Será possível travar a degradação patrimonial e apoiar os idosos? No Nordeste Transmontano, a Igreja enfrenta o desafio de, isoladamente, conservar igrejas, capelas ou ermidas. Felizmente, em assinaláveis casos, a cooperação local já é efetiva, mostrando que a união é uma força viva neste território.
Com humildade e caridade, nota-se que, por décadas, os mordomos ajudaram a erguer salões que continuam a mobilar. Faltou apenas colocar as coisas a limpo para se saber o destino desse esforço. Por vezes, dinâmicas de autoafirmação privam a paróquia de investir em formação, na conservação de templos, casas paroquiais e apoio social. Por equívocos na condução deste voluntarismo, espaços deixam de «servir o bem global da comunidade» («Festas», 1991, 23), abrindo caminho a tendências de afastamento individual que urge analisar. Sob o incentivo autárquico, urge harmonizar esta vivência.
O Papa Francisco recorda na encíclica Laudato Si’ (n.º 143) que, «a par do património natural, encontra-se ameaçado um património histórico, artístico e cultural», pedindo o protagonismo local. Sob este apelo, propõe-se um Pacto de Solidariedade Ativa assente em três eixos:
Social: Cooperação para qualificar a assistência à terceira idade e combater a solidão.
Cultural: Parceria para garantir a salvaguarda legal e o rigor dos templos.
Comunitária: Gestão sóbria «como a de um bom pai de família» (c. 1284 § 1 / «Festas», 24), que evite gastos efémeros e perpetue proveitos na conservação do património herdado.
Desta simbiose nasce uma aliança virtuosa, sem confundir sacristia com secretaria. Como advertia Santo Agostinho em “A Cidade de Deus” (Livro IV, cap. 4), «removida a justiça, que são os reinos senão grandes bandos de ladrões?». A justiça realiza-se na gestão reta dos recursos.
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