ecrãs e as redes sociais.

Carlos Fiolhais advertiu que professores e alunos não podem tornar-se “escravos de algoritmos”, limitando-se a seguir as regras impostas pelas máquinas e pelos programas informáticos. Para o cientista, a escola deve ajudar os jovens a desenvolver consciência, autonomia, empatia e capacidade de discernimento.

“O ser humano é muito mais do que responder ou seguir uma máquina. A escola serve precisamente para aprendermos a seguir-nos a nós próprios”, sustentou. A aprendizagem, acrescentou, faz-se em conjunto, num espaço que funciona como uma “microssociedade” e onde a relação com os outros continua a ser indispensável.

Também António Ramos classificou como inevitável a entrada da inteligência artificial no ensino. O diretor do CFAE Bragança Norte entende que a escola deve aprender a trabalhar com estas ferramentas para, posteriormente, ensinar os alunos a aproveitarem as suas potencialidades.

“Mais do que dizer ‘aqui não entra’, é dizer que entra desta maneira”, explicou. A utilização da inteligência artificial deve, contudo, ser acompanhada e orientada, salvaguardando os riscos associados. “Não podemos abrir a porta e dizer: agora usem como quiserem”, advertiu.

A voz dos estudantes esteve igualmente presente no encontro. Num debate moderado por Paulo Dias, antigo diretor do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, os alunos defenderam aulas mais dinâmicas e uma participação mais ativa nas atividades e na vida escolar.

Tiago Estroia, aluno da Escola Miguel Torga, afirmou que os estudantes querem intervir mais nas aulas, considerando que muitas continuam a assentar excessivamente na exposição dos conteúdos pelo professor.

“Há certos professores que começam a permitir mais interação dos alunos, mas, no geral, continuam ainda a existir aulas extremamente expositivas”, observou. O jovem reconheceu também que a inteligência artificial é inevitável e pode constituir uma ferramenta útil, desde que seja utilizada corretamente. Por isso, defendeu que a escola deve ensinar os alunos a trabalhar com as novas tecnologias.

Paulo Dias sublinhou que os depoimentos confirmaram uma realidade já conhecida: os estudantes são cada vez mais “participativos e interventivos” e esperam uma escola capaz de responder a essa forma de estar.

O antigo diretor escolar reconheceu, contudo, que não existe uma explicação simples para a dificuldade de concretizar algumas mudanças. A pressão para cumprir as aprendizagens essenciais, sobretudo no ensino secundário, e a preparação para os exames continuam a condicionar a adoção de novas práticas.

“Os jovens já nascem na mudança. Para eles, não é uma mudança, é a vida e o mundo deles. Para a escola é uma mudança e um acompanhamento”, afirmou Paulo Dias, considerando, ainda assim, que os estabelecimentos de ensino estão progressivamente a adaptar-se às novas exigências.

António G. Rodrigues

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