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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 5 de dezembro de 2020

O Encontro com o Escritor

Fiquei mais pobre, ficámos mais pobres.

Descansa em Paz Silvino Potêncio.

O Insigne escritor Transmontano e Colaborador do Blog, Silvino Potêncio, faleceu no dia 23 de julho de 2020.
Reponho agora um texto que escrevi em outubro de 2019 quando tive a honra e o prazer de o conhecer pessoalmente na visita que me fez em Bragança.

O Encontro com o Escritor
Foi com um enorme gosto que pude abraçar, finalmente, o colaborador do Blog, Silvino Potêncio.
Vindo de Natal/Brasil e de férias na sua Pátria, conseguiu um pouco de tempo para me visitar em Bragança.
Que este breve encontro sirva para estreitar/fortalecer os laços que unem os nossos dois povos irmãos.

Até sempre estimado amigo Silvino.

Senti-me muito honrado por conhecê-lo pessoalmente, a si, e à sua esposa.

HM

Ti Maria Calhelhos - Sardinheira de Torre de Dona Chama

 Em meados do século XX, em Torre de Dona Chama, eram vários os oficiantes na venda de peixe, de porta a porta, sendo o mais habitual a sardinha, daí o nome de sardinheiros. A venda não se cingia à Torre. Distribuíam-se, também, pelas aldeias vizinhas chegando a percorrer mais de vinte quilómetros, a pé, com a caixa de vinte e cinco quilos no ombro ou posta por cima de uma rodilha na cabeça. Cada sardinheiro tinha a sua zona de actuação.
Vida duríssima desta gente que, bem antes dos primeiros raios de sol, ia buscar as caixas encomendadas ao Ti Manuel Guerra, albardeiro de ofício e ponto de entrega do pescado. De Matosinhos até Mirandela e depois pela estrada de Mascarenhas até Torre de Dona Chama, se fazia o percurso deste tão desejado conduto.
Rica e fresca sardinha era anunciada em pregões pelas ruas, animando num colorido as gentes de casa e os transeuntes.
Nas famílias numerosas uma sardinha era repartida por dois ou três filhos, consoante a condição económica. 
À época, a sardinha era a mais vendida por ficar em conta, mas o bacalhau era o rei dos pobres. Também se vendia, em dias de nomeada, polvo, chicharro, pescada e congro.
Ti Maria Calhelhos, sobressaia nos pregões por ter dificuldades em articular palavras, sofrendo de dislalia provocada pelo aparelho fonador. Quando lançava o pregão dizia assim:
- Quem compa pecada feca? Leia-se: - Quem compra pescada fresca?
Já o congro punha o povo em aprazimento de tanto rir a bandeiras despregadas, tendo chegado até aos dias de hoje a lembrança de tão engraçado pregão:
- Quem compa cono feco? Leia-se: - Quem compra congro fresco?
O povo, na sua malandrice, para dar mais ênfase ao pregão e puxar risada geral, em vez de repetir tal como era dito por Ti Maria Calhelhos “cono feco” alterou-o para “cona feca”.
Esta sardinheira tinha por áreas de venda a Torre e os Vilares, aldeia anexa da freguesia.
Um dia, regressando da venda, repara em risinhos, próprios de amores em folia, vindos de dois vultos numa bela seara de cevada, sendo quase tempo de ceifa. A curiosidade foi forte e chamou por si. Aproximou-se lentamente; escondeu-se atrás de uma moita; e de soslaio foi inteirar-se do que ali se passava. Era imperioso tirar a história a limpo.

O vento que a seara ondeava,
Aos amantes alvoroçava!
E neste resvalar de amores
Subia a paixão em fervores!
Até que repicam os sinos,
Entoando forte seus hinos.
Oh, Céus, Glória e embriaguez!
Restam estirados em placidez.

Ti Maria seguiu caminho até à Torre e deixou o assunto ficar como estava.
Nove meses depois, a rapariga pariu uma bela criança. A família, depois de lhe dar uns bons apertões para saber quem era o facínora de tal desonra, foi confrontar o rapaz. Este negou-se, veementemente, a dar o seu nome ao filho. O pai da moça, descontente com o sucedido, levou o rapaz à barra do Tribunal de Mirandela.

Quem se apresentou como testemunha?
Ti Maria Calhelhos.
O Juiz perguntou-lhe o que sabia do caso e ela contou, assim, a sua versão:
- Senhol Doutol Juiz: a seala ondulaba; o bento lebantou o folo da saia; biu-se a pena da lapaliga; e o lapaz buliçou-se. Se o Doutol Juiz, tamem, bisse, não buliçaba?
(- Senhor Doutor Juiz: a seara ondulava; o vento levantou o folho da saia; viu-se a perna da rapariga; e o rapaz alvoroçou-se. Se o Doutor Juiz, também, visse, não se alvoroçava?)

Dito isto o Juiz, de cara cerrada e expressão de indignação pelo atrevimento, remata:

- Ponham essa mulher daqui pra fora.
 
Teresa A. Ferreira, 04-12-2020

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Máquinas automáticas de venda assaltadas em Bragança

 Esta madrugada duas máquinas automáticas de venda foram alvo de furto em Bragança
Os dispensadores de notas e moedas foram arrombados e o dinheiro levado. A informação foi confirmada pela PSP. 

Os equipamentos junto ao Instituto Politécnico de Bragança e ao liceu ficaram com estragos. 

Os prejuízos são de pelo menos de 100 a 150€, segundo a avaliação inicial.

Escrito por Brigantia

Três homens detidos em Vila Flor por caça ilegal

 A GNR deteve, ontem, três homens, em flagrante delito, pelo crime de danos contra a natureza
A detenção aconteceu em Vila Flor e deu-se na sequência de uma ação de fiscalização, em que os militares detetaram os suspeitos a fazer uso de chamarizes eletrónicos não permitidos enquanto aguardavam a aproximação dos animais.

Os suspeitos foram presentes ao Tribunal Judicial de Vila Flor. Um dos detidos ficou sujeito ao pagamento de 350 euros e os restantes ao pagamento de 380 a uma instituição de solidariedade.

Foram ainda apreendidas três caçadeiras, dois chamarizes eletrónicos e vários cartuchos.

Escrito por Brigantia

O QUE É A MODA

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Mário Gonçalves Viana, in: “ A Psicologia da Mulher, assevera: que “ é um fenómeno de contágio (…) “ e acrescenta: “ O sexo feminino, entrega-se-lhe completamente.”
A moda, não só influencia o modo de trajar; mas, igualmente, o modo de pensar.
O que ontem se condenava, aceita-se agora, como normal.
As ideologias, também têm moda. Há épocas, que certas ideologias e comportamentos, são aceites; e épocas, que são abomináveis.
D. Manuel de Melo, conta: “ Eu tenho na minha livraria, um livro feito por Alonso Carraça (Madrid, 1636) contra as guedelhas, de que diz coisas abomináveis; e tenho outro feito por Pedro Mexia (historiógrafo do Imperador Carlos V, natural de Sevilha) em que não cansa de chorar ver homens tosquiados. A razão disto é o uso, que no tempo de um costumavam os cabelos grandes, e parecia vício e abuso raparem-se os homens; e no outro costumavam cabelos rasos e parecia desonestidade trazerem-se crescidos.”
Meu pai, na coluna que mantinha no: “O Comércio do Porto”, em meados dos anos sessenta vituperou colegiais, que usavam calças, porque, na época, não era “decente”, segundo seu parecer. O que diria, ele, dos atuais calções e fio-dental ?
Tudo muda, consoante a época.
Adquiri, nos anos setenta, guarda-chuva de vara de, madeira. Todavia o guarda-soleiro, à fina força, queria vender-me um, com vara metálica. Argumentava, que estavam na moda. Meu avô, no início do século XX, já usava de metal! … Estavam na moda e eram elegantíssimos…
Tudo muda, consoante a época
Adquiri, nos anos setenta, guarda-chuva, de vara de madeira. Todavia o guarda-soleiro, à fina força, queria vender um de vara de metal. Argumentava, que estavam na moda. Meu avô, no início do século XX, já usava de metal! … Estavam na moda e eram elegantíssimos.
As palavras também têm moda. Tem moda e gastam-se, mudam de significado. Palavra há, que foram queridas outrora, e que se tornaram abomináveis.
Em conclusão: São as elites, que comandam e levam, o vulgo, de arreata. Este, pensa que pensa, mas não pensa. é simples bonifrate, de marioneta.
A moda é isto: nada mais que um fenómeno de contágio…

Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Segundo webinar "Braganç@educa" debateu elo entre as escolas e as famílias

 O diálogo entre as famílias e a escola é cada vez mais forte e poderoso. A ideia é defendida pelo neurologista Nuno Lobo Antunes.
O médico foi o convidado para a segunda sessão da iniciativa “Braganç@Educa” e considera que a comunicação e a proximidade, cada vez mais estreitas, entre os encarregados de educação e as instituições de ensino, têm ajudado a que os jovens sejam mais bem tratados quando comparado com o que acontecia há algumas décadas.

“Havia uma fissura, um divórcio entre as famílias e a escola. Não havia qualquer espécie de comunicação, nem diálogo entre pais e escola. A ideia de inclusão era absolutamente estranha para toda a gente. A acentuação entre quem vinha de meios sócio-culturais ricos e pobres era uma diferença astronómica”, afirmou.

“Como as escolas e as famílias poderão formar um elo poderoso” foi o tema que o neurologista trouxe a debate. O médico considera que esta ligação entre as duas partes é cada vez mais acentuada e defende que, ainda que pareça, não se torna excessivo nem prejudicial para as crianças.

“Há quem defenda que há intromissão de mais da família na escola, mas não acho que isso faça sentido. Quando cresci a taxa de analfabetismo era de cerca de 30% e não havia sequer forma de os pais participarem na educação dos filhos. Isto mudou imenso e permitiu que as famílias passassem a ter um papel activo”, afirmou.

Confrontado com a questão de uma possível falta de tempo cada vez maior, por parte dos pais, em estar com os filhos, Nuno Lobo Antunes considerou que hoje em dia há mais preocupação em acompanhar os jovens fora da vida escolar.

O “Braganç@Educa” é um webinar destinado a toda a comunidade educativa, colocando o debate da educação. A próxima e última sessão acontece na quarta-feira e pode ser acompanhada, em directo, no facebook da câmara. O convidado será Rui Correia, vencedor do Global Teacher Prize Portugal 2019. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

A Nossa Conterrânea Carla Rodrigues Silva, precisa do Nosso Voto

Natural da Cidade de Bragança.

Desde pequena o Fado corre-me nas veias. Quando canto Fado quero passar a mensagem de cada poema, como vivesse e sentisse cada tristeza, alegria, dor ou saudade que o Fado transporta. Sou Licenciada em Música e faço parte do Grupo de Fados com o nome "Fados de Outrora".

Carla Rodrigues Silva - Voz
Jorge Pires - Guitarra Portuguesa
Paulo Dias - Viola Fado

EDP Tanto Fado
A partir de hoje, dia 4 de dezembro, podemos votar AQUI.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Abertas inscrições para adesão dos comerciantes ao Programa de Dinamização da Economia Local até 7 de dezembro

Em Bragança, há uma estrela que guia toda uma região

 Bragança conquistou uma estrela Michelin e nunca mais foi a mesma. O trabalho de Óscar e António Gonçalves no G Pousada pôs a cidade, a região e os seus produtores no mapa gastronómico nacional e internacional. O projecto, entretanto pausado, retomará em breve, vencidas as restrições impostas pelo combate à pandemia.

Ao abrir um restaurante de alta cozinha em Bragança, Óscar e António Gonçalves abriram toda uma montra da região transmontana

Os filhos da terra Óscar e António Gonçalves – conhecidos como os Geadas – viram com naturalidade a distinção do G Pousada pelos críticos do Guia Michelin em 2018. Quando ficaram com a Pousada de São Bartolomeu, haviam traçado um plano, onde estavam a economia local e, garante António, aquela que viria a revelar-se uma verdadeira estrela do Norte. “Era a diferenciação. Não foi naïf”, afiança o mais novo dos irmãos, gestor da pousada, escanção do restaurante e o irmão com o pelouro da pesquisa de produto.

“O que se dizia nas notícias não era ‘Óscar e António’, era ‘Bragança tem a primeira estrela Michelin’”, recorda Óscar, o chef. E tinha. E isso revelar-se-ia edificante para a cidade e para a região.

“A partir do momento em que ganhámos a estrela Michelin, atingimos um determinado cliente que viaja só para isso. A cidade ganhou. As pessoas quando vêm a Bragança, como só trabalhamos ao jantar, vêm mais cedo e almoçam noutros restaurantes. Vão às lojas regionais, provam aqui e perguntam onde podem comprar”, reconhece. E se inicialmente o feito se fez sentir “mais no turismo”, depressa a dupla percebeu que a sua influência podia ter outro alcance. Em 2020 e com a chegada da primeira vaga da pandemia, isso tornou-se ainda mais evidente.

O cabrito serrano é um dos produtos da região que António faz questão de levar à mesa do G Pousada

É certo que a região já tinha o butelo, as castanhas, as cascas, mas agora tem mais gente interessada nisso. “Se tiveres visibilidade, consegues ser influenciador. Não gosto da palavra, mas é isso”, atalha António Gonçalves.

António é um estudioso da “geografia do gosto” e da herança judaica na gastronomia da região e um embaixador dos vinhos de Trás-os-Montes. “Tenho, à vontade, 90 referências de vinho, produtores hão-de ser uns 30, dos quais dez serão novos nesta temporada.” Vinhos de garagem, a maioria sem distribuição estabelecida e que António escolhe em “80% dos pairings diários” no G.

A cozinha do G Pousada e do ConTradição está nas mãos de Óscar Gonçalves

Para a última carta do restaurante – entretanto encerrado este mês por causa da forte quebra nas reservas, decorrente das restricções à circulação –, foi “buscar produtores e projectos mais recentes, os Sarotos [Arribas Wine Company], a Menina d’Uva, os Romano Cunha e os vinhos do senhor Amílcar [Salgado, da Quinta de Arcossó]. Vinhos que praticamente só existem em Bragança.”

Sugere “sempre” vinhos da região. “Tem que ver com a surpresa e a filosofia de integração dos produtos.” Uma convicção que este ano os irmãos levaram mais longe, com o lançamento do Manicómio G. Um tinto feito só com vinhas velhas, em parceria com a Arribas Wine Company, e que já vai no segundo ano de vinificação. Antes de o G e a pousada fecharem portas, no último dia de Novembro, a edição de 2019 (350 garrafas apenas) já se servia – só se servia – à mesa do restaurante estrelado.

"O que é artesanal tem de ser valorizado. O que falta muitas vezes é ter pontos de ignição”, diz António, enquanto apresenta e elogia a sua fornecedora de cuscos. “Cada euro que eu pago à dona Maria Isabel é bem pago."

Dos arrabaldes para a mesa dos chefs

Maria Isabel Alves, de Vinhais, ainda se lembra de, em miúda, aí há uns 50 anos, fazer cuscos (uma versão transmontada dos cuscuz) com a mãe na aldeia bragantina de Espinhosela. Reencontrou-se com a arte há 15 anos e hoje faz cuscos quase diariamente. Depois de fornecer os Geadas, passou a vender para outros chefs. “O seu irmão arranjou-me lá para baixo uns chefs, em Setúbal e em Lisboa, e aqui em Guimarães”, diz a António. Lá para Fevereiro, Maria não terá mãos a medir com a Feira do Fumeiro de Vinhais.

Os cuscos são um dos elementos da mesa transmontana elevados ao patamar da alta cozinha. Neste caso, servidos com pregado e lingueirão

“Há muita gente que vem à feira de propósito pelos cuscos. Houve muita divulgação, está em curso a certificação [no Centro de Investigação de Montanha do Politécnico de Bragança] e entretanto aqui o irmão do António ganhou a estrela. Somos só três [mulheres em Vinhais] a fazer cuscos, isto dá muito trabalho.”

“Cada euro que eu pago à dona Maria Isabel é bem pago. Eu faço os meus, sei o que custa. O que é artesanal tem de ser valorizado. Para activar a economia devemos partir do local para o global. O que falta muitas vezes é ter pontos de ignição”, diz António Gonçalves. A estrela Michelin foi um desses pontos de ignição, admite, mas o abastecimento local não é nada de novo para os Geadas. “Lembro-me de ir com os meus pais a estas quintas à volta de Bragança comprar frangos, ovos, legumes.”

As peças de cutelaria personalizadas do G Pousada vêm da oficina de Gilberto Ferreira, em Aveleda

É de uma dessas quintas que os irmãos recebem cabrito serrano – uma das várias carnes com Denominação de Origem Protegida certificadas na região. No Verão, serviu-se no G o produto de Manuel Gonçalves, funcionário público, apicultor e “cabreiro nos tempos livres”. “As cabras começaram por brincadeira” e para “limpar os lameiros”. Hoje é sua uma das quatro cabradas existentes em Bragança – cinco, se incluirmos o rebanho da Escola Superior Agrária.

“Não se conseguem fixar pessoas nos locais de origem se não houver motivos fortes. E o trabalho que o António está a fazer vai dar frutos dentro de dez anos. Ele faz que outros estabelecimentos consumam mais os produtos que eles têm na casa deles. Isso vai acontecer. Quando aparece alguém que transforma assim um produto e consegue dar nome a um produto, o trabalho dos produtores é valorizado”, acredita.

A taxa de incidência da covid-19 nas últimas semanas não deixou outra alternativa que não fosse fechar, para já até ao final de Dezembro, mas António e Óscar garantem que tudo farão para “defender a dama” e as pessoas que para ela trabalham, contando regressar em breve com mais força e uma forma diferente de comunicar. Que evidencie esta ligação aos produtores locais e ao produto e à tradição regionais. “É uma dinâmica que fica interrompida, mas a altura é de reflexão”, nota António. “Esperamos que, daqui a algum tempo, possamos estar a falar de encontrar outros veículos para chegar a bom porto.”

Gilberto Ferreira faz facas de aço forjado, com cabos das mais variadas madeiras. Para os restaurantes dos irmãos Geadas, produz peças de cutelaria personalizadas.

Das navalhas à cutelaria fina

Para Gilberto Ferreira a ligação aos Geadas está aos poucos a permitir-lhe mudar de vida. “Durante o dia sou comercial, vendo fumeiro. Os chefs nem todos os dias compram facas, mas o importante é que fique o contacto. Tenho feito bastantes facas ultimamente e já me via a fazer isto a tempo inteiro este ano. Mas aconteceu isto.” “Isto” é, uma vez mais, a pandemia, que veio atrasar a vida de todos – mas não lhes tolheu os sonhos.

Gilberto faz facas de aço forjado, com cabos das mais variadas madeiras. Para os Geadas fez a primeira faca personalizada do G Pousada, uma faca de manteiga, depois fez as facas de carne. E a relação dura até hoje, com o restaurante a introduzir uma novidade a cada mudança de carta.

Numa região onde toda a gente tem uma, Gilberto começou por fazer navalhas “aos 14, 15 anos, em corno de veado”. “Uma parte de um animal que ficaria perdida no monte”, explica Óscar, onde os “veados todos os anos largam as suas hastes”.

Em Vinhais, Maria Isabel Alves faz cuscos para a cozinha de Óscar Gonçalves - e já começou a fornecer outros chefs

“Era o meu forte, mas depois eles apareceram, queriam algo típico da região, feito por alguém de cá, e deram-me ideias novas”, conta o cuteleiro cujos dias de trabalho têm 12 horas. E para que outros chefs faz facas? “Prefiro que sejam os clientes a falar do meu trabalho. Podem não gostar [da publicidade]. Mas tenho feito para alguns chefs, cá dentro e alguns também lá fora.”

“[Já lhe comprámos] 110 ou 120 facas só para o serviço ao cliente. Pensamos ao contrário, se calhar”, partilha António. E Gilberto sentencia: “Vós pensais bem.”

“O Gilberto também me reutiliza as facas para o ConTradição [o gastrobar que os irmãos abriram no Verão para manter toda a equipa do G e da Pousada]. E de cada vez que vou a algum lado faz uma lembrança que eu levo para os meus colegas. Ofereci, por exemplo, ao Paolo Casagrande uma faca personalizada. Ele nunca tinha comido cascas [feijões colhidos ainda nas vagens, também conhecidos como casulas]. Mandámos-lhe as cascas e ia lá também uma faca do Gilberto”, conta Óscar, cuja faca de trabalho também saiu da oficina-garagem do homem de Aveleda. “É com buxo aqui do rio Sabor e aço, e tem o peso adequado.”

No G Pousada não podia ser de outra forma: não há caviar e também não há Laguiole. “Na restauração internacional há uma necessidade muito grande de autenticidade. Este restaurante não poderia estar em Hong Kong ou Nova Iorque”, remata António. “Quem escrever isso simplesmente não percebeu o conceito.”

“Um balão de oxigénio”

No início de um ano para esquecer, António e Óscar ajudaram os produtores da região a minorar os efeitos de uma Páscoa diferente. “Quando chegou a covid-19, foram de uma solidariedade brutal. Quando passámos a informação da aflição que o sector estava a passar, eles ‘amplificaram o sinal’. E a resposta foi viral. Uma surpresa enorme e um balão de oxigénio”, recorda o presidente da Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana (Ancras), Amândio Carloto.

Os irmãos fizeram a ponte entre os produtores e o projecto Matéria do chef e amigo João Rodrigues (do restaurante Feitoria, em Lisboa), que aproxima o produtor do consumidor final. E Óscar promoveu o cabrito serrano e o porco bísaro no âmbito de uma campanha do Governo que apelava ao consumo do que é nacional.

Num ano normal, a região vende 3000 cabritos certificados, de 188 criadores, que durante o confinamento simplesmente não tinham saída. Com a iniciativa solidária, a Ancras recebeu 13 mil e-mails, além de outros contactos, e os particulares seguraram o negócio. “Muitas vezes, é preciso haver rede. Conseguiu-se”, diz Óscar.

Uma procura que a região ainda está a satisfazer. “Com uma boa procura, o escoamento tem sido total. Alguns daqueles que não conseguiram adquirir cabrito transmontano na Páscoa contactaram-nos ao longo do ano e particularmente agora para o Natal”, partilha Amândio Carloto. “O sector dos pequenos ruminantes há muito que atravessa um mau momento. Agora, claro, quando há uma estrela em Bragança e ainda por cima a trabalhar estes produtos, isso dá visibilidade.”

Ana Isabel Pereira (Texto) e Nelson Garrido (Fotografia)

Filandorra sem apoio financeiro do Ministério da Cultura

 O projeto que a Filandorra candidatou tem por base a obra de Alexandre Parafita, e pretende dar a conhecer o universo da tradição oral com os seus contos, lendas e mitos recolhidos pelo etnógrafo junto dos guardiões da memória, alguns já desaparecidos.

Elenco do Filandorra

O Grupo de Teatro Transmontano Filandorra voltou a ver um dos seus mais recentes projetos sem apoios financeiros da DGartes/Ministério da Cultura e por isso o grupo, numa ação pública de protesto, vai “entronizar a ministra da cultura, Graça Fonseca, como a ‘ti miséria’” da cultura em Portugal”, refere uma nota de imprensa da companhia de teatro que se considera descriminada por atuar no interior do país.

No âmbito do Concurso ao Programa de Apoio a Projectos – Criação e Edição da DGartes/Ministério da Cultura, ao qual a Filandora candidatou o projecto “Diabos, Diabritos num saco de Mafarricos/Contos da Tradição Oral Transmontana”, a Filandora tomou conhecimento, na passada sexta-feira, que este seu projeto cultural, apesar de elegível não vai obter financiamento do Ministério da Cultura.

Segundo David Carvalho, Diretor artístico da companhia, “a história repete-se, com a agravante que neste concurso o financiamento para projectos de Criação – Teatro para o Patamar dos 40 mil euros foi todo para a Área Metropolitana de Lisboa, com cinco candidaturas financiadas. Onde está a equidade do desenvolvimento cultural do País?”, interroga-se David Carvalho, sublinhando “que em toda a Região Norte houve quatro candidaturas elegíveis neste patamar com zero de financiamento. Na ausência de Audiência de Interessados, o que é atentatório da liberdade e da democracia, iremos pelos instrumentos disponíveis da DGartes, solicitar o acesso às candidaturas em concurso de forma a agirmos em defesa legítima do nosso projeto, e se necessário junto dos tribunais. Face à situação de esquecimento e desrespeito pela cultura na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Filandorra vai de imediato contactar todos os grupos parlamentares da Assembleia da República bem como a intervenção da Secretaria de Estado da Valorização do Interior, com sede na região (Bragança), do Senhor Primeiro Ministro e de Sua Excelência o Presidente da República”, afirmou o diteror artístico da Filandorra.

O projeto que a Filandorra candidatou tem por base a obra de Alexandre Parafita, e pretende dar a conhecer o universo da tradição oral com os seus contos, lendas e mitos recolhidos pelo etnógrafo junto dos guardiões da memória, alguns já desaparecidos. Com esta criação, a companhia vai visitar bibliotecas, auditórios, espaços ao ar livre, e a manter-se a situação pandémica, esta criação será concretizada a partir da realização de um vídeo a partilhar nas plataformas sociais, direcionando-o para o público infanto-juvenil e de forma muito especial ao público idoso em interação direta com lares de idosos, centros de dia, etc.

“A nossa candidatura envolve 19 municípios de cinco distritos de toda a Região Norte (Porto, Vila Real, Guarda, Viseu, Bragança), a maior Rede Protocolada do país, que apoiam financeiramente o projeto em mais de 50%, sendo que à DGartes apenas foi solicitado 44,20%. Acresce que o projeto candidatado também tem a parceria sem impacto orçamental das duas maiores instituições de ensino superior da região de Trás-os-Montes, nomeadamente UTAD e IPB” afirma David Carvalho.

“Está mais que provado e fizemo-lo sentir junto da Senhora Ministra da Cultura e do Senhor Director Geral das Artes em reunião havida a 15 de janeiro do corrente ano no Palácio Nacional da Ajuda, que este modelo de apoio às artes por concurso está falido. Os resultados finais dos sucessivos concursos só têm produzido injustiças, desigualdades e em alguns aspetos particulares são passíveis de impugnação judicial. Sempre defendemos que não se pode deixar que ‘meia dúzia de pessoas’ em Lisboa tenham informação suficiente e relevante para avaliar e decidir sobre o trabalho sustentado de dezenas de anos de estruturas teatrais de carácter profissional, com quadros de pessoal efetivo entre atores e técnicos, e com enraizamento territorial assumido que ultrapassa a análise sumária de ’umas tantas linhas escritas encaixotadas em parâmetros difusos e inconsequentes’”, afirma o responsável pela companhia de teatro com sede em Vila Real e que percorre toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro em projetos de itinerância teatral.

David Carvalho defende ainda que “o apoio a estruturas com a dimensão da Filandorra, como outras que igualmente desenvolvem trabalho regular nas várias regiões do país, deve ser encaminhado para Contratos-Programa que envolvam os candidatos e estruturas descentralizadas do Governo como as CCDR’s, Direcções Regionais da Cultura, Autarquias e naturalmente as Instituições de Ensino Superior e Agrupamentos Escolares”.

Num extenso comunicado à comunicação social, o responsável pela Filandorra critica o processo centralizador no apoio às artes em Portugal, lamentando que ao “arrepio do esforço de descentralização por parte do actual Governo, o Ministério da Cultura continua em contraciclo. Apesar das promessas intermitentes e tardias da Senhora Ministra da Cultura, Graça Fonseca, para nós e para muitos profissionais da área da cultura, é a Ministra da DesGraça, da Fome e da Seca, e a quem, em tributo às migalhas que nos atribuiu em novembro passado, onze meses depois, de 25% da anterior candidatura, que foram encaminhadas para encargos com a Segurança Social, Finanças, e proporcionalidade do lay-off dos trabalhadores, situação em que nos encontramos, vamos entroniza-la em cerimónia pública como a ‘Ti Miséria’ da Cultura em Portugal, personagem principal do conto tradicional português perpetuado por Adolfo Coelho, no próximo dia 11 de Dezembro, Dia Internacional da Montanha, data prevista na candidatura para a Estreia do projecto em Vinhais em Pleno Parque Natural de Montesinho”, anunciou David Carvalho.

Dia Internacional da Pessoa com Deficiência assinalado com diversas atividades na diocese

 Devido ao tempo de pandemia que atualmente se vive, o Serviço Diocesano da Pastoral a Pessoas com Deficiência, em articulação com o Serviço nacional, propôs às Instituições e Pessoas com deficiência uma série de atividades a levar a cabo em toda a diocese de Bragança-Miranda para assinalar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, esta quinta-feira.
Assim, foram propostas as seguintes atividades:

hoje, a participação na Oração Mundial, International Prayer Day celebrating World Day for people with disabilities, promovida pela Ir. Verónica Donatello (que já passou por Bragança a convite deste Serviço) com o seguinte Programa:

Evento Online das 18:00-20:00, A PROFEZIA DA FRATERNIDADE (italiano – língua dos sinais – caa italiano);

- Acender de uma vela em Lourdes -Recordando o dia
- Saudação da Ir. Veronica Donatello – Responsável do Serviço Nacional para a pastoral das pessoas com deficiência da Conferência Episcopal italiana;
- Breve reflexão bíblica Rosanna Virgili (3 pessoas com deficiência fazem as perguntas);
- Reflexão do Card. Tolentino Mendonça – Profecia e fragilidade;
- Narração italiana deste tempo de profecia (breves vídeos onde são protagonistas as Pessoas com deficiência que vivem nas estruturas, nas paróquias e nas realidades associativas):
o Do lavar-se as mãos ... ao cuidar; o Do distanciamento social à proximidade; o Da máscara aos rostos;
- Vídeo em colaboração com TV2000 (conta histórias);
19:15 – 20:00 todo o mundo, Oração com os outros Serviços deficiência dos 5 continentes (em várias línguas, – Línguas dos sinais):
- Canto inicial;
- Sinal da cruz de um breve texto do Evangelho;
- Escuta do Vídeo ou texto do Santo Padre;
- Cada Nação, narra um sinal de “Profecia/Esperança” (vídeo);
- Oração comum uma dezena do rosário recitada em 5 línguas diferentes;
- Na conclusão da Oração e bênção por um Bispo presente, por Sacerdotes com
deficiência.
2. Momento de Oração on-line em Portugal, no dia 06 de dezembro, às 18 horas, com o seguinte programa:
1. Acolhimento dos participantes pelo SPPD
2. Cântico introdutório – Cuca Roseta;
3. Leitura da Mensagem do Papa;
4. Comentário do Pe António – Profecia da Fraternidade;
5. Kyrie – Momento de cura – Serviço Diocesano da Pastoral a Pessoas com deficiência de Bragança/APADI/CAO Santos Mártires/ CEE - Santa Casa da Misericórdia (com pequenos vídeos realizados pelas Pessoas com deficiência destas instituições);
6. Dezena do terço dita por pessoas com deficiência por vídeos;
7. Pessoas com deficiência em oração musicada – Comunidades Fé e Luz;
8. Intenções das Dioceses/participantes – com refrão cantado por Fábio e Cesariano;
9. Oração a construir e a divulgar pelas dioceses e paróquias como momento de comunhão da Igreja portuguesa;
10. Cântico de louvor – momento visual – dança – Irmã de Assumar;
11. Palavra final de D. José Traquina e bênção.
3. Envio da Oração de D. José Cordeiro também para todas as dioceses rezarem.
Entretanto, desde a passada segunda-feira, as instituições de apoio à pessoa com deficiência de Bragança uniram-se para criar vários momentos de encontro entre os residentes das diferentes instituições. "Neste ano tão atípico, e difícil para todos nós, queremos dar a conhecer o excelente trabalho que se realiza nas nossas organizações com esforço, dedicação e muito optimismo. Mesmo na dificuldade, continuamos dinâmicos e criativos para proporcionar aos nossos utentes uma vida com qualidade", explicou Sérgio Afonso, um dos mentores da iniciativa.
"Queremos proporcionar aos nossos residentes uma semana de união, cooperação e boa disposição. Queremos também tornar-nos presentes na comunidade e lembrar que ainda temos um longo caminho a percorrer para sermos uma sociedade plenamente inclusiva", concluiu.

AGR

Escuteiros lançam jogo do Ano Litúrgico

 O Agrupamento 18 de Bragança dos escuteiros apresentou, no passado domingo, um jogo do Ano Litúrgico para “estimular a participação dos jovens na eucaristia.


De acordo com o Chefe do Agrupamento 18, Miguel Salgado, este jogo surgiu, também, para homenagear o beato Carlo Acutis.

“É um jogo do Ano Litúrgico. Este foi um modelo que adaptámos dado que a nossa figura do ano é Carlo Acutis, beatificado em outubro. Já tínhamos decidido assinalar este jovem e como um dos carismas dele tem a ver com a eucaristia (o outro tem a ver com a informática), achámos que era uma oportunidade”, frisou Miguel Salgado.

“Foi inspirada nele e o concretizar de um desejo. Todos os anos temos uma figura anual. Tentamos colocar no nosso plano algumas ações que vão de encontro à figura que é vivida. Era a oportunidade de aprofundar essa ideia”, destacou ainda.

Assim, este jogo de tabuleiro surge como um desafio aos jovens.

“Resolvemos fazer o desafio de lembrar aos escuteiros que, como cristãos, devem ir à missa todos os dias. Para que a frequência dominical seja um pouco maior, apesar das diversas contingências no acesso às missas”, explicou o mesmo responsável.

Para já foram feitas 80 unidades, das quais já foram distribuídas cerca de 50 entre os escuteiros do agrupamento.

“Como o jogo tem alguma qualidade em termos de materiais, custou-nos algum dinheiro. Este ano temos poucas fontes de receitas, como a campanha de embrulhos do continente, a Norcaça, entendemos pedir o contributo dos escuteiros. Cada um pagou cinco euros, que não paga o jogo mas ajuda.

Num ano normal se calhar não iríamos pedir nada. Mas assim acaba por ser também um incentivo à responsabilização”, disse ainda Miguel Salgado.

O jogo consiste num disco com os 54 domingos do ano litúrgico. “Haverá autocolantes que irão receber do pároco à medida que vão participando nas eucaristias”, sublinhou.

A ideia era que o jogo fosse utilizado no Agrupamento 18, de Bragança. “Mas está aberto às pessoas da comunidade a quem o queira jogar”, frisou Miguel Salgado, considerando que “é um instrumento de evangelização e captação de membros para o Agrupamento”.

Este jogo surge no fim de semana em que se realizou o ato eleitoral do agrupamento, que reconduziu Miguel Salgado para um segundo mandato de três anos.

“Fizemos alterações pontuais na direção. Estamos com 19 adultos dirigentes, com diferentes graus de compromisso”, concluiu.

O Agrupamento tem 115 elementos.

António G. Rodrigues

Fundação vai reabilitar o antigo “Asylo” através de um projeto de 2,8 ME para apoio à demência

 A Fundação Francisco António Meireles (FFAM) vai avançar com obras de reabilitação do antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo para ali criar uma unidade destinada a pessoas com demência ou outras patologias associadas, num projeto orçado em 2,8 milhões de euros.
“Já temos o projeto, pelo que resolvemos candidatarmo-nos e investirmos em algo que nos parece de grande importância para a nossa sociedade, tendo em conta as carências que existem na região como é o caso do apoio à pessoa com deficiência”, indicou o presidente do conselho de administração FFAM, António Moreira.

A futura unidade social vai dispor de Centro de Apoio Ocupacional e de uma Residência Autónoma, e do apoio a idosos através de uma Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI) e de um Centro de Dia “especializados em demências de vária ordem e em outras vulnerabilidades”.

Segundo o responsável, o edifício que albergou antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo está devoluto, e onde a degradação do imóvel já se arrasta há mais de 20 anos.

“Ao longo dos anos o imóvel tem-se vindo a degradar sem qualquer solução à vista", frisou.

De acordo com António Moreira, este investimento só é possível se for aprovado no seu conjunto e com todas a valências de apoio associadas ao projeto.

“Embora saibamos que a grande maioria é a favor da criação de mais lugares em ERPI, como há bem pouco tempo ficou demonstrado, nós não somos favoráveis a que se invista em mais do mesmo, como aliás é público, pelo que queremos apostar em respostas diferenciadas para se lidar com as deficiências, as demências e as outras vulnerabilidades”, vincou.

Este projeto foi elaborado no âmbito da candidatura da FFAM ao Programa De Alargamento Da Rede Equipamentos Sociais – 3.ª Geração (Pares 3.0), que tem por finalidade apoiar e cofinanciar o desenvolvimento, consolidação e reabilitação da rede de equipamentos sociais, promovendo a melhoria sustentada das condições e dos níveis de proteção dos cidadãos.

“Pretendemos apostar em valências que são importantes para o concelho de Torre de Moncorvo e para a região transmontana e duriense onde se destaca para além de pessoas com demência de vária ordem ou grandes dependentes da ajuda física de terceiros”, explicou António Moreira.

Da candidatura fazem parte um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) com 32 lugares direcionado para a valorização pessoal e integração na sociedade de pessoas com deficiências, através de atividades que fomentem as suas capacidades e que contribuam para o seu equilíbrio social e emocional.

Uma unidade de apoio domiciliário para 30 utentes cujos serviços serão prestado em casa das pessoas com dependência física ou psíquica, e que não tenham autonomia suficiente para cumprirem com as suas necessidades básicas e não tenham apoio familiar.

“Os objetivos deste estabelecimento passam por contribuir para a melhoria de vida e bem-estar dos utentes e apoiar as famílias a realizar estes cuidados. Pretende-se ainda vocacionar e capacitar o Serviço de Apoio Domiciliário da FFAM para prestar serviços a pessoas portadoras de demências, deficiências e dependências de vária ordem e gravidade”, ” destacou o presidente da FFAM.

Na valência de Centro de Dia (CdD) está prevista criação de 26 lugares para prestar aos idosos serviços de atendimento às necessidades básicas e de promoção de relações interpessoais dentro e fora do seu grupo etário, contribuindo assim para a manutenção no seu meio sociofamiliar e equilíbrio biopsicossocial.

O Alargamento da ERPI para 36 novos lugares, onde haverá quatro com capacidade de utilização como lugares de isolamento.

Do projeto faz parte um espaço para alojamento coletivo de pessoas idosas em que são prestados cuidados de enfermagem e desenvolvidas atividades de apoio social que contribuam para o bem-estar, envelhecimento ativo e melhoria de qualidade de vida destas pessoas.

“O alargamento da ERPI destina-se sobretudo a pessoas com demências de diversa ordem (severas ou ligeiras, em estado inicial ou avançado), com mobilidade muito reduzida e grandes dependentes”, concluiu António Moreira.

Do complexo faz parte uma residência autónoma para cinco pessoas.

A reabilitação e ampliação do edifício do antigo “Asylo” de Torre de Moncorvo “irá, deste modo, permitir que este receba um total de 99 utentes nas diversas respostas sociais”.

A FFAM, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sem fins lucrativos, constituída em 31 de dezembro de 1908, com sede em Torre de Moncorvo.

Francisco Pinto

Empresa de turismo da natureza no Top 10 dos melhores projetos de turismo inteligente

 Pelo segundo ano consecutivo, o BPI e Expresso juntam-se para distinguir os melhores exemplos do turismo português, nas categorias de Turismo em Rede, Autêntico, de Confiança, Inteligente e Sustentável.
Com a aplicação móvel FEEL®, desenvolvida no âmbito do projeto “Ligações Virtuosas” da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Chaves, a PORTUGAL NTN, sediada em Mirandela foi eleita para o Top 10 na categoria de Turismo Inteligente.

A empresa especializada em turismo de natureza é a responsável pela conceção da ideia, o desenvolvimento de tecnologia adaptada e a implementação de todas as infraestruturas e elementos de suporte, como os sensores Bluetooth, que transformam a experiência do público, em geral, e das pessoas com alguma incapacidade motora, auditiva ou visual, em particular, numa experiência mais informada, mais sensorial e mais plena.

“Há aqui dois elementos que, no nosso entender, valorizam o projeto: a componente tecnológica e a componente sensorial da acessibilidade, já que são duas áreas que, à partida, não são associadas a uma empresa com forte foco no Turismo de Natureza, mas que nós, precisamente por conhecermos bem o setor do Turismo, consideramos essenciais e decidimos inovar nesta oportunidade que nos foi dada ao desenvolver este trabalho para projeto “Ligações Virtuosas””, explica João Neves, um dos responsáveis pela PORTUGALNTN.

A FEEL® é constituída por módulos, o que permite a sua replicabilidade e adaptabilidade noutras cidades ou territórios. Na área da acessibilidade, a tecnologia está sustentada em infraestruturas físicas, também elas inovadoras, nomeadamente na implementação daquele que é o primeiro percurso pedestre acessível, inclusivo e sensorial homologado pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, a Pequena Rota “Margem dos Sentidos”, construída passo a passo com a colaboração de entidades ligadas à deficiência motora e visual.

Esta pequena rota segue um traçado praticamente plano, sem obstáculos, marcado com pavimento tátil direcional e pontuado por aparelhos de proximidade que transmitem informações áudio diretamente a telemóveis que tenham instalada a App FEEL® Chaves. Integra elementos de interpretação do espaço natural e ambiental existentes na zona envolvente, apelando à estimulação sensorial com convites para parar e abraçar a árvore, escutar os sons do rio e dos pássaros, cheirar as ervas aromáticas, entre outros, e convidando ainda à visitação do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, colocando o visitante em estreito diálogo com as obras de arte moderna e contemporânea que se encontram patentes, de forma permanente ou temporária, no museu. “Para além desta componente, que foi a que mais nos envolveu e motivou, pensamos numa experimentação completa da cidade de Chaves e criamos Rotas que, com o apoio e orientação da App FEEL®, nos garantem uma experiência de visitação com maior autonomia, divertida, informada e mais enriquecedora”, acrescenta Domingos Pires, igualmente mentor do projeto.

Esta aplicação, que começou a ser desenhada e implementada em 2019, beneficiou de um enorme upgrade em 2020, depois da pandemia que condicionou a mobilidade, a circulação e a convivência social. “Percebemos que a App FEEL® podia ser também uma ferramenta de aumento de qualificação e competitividade dos territórios, porque permite experiências autónomas verdadeiramente imersivas na essência dos lugares”, remata Domingos Pires. A aplicação já está disponível para descarregar e usar em IOS e Android.

Os dois sócios da PORTUGALNTN manifestam uma enorme satisfação por terem, com este projeto particular, alcançado o Top 10 dos melhores projetos de Turismo Inteligente. Os vencedores desta segunda edição serão conhecidos na cerimónia de entrega de prémios que se irá realizar de forma virtual no dia 16 de dezembro.

“Seria muito bom, mas, na verdade, já é muito bom que uma microempresa do interior do país, tenha tido a capacidade de formar a sua equipa e de se aliar aos parceiros certos para desenvolver um projeto tecnológico, acessível, inclusivo e sensorial, que proporciona alegria e felicidade a quem dele usufrui”, conclui João Neves.

Fernando Pires

Smart Travel regressa para uma sétima edição, desta vez on-line

 Começa hoje a sétima edição do Smart Travel. O evento decorre até sábado e é dedicado às cidades e turismo inteligentes.


As edições passadas decorreram presencialmente, em Bragança. Contudo, este ano o Smart Travel chega aos participantes através da internet. A passagem da iniciativa para o online deve-se à pandemia que se vive e que, segundo Vítor Pereira, da organização, será mesmo um dos temas a debater, já que acabou por trazer gente a estes territórios. A cultura, o empreendedorismo e a sustentabilidade também são tópicos em cima da mesa.

“Os tópicos essenciais este ano têm muito a ver com a parte cultural da cidade, criativa dos destinos turísticos. Também não podíamos deixar de abordar as questões relacionadas com o trabalho remoto e atração de novos residentes e fixação de pessoas, porque um dos efeitos da pandemia foi a procura de novos destinos para trabalhadores nómadas que pode executar as suas tarefas profissionais noutras paragens, que não a grande cidade”, afirmou.

Já que o evento é realizado em Bragança, um dos destaques passa pelos territórios de baixa densidade. Pretende-se refletir acerca de como uma cidade de pequena dimensão, no interior do país, pode garantir qualidade de vida a quem a escolhe para viver e trabalhar.

“Uma região como a do Nordeste transmontano, e Bragança em particular, pode garantir uma sustentabilidade enquanto destino turístico e enquanto destino cidade escolhida por aqueles que pretendem ali construir a sua vida e essa forma pode ser compatível com a protecção dos valores ancestrais, o património identitário, cultural e ancestral. Isso tem de ser valorizado e nunca será um destino de massas”, sublinhou o organizador do evento.

Entre estudiosos, pensadores e criadores de soluções e projetos, até à sexta edição, em 2019, o evento contou com mais de 250 oradores. Vítor Pereira diz que a sétima edição contará também com a presença de alguns dos mais influentes especialistas internacionais.

O evento será transmitido via streaming, durante três dias, em diversas plataformas online. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Mogadouro volta a lançar Fundo de Emergência Municipal para apoiar empresas do concelho

 O município de Mogadouro lançou uma nova fase do Fundo de Emergência Municipal.
Depois de durante a primeira vaga a câmara ter criado um apoio destinado às empresas do concelho que, na altura, tiveram de encerrar, foi agora decidido repetir o mecanismo de ajuda, que tem desta feita uma dotação de 170 mil euros e outras regras, como explica o autarca de Mogadouro, Francisco Guimarães. “A segunda fase do Fundo de Emergência Municipal com o valor de 170 mil euros, de apoio à economia local, para apoiar as empresas e os produtores locais do concelho. Será generalizado e não apenas para as empresas que tiveram de encerrar, como aconteceu na primeira fase”, afirmou.

O presidente da câmara de Mogadouro sublinha que a medida pretende colmatar as dificuldades financeiras dos negócios do concelho, dando um apoio até 1000 euros a quem tenha tido uma quebra de rendimentos de mais de 25%. “O que nos interessa neste momento é ajudar um pouco nesta fase tao difícil que as nossas empresas, em especial o comércio, estão a passar aqui em Mogadouro. Havendo uma quebra no rendimento igual ou superior a 25% o município atribui um subsídio a fundo perdido que pode ir até 1000 euros, quanto maior for a perda de rendimento e o número de trabalhadores”, afirmou.

Na primeira edição deste fundo, não foi gasta a totalidade da verba disponibilizada, de 200 mil euros.

Agora o município de Mogadouro estima que pode ajudar até 250 empresas, que já podem candidatar-se a este apoio a fundo perdido.

Escrito por Brigantia

Municípios transmontanos precisam de 4 ME para iniciar reabilitação do Cachão

 Os municípios precisam de quase quatro milhões de euros para iniciar a estratégia de revitalização do Cachão, em Trás-os-Montes, e disseram-no hoje ao presidente da CCDR-N, que remete o projeto para o próximo quadro comunitário de apoio.
António Cunha esteve hoje em Mirandela, numa das primeiras visitas que fez depois de eleito presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, e constatou as vontades das Câmaras que integram a Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes de voltar a fazer do antigo complexo agroindustrial do Cachão um projeto de referência para a região.

“Mas certamente é um projeto que será para o futuro e para o próximo programa quadro”, considerou o responsável pela instituição que gere o programa regional do Norte de aplicação dos fundos europeus, enquanto a presidente da Câmara de Mirandela, Júlia Rodrigues, salientou que se trata de um projeto por fases e que para arrancar necessita de cerca de quatro milhões de euros.

As câmaras de Mirandela e Vila Flor, no distrito de Bragança, gerem o antigo complexo desde que foi desativado, no início da década de 1990, sem que tenham conseguido devolver àquele espaço a dinâmica dos tempos áureos em que empregou cerca de mil pessoas e tratou da produção agrícola transmontana.

Recentemente, a Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, que integra nove municípios do distrito de Bragança, decidiu custear um estudo sobre as possibilidades de reabilitação e que concluiu pela aposta na transformação num polo tecnológico, mantendo a base agroalimentar.

O plano estratégico irá ser levado a votação na CIM e, depois de aprovado, irá ser enviado ao Ministério da Coesão Territorial com a certeza de que necessita de investimento público para a fase de arranque, como indicou hoje a presidente da Câmara de Mirandela.

“O plano desenvolve-se em várias fases, a primeira tem um investimento próximo dos quatro milhões de euros, obviamente que tem de ter apoios de fundos comunitários, as câmaras não têm essas verbas disponíveis”, concretizou a autarca socialista.

O presidente da CCDR-N, António Cunha, salientou que se trata de um projeto “ambicioso como foi sempre aquele complexo, mas certamente é um projeto que será para o futuro e para o próximo programa quadro” comunitário de apoio.

Sobre o papel da CCDR-N, indicou que “será sempre de tentar ajudar os municípios e as comunidades intermunicipais a encontrar as melhores soluções, desde logo no pensamento estratégico, mas também no âmbito daquilo que será o próximo quadro de programação”.

“E caso consigamos mover as boas vontades e toda a capacidade para por esse projeto de pé, pois enquadra-lo nos projetos que vão ser geridos pela CCDR no próximo programa quadro”, afirmou.

Para o presidente António Cunha, “é indiscutível que o Cachão tem um potencial enorme, que a região precisa de um modo muito claro de encontrar modos de valorizar aquilo que é aqui produzido, dar mais valor acrescentado ao que aqui é produzido” e isso “passa por mobilizar vários atores públicos e privados e montar uma operação”.

António Cunha visitou também, em Mirandela, outro projeto já com financiamento de mais de dois milhões de euros assegurado, mas ainda sem interessados em fazer a obra para reabilitar a antiga estação centenária da linha do Tua, no centro da cidade.

A presidente da Câmara anunciou que vai ser aberto um novo concurso público e que espera que desta vez apareçam interessados na empreitada.

Mosteiro Trapista de Santa Maria Mãe da Igreja (Portogallo)