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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Está a nascer um mosteiro em Palaçoulo e vai acolher monjas italianas

 A aldeia de Palaçoulo, em Miranda do Douro, Bragança, foi o local escolhido para a localização do futuro Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja. A obra orçada em seis milhões de euros constitui um marco, uma vez que há 128 anos que não se construía um mosteiro em Portugal.

Grupo Fundador

O Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja, a sua designação oficial, visa acolher as monjas da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), também conhecidas por irmãs Trapistas. Espera-se que 40 religiosas fiquem a morar no local, dedicando-se à contemplação e a actividades agrícolas.
A obra deverá ficar concluída em Outubro deste ano e custa 6 milhões de euros. Parte do valor será pago pela Ordem, para o restante as Irmãs contam com a “providência divina” e com os seus labores na agricultura e no artesanato.
O Mosteiro fica situado numa área de 30 hectares, em terrenos que foram doados pela população de Palaçoulo. Além de uma Igreja, a obra inclui uma hospedaria, um claustro para oração e áreas dedicadas ao cultivo e à pecuária, uma vez que as monjas pretendem ser auto-suficientes.
As monjas justificam a escolha para a localização do Mosteiro com “a generosidade dos fiéis de Palaçoulo” que doaram o terreno e com o “pedido do Monsenhor José Cordeiro, Bispo da diocese de Bragança-Miranda”, que estava “ansioso por ter um mosteiro na diocese que testemunhe a centralidade da vida evangélica e litúrgica”. A devoção a Nossa Senhora de Fátima também explica a escolha.
D. José Cordeiro já afirmou que voltar a ter um “mosteiro beneditino, 472 anos depois do encerramento do mosteiro de Castro de Avelãs”, é um “pequeno milagre”.
“Desde a construção do Mosteiro de São Bento de Singeverga, em Santo Tirso, há 128 anos, que não se construía um mosteiro em Portugal”.
As primeiras monjas  chegaram a Palaçoulo até Outubro, altura em que se espera que a obra esteja concluída. E já estarão preparadas para comunicar com os habitantes locais, uma vez que já terão aprendido a falar e a escrever as Línguas Portuguesa e Mirandesa.
O bispo da diocese de Bragança–Miranda, José Cordeiro, defendeu que o futuro mosteiro trapista que está a ser erguido em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, vai contribuir para a coesão territorial do Nordeste Transmontano.
“Temos já muitos pedidos de pessoas de Portugal e de Espanha para vir conhecer o mosteiro e acredito que existem muitos jovens a inquietar-se para perguntar pela vida monástica”, disse José Cordeiro, no âmbito de uma visita às obras da Casa de Acolhimento do mosteiro trapista.
O bispo assegura que a conclusão da Casa de Acolhimento e do mosteiro vão contribuir para o desenvolver o turismo religioso nesta diocese do Nordeste Transmontano, “já que as visitas ao local começam a ser frequentes”.
As obras da Casa de Acolhimento do mosteiro entraram na sua reta final e em Palaçoulo já se encontram as primeira duas de 10 religiosas da ordem Cisterciense da Estrita Observância que vão permanecer “em clausura” naquele complexo religioso.
Segundo José Cordeiro, o mosteiro, ao ser construído em tempos de pandemia, pode ser encarado como uma resposta a tempos difíceis, “porque quem aqui vier vai sentir uma paz no seu coração”.
Esta ordem religiosa (ligada ao Mosteiro de Vitorchiano, em Itália) vem para Portugal “e está vocacionada para a vida contemplativa”, trazendo ao Nordeste Transmontano “uma mensagem de paz para todos aqueles que aqui se deslocarem, o que obriga as pessoas a virem cá em busca do silêncio, da fé e da contemplação”, referiu o bispo, em junho de 2019.
A Casa de Acolhimento é a primeira fase do futuro mosteiro que as monjas vão habitar, cujas obras estão previstas para o primeiro semestre de 2021.
“Nós vamos ficar aqui para sempre. Ainda não existe uma data marcada para a chegada das outras oito monjas que vão habitar nesta comunidade devido à pandemia, o que não permite fixar uma data para essa chegada”, vincou a superiora, irmã Josefina.

Futuro Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja em Palaçoulo

Por seu lado, o padre António Pires, procurador das monjas italiana em Portugal, disse que a vida monástica no país é praticamente inexistente, prevendo que todo o complexo religioso incluído o mosteiro, esteja concluído em 2023.
O complexo religioso, que terá capacidade para 40 monjas e será “orientado para a contemplação e culto divino dentro do recinto e segundo a regra de São Bento”, sendo o custo suportado integralmente pela Ordem formalmente designada Cisterciense da Estrita Observância e custará seis milhões de euros.
Numa primeira fase, ou seja, até novembro, 10 monjas vão ocupar o espaço religioso já que, segundo as regras desta comunidade monástica, não se pode construir uma ordem com menos de 10 religiosas.
O empreendimento religioso está orçado em seis milhões de euros e vai ocupar uma área de 30 hectares de terrenos que foram cedidos, permutados ou comprados pela Paróquia de S. Miguel de Palaçoulo e situados no lugar de Alacão, a cerca de três a quatro quilómetros da aldeia de Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro.

Câmara de Vinhais pondera realizar Feira do Fumeiro para ajudar produtores

 A câmara de Vinhais está a ponderar realizar a feira do fumeiro, que, anualmente, acontece em Fevereiro
A pretensão foi avançada pelo presidente do município e, ainda que a grande maioria dos eventos, um pouco por todo o distrito, tenham sido cancelados, Luís Fernandes assume que quer que o evento vá em frente. No caso de a feira se vir a realizar, o autarca sublinha que será, acima de tudo, para ajudar os produtores a escoar os produtos, sobretudo os de fumeiro. “É verdade que estamos a pensar fazer a feira. Já tivemos um reunião com os produtores, quer do concelho, quer de fora dele, para lhes transmitir essa mesma intenção. Queremos realizar a feira dentro de todos os condicionalismos que agora existem e que na altura não saberemos quais são. A ideia é criar condições para que vendam os produtos”.

O autarca de Vinhais explica ainda que a feira será realizada em moldes diferentes dos habituais, já que apenas vai contar com a venda de produtos. Outra das garantias de Luís Fernandes é que tudo será realizado em articulação com as entidades competentes. “Claro que estamos a falar da realização da feira no contexto de venda de produtos e não no contexto de todas as outras atividades. A ideia será fazê-la de forma presencial, com corredores próprios e limitação de entradas, e de forma não presencial, com venda de produtos através da internet”.

A câmara de Vinhais cancelou, recentemente, a feira da castanha, outro dos certames que mais dinâmica traz ao concelho. À época, Luís Fernandes lamentou que a feira não se pudesse realizar, mas garantiu que o produto se escoaria de qualquer forma. Desta vez, ainda que a feira em causa também sirva como montra expositiva, o autarca assume que o certame é crucial para alguns produtores. “O fumeiro, devido à qualidade, vende-se muito bem mas também é verdade que a feira servia para vender o produto, sobretudo era essencial para os pequenos produtores”.

A feira acontece há 40 anos e estima-se que, em todo o concelho, se faturem cerca de dez milhões de euros, por ano, com o fumeiro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Castelbel cria linha de sabonetes inspirada nos Caretos de Podence

 A empresa portuguesa “Castelbel” lançou uma linha de sabonetes inspirada nos Caretos de Podence.
Fundada em 1999, e reconhecida pela produção de artigos perfumados para corpo e para a casa, alia histórias e tradições da cultura portuguesa no design de cada produto.

A ideia de utilizar esta marca das Festas de Inverno surgiu em janeiro, como explica Aquiles Barros, um dos fundadores da empresa:

“Foi uma ideia que surgiu em janeiro e esteve a germinar aos poucos. Tentamos explorar a Portugalidade, temos sabonetes das cidades de Portugal, uma mala de homenagem ao vinho do Porto, ou seja, procuramos olhar para o que é português. Esta situação dos Caretos de Podence não podia ter surgido numa melhor altura, portanto acho que é bom para ambas as partes.” 

Os sabonetes vão entretanto começar a ser comercializados nos vários espaços detentores da marca:

“Não temos muitas lojas, temos apenas três em Portugal. Temos é muitos clientes multi-marca, como aquelas lojinhas de fragrâncias, por exemplo. Nem queremos muito ter lojas nossas porque estamos a concorrer com os nosso clientes normais que são os próprios lojistas. Obviamente que vamos comercializar estes sabonetes, os próprios Caretos receberam uma quantidade considerável do produto, que eles próprios vão comercializar e nós vamos tentar, sobretudo na região de Trás-os-Montes, que as lojas que temos nessa zona, queiram também vender estes sabonetes.”   

Um produto que terá o custo de cinco euros.

Escrito por ONDA LIVRE

Presidente da câmara de Moncorvo considera que igreja matriz pode ser elevada a basílica com requalificação de pinturas

 As pinturas do altar-mor e infra-estruturas da igreja matriz de Torre de Moncorvo vão ser requalificadas
Segundo explica o presidente da câmara, Nuno Gonçalves, a Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) vai submeter uma candidatura ao património cultural e infra-estrutural, no âmbito do Norte 2020, orçada em cerca de 300 mil euros. “Há um acordo do município com a DRCN, uma vez que o edifício é um monumento nacional. Essa candidatura será feita pela DRCN e terá como base a recuperação das pinturas do altar-mor, assim como de infra-estruturas. A candidatura deverá orçar cerca de 300 mil euros e culminará com o que o município defendeu: mais um motivo para a elevação da igreja a basílica”.

A igreja Matriz de Torre de Moncorvo começou a ser construída na primeira metade do séc. XVI, prolongando-se até aos primeiros anos do século seguinte.

A Direcção Regional de Cultura do Norte e a Direcção Geral de Tesoura e Finanças vão submeter ainda uma candidatura para a recuperação da Igreja Matriz de S. Miguel, em Armamar, e o Castelo de Penedono, em Penedono. Também estes equipamentos fazem parte da Comunidade Intermunicipal do Douro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo alertam para a eliminação de violência contra as mulheres

 Até 10 de dezembro, as vilas de Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé têm espalhados pelas ruas sinais que não pretendem alertar o trânsito mas sim para a problemática da violência contra mulheres
“Stop Violência Contra as Mulheres” ou “Ver o Crime é Crime! Denuncie” são algumas das frases colocadas nos sinais verticais que pretendem sensibilizar para um género de violência que merece cada vez mais atenção, como refere Vanessa Amaral, do Núcleo Intermunicipal de Intervenção em Vítimas de Violência Doméstica e de Género (NIIV). “É cada vez mais importante sensibilizar as pessoas para a problemática, a começar nas camadas mais jovens. Os sinais de trânsito estão expostos em ambos os municípios de Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo, com mensagens que têm a ver com a temática. Foram colocados em locais estratégicos onde passam mais pessoas de forma a que sejam sensibilizadas”.

A campanha surge no âmbito do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se assinalou no dia 25 de novembro, e contou com a parceria das duas autarquias, assim como da GNR.

Vanessa Amaral diz que já é habitual surgir este género de campanhas em ambos os municípios nesta altura. “Todos os anos fazemos campanhas deste género em ambos os municípios, de diferentes formas. O ano passado colocamos mensagens em locais estratégicos também e há dois anos colocamos cartazes. Todos os anos fazemos coisas diferentes”.

Dezasseis dias de ativismo contra um género de violência que nos últimos seis anos foi responsável pela morte de mais 100 mulheres em Portugal, o que dá, em média, mais de uma mulher por mês.

Foto: NIIV
Escrito por Onda Livre (CIR)

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

“JUDEUS” EM BRAGANÇA: ANOS DE 1700: QUADROS SOCIAIS OS COMISSÁRIOS E O ROL DOS LIVROS

 Os comissários eram recrutados entre os membros do clero e, geralmente, licenciados em Teologia e Cânones pela universidade de Coimbra. Deviam cumprir com todo o rigor e cuidado as ordens recebidas dos inquisidores e a estes deviam comunicar todas as informações referentes aos casos da fé.
Os comissários constituíam o braço da inquisição nas terras onde não havia tribunal. Aos comissários eram dirigidos os mandatos de prisão, ficando eles responsáveis pela execução das mesmas, se bem que delegando em familiares e na autoridade civil essas tarefas. A eles deviam também apresentar-se os condenados que nas terras iam cumprir as suas penitências, depois de sair dos cárceres.
Eram-lhe igualmente cometidas as devassas e inquirições sobre limpeza de sangue. E este era um poder de dimensão extraordinária, que, por vezes, imprimia verdadeiro terror aos que precisavam de semelhante atestado. Por todas estas razões, constituía coroa de glória para qualquer família ter um membro comissário, já que, assim, toda ela ganhava estatuto de nobreza e qualidade de sangue, automática e publicamente comprovado. Tudo isto consta dos regimentos da inquisição, nomeadamente no regimento de D. Francisco de Castro, em vigor na época que estamos tratando e que, no título XI, nº 7, explicitava: - Falecendo, nas terras em que vivem, alguma pessoa que tenha livraria, mandarão fazer rol dos livros e papéis de mão que nela houver e notificar aos herdeiros do defunto que não disponham deles sem aviso seu e avisarão à Mesa do Santo Ofício com toda a brevidade, enviando o rol dos livros e papéis e seguirão a ordem que dela lhes for dada. (1) Imagine-se! Borges Coelho comenta que os inquisidores tinham medo ao livro.
Nós diremos que, para além disso, era uma arma de terrível poder, colocada nas mãos dos comissários, que sempre poderiam argumentar que o falecido teria uns livros ou “papéis de mão” para revistar a casa de qualquer cidadão mais evoluído, em termos de literacia. Vamos então para a cidade de Bragança, a casa do prior da colegiada da igreja de Santa Maria e beneficiado na igreja de S. Nicolau, de Lisboa, natural da vila de Caminha, Bartolomeu Gomes da Cruz, comissário do santo ofício, por carta de Agosto de 1689. Terá sido no dia 5 de Novembro de 1714 que o comissário Cruz recebeu de Coimbra um correio contendo um maço de mandatos para prender cidadãos de Bragança, acusados de judaísmo, cujos nomes constavam dos respetivos mandatos.
Também aqui o regimento é claro: no caso de algum ser morto, ou fugido… o mandato devia ser devolvido com informação do sucedido. Não temos, por isso, informação precisa de quantos mandatos seriam. Na verdade, no dia seguinte, procedeu-se à execução das ordens vindas da inquisição de Coimbra, sendo presos 8 “judeus” da cidade. As prisões deviam realizar- -se com o maior segredo e cautela e, cada preso ser de imediato conduzido para casa de um cristão-velho, de reconhecida influência e cabedais, homem da nobreza ou do clero, geralmente, não deixando o preso contactar com familiares e amigos. À prisão seguia-se o arresto dos seus bens, fazendo-se o respetivo inventário e, no próprio mandato vinha anotado o montante de dinheiro (geralmente andava nos 40 mil réis) que o prisioneiro devia proporcionar para pagar os grilhões com que o prendiam, a alimentação e as despesas de transporte para a cadeia, nomeadamente as jornas de quem os levava presos e o aluguer de bestas para o transportar a ele com sua roupa, cama, e cozinha. Se o réu ou a Família não apresentavam dinheiro líquido, vendiam-se os bens necessários, começando, naturalmente, pelos bens móveis e perecíveis.
Feito o inventário e leiloados os bens, fechava-se a casa e entregava-se a chave a algum cristão-velho de confiança e cabedais que garantisse o depósito dos bens móveis e imóveis inventariados. Os filhos e o cônjuge que procurassem onde ficar. Em simultâneo, metiam-se grilhões nos pés dos prisioneiros. Nisto se gastaram 2 dias. Ao terceiro, cada preso foi levado pelo seu depositário até fora da cidade, ao campo de Santa Apolónia, hoje integrado na Escola Superior Agrária, onde foram confiados ao familiar do santo ofício Domingos Pires Malheiro, destacado para conduzir a leva dos 8 prisioneiros para Coimbra. Obviamente, era acompanhado por vários homens, criados seus ou por si recrutados, conduzindo uns quantos animais onde iam montados os presos e a sua “tralha”. Deixemos a comitiva de prisioneiros seguir até Coimbra, para apresentarmos o responsável pela leva, o familiar Domingos Malheiro. Estranhamente, sabemos as datas de nascimento e casamento de seus pais, mulher e sogros, mas não foi encontrado o registo do seu nascimento nos livros da paroquial igreja de Ervedosa, onde as testemunhas afiançaram que ele terá nascido por volta de 1654. António Pires, seu pai, era lavrador, um dos principais da terra, nascido na quinta de Sendim. Sua mãe, Margarida Malheiro transportava uma história de vida, então muito frequente, de nobreza e servidão, misturadas. Vamos contar. António Malheiro da Cunha era um homem da nobreza de Bragança, fidalgo-cavaleiro por alvará de 18.4.1694. De uma rapariga solteira, criada da casa, Ana Vaz de seu nome, natural da vila de Ervedosa, teve uma filha que nasceu em 1634 e foi batizada na igreja de S. Martinho “e se lhe deu por pai António Malheiro, de Bragança”, conforme reza a certidão de batismo. O pai não estaria presente ao batizado mas nunca desprezou a filha. Antes a confiou a seu irmão, padre Bento da Cunha, então cura de Penhas Juntas e mais tarde abade de Rebordãos, “que a amasse por sua filha”, o qual “fez sempre caso dela, como sua irmã e por tal a estimou e lhe dava os passais de sua igreja para neles se sustentar ela e o marido”.
Temos então os pais de Domingos Pires Malheiro (António Pires e Margarida Malheiro) a casar em Ervedosa, por 1650 e a ser apoiados pelo padre Bento da Cunha, seu tio- -avô materno. E certamente foi com o apoio da família materna que Domingos ganhou os empregos de corretor da alfândega de Bragança e tabelião da vila de Ervedosa. Era ainda capitão de ordenanças de Moimenta mas “isto não lhe rende coisa alguma”. Domingos casou em Bragança, em 1.12.1706, com Maria do Espírito Santo, nascida na mesma cidade em 1680, filha de Martinho Diegues (2) e Catarina Fernandes. Martinho era natural de Seixas/Vinhais e “foi para Bragança para o estudo e, sendo soldado, casou e de presente é ajudante de auxiliares”. Catarina nasceu em Casares/Bragança, filha de lavradores, “os principais da terra”, e depois que os pais morreram, foi para Bragança, servir em casa de D. Violante Ferreira. Conforme vimos, dada a falta de familiares que se verificava na região de Bragança para executar as prisões do santo ofício e levar os presos a Coimbra, “os inquisidores mandaram ao comissário que nomeie aqueles que parecerem mais suficientes para familiares (…) e o dito comissário nomeou alguns, entre os quais foi o pretendente Domingos Pires Malheiro”. (3) Apresentado o requerimento, foi entregue ao comissário António Gomes do Vale, (4) abade de Mofreita, Vinhais, o encargo de proceder às investigações sobre a limpeza de sangue do candidato e seus ascendentes, assim como de sua mulher, o que atrás ficou já especificado. A concluir, o comissário Vale deu a sua informação dizendo que o pretendente era cristão-velho dos 4 costados e tinha poucos bens. Muito embora a sua mãe tivesse entrada em casa de seu pai natural, dele não herdara título de nobreza, nem propriedades. Vejam: - É bem procedido e capaz de se lhe fiarem negócios de importância e segredo, como são os do santo ofício, porque a todos os que lhe forem encarregados dará inteira satisfação, e vive limpamente, sem embargo de não ser muito rico. (5) Resta dizer que Domingos Pires Malheiro recebeu carta de familiar da inquisição em15 de Maio de 1714 e que faleceu por 1719, ano em que o seu irmão inteiro, António Malheiro da Cunha, se candidatou também ao cargo de familiar do santo ofício, vindo a obter carta em 28.7.1721.
Na sua petição, entre outros argumentos, António Malheiro dizia que “foi ocupado em outras vezes para fazer prisões de cristãos-novos e muitas vezes teve presos em casa, antes de irem para o santo ofício de Coimbra.” Ou seja: mesmo não o sendo já fazia serviço de familiar. Se as origens de António Malheiro eram humildes, deve dizer-que que, em 1719, quando se candidatou ao cargo de familiar do santo ofício, era já um senhor de muito respeito em Bragança onde tinha casa montada, se bem que ele se encontrasse destacado na vila de Chaves, na ocupação de sargento-mor da praça, um posto militar bem elevado.
Em outra ocasião haveremos de falar dos seus casamentos e da sua ascensão social.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães

MARIA CASTANHA

O investigador Jorge Lage tem consagrado anos de estudo e enaltecimento do fruto/pão das gentes transmontanas que outrora tinham na castanha elemento primacial para o fabrico do pão ganho com o suor do rosto e o sangue das mãos escalavradas no espinhoso amanho dos campos.
Se a castanha era o elemento principal das parcas, apagadas e persistentes refeições no denominado reino maravilhoso, maravilhoso apenas para alguns, os povos de onde predominava o montado, azinheiras e sobreiros, tal como os castanheiros, ajudavam a manter as crianças, mulheres e homens tinham na bolota – crua, assada, cozida, frita e estufada – a matéria-prima que lhes saciava a fome de remota ancestralidade. Ora, a Antologia de Jorge Lage pode ser entendida na consumação do desejo de alargar o universo dos amantes e amigos da milenar árvore através do ponto de vista de outros autores, vivos, acerca da árvore que enquadro no universo das hierofanias vegetais que o Homem criou ao longo dos séculos e séculos de existência a lutar contra toda a sorte de medo, terrores e catástrofes que não conseguia decifrar ou entender.
O fecundo sábio Mircea Eliade legou-nos profundas reflexões sobre o Sagrado e Profano que obrigam ao cogito e a dizer-nos que existimos. Este propósito agregador de Lage desequilibra/desequilibrou a Antologia porque vários autores não concederam grande atenção ao espírito do Coordenador escrevendo conforme lhe deu na real gana, desde o furoco temático às notas biográficas prenhas de presunção e água benta, porque nestas matérias cada qual expande o que quiser – vanidades, auto-elogios e minúcias de prosápias – cujo ridículo é patente e notório.
Obviamente, o antologiador nada podia atalhar, na justa medida de respeitar as regras de boa educação a impedi-lo de sugerir ou proceder a rejeições dado ter solicitado empenhadamente a colaboração aos autores que deram corpo à obra. Como todos sabemos existem Antologias de múltiplos matizes e fórmulas, lembro as famosas Antologias da extinta Portugália, concebidas ao gosto e conhecimento dos organizadores, José Régio, Jorge de Sena, Cabral do Nascimento entre outros escolheram e trouxeram à tona da água do reconhecimento autores que sem integrarem as referidas Antologias ainda agora estariam a jazer no alçapão do esquecimento.
Obviamente, as Antologias também são fautoras de invejas e até raivosas ciumeiras de quem não as integra, uma delas, a do também itinerante cultural Herberto Helder (foi responsável pela Biblioteca Itinerante de Santarém, episodicamente de outras quando Serviço de Bibliotecas estava a ser lançado) intitulada Edoi Lella Doura produziu ruído e acrimónias perduráveis no tempo e modo ou não fosse o universo das letras um mundillo no qual até os peões de brega querem ser diestros do talante de Manolete.
Estas considerações, talvez impertinentes, escrevo-as correndo o perigo de ser apodado de invejoso ou mal agradecido visto ser um dos antologiados. Sopesei os prós e contras, decidi o acima escrito, procurei contribuir para a qualidade e formosura da Maria Castanha dentro do possível, a mais não fui obrigado em virtude da lhaneza de Jorge Lage a quem testemunho o meu apreço. A obra justifica, ampla, e atenta leitura, morigerada ao gosto de cada um, neste tempo os castanheiros largam a folhagem caduca à espera de nova floração. Reviver superando a maligna peste.
PS. Ao contrário do inserido na Antologia acerca da minha pessoa não nasci em Vinhais, sim em Bragança e vim ao Mundo no ano de 1945, ao contrário do indicado ano de 1965. Menos vinte anos agora seriam como princípio do elixir da longa vida!
Armando Fernandes

A BATALHA DO CAMBEDO - A 20 de Dezembro de 1946 - Escaramuça em Candedo entre opositores espanhóis de Francisco Franco e forças da PIDE

Foi em 20 de Dezembro de 1946 que se travou a batalha entre guerrilheiros galegos anti-franquistas, que actuavam na fronteira contra o regime do caudilho, e a GNR, PIDE e exército português na aldeia raiana de Cambedo, Trás-os-Montes, com alguns mortos de parte a parte e que revelou a coragem e o heroísmo dos anti-fascistas. São excertos do excelente livro, já citado anteriormente, Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes de Bento da Cruz, editora Âncora, 2003.
Vejamos o que se passou no Cambedo na madrugada de 20 de Dezembro de 1946. Antes de mais é preciso tentar compreender como é que a presença dos guerrilheiros naquela povoação chegou ao conhecimento das autoridades.
A título de simples curiosidade, transcrevo a versão dada pelo guerrilheiro asturiano Manuel Zapico Terente. Diz ele: «Chegámos a Casaio. Ali soubemos que uma tal Remédios, conhecida do Girón, se passara ao serviço da polícia e fora a causadora da morte do guerrilheiro Bernardino e de um outro na fronteira portuguesa, perto de Chaves.» Também Francisco Martínez López (Quico), se refere a este episódio e acrescenta que, gorada a operação que ali os levara, os guerrilheiros assaltaram os armazéns da empresa e distribuíram todos os víveres pelos trabalhadores a quem explicaram quem eram e os ideais por que lutavam. Acabou tudo numa grande festa, com os trabalhadores a cantar a Internacional e aos vivas aos guerrilheiros e à República. A guarda-civil, que estava perto e foi avisada do que se estava a passar, não se atreveu a intervir. Propriamente da empresa, para além de algumas armas que encontraram, os guerrilheiros não trouxeram nada. Nem uma peseta 1).
A tal Remédios trabalhava na lavaria de uma exploração de volfrâmio. Mas, quando os guerrilheiros, chefiados por Manuel Girón, lá chegaram, ela tinha desaparecido... Decorria o ano de 1951. A imprensa da época (1946) dá-nos outra versão. Que após os crimes cometidos em Barroso por «uma quadrilha de bandoleiros espanhóis e portugueses que actuavam na raia seca, uns quatro elementos da pide, disfarçados de contrabandistas e negociantes do «mercado negro», se infiltraram, com a colaboração da guarda-republicana, entre as populações raianas, na mira de localizar os «meliantes» 2). 
No entanto, e no meu fraco entender, a fonte mais fidedigna e de maior interesse para o encadeamento dos sucessos relacionados com a repressão aos guerrilheiros antifranquistas na zona fronteiriça de Trás-os-Montes durante o ano de 1946, são os arquivos da GNR. Aí encontramos uma: «Cópia da Nota Confidencial Nº.2, de 11 de Março de 1946, (como se vê, muito anterior aos crimes cometidos em Barroso ) expedida pela Rp. Adjunta do CG da GNR. Para conhecimento de V. Exa. e execução transcrevo o despacho de S. Exa. o GCG exarado num ofício, dirigido a este comando pelo Ministro do Interior.
Continuam a verificar-se actos de banditismo nas regiões fronteiriças de Trás-os-Montes. As autoridades espanholas solicitam a cooperação das portuguesas e o Governo Português interessa-se pelo assunto.» De seguida a nota indica as aldeias suspeitas e acrescenta: «Compete ao Bat. 4 limpar essas zonas. ... Solicitar-se-á a cooperação da Guarda Fiscal, da PIDE e outros elementos. ..."Máximo segredo"...Não utilizar o telefone. ... «Contar com a colaboração de toda a Guarda-civil do Comando de Orense». E agora chamo a atenção para o último parágrafo da referida Nota Confidencial: Deve-se contar que, em caso de encontro, os bandidos se defendem bem, pois são guerrilheiros profissionais (itálico meu) dextros em toda a espécie de ciladas e ardis. O GCG confia absolutamente no valor e desembaraço das forças do Bat. 4, designadamente da 6ª. e 7ª. Companhias – o 2º. Comandante Geral - (a) Rogério Tavares -Coronel.» 
Nas primeiras páginas deste trabalho, ao referir-me à suposta protecção dada às carreiras, tive oportunidade de me referir à hipocrisia da GNR durante a ditadura. Aqui está mais uma prova dessa hipocrisia. Em público, nunca a GNR admitiu que os «espanhóis» refugiados em Trás-os-Montes durante o ano de 1946, fossem «guerrilheiros». Nas «notas internas» reconhecia que eles eram «guerrilheiros profissionais» e recomendava «cautela» com eles. 
A 15 de Março o Comando de Bragança responde a esta Nota Confidencial do dia 11, dizendo que «Nada se fez por não constar haver na área do Posto de Vinhais foragidos espanhóis ou salteadores portugueses.» E acrescenta: «Houve, é certo, desde fins de 1943 uma quadrilha conhecida por Os Cucos, que actuando em colaboração com elementos espanhóis foragidos da Guerra Civil de Espanha, praticavam assaltos à mão armada na região de Vinhais. Desde então essa quadrilha, composta de oito indivíduos, tem sido alvo de uma perseguição sem tréguas e teve o seguinte destino (cito os seus nomes porque alguns deles, como o Cuco , Liró , e os irmãos Veiga figuram em documentos de autoridades espanholas, que os conhecem e que certamente se regozijarão com a sua captura): 1 -António dos Santos, o Cuco e 2 - seu irmão Manuel; 3 -José Gomes Júnior, o Chuche ; 4- António Augusto Pais, o Mofra ; 5 -António Veiga, o irmão do Boina s; 6 -Silvério Veiga; 7 – João Manuel, o Boina s; 8- Manuel dos Santos, o Liró .»
Segundo a mesma fonte, tiveram o seguinte fim: o Cuco, o Liró, o Chuché, o Boinas e seu mano António, foram todos presos durante o ano de 1943 e metidos na cadeia de Vinhais, donde se evadiram por duas vezes: uma por arrombamento do soalho, outra por serração das grades. Presos pela terceira vez, foram transferidos para Chaves. O irmão do Cuco, o Manuel, morto pela GNR no acto da captura. Silvério Veiga, preso pelas autoridades espanholas. Para este êxito, e à semelhança do que atribuíam aos guerrilheiros, também a GNR recorreu a ardis: praças disfarçadas de raparigas de campo, outras de camponeses de foice, pau, chapéu de palha e sacola como se fossem segadores. Citam, embora o não identifiquem, um guerrilheiro que concebeu um esconderijo na parede à qual recostou a cama. 
Quando a GNR aparecia, ele passava do leito para o esconderijo e a mulher fingia-se doente. Um dia os guardas prenderam a mulher e encaminharam-se com ela para Vinhais. O guerrilheiro saiu-lhes ao caminho e apresentou-se. «As regiões fronteiriças portuguesas estão limpas de bandidos» – concluía o comandante da GNR de Bragança. As autoridades espanholas insistiam e provavam que não. E como o «Governo Português se interessava pelo assunto», a GNR resolveu actuar. «Quartel em Bragança, 29 de Abril de 1946.O Comandante da Companhia Herculano São Boaventura de Azevedo, Capitão ORDEM A1 - Situação – Notícias vindas de Espanha dão como certa a existência de bandidos na Região da Lomba do Concelho de Vinhais, nomeadamente nas povoações de Pinheiro Novo e Pinheiro Velho.
2 -Os bandidos são guerrilheiros profissionais, bem armados, dextros em todas as espécies de ciladas e ardis, a quem o terreno favorece e devem encontrar-se, além das povoações já referidas, nas de Cisterna, Vilarinho da Lomba, Sernande, Edroso e Carrascal, situado a N da foz da Ribeira que fica a 1300 m a SO da povoação de Contim.» A mesma ordem manda concentrar todas as forças da GNR do distrito de Bragança, no lugar de Seixas, Vinhais, na madrugada do dia 30 de Abril de 1946. 
Nos dias seguintes o comandante elabora um relatório a dar conta dos resultados desta batida feita de colaboração com a Guarda-Civil, que guarneceu a fronteira do lado espanhol. Diz que a diligência teve início de madrugada e terminou às 18 horas do dia 1 de Maio de 1946, sempre debaixo de chuva. Que bateram todas as povoações e ribeiras da região e não encontraram nada. E a modos de justificativo, acrescenta: «A maior parte da população presta-se a encobri-los, não sei se por receio, se por ganância, ou se por qualquer outra circunstância, mas em qualquer dos casos dão sempre o carácter de humanidade. 
Assim, nenhuma dúvida tenho de que o facto de ter sido nulo o resultado da batida, não se justifica que amanhã não se encontrem na região citada foragidos, pois passam com toda a facilidade a fronteira e, então, podem agora estar em Espanha e muito pouco tempo depois em Portugal. Todavia estes não serão capturados pelos processos de batidas até agora usados, pela muita facilidade que têm em se deslocarem em terrenos quase inacessíveis e de serem informados, mesmo à última hora, de qualquer movimento de tropas.» Por um relatório do comandante da Batalhão 4 ficamos a saber que no mesmo dia 1 de Maio de 1946, se realizou idêntica diligência na região de Chaves. Diz o relatório: «Esta batida começou a ser preparada em 11 de Março, em colaboração com a Guarda-Fiscal, a PIDE e Guarda-Civil espanhola que foi quem marcou o dia que mais lhe convinha – 1 de Maio. No dia 30 de Abril findo concentrei em Chaves o pessoal dos postos de Santa Marta de Penaguião, Sabrosa, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas, Vidago, Montalegre, Boticas e Valpaços, com o qual, reunido aos elementos do Posto de Chaves, se constituíram dois Pelotões comandados pelos tenente Álvaro Henriques Antunes e alferes José Maria de Mota Freitas, comandantes das Secções de Chaves e Vila Real, respectivamente.
O pelotão do tenente Álvaro foi enviado para o Mosteiro e região compreendida entre o rio Rabaçal e Travancas: S. Cornélio, Dadim, Bolideira; o do Alferes Mota de Freitas para o Cambedo, Couto de Ervededo, S. Caetano, Bustelo e região compreendida entre o rio Tâmega e os limites do concelho de Montalegre. Prenderam, no Couto, o espanhol Sérgio Bramonde, o Vicente, por se encontrar indocumentado; em Bustelo, um português condenado em Montalegre por roubo. Do resto, mais nada. Tudo bem.
Pelos habitantes da região foi dito que não têm aparecido por ali espanhóis indesejáveis a não ser um de nome Salgado, (o Juan) o qual assassinou um guarda-fiscal há meses. Mas que esse mesmo já há muito não consta que por aqui apareça, parecendo-lhes que deve estar em Espanha.» Que eu saiba, esta batida de 1 de Maio, a qual, pelos dados de que dispomos, mobilizou mais efectivos e teve maior envergadura do que a de 20 de Dezembro do mesmo ano, não suscitou grandes parangonas na imprensa, nem tempos de antena na rádio. E a diferença é esta. A de 1 de Maio não deu em nada. A de 20 de Dezembro deu em quatro mortos e alguns feridos. E deu porquê? O Juan se precipitou. Se, em vez de sair para a rua aos tiros, se esconde e se deixa estar quieto, o mais provável é que o resultado da segunda tivesse sido igual ao da primeira. Por estes elementos respigados nos arquivos da GNR, que estão longe de ser exaustivos, ficamos a saber que as autoridades de um e de outro lado da raia estavam a par, da presença dos guerrilheiros nas regiões fronteiriças, desde princípios de 1946 3). Não vejo onde caiba a denúncia da tal Remédios. 
Também me parece pouco provável que as autoridades tivessem conhecimento da concentração dos guerrilheiros no Cambedo, ou, mais propriamente, no monte das Choias, a que o Demétrio se referiu 4). O certo é que, nessa madrugada do dia 20 de Dezembro, uma sexta--feira, os moradores do Cambedo acordaram estremunhados com todos os cães da aldeia a ladrar a rebate à porta dos pátios. Assomaram às janelas e viram guardas-republicanos por todos os cantos e esquinas.
Era o prelúdio da famigerada Batalha do Cambedo, cujas sequelas ainda hoje perduram. Três dos cinco agentes da PIDE que nela tomaram parte, Hélder Cordeiro Alves, Otelo Puga e Vasco Guerra, enviaram, logo nos dias 22, 23 e 26 respectivamente, relatórios ao comando daquela corporação, todos eles a dizer que fizeram e aconteceram, de modo a encarecer o peixe aos olhos dos superiores. Deles me sirvo para uma tentativa de encadeamento cronológico das contas deste rosário de sangue e lágrimas. Como atrás se disse, logo após os sucessos de Negrões, PIDE, GNR e Guarda-Fiscal bateram os concelhos de Montalegre, Chaves, Valpaços e Vinhais à cata do que eles taxavam de «bandoleiros» ou «malfeitores» e de quem os apoiava e iam fornecendo o que conseguiam apurar ao comandante da Companhia da GNR de Vila Real. Este, quando se julgou suficientemente esclarecido, marcou o dia 20 de Dezembro para o início das diligências.
Às zero horas desse dia concentraram-se no posto de Chaves uns duzentos guardas-republicanos vindos do Porto, da Régua e de Vila Real. O comandante dividiu-os em grupos e destinou um para cada uma das seguintes povoações: Nantes, Mosteiró de Cima, Sanfins de Castanheira, Sanjurge, Couto e Cambedo.
Partiram às três da madrugada. O do Cambedo era chefiado pelo alferes Mota de Freitas. Nele iam integrados os pides Otelo Puga e Joaquim Alves, aquele vindo do Porto e este a prestar serviço no posto de Vila Verde da Raia. Até Vilarelho, foram de camião. Daqui para a frente, a butes. Chegaram às seis. O alferes Mota de Freitas postou o pessoal à entrada e à saída da povoação, na frente e nas traseiras das casas suspeitas, a saber: a da Escolástica, a do Adolfo, a do Mestre, a do Silvino e a da Engrácia. Mas o pessoal de que dispunha não chegava para as encomendas. Na da Engrácia, a primeira à direita de quem entra no povoado, no sentido sul-norte, ficou apenas o pide Otelo Fuga de vigia à porta da rua e um guarda-republicano nas traseiras.
Pelas sete horas, o alferes Mota de Freitas e o pide Joaquim Alves, vêm comunicar que está tudo apostos para um ataque surpresa ao romper o dia. Eles nisto, ouvem-se tiros nas traseiras da casa da Engrácia. Acodem todos ao local.
Otelo Puga vangloria-se de, e passo a citar «por intuição defensiva, fi-lo, por nossa felicidade, recuando e de pistola-metralhadora aperrada. Pelo que, depressa me apercebi de que dois indivíduos, com carabinas em bandoleira e com pistolas na mão, fugiam por entre umas pilhas de achas de pinho, que se encontravam a cerca de trinta metros de nós, juntas a umas medas de palha, num quinteiro defronte da casa de onde tinham partido os primeiros tiros». Desfecha-lhes uma rajada. Os fugitivos atiram-se ao chão e ripostam. Mota de Freitas, Joaquim Alves e o guarda-republicano entrincheiram-se atrás de uma parede e atiram também. Nisto, a palha começa a arder e um dos fugitivos tenta a fuga. Joaquim Alves e o guarda-republicano lançam-se-lhe no encalço. Otelo Puga continua a metralhar e sítio onde o outro se atirara ao chão, não fosse ele alvejar os colegas pelas costas. Num gesto rápido, o primeiro fugitivo volta-se e mete dois tiros numa perna ao Joaquim Alves. O guarda-republicano recua e protege-se. Os outros acodem. Como o segundo fugitivo não tugisse nem mugisse, avançam para ele. Não encontram ninguém. Acorrem a prestar os primeiros socorros ao Joaquim Alves. Mota de Freitas aproveita para despachar um estafeta ao Couto pedir a comparência das forças para ali destacadas e um outro a Chaves a comunicar ao comandante da Companhia o ocorrido e a pedir o envio de mais forças. Otelo Puga obriga a Engrácia a abrir a porta e a fornecer a identidade dos fugitivos. Ela jura que, lá de casa, não saíra ninguém. Prendem-na 5). 
Neste interim, grande alarido lá para a coroa do povo. Mota de Freitas envia dois guardas-republicanos a ver o que se passa. Eles estugam o passo, rua acima. À curva da capela deparam com um grupo quase bíblico: um camponês com um macho pela arreata; um outro em cima do macho, escachapernado na albarda, com uma garotita nos braços; em redor, populares aos gritos. Os GNRs interceptam-nos e inquirem. Falam todos ao mesmo tempo. Que a garota está ferida. Que é preciso levá-la ao hospital. E mostram a perna da menina (6) com a tíbia e o perónio fracturados e expostos, envoltos numa toalha ensanguentada. E o homem da arreata, pai da menina, explica. Estava ele a aparelhar o macho debaixo da varanda, quando uma saraivada de balas varreu a casa, a toda a largura. Ele cosera-se instintivamente com um poste de pedra. 
O macho fugira, espavorido. Mas a menina, que estava na varanda a atirar migalhas de pão às pitas, no suflagrante de se recolher dentro da cozinha, tombara na soleira da porta. Os guardas duvidam. A casa atingida ficava bem à coroa do povo, a uns duzentos metros ou mais da casa da Engrácia, donde se haviam disparado os únicos tiros. Os populares insistem na urgência de levar a menina ao hospital, antes que se escoe em sangue. Os guardas-republicanos deixam passar o trio do macho. Os outros que fossem para casa.
Havia ordens de, genericamente, deter todos aqueles que tentassem entrar ou sair da aldeia. Mas este era um caso imprevisto. Levam os dois camponeses e a menina ao comandante. Este reúne o estado-maior. Discutem demoradamente o assunto. Por fim acordam deixar, por especial favor, prosseguir a enferma e os dois acompanhantes caminho de Chaves, a umas três horas de jornada pedestre.
E com isto se derretem uns cinquenta minutos, findos os quais se ouvem tiros lá para a fronteira, a cerca de um quilómetro de distância, costa arriba. A operação Cambedo havia sido montada de súcia entre as autoridades portuguesas e espanholas. Mota de Freitas sabia que a raia estava guardada por um forte contingente de guardas-civis. Conjecturou logo que os fugitivos (nessa altura ainda se supunha que fossem dois) haviam esbarrado nas armas espanholas e retrocedido. Ordena a um grupo de guardas-republicanos que bata a colina subjacente à fronteira. E que os outros não descurem as entradas e saídas da povoação. Acabavam de evacuar o pide Joaquim Alves, vem de lá, do fundo de um ribeiro que flanqueia o Cambedo pelo poente, no sentido norte-sul, o eco de um tiro. Mota de Freitas envia um GNR a saber o que se passa. O emissário vai a passo e regressa a correr, todo alvoroçado. Que um dos fugitivos fora morto. Quedam todos entre espantados e surpreendidos. No fundo ninguém ia a contar com mortes. Mota de Freitas pergunta se alguém conhece o defunto. Todos o conheciam. Era o Juan, ou Facundo .Neste comenos, chegam os vinte guardas-republicanos que haviam sido destacados para o Couto, sob o comando do sargento Meireles. 
Pelas onze horas principia a revista às casas. A primeira é a da Engrácia. Não topam nada de especial. Passam à do João Valença, do outro lado da rua. Encontram o José Barroso, filho da Engrácia, deitado numa cama a fingir que ressona. Perguntam-lhe por que razão está a dormir em casa da vizinha, em vez de estar em casa da mãe. O rapaz não atina com uma resposta satisfatória. Prendem-no e passam à frente. Pelas treze horas, iam as buscas por alturas do quartel da guarda-fiscal, ouve-se de novo o ladrar duma pistola-metralhadora. Voltam-se todos para as bandas de onde os latidos tinham vindo. Veem um guarda-republicano a tropeçar nas próprias pernas, olhos esbugalhados, lívido, sem fala. Rodeiam-no. Ele aponta o pátio da Albertina. Gagueja. Que haviam entrado três. Dois ficaram lá. Ele salvara-se por milagre. E quem havia atirado? Não vira. Mas parecera-lhe que os disparos haviam saído de um palheiro. Os guardas-republicanos e o pide ainda operacional quedam a olhar uns para os outros, atónitos, incrédulos, hesitantes. E agora? Eis que chegam, vindos de Chaves, os guardas que haviam sido destacados para Nantes, sob o comando do tenente Santos. Com eles vinha o pide Vasco da Rocha Guerra. Parlamentam. Alguém levanta a hipótese de os sitiados se apoderarem das armas, ou mesmo das fardas, dos guardas mortos. Que fazer? Prudentemente, por largo, a coberto de paredes e árvores, cercam um quarteirão de três casas que parecem comunicar umas com as outras.
A dada altura, assoma uma cabeça a uma janela. Otelo Fuga intima o curioso a recolher-se, se não quer ser alvejado. O curioso recolhe a cabeça, estende o braço e chispa fogo. «Mais uma vez fui bafejado pela sorte...» – deixou escrito o Puga, muito ufano pela esperteza de se ter protegido com a umbreira de uma porta. Os outros protegem-se também. O caso estava a ficar sério. Na bagagem dos recém-chegados de Chaves vinham algumas granadas de mão e bombas incendiárias. O tenente Santos manda incendiar o palheiro. Os engenhos são lançados. O palheiro, porém, resiste. Avançam as granadas de mão. Falham também. Então obrigam o Manuel Bárcia a incendiar o palheiro - «e em meia hora tudo ficou reduzido a cinzas, restando apenas de pé as paredes».7)«Já no pleno uso da língua, o guarda milagrosamente escapo, acusa uma das donas de casa de lhes ter dito que podiam entrar à vontade, que, ali, não estava ninguém. 
Trata-se de Manuela Garcia Álvarez, irmã do Demétrio e mulher do Manuel Bárcia. Prendem-na. Ela defende-se dizendo que não mentira. Que, em sua casa, não estava ninguém. Se houve tiros e mortes, isso foi no pátio da sua prima e vizinha Albertina Tiago. Perguntam-lhe pelo número de bandoleiros . Ela responde que ignora. Obrigam de novo o Manuel Bárcia, como familiar e amigo dos espanhóis, a ir buscar os dois guardas mortos e respectivas armas. Ele, de início, recusa. Ante a ameaça de fuzilamento, obedece. Mas demora. Arrastar um cadáver ainda quente, de mais a mais de um guarda-republicano, não é tarefa agradável, nem fácil. Gritam-lhe que se mexa. Mas ele não tem pressa nenhuma. Por fim aparece à cancela, às arrecuas, com o morto sopesado pelos sovacos, nádegas, pernas e botas a varrer o cisco do chão.- Para aqui! - gritam-lhe detrás da esquina. Ofegante, o Bárcia alija o cadáver no sítio indicado. Identificam-no. 
Trata-se do soldado de 1ª. classe do posto da GNR de Chaves, José Joaquim, de 34 anos, solteiro, natural da freguesia da Sé, Lamego. Está crivado de balas de alto a baixo 8). Gritam de novo ao Mestre que se despache. Mas ele não se dá por achado. De vez em quando alija o cadáver e limpa o suor da testa ao canhão da véstia. Por fim, com um arranco de desespero e revolta, arrasta o outro cadáver para a rua principal, onde o comandante e respectivos lugar-tenentes o aguardam, cosidos com as paredes. Identificam-no: José Teixeira Nunes, 37 anos, natural da freguesia de Oliveira, Amarante, casado e pai de três filhos menores. Apresenta, na região posterior do tronco, nove orifícios correspondentes à entrada de outras tantas balas de calibre 9, disparadas à queima-roupa 9). Tratam de despachar os dois mortos para Chaves. 
O tenente Santos aproveita para pedir a comparência do comandante da Companhia e o envio de mais granadas. Enquanto isto, o tiroteio continua. Impossibilitados de sair de casa, pessoas e animais desesperam. Assustadas, as crianças choram. Espavoridas, as aves fogem das árvores e as galinhas das eiras. Incomodados pelas bombas e pelos tiros, os cães uivam, incessantemente. 
Apreensivos e tristes com a morte dos dois companheiros, os guardas só desejam uma coisa, que os espanhóis se rendam e o tiroteio acabe. Mas eles não se renderam, tarde fora, até a noite cair. Para evitar que eles se aproveitem das trevas para se evadirem, os sitiantes incendeiam duas medas de palha situadas defronte da casa da Albertina, do outro lado da rua. Neste meio tempo, arribam os guardas-republicanos que haviam sido destacados para Sanfins de Castanheira, sob o comando do tenente Antunes. Com eles, o pide Hélder Cordeiro Alves 10).Trazem dois projectores eléctricos. Colocam-nos de modo a iluminar as traseiras da casa da Albertina. 
Entretanto, noite dentro, vão chegando: o comandante da Companhia, capitão Alexandre Medeiros; um destacamento da PSP do Porto, e, com ele, o pide Vitorino Antero Alves; um pelotão de Caçadores 10, de Chaves, especializado em morteiros de campanha. Instalam o comando no quartel da guarda-fiscal, casa de loja e sobrado, com duas janelas. A do norte dá para uma travessa de três metros de largura. Do outro lado ficam duas cancelas contíguas. A primeira de acesso ao eido do Manuel Bárcia; a segunda ao quinteiro da Adelaide Teixeira, de onde, a espaços, vêm rajadas de pistola-metralhadora.
O comandante em campo ordena a um agente da PSP, vindo do Porto, que arremesse granadas de gás lacrimogéneo sobre o «covil dos bandoleiros» cujo número toda agente calcula serem seis ou mais. Mas o vento pica do norte e vira o feitiço contra o feiticeiro. Desistem. A noite, sem lua, está gelada. Uns sopram às mãos, outros batem os pés no chão. Há quem, sorrateiramente, deslize para dentro dos pátios, dos estábulos, dos palheiros e se recoste às paredes, armas em descanso. No quartel da guarda-fiscal há uma braseira. Os maiorais avivam as brasas e trocam opiniões. Todos concordam em que eles não têm qualquer hipótese. Ou se rendem ou morrem. É tudo uma questão de tempo. Dos habitantes do Cambedo, raro é aquele que consegue pregar olho. Pelas cinco horas, o palheiro incendiado extingue-se de todo.
O comandante recorre de novo a um PSP perito em foguetes luminosos. Estes, porém, chegam ao fim e o dia não há meio de romper. Então o pide Vitorino Aires oferece-se para incendiar outra meda de palha existente no local. O comandante aceita o alvitre. Mas a tarefa não é fácil, dado que o alvo fica no raio de acção das balas inimigas. O Vitorino aproxima-se o mais que pode e lança um fachuco de palha embebido em petróleo. Com tão boa fortuna que a meda se incendeia. A aurora encontra o Cambedo transformado em campo de batalha: quartel-general, elementos de ligação entre os vários sectores, tendas de campanha, trem de abastecimentos, apoios logísticos, posto de primeiros-socorros. Aperta-se o cerco à antiga morada da família Bárcia, agora subdividida em três facções autónomas: a do Mestre , a da sua irmã Adelaide, casada com um guarda-fiscal de nome Octávio (11) e a da sua prima Albertina: todas elas contíguas e comunicantes entre si pelos respectivos quinteiros. 12)O pide Vitorino Aires, um agente da PSP e um guarda-republicano conseguem entrar nos baixos da casa da Albertina. Mas ao tentarem subir ao primeiro piso, ouvem zunir as balas rente às orelhas e põem o corpinho a salvo.
Então o comandante manda evacuar todas as casas em volta do quarteirão dos Bárcia, que vai ser bombardeado. Os soldados de Caçadores 10 instalam-se num morro rochoso sobranceiro à povoação, a uns cento e cinquenta metros para nascente, e despejam uns trinta morteiros sobre o alvo. A folhas tantas, aparece um homem de pistola-metralhadora em punho em cima dum telhado. Os artilheiros apontam-lhe os canhões. O homem desaparece. Os morteiros calam-se. O silêncio no quarteirão é tão profundo e prolongado que todos se convencem de que os bandoleiros estão todos mortos. Aperta-se de novo o cerco. O pide Vitorino Aires e três polícias adiantam-se para o reconhecimento. São recebidos a tiro e recuam. 
Felizmente para eles, sem mazela de maior. Apenas um pequeno arranhão na face do pide, causado por uma pequena lasca de pedra que saltou sob o impacte de uma bala. À vista disto, o comandante manda alargar de novo o cerco. E os morteiros recomeçam. A dado momento, grande alarido do outro lado da rua. O comandante manda fazer sinal aos soldados para suspenderem o bombardeamento e acorrem todos a ver o que era. Um rebo, que um morteiro fizera saltar de um muro, atingira um agente da PSP no peito. Correm com ele em charola para o posto médico. Reata-se o bombardeamento.
Ao cabo de uns setenta morteiros despejados sobre o quarteirão, dele não restam mais que ruínas fumegantes 13). É tempo de apalpar de novo o terreno. Ansiosos por mostrar serviço e subir na hierarquia, os pides estão sempre na brecha. Vitorino Aires, acolitado por um grupo de agentes da PSP e guardas-republicanos mais afoitos, entra no pátio da Albertina e descarrega uma rajada de pistola-metralhadora contra uma porta que ainda se encontra intacta e fechada. Como ninguém responde, avança para ela. De chofre, vem detrás da porta uma descarga traiçoeira. O pide dá um corcovo instintivo para o lado e corre para trás de uma parede (14) . Sente um arrepio na perna esquerda. Levanta a perna da calça para ver o que era. Uma bala que lhe varara a coxa de lado a lado, logo acima do joelho. «Olha que sorte!» -suspira ele, ao reparar em mais cinco buracos no sobretudo...Como certos animais que se encarniçam à vista de sangue, volta à carga, desta feita contornando o muro pelo lado de fora, não fosse o diabo tecê-las. Repara num rombo de morteiro na parede, que se lhe afigura no enfiamento da porta donde havia sido alvejado. 
Mete o cano da pistola-metralhadora no buraco e despeja o carregador. Enquanto aguarda resposta, ouve alguém gritar:- Lá vai um! Volta-se e enxerga um indivíduo a fugir em direcção ao monte. Lança-se-lhe no encalço. Mas já um guarda-republicano traz o homem catrafilado pela gola do casaco. Apenas um pacífico habitante do Cambedo que, aterrorizado com tanto morteiro e tanto tiro, dera às de Vila Diogo. Como a perna continuasse a sangrar, o pide requisita uma toalha e atalha. Os camaradas levam-no, quase à força, ao posto de primeiros-socorros. Um médico faz-lhe o primeiro tratamento e aconselha a evacuação para o hospital de Chaves. O ferido jura que não sai do Cambedo sem se vingar. E volta ao campo de operações. Mas eis que a perna se lhe inteiriça e recusa a andar. 
Embora contrariado, o Vitorino Aires consente na evacuação 15). A esse tempo, já os agentes da PSP especializados em bombas incendiárias haviam conseguido lançar fogo ao que restava do palheiro e afins. Do montão de ruínas restam apenas um lagar e um pequeno forno intactos, a poucos metros um do outro. Conseguem colocar metralhadoras no enfiamento dessas dependências. Estabelece-se um pingue-pongue de tiro vai, tiro vem, que parece nunca mais ter fim. Pelas dezasseis horas surge, ao cimo das escadas da casa contígua à da Albertina, um sujeito de certa idade. Prendem-no. É Primitivo Garcia Justo, pai do Demétrio. Enquanto o interrogam, o ataque ao lagar e ao forno intensifica-se. Descargas de metralhadora, granadas de mão, bombas incendiárias, disparos de carabina. Os espanhóis vão respondendo. Parcimoniosamente, como quem poupa munições. Até que se calam de vez. Os atacantes suspendem o fogo e aguardam, prudentemente.
Nisto, aparece à boca do forno um lenço branco. Pouco depois sai o Demétrio, de mãos no ar. Primeiro algemam-no. Depois esbofeteiam-no. Perguntam-lhe pelos companheiros. Responde que lá dentro está só o cadáver do seu camarada Garcia, que se tinha suicidado. 

Notas:
1) - Citados por Santiago Álvarez in "Memória da Guerrilha", Edicións Xerais de Galícia, 1991, pp 97 e seguintes.
2) - «Por determinação superior, encontrava-me desde o dia 26 de Outubro passado, na região de Vinhais, Chaves e Montalegre» - pide Hélder Cordeiro Alves, « in Relatório sobre o que se passou no Cambedo». Segundo o pide Vasco da Rocha Guerra declarou no Tribunal Plenário do Porto, «o sargento Prieto, da guarda-civil espanhola, colaborou com as autoridades portuguesas na captura dos elementos do bando.»
3 - A 14 de Junho de 1946, o capitão Herculano São Boaventura, comandante do Quartel de Bragança, envia um ofício ao Sr. Comandante do Batalhão n.º 4 da GNR do Porto, onde diz: «Há indicações de que na região da Lomba, do concelho de Vinhais, nomeadamente nas áreas de Sernande e Contim, estão aparecendo refugiados espanhóis e bandidos do mesmo país que auxiliados por um ou dois larápios portugueses permanecem naquela zona;» De seguida solicita carta branca para utilizar o camião afecto a «esta sub-unidade» na caça aos ditos refugiados.
Um outro ofício oriundo do Quartel da GNR do Porto, com data de 17 de Setembro de 1946, manda louvar os soldados da 7.ª Companhia em serviço no Posto de Vinhais, Alfredo Augusto, Aleixo Fernandes e Cândido Augusto Pires «porque conseguiram descobrir e capturar, no dia 28 do mês findo, o chefe da quadrilha, um foragido espanhol, que resistiu, conseguindo dominá-lo depois de o terem ferido gravemente numa perna, tendo-o levado para o hospital de Bragança… onde lhe foi amputada a perna direita...» «O ataque foi feito nas margens do rio Rabaçal, junto à povoação de Sernande...» «O preso vai ser entregue à Polícia de Vigilância.» Este ofício, que nem sequer identifica o preso, vem provar que ainda há muita coisa que nós ignoramos a respeito dos guerrilheiros e da repressão que lhes foi movida.
4) - Correu, por essa altura, não sei com que fundamento, o boato de que os guerrilheiros teriam agendado para o dia 21 o assalto ao palacete do senhor Domingos Veiga Calvão, em Vilela Seca.
5) - Interrogada a 21 de Janeiro de 1947, na PIDE do Porto, a Engrácia manteve-se numa negativa inexpugnável: «Que nesse dia não se encontrava qualquer indivíduo na sua residência.» «Mais uma vez aconselhada a dizer tudo o que sabe sobre o assunto, visto já estar provado que não está dizendo a verdade, respondeu: Que nada mais tem a dizer. E mais não respondeu.» Inquirida de novo em 6 de Fevereiro, acabou por admitir que na noite de 19 para 20 de Dezembro, o Juan dormira lá em casa.
6) - Silvina Fernandes Feijó, felizmente ainda viva, mas infelizmente ainda a manquejar da, muito embora os peritos médicos a «dessem (ao fim de cento e dezoito dias de doença e impossibilidade de trabalhar) por completamente curada dos ferimentos descritos no exame directo deles não tendo resultado qualquer aleijão ou deformidade»...
7) - Depoimento do pide Otelo Fuga, no Plenário do Porto.
8) - Segundo o relatório da autópsia, umas treze ao todo.
9) - Do relatório da autópsia. Para além deste dois, foram ainda feridos, com maior ou menor gravidade, cinco soldados da GNR, três dos quais, Jaime Ernesto Alves Leite, atingido por dois tiros num ombro, António Matias, a quem uma bala levou duas falanges do indicador direito e José da Fonseca Nunes, com escoriações no tórax e fractura duma costela por ter caído abaixo dum muro, foram para ao hospital de Chaves.
10) - «Em toda a parte de Castanheira, nomeadamente em Mosteiro, Sanfins, Santa Cruz e Cimo da Vila, foram revistadas todas as casas suspeitas nada sendo encontrado, mas foram feitas prisões dos indivíduos acusados de serem cúmplices dos malfeitores.», deixou escrito o Hélder.
11) - Após estes sucessos, o guarda-fiscal Octávio Augusto, a prestar serviço no posto do
Cambedo, foi transferido para o Gerês, onde acabou por se suicidar.
12) - Alguns relatórios afirmam, não sei com que fundamentos, que os guerrilheiros tinham feito buracos nas paredes meeiras de modo a transitarem de uma para as outras.
13) - A casa da Albertina Tiago foi a que mais sofreu com os bombardeamentos. Ainda hoje se encontra em ruínas.
14) - Manuel Afonso Pinho, do Cambedo, esclareceu no Tribunal Plenário do Porto, «que o agente Aires foi ferido em frente da adega do Bárcia e não da Albertina.» 15) - Ao cabo de quinze dias de convalescença, os médicos deram o Vitorino Aires como completamente curado do ferimento, do qual não resultou qualquer deformidade ou aleijão.

in:osbarbaros.org
in:pimentanegra.blogspot.com

Projeto do laboratório colaborativo Montanhas de Investigação pretende diminuir o desperdício alimentar

 O projecto, com origem o laboratório colaborativo MORE – Montanhas de Investigação, desenvolveu um consórcio composto por 24 entidades nacionais, inseridas na fileira agroalimentar, estando dividido em 5 tópicos basilares, orientados para o desenvolvendo ou introdução de novos processos, produtos ou serviços inovadores.
Entidades científicas e empresariais de Trás-os-Montes estão a participar no combate ao desperdício alimentar e no aumento da sustentabilidade da cadeia agro-alimentar. No terceiro trimestre deste ano, teve início o projeto mobilizador de I&DT BIOma “Soluções integradas de BIOeconomia para a Mobilização da cadeia Agroalimentar” que visa propor alternativas para reduzir o desperdício em toda a cadeia alimentar, aplicando abordagens do “prado ao prato”.

O projecto, com origem o laboratório colaborativo MORE – Montanhas de Investigação, desenvolveu um consórcio composto por 24 entidades nacionais, inseridas na fileira agroalimentar, estando dividido em 5 tópicos basilares, orientados para o desenvolvendo ou introdução de novos processos, produtos ou serviços inovadores.

O projeto I&DT BIOma “Soluções integradas de BIOeconomia para a Mobilização da cadeia Agroalimentar” criou uma ferramenta para a avaliação de sustentabilidade, utiliza e tecnologias digitais para monitorização do desperdício alimentar e tecnologias biológicas para o prolongamento de tempo de prateleira.

Por outro lado, pretende-se a valorização de subprodutos e dos resíduos agroalimentares, como complementos alimentares, substâncias de base natural, compostos de qualidade, bioestimulantes e melhoradores do solo.

Uma outra componente deste projecto é a criação de ferramentas para a rastreabilidade da cadeia de valor agroalimentar e a introdução de um ecossistema digital para a inovação e desenvolvimento de um marketplace com tecnologia, subprodutos e campos experimentais.

O projeto conta com 4 parceiros da região de Bragança, nomeadamente o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), apoiado pelas Unidades de I&D CeDRI, CIMO e UNIAG, o Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação (Colab MORE), a Sortegel e a Acushla.

Estas entidades integram o projeto desde a sua conceptualização e preparação, encontrando-se, neste momento, a trabalhar ativamente em todas as suas tarefas técnicas. O projeto terá a duração de 36 meses e conta com orçamento global de perto de 8 milhões de euros, sendo que as instituições da região têm um orçamento combinado superior a 750 mil euros.

O projeto I&DT BIOma “Soluções integradas de BIOeconomia para a Mobilização da cadeia Agroalimentar” é financiado através do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (Compete2020), no âmbito Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Câmara de Macedo irá devolver aos munícipes todo o IRS gerado no concelho

 Ao abdicar de partes das receitas fiscais, “a autarquia pretende transmitir um sinal de confiança aos munícipes e às empresas, esperando que este pacote de incentivos fiscais contribua, também, para atrair mais população e mais investimento para Macedo de Cavaleiros”.
A Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros irá devolver a totalidade do IRS gerado no concelho aos munícipes. A medida faz parte de um pacote fiscal preparado para o ano de 2021 e que, refere o presidente da autarquia, procura minimizar as perdas de rendimentos das famílias e alavancar o investimento económico no município. A isenção de cobrança do imposto de Derrama, a redução do Imposto Municipal sobre Imóveis para a taxa mínima (0,3%) e cobrança da Taxa Municipal de Direitos de Passagem no limite legal mínimo (0,25%) são as outras medidas que integram este pacote aprovado em reunião de câmara e que será apresentado à Assembleia Municipal na reunião agendada para o final de dezembro.

Na antecâmara da apresentação e votação do Orçamento Municipal para 2021 em Assembleia Municipal, o Executivo preparou mais um conjunto de medidas que procuram ajudar as famílias a recuperar parte do orçamento familiar perdido. Assim, em 2021, a autarquia irá cobrar uma taxa de IMI no seu limite legal mínimo (0,3%). No caso dos imóveis para habitação própria e permanente haverá ainda uma redução de 20 euros para agregados familiares com um dependente a cargo; de 40 euros nos casos em que há dois dependentes a cargo; e de 70 euros quando existem três ou mais dependentes a cargo.

Adicionalmente, e no que à componente variável do IRS diz respeito, a autarquia explica que, “nos últimos anos, tem arrecadado 1% do montante global que gera o IRS no município”. Anualmente, relembre-se, as autarquias têm direito a receber uma participação variável, que pode ir até 5%, no IRS dos contribuintes que têm domicílio fiscal no seu município. Para ajudar as famílias, em 2021, o município não irá cobrar esta taxa, o que significa que os munícipes irão receber a totalidade do imposto no IRS do próximo. Também a Taxa Municipal de Direitos de Passagem, que integra faturas como as das telecomunicações, será cobrada no seu limite mínimo (0,25%).

A quarta medida deste pacote fiscal é especialmente vocacionado para as empresas. O presidente da autarquia macedense, Benjamim Rodrigues, explica que se pretende “criar condições para atrair mais empresas e mais investimento para o concelho, contribuindo assim para a criação de mais postos de trabalho”. Assim, o Executivo irá propor à Assembleia Municipal que durante o próximo ano não seja lançada a derrama que, legalmente, pode ir até ao limite máximo de 1,5% sobre o lucro tributável sujeito e não isento de IRC.

Benjamim Rodrigues lembra que “este longo surto pandémico, que irá marcar o ano de 2020, está a ter consequências nefastas para muitas famílias portuguesas”. “Infelizmente o nosso concelho não é exceção e, atento a isso, o Executivo entendeu que devia adotar medidas adicionais que ajudem a mitigar os efeitos económicos que a COVID-19 está a causar no nosso território”, frisa.

Ao abdicar de partes das receitas fiscais, “a autarquia pretende transmitir um sinal de confiança aos munícipes e às empresas, esperando que este pacote de incentivos fiscais contribua, também, para atrair mais população e mais investimento para Macedo de Cavaleiros”.

Movimento exorta Governo a não deixar vender barragens antes de 2021

 O Movimento Cultural Terra de Miranda (MCTM) exortou hoje o Governo a não permitir que o negócio da venda das seis barragens situadas em Trás-os-Montes se efetue antes da entrada em vigor da nova lei, foi hoje divulgado.
Em 23 de novembro, o parlamento aprovou uma proposta do PSD de alteração ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) para a criação de um fundo com receitas do trespasse da concessão destas seis barragens transmontanas.

"Estando a lei aprovada, a realização do negócio antes da sua entrada em vigor constituiria uma tentativa de fraude política e legislativa, que poderia frustrar os propósitos de quem a aprovou", indica o MCTM, em comunicado enviado à agência Lusa.

A EDP vendeu seis barragens em Portugal a um consórcio de investidores, formado pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova, por 2,2 mil milhões de euros.

As centrais hídricas, localizadas na bacia hidrográfica do rio Douro, totalizam 1.689 megawatts (MW) de capacidade instalada.

Segundo o movimento, "a lei consagra para a Terra de Miranda a atribuição de relevantes fundos financeiros, incluindo cerca de 100 milhões de euros e cerca de sete milhões de euros anuais".

O Imposto do Selo sobre o trespasse resultará numa receita que ascende a 110 milhões de euros.

O MCTM solicita ainda a todos os municípios transmontanos beneficiados com esta lei, em especial os de Miranda do Douro e de Mogadouro, a juntarem-se incondicionalmente à causa.

Segundo o MCTM, a dimensão dos fundos que agora estão garantidos mostra bem a dimensão do valor da riqueza que tem sido extraída destes territórios, até à data.

"Na verdade, só juntos conseguiremos servir da melhor forma a população da Terra de Miranda", especifica a mesma nota.

O Ministério do Ambiente e Ação Climática anunciou em 13 de novembro que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) aprovou a venda de barragens da EDP situadas em Miranda do Douro, Bemposta (Mogadouro), Picote (Miranda do Douro), Baixo Sabor (Torre de Moncorvo) e Foz-Tua (Carrazeda de Ansiães / Alijó).

Este movimento, que junta várias associações culturais e personalidades da Terra de Miranda (Mogadouro e Miranda do Douro) exorta, igualmente, todas as instituições da sociedade civil deste território do distrito de Bragança a juntarem-se à causa.

"Nos últimos 60 anos, a Terra de Miranda perdeu metade da população e todos somos muito poucos para garantir que nunca mais a nossa Terra será tratada como o tem sido até aqui", exemplifica aquele MCTM.

O mesmo movimento pretende manifestar à nova concessionária dos aproveitamentos hidroelétricos do Douro Internacional [a francesa Engie] que tem nas populações da Terra de Miranda "um interlocutor que se assume num plano de igualdade com o Estado, a concessionária e os municípios".

"Este interlocutor será sempre construtivo, mas exigente, informado e consciente dos seus direitos, e isso será bom para todas as partes", acrescenta o movimento no mesmo comunicado.

O movimento "exige" também ao Governo a efetiva recuperação ambiental das margens do rio Douro, em especial as pedreiras e escombreiras a céu aberto, que se mantêm, e que este movimento entende serem “atentados ambientais continuados, cujos responsáveis são também os atuais governantes e dirigentes da APA e o Fundo Ambiental que, por obrigação legal expressa, têm o dever de promover essa recuperação”.

"Este Movimento não deixará de exigir responsabilidades nesta matéria", conclui o documento do movimento, aprovado no domingo pelos seus signatários.

Garante ainda à população da Terra de Miranda "que este Movimento de caráter cívico, apartidário e independente, orgulhoso do seu passado e da sua milenar Cultura, continuará o seu trabalho determinado, informado e exigente, ao serviço deste território.

Mirandela apoia comércio com 200 mil euros para descontos

 A Câmara de Mirandela está a apoiar o comércio tradicional com o financiamento de descontos nas compras de Natal, no âmbito da iniciativa Cartão Comércio, que vai na segunda edição, informou o município.
Até 31 de dezembro, quem fizer compras de valores entre dez e 250 euros terá um desconto de dez por cento nos estabelecimentos aderentes.

O município do distrito de Bragança suporta o custo do desconto com verbas disponibilizadas diretamente aos comércios que aderiram à iniciativa e com outros apoios num valor que já totaliza 200 mil euros, como informou a autarquia presidida por Júlia Rodrigues.

O número de aderentes, nesta segunda edição, representa “43% do total de 630 entidades comerciais elegíveis” no concelho e regista um aumento relativamente aos 214 estabelecimentos que aderiram à primeira edição da iniciativa.

O Cartão Comércio Mirandela foi lançado depois do confinamento geral na fase inicial da pandemia de covid-19 com o propósito de ajudar os negócios locais a retomarem a atividade depois várias semanas encerrados.

O município decidiu repetir a iniciativa para a época de natal e nas duas edições “já apoiou 478 comerciantes do concelho com uma verba de 300 euros cada” e um total de 143 mil euros, através do programa Cartão Comércio Mirandela, distribuídos pelas duas edições desta iniciativa.

Aos 143 mil euros disponibilizados diretamente aos empresários, somam-se 1.500 euros em prémios distribuídos aos consumidores detentores do Cartão Comércio e apoio logístico, como é o caso de sacos, dísticos, produção de cartões, entre outros.

O cartão oferece aos consumidores um conjunto de vantagens traduzidas em descontos ao nível do comércio local, “visando-se ainda com este projeto desenvolver uma relação de preferência entre o consumidor e o comércio tradicional”, como explica a autarquia.

A Câmara Municipal de Mirandela anunciou ainda que prevê uma terceira edição do Cartão Comércio no primeiro trimestre de 2021.

Foto: António Pereira