Na conferência de imprensa final, transmitida em direto pela CNN Portugal, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou que esta passagem resulta do reconhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição e da avaliação da sua capacidade científica e de investigação:
“Nós fazemo-lo em Bragança, ao abrigo daquilo que o senhor reitor já aqui espelhou, de um princípio que é, por um lado, de reconhecimento do trabalho.
É verdade, não é por capricho que escolhemos Bragança, embora todos pudessem até perceber que, no meu caso, podia haver uma afinidade da decisão a um contexto mais próximo e afetivo.
Não é por isso. É por razões objetivas, técnicas, de avaliação material daquilo que foi a capacidade que esta instituição demonstrou de aprofundar a sua capacidade científica, de investigação, de formação de um corpo docente adequado, de integração com toda a atmosfera institucional e empresarial da região, com o caminho percorrido em termos de internacionalização e de atração de talento.”
Para o reitor da instituição, Orlando Rodrigues, esta transformação significa que a universidade poderá ser mais uma alavanca para o desenvolvimento do território:
“Essa passagem baseou-se na identificação, no conhecimento da importância que a instituição tem para a região, mas também, e isso era uma condição essencial para isto ocorrer, numa capacidade científica que a equipara às outras universidades.
Essa capacidade científica já existia. Entende-se que essa capacidade ajuda a alavancar o desenvolvimento da região e esta transformação dá mais ferramentas, dá mais capacidade para desenvolvermos essa missão.
Portanto, é uma boa notícia para nós, naturalmente, que nos dá outros instrumentos, outras ferramentas, mas entendemos que é uma boa notícia para toda a região.”
O novo estatuto deverá implicar também maior reconhecimento no âmbito da cooperação internacional, mais capacidade de oferta formativa e reforço do financiamento:
“Vamos ter uma ferramenta que é essencial, que deixa de levantar dúvidas quanto ao estatuto da instituição. A universidade passa a ser plena e, assim, reconhecida internacionalmente.
Somos uma instituição muito baseada na cooperação internacional. Portanto, a questão do estatuto não vai levantar dúvidas. Relativamente à cooperação internacional, em projetos de parceria, é uma dimensão maior do reconhecimento do estatuto institucional da instituição, em termos nacionais e internacionais.
Outra dimensão importante é termos mais grau de liberdade, mais capacidade de definir oferta formativa. Portanto, não temos agora limites não legais e podemos oferecer mais oferta formativa em todas as áreas, desde que isso seja útil à região.
Para já, não faremos grandes alterações, mas temos a possibilidade de ajustar a nossa oferta formativa com maior amplitude de escolhas.
Depois, naturalmente, outra alteração importante é relativamente ao financiamento, porque as universidades têm, pela lei do financiamento, um financiamento superior e, portanto, isso também nos vai dar outras ferramentas.”
Para a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, a reconversão em Universidade de Bragança e Norte Interior assenta em dois fatores fundamentais: a competitividade científica e a capacidade de internacionalização da instituição.
“Portanto, o que este Governo faz, e bem, é reconhecer o mérito desta instituição. O facto de passar agora a universidade é, sem dúvida, muito importante para o desenvolvimento não só de Bragança, como de toda a região.
É não só pensar localmente, mas pensar no país, porque precisa de ter as suas instituições capacitadas ao mais alto nível para poderem também elas próprias captar financiamento e fixar recursos humanos.”
No seu discurso, agora como autarca, mas também enquanto antiga secretária de Estado da Valorização do Interior, cientista e professora do antigo Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Isabel Ferreira reconheceu que a instituição é também a sua “casa” e onde pretende regressar um dia:
“Foi onde eu estive durante 20 anos, numa carreira completa, e por isso estou no topo dessa carreira. Sei bem aquilo que trabalhámos em prol da investigação científica para termos um centro de investigação, hoje são dois, com classificação máxima, a classificação de excelência.
É um instrumento para fixar jovens, lutar pelo estatuto da carreira de investigação científica, que acabou por ser aprovado ainda na legislatura em que eu estive no Parlamento, e, portanto, um diploma no qual eu também trabalhei na primeira pessoa.
Por isso, é um momento também, do ponto de vista pessoal, muito importante. Tive a oportunidade de dizer isso, é até com emoção que estou a viver todo este dia, porque, de facto, foi uma luta durante muitos anos.”
O antigo Instituto Politécnico de Bragança passou, no dia 1 de agosto, a designar-se Universidade Politécnica de Bragança.
Esta quarta-feira, após o Conselho de Ministros descentralizado, foi dado início ao processo de transformação da instituição na Universidade de Bragança e Norte Interior.
A formalização será feita através da publicação de um decreto-lei, processo que poderá demorar cerca de três meses e que implica pareceres de várias entidades, entre as quais a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), a Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e órgãos de consulta do Governo, como o Conselho Estratégico do Ensino Superior.
Fotografias: Governo
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