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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Festividades da Sra. da Serra superaram expectativas

 As festividades em honra de Nossa Senhora da Serra, no santuário situado no ponto mais alto da serra de Nogueira, registaram este ano uma participação acima das expectativas, com as celebrações da novena muito concorridas e os tradicionais quartéis totalmente ocupados.


O Pe. Jorge Miguel Pinto, responsável pela Unidade Pastoral de S. Bento, afirmou que não houve “um dia fraco” ao longo da novena.

“Todas as celebrações estiveram muito preenchidas. Foi uma moldura humana extraordinária, que se viu em todos os dias desta novena”, destacou.

A programação procurou renovar algumas das tradições do santuário e envolver diferentes grupos da comunidade. Os jovens voltaram a dinamizar a oração da noite e o espaço juvenil, dando um novo impulso à celebração de completas, às laudes e à eucaristia matinal.

Entre as novidades esteve a criação de um dia dedicado às crianças batizadas durante o último ano e aos casais que receberam o sacramento do matrimónio no mesmo período. A iniciativa destinada às crianças teve, segundo o Pe. Jorge Miguel, uma “participação forte” para uma primeira edição, enquanto a adesão dos casais ficou aquém do esperado.

“Os padres nem sempre pensam na vida dos casados e marcámos para as 11h00 em vez das 17h00, como seria lógico”, reconheceu, adiantando que a atividade será repetida no próximo ano em horário mais favorável.

As festividades incluíram ainda a peregrinação motard e a presença da imagem de Nossa Senhora da Serra venerada em Carrazeda de Ansiães, acompanhada por fiéis e devotos daquele concelho.

Um dos momentos centrais foi o dia dedicado às instituições particulares de solidariedade social, que reuniu cerca de 70 utentes previamente inscritos, além de residentes de outros lares e instituições que se associaram à celebração.

D. Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda, considerou que os santuários assumem uma importância crescente na vida das pessoas, das famílias e das comunidades, ultrapassando a dimensão estritamente religiosa.

“São lugares de referência e têm muita importância em termos de saúde, de cultura e de criação de momentos coletivos e de encontro. Temos aqui um tesouro”, afirmou.

O bispo destacou a participação “profunda e ativa” dos fiéis e o ambiente de silêncio e fé vivido ao longo da novena. D. Nuno Almeida elogiou igualmente o programa preparado pelos responsáveis pastorais, considerando que não se tratou de “mais uma novena”, mas de uma iniciativa pensada em função das necessidades atuais das pessoas.

Na homilia da eucaristia com a Unção dos Enfermos e ação de graças pelas IPSS, o prelado lembrou todos aqueles que cuidam dos mais doentes e frágeis.

“Damos graças a Deus pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, pelos visitadores e ministros extraordinários da Comunhão, pela sua bela vocação de cuidadores da vida e da fragilidade humanas”, afirmou.

Partindo do lema da novena, “Da Caridade à Fé”, D. Nuno Almeida apelou a uma Igreja próxima dos mais vulneráveis e capaz de traduzir o Evangelho em gestos de acolhimento, serviço e compromisso.

“A compaixão abre os olhos para estender a mão aos que estão no limiar da pobreza, à beira de perder a dignidade”, salientou.

O bispo agradeceu o trabalho dos dirigentes, colaboradores, voluntários, benfeitores e utentes das instituições sociais, assim como o apoio prestado pelas autoridades. Defendeu também o reforço da cooperação entre as IPSS, nomeadamente através da aproximação ou união de estruturas mais pequenas, como forma de assegurar a continuidade das respostas sociais.

Para D. Nuno Almeida, o encontro das instituições no ambiente festivo da Senhora da Serra ajudou a “semear o futuro com esperança”.

A procura dos quartéis voltou também a marcar as festividades. De acordo com o responsável pela Unidade Pastoral, todos os espaços estiveram preenchidos e continuaram a chegar pedidos quando já não existiam quartos disponíveis.

Embora algumas pessoas utilizem atualmente os quartéis apenas durante o dia, cresce o número de peregrinos que procura permanecer no santuário durante toda a novena. Entre eles encontram-se cada vez mais jovens, casais e famílias com crianças.

“O pernoitar no santuário e o viver de toda esta experiência está a fascinar cada vez mais pessoas, sobretudo os jovens”, explicou o Pe. Jorge Miguel.

Não está prevista a construção de novos quartéis, devido às condicionantes associadas à localização do santuário numa zona natural. Estão, contudo, projetadas obras de manutenção e de melhoria das condições existentes, bem como uma intervenção nas tabernas, em articulação com a Câmara de Bragança.

Para o Pe. Jorge Miguel, a vitalidade das festividades depende, acima de tudo, da presença dos peregrinos: “Esta novena só faz sentido se for habitada por pessoas. A Igreja continua viva com pessoas vivas, não com pedras. Caso contrário, isto seria um museu.”

António G. Rodrigues

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