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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

O Porco no Rifoneiro Português | Provérbios


O Porco no Rifoneiro Português 

Ao longo dos tempos, o povo elaborou um conjunto de expressões, rifões, provérbios ou ditos populares, sobre o porco.

Deixamos aqui alguns recolhidos e sistematizados em três grupos:

1.- Economicamente, o porco é um tesouro, um bom negócio, uma exigência:

– Amigo velho, toucinho e vinho velho;

– Bácoro em Janeiro com seu pai vai ao fumeiro;

– Bácoro de meias não é meu;

– Bácoro fiado, bom Inverno e mau Verão;

– Com um pedaço de toucinho, leva-se longe um cão;

– Cozido sem toucinho e mesa sem vinho não valem um tostão;

– Dia de Santo André, quem não tem porco mata a porca, que é a mulher;

– Em Abril, mete o porquinho no covil;

– Em Abril, ronca o porco no covil;

– Em Janeiro, um porco ao sol outro ao fumeiro;

– Fiambre e fiado sabem bem e fazem mal;

– Morto por morto, antes a velha (a abelha) que o porco;

– No dia de Santo André, diz o porco: qui é, qui é!

– No dia de Santo André, vai à esquina e traz o porco pelo pé;

– No dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho;

– No dia de São Tomé, pega o porco pelo pé; se ele disser que é, que é, diz-lhe que tempo é; e se ele disser que tal, que tal, guarda-o para o Natal;

– No dia de São Tomé, quem não tem porco mata a mulher;

– O boi e o leitão em Janeiro engordarão (criam rinhão);

– O leitão e os ovos, dos velhos, fazem novos;

– O porco, com sua licença, se tivesse asas era a melhor das aves; se tivesse barbatanas, o melhor dos peixes;

– Pelo Santo André, quem não tem reco mata o homem;

– Pelo S. Barnabé, faz o porquinho cué, cué; e se disser que não, diz-lhe que tempo já é;

Mais alguns provérbios…

– Pelo S. Lucas, mata o teu porco e tapa as tuas cubas;

– Pelo S. Martinho, mata o porquinho, prova o vinho e semeia o cebolinho;

– Pelo São Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e bebe o teu vinho;

– Porco, no São João, meão; se meão se achar, podes continuar; se mais de meão, acanha a ração;

– Porco que nasce em Abril, vai ao chambaril;

– Porco rabão nunca enganou o patrão;

– Porco safio, porco de brio;

– Porcos de Abril vão com a mãe ao chambaril;

– Quando estiveres morto, torna-te à ovelha e ao porco;

– Quando não há lombo, linguiça como;

– Quando o teu vizinho matar um porco, mata tu também nem que seja um tordo;

– Quando te derem o bacorinho, deita-lhe (bota-lhe) logo o baracinho;

– Quando te derem um porquinho, acode logo com o baracinho;

– Se matares um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;

– Se te derem um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;

– Tenhas porco e não tenhas olhos;

2.- O reco, na práxis, é um livro aberto, biológica e moralmente:

– Aí é que a porca torce o rabo;

– A mau bácoro, boa lande;

– Anel (arganel) de ouro em focinho de porco;

– Ao porco e ao genro, mostra-lhe a casa, e ele virá cedo;

– A porca, apenas lavada, revolve-se na lama;

– A porco gordo, unta-se-lhe o rabo;

– Auxiliar ingratos é deitar pérolas a porcos;

– Babujado de cão faz o menino são, babujado de porco faz o menino morto;

– Branco ou preto, um porco é um porco;

– Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina, sempre se relancina;

– Com que sonhas, porco? Com a bolota;

– De rabo de porco, nunca bom virote;

– Dia de barba, semana de porco, ano de casado;

– Em que pensas porco? Na bolota;

– Enquanto se capa, não se assobia;

– Foge do feio e do porcino, da botica e do remédio;

– Freio, focinho e bico, não fazem o homem rico;

– Homem e porco, só depois de morto;

– Já o rei é pouco para lhe guardar os porcos;

– Judeu e porco, algarvio e mouro, são quatro nações e oito canalhas;

Mais alguns provérbios…

– Mais dias há que linguiças;

– Mata o teu porco, se queres ver o teu corpo;

– Não convém ao porco contender com Minerva;

– Não é em pia grande que o porco come à vontade;

– Não quero bácoro com (nem o) chocalho;

– Negociante e porco, só depois de morto;

– Nem pernada de porco, nem rasgadura de um contra outro;

– No queijo e no pernil de toucinho, conhecerás o teu amigo;

– O bácoro, a fome e o frio, fazem grande arruído;

– O pior porco é que come a maior bolota (melhor lande);

– O que não vai no cerro, vai na banda;

E mais ainda…

– Porca capada já não se descapa;

– Porca com três meses, três semanas, três dias e três horas;

– Porca de muitos, bem comida, mal cevada;

– Porca ruiva, o que faz, isso cuida;

– Porco com frio e homens com vinho fazem grande arruído;

– Porco emprestado grunhe todo o ano;

– Porco fiado todo o ano grunhe;

– Porco fresco e vinho novo, cristão morto;

– Porco fresco e vinho novo, cristãozinho no cemitério;

– Porco sujo de lama quer sujar os outros;

– Quatro horas dorme o santo, 5 o que não é tanto, 6 o estudante, 7 o caminhante, 8 dorme o porco, e se dorme mais é porque está morto;

– Quem a porcos há medo, as moitas lhe roncam;

– Quem come focinho de porco é o desinço da loiça;

– Quem com farelos se mistura, maus porcos o comem;

– Quem com porcos se mistura, farelos come;

– Quem foi à missa perdeu a chouriça;

– Quem nasceu para porco nunca chega a porqueiro;

– Quem perdeu o porco, as pedras lhe roncam;

– Quem perfuma porco perde cheiro e juízo;

– Quem porcos busca, a cada moita lhe grunhem;

– Quem quer ver o seu corpo mata o seu porco;

– Queres conhecer o teu corpo? Mata o teu porco;

– Saltou a cabra à silva, e a porca à pocilga;

– Se queres conhecer (ver) teu corpo, abre um porco;

– Três horas dorme o santo, 3,5 o que não é tanto, 4 o estudante, 5 o extravagante, 6 o porco e 7 o morto;

– Vale mais ser porco que filho de Herodes;

– Vieram porcos do monte, lançaram-nos da nossa corte;

3.- O porco na culinária:

– Atar e pôr ao fumeiro, como o chouriço da preta;

– Cabrito e leitão de um mês, e cordeiro de três;

– Carne magra, de porco gordo;

– Fogo viste, linguiça!

– Leitão de mês, cabrito de três, mulher de dezoito e homem de vinte e três;

– Leitão de mês, pato (marreco) de três;

– Lombo assado, lombo perdido;

– O leitão e o pato, do cutelo ao espeto;

– Leitão com vinho torna-se menino (tenrinho);

– Ossos da suã (assuã), beiço untado (barba untada), barriga vã;

– Presunto, vinho e toucinho, os da Turquia são os melhores;

– Unhas de porco, poucas e bem cozidas;

Provérbios recolhidos e sistematizados por Mons. Salvador Parente Ribeiro. Trabalho apresentado no Encontro «Saber Trás-os-Montes» – 10 e 11 de Outubro de 1996 | Serviços de Cultura – Câmara Municipal de Vila Real

Se quiser, pode ficar a conhecer outros provérbios populares…

O porco e o vinho

“Do porco aproveita-se tudo.” Nas aldeias de Portugal, este animal tornou-se doméstico, com as galinhas.

O porco enraizou-se no receituário gastronómico, tal como o bacalhau.

Fazemos um aproveitamento quase integral de toda a sua constituição, desde a múltipla carne até às partes menos nobres, como as tripas, focinho, orelhas, pés ou banha.

O sangue é tradicionalmente aproveitado na fabricação de enchidos, como as morcelas.

A norte temos a raça autóctone Bísaro, de raiz celta; no centro, a quase extinta extinta Malhado de Alcobaça; a sul reina a raça Alentejano, de origem africana.

O porco Bísaro alimenta-se de lavagem de legumes e de castanha, enquanto o porco Alentejano come os frutos do montado, sobretudo a bolota.

Então, o que é o porco preto?

Popularmente, essa designação é dada à raça autóctone Alentejano, mas é uma associação incorreta: os Bísaros podem ser mais escuros do que os Alentejanos.

Prove as diferenças de texturas e sabores, e harmonize com vinhos tintos: enchidos moles com vinhos do sul; os fumeiros mais duros com vinhos do norte. (…)

Aníbal José Coutinho

Milhares de pessoas foram a Cidões comer a cabra e aquecerem-se no canhoto

 Milhares de pessoas encheram Cidões, aldeia do concelho de Vinhais, na noite de 31 de Outubro, para se despedirem da estação clara e entrarem na estação escura com sorte

Mas, para isso, tiveram que comer cabra e aquecerem-se no canhoto. A celebração celta é feita com vários rituais e no fim é queimado o canhoto, ou como quem diz, o azar. Pessoas de vários cantos do país não quiseram faltar.

“Para já estou achar muito interessante, nunca tinha vindo aqui a uma festa que caracterizasse este tema. Comida boa, bom ambiente, música, pessoas simpáticas e estou a gostar até agora”, disse uma das visitantes que veio do Porto.

“Estamos adorar, adoramos este tipo de festas nas aldeias transmontanas. Andávamos à procura de festas de Halloween, uma coisa que fosse mais à nossa raiz e viemos ter aqui”, disse outro dos visitantes, vindo de Aveiro.

E quem foi, promete voltar.

“É claramente para voltar”, afirmou um turista.

A celebração não acontecia há dois anos devido à pandemia, mas este ano parece ter regressado em força. De acordo com Luís Castanheira, da Associação Raízes d'Aldeia Cidões, que organiza a iniciativa, não havia espaço para mais gente.

“É um balanço positivo, a superar as expectativas. Estivemos no limite. Não conseguimos contabilizar, mas acho que mais uma pessoa não cabia e nem um carro conseguia estacionar. Aproximadamente 3 ou 4 mil pessoas. Foi o êxtase total, o conjunto dos rituais que aconteceram de meia em meia hora, de hora a hora, foi o êxtase total”, contou.

E já diz a tradição, “quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de sorte irá ter".

A aldeia de Cidões, em Vinhais, voltou neste Halloween a encher-se de gente para a Festa da Cabra e do Canhoto.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Cultura | The Fool Moon Cool

 O Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros recebe no próximo dia 5 de novembro, pelas 21H30, o projecto musical onde se juntam 3 elementos da cena Rockabilly/Rock'n'Roll/Surf (Cabeças de Gado/Shaking Creepers/No Smoking On Board), 2 músicos/produtores habituados à pop mais eclética (For a Girl/Elfland) e uma songwriter por excelência (Carla Lopes Germano).
Para além de um objetivo sonoro inicial, a resposta tem vindo a ser dada a cada ensaio, a cada ideia nova, a cada contribuição complementar de cada elemento. Percorrendo uma estrada onde a elegância e as referências vintage dominam, são vários os caminhos dos THE FOOL MOON COOL. Em cada homenagem a canções referência, em cada novo original, pretende-se um resultado que faça quem ouve, acima de tudo, sentir-se bem.

➡️ O bilhete tem um custo de 3€ e pode ser adquirido presencialmente no Centro Cultural ou através do telefone 278 428 100. 

🕒 Horário da bilheteira:

Dia útil
10h00 - 12h30 | 13h30 - 17h00 
Dia do Espetáculo
10h00 - 12h30 | 13h30 – 18h00 | 20h30 – 21h30

II CORRIDA SÃO SILVESTRE DE MOGADOURO🏃‍♂️🏃‍♀️

 A São Silvestre de Mogadouro é uma organização do Município de Mogadouro e pretende afirmar-se como uma referência nas provas de corrida de fim de ano em Portugal.
Esta 2.ª edição da prova contempla uma corrida de 10 Kms, para atletas federados e não federados, corridas para os mais jovens e uma caminhada destinada a todas as classes etárias.

VI BIG BASS - PESCA&COMPANHIA - Lagos do Sabor 2022

𝗔𝗴𝗲𝗻𝗱𝗮 𝗖𝘂𝗹𝘁𝘂𝗿𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮𝗻𝗰̧𝗮 📌 Novembro & Dezembro | 2022

Incêndio destruiu apartamento de Mirandela e deixou família desalojada

 Esta terça-feira, uma família de Mirandela ficou desalojada depois de um incêndio ter destruído o apartamento onde viviam cinco pessoas (pai e quatro filhos menores), na Rua do Tanque, próximo do mercado municipal de Mirandela.


Não há feridos a registar.

O alerta foi dado cerca das seis da tarde, tendo sido acionados para o local os bombeiros voluntários de Mirandela que acabaram por dominar rapidamente o incêndio, mas as chamas já tinham alastrado para várias divisões do apartamento que ficou inabitável, adiantou o comandante da corporação mirandelense. Luís Soares adiantou ainda que o município de Mirandela, através da ação social, já realojou provisoriamente a família numa residencial da cidade.

No local, estiveram oito bombeiros, apoiados três viaturas, e ainda a PSP.

Estão a ser investigadas as causas que levaram à ignição deste incêndio.

Escrito por Terra Quente (CIR)
Foto: Rádio Terra Quente

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Homem de 75 anos morre atropelado pela própria viatura

 Um homem de 75 anos morreu hoje, em Miranda do Douro, distrito de Bragança, depois de ter sido atingido pelo carro que, após sair dele, não terá ficado bem travado, revelou à Lusa fonte da GNR local.

O alerta foi dado às 15:52 e, à chegada ao local, os Bombeiros de Miranda do Douro efetuaram manobras de reanimação que não surtiram efeito, tendo o óbito sido declarado no local, acrescentou.

Ainda segundo a mesma fonte, o carro “não terá ficado bem travado quando o homem abandonou a viatura, acabando esta por deslizar devido ao terreno íngreme onde foi estacionada, atingindo-o no seu percurso”.

Segundo a página do Centro Distrital de Operações de Socorro de Bragança estão no local 12 operacionais apoiados por cinco viaturas.

CHUVA BENDITA

Há dias, meses, até dois anos, a entoar a mesma litania – não chove, não chove, não chove –, na quarta-feira, dia 18 de Outubro !!!, acordei ao som celestial de grossos pingos de chuva a baterem nas vidraças (termo em desuso) do quarto, parafraseando Augusto Gil fui ver: não era o som burocrático do chuveiro, era o da chuva grossa a recordar-me as zurvadas empurradas pelos ventos das serras de Nogueira e Montezinho.
Temeroso ante a possibilidade de rebate falso como Judas vendedor/ traidor reservei aturada atenção à persistência da bendita musicalidade da chuva como se estivesse a dançar qual Fred Astaire, ou a ouvir deliciado o sagrado contido na obra Water Music de Handel num concerto no grande auditório da Gulbenkian. 
Ao longo do dia, não imitei os guarda-fiscais peritos na arte de praticar o ioga espanhol (siesta), nas matas e bosques das terras transmontanas, nada de semelhante, de tempos a tempos vasculhei os céus sem telescópio no temor de o chaveiro do Paraíso ordenar ao estilo espanhol o corte da vital fonte de vida. Ou porque o senhor São Pedro principiou a acolher os vernáculos protestos deste seguidor de S. Tomé, ou em vista da desolação da paisagem portuguesa, a bênção molhada prosseguiu noite fora de forma no dia seguinte os pregoeiros dos canais por cabo anunciaram a continuação do maná levando-me a pensar na imagem do pescador de Almas existente na pequena e graciosa de Lagarelhos, de barbas canosas, de chaves na mão esquerda, vestindo folgada túnica azul.
E, agora? Agora solicito-lhe, penhoradamente, a continuada colheita das águas pluviais pelo menos até ao dia 29 de Junho (Ele sabe qual é razão) de forma a barragens, lagos, poços, rios e riachos ganharem volume aquífero podermos ficar libertos da chantagem dos émulos de Sancho Pança, os patos nadarem nos rios que atravessam Gimonde, as cegonhas aspergirem as asas molhadas, sem esquecer os cães vadios disporem da ventura de beberem água no tanque de S. Vicente, que nunca foi cheio de caldo para desejo do dono de um perdigueiro (?) esperançado na satisfação da endémica gula do canídeo. 
Os curiosos perguntem ao engenheiro Manuel Vaz Pires a identidade do Senhor em causa. O Manel Vaz Pires pertenceu ao glorioso grupo das viagens de (re) conhecimento do Distrito de… Bragança. Obviamente!

PS. Espero não ter ferido susceptibilidades espúrias.

Armando Fernandes

“A MINHA APOSTA É FAZER DO MUSEU DO ABADE DE BAÇAL UM MUSEU DE ELITE PARA TODOS”

 Jorge da Costa é o novo director do Museu do Abade de Baçal e da Domus Municipalis


Tornar o Museu do Abade de Baçal acessível a toda a gente, mas proporcionar uma “experiência fantástica” a quem o visite, onde a qualidade seja o cartão de visita, é a grande missão de Jorge da Costa, que neste primeiro dia de Novembro se estreia no papel de director do emblemático espaço brigantino. Com 53 anos, esteve, nos últimos 15, à frente do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, também ele em Bragança. O papel de director também o assumiu no Centro de Fotografia Georges Dussaud, que fica, igualmente, nesta cidade. Jorge da Costa vai ser também agora o director da Domus Municipalis e, em entrevista ao Jornal Nordeste, revela que quer dinamizar este espaço, dando a conhecer a história que carrega a todos quantos o visitem. Jorge da Costa ganhou, com mais de 19 valores, o concurso público que o coloca à frente de dois espaços que, segundo promete, muito nos vai apetecer visitar.

Porque é que decidiu que queria partir para esta aventura? Que homem é este que agora chega à direcção do Museu do Abade de Baçal?

O que me fez aventurar neste concurso? Há várias razões! Estava à frente do centro de arte desde o início, 2007, ainda estava ele em obras. Eu tinha um projecto e senti que, 15 anos passados, o tinha cumprido. Estou muito feliz e muito satisfeito com as exposições que realizei, quer da pintora Graças Morais, quer dos artistas que convidei, quer das grandes colecções, quer, sobretudo, de colecções de instituições como a Gulbenkian, Serralves, Culturgest, que ali passaram. Também no Centro de Fotografia Georges Dussaud foram realizadas inúmeras exposições. Para além das exposições, ficam também duas fantásticas colecções, uma de arte contemporânea, no centro de arte, e outra grande colecção, no centro de fotografia, sobretudo das obras de Georges Dussaud. Foram publicados inúmeros livros e catálogos. Portanto, produziu-se muito conhecimento e isso é uma grande satisfação. Por outro lado, senti que era interessante agarrar num novo desafio: dar também o meu contributo ao Museu do Abade de Baçal, aproveitando a minha experiência. Gostava de levar agora um novo projecto ao museu da minha cidade e da minha região.

Antes de falarmos desse contributo... o centro de arte deu-lhe muita visibilidade, pelo menos, a nível nacional. É triste deixá-lo?

Não. Não é nada triste. Saio plenamente satisfeito. Foi um percurso difícil, de muita luta e trabalho e, felizmente, o centro de arte é hoje uma referência, pelo menos, a nível nacional. Não é por acaso que instituições de referência querem trabalhar com ele. Assim como muitos artistas nacionais e estrangeiros querem também ali expor. As pessoas acham que o meio artístico não está atento a Bragança, mas está e isso tem sido muito satisfatório. Há também algo que para mim é interessante. Para além de dizer que sinto que o meu projecto está concluído, a verdade é que defendo que os lugares não devem ser eternos. É necessário que venha gente nova, sangue novo. A pergunta que agora toda a gente me faz é quem vai dirigir o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, mas não estou preocupado com isso porque sou muito positivo e acredito que vem aí alguém com outras ideias, que pode levar o centro ainda mais além. O mais difícil já foi construído. Agora é só melhorar.

As pessoas começam a ter mais interesse em conhecer o que têm no território ou passa-nos muito ao lado? Que sentiu nestes 15 anos?

Creio que ainda há muito a fazer. O centro de arte investiu muito nessa questão e tentou dar resposta a essa diversidade de pessoas que podem visitar um centro de arte ou um museu. Os brigantinos têm respondido positivamente. A grande questão que se colocava, quando o centro abriu, era: como é que os brigantinos iriam reagir à arte contemporânea? E a verdade é que foi muito fácil. O centro teve esse sucesso imediato junto do público e fidelizou-o rapidamente. Há hoje em Bragança um público consumidor de arte. Acredito que, com as propostas que os museus podem apresentar, possam ser cada vez mais atractivos. Dou o exemplo do Museu do Abade de Baçal. Se calhar há muitos brigantinos que nunca o visitaram, mas também há muitos que nunca foram ao teatro ou ao centro de arte... mas há muita gente que conhece bem as colecções fantásticas que o Museu do Abade de Baçal tem. É, sobretudo, um museu com uma colecção permanente, mas é preciso tentar dar a volta a essa colecção, enriquece-la, trazer coisas novas.

É muito acarinhado na cidade, sobretudo, por causa deste mundo das artes. Portanto, o que é que pode dar de novo ao museu? Falava de sangue novo, que acredita que quem chegue agora ao centro de arte trará novas ideias... então também as tem para o museu. Quais são essas ideias?

Esta decisão foi muito pensada. Por isso, apresentei um projecto muito detalhado daquilo que pretendo fazer. O museu precisa, sobretudo, que a colecção seja enriquecida. Precisa também, por exemplo, que seja dada mais atenção à figura do Abade de Baçal porque, para além de alguns retratos e bustos, não temos muito o que nos mostre quem era exactamente. A sala do Abade de Baçal vai ser o meu primeiro contributo. Pretendo que quem entre no museu fique logo a perceber quem foi esta figura extraordinária. Pretendo também criar relações com museus, sobretudo nacionais, como o Museu Soares dos Reis, que tem uma colecção fantástica do naturalismo, que o Museu do Abade de Baçal também tem. Muitas vezes, estes museus nacionais têm obras nas reservas que, por falta de espaço, não são mostradas. Porque é que não podem ser mostradas em Bragança, se há uma relacção com essa mesma colecção? Isto é uma forma de trazer novas obras mantendo os núcleos muito importantes que aqui existem. O mesmo acontece com as obra do Almada Negreiros. Porque é que não podem existir obras novas, que sejam emprestadas por outros museus? A minha aposta também vai ser muito forte no que toca à divulgação do museu. Muitas vezes, as coisas ficam fechadas dentro dos espaços museológicos. É preciso trazê-las para fora. Sabemos que a comunicação social está muito atenta ao que se passa em Lisboa e no Porto e, se calhar, menospreza um bocadinho o que se passa no resto do país. Isto é um trabalho de fundo mas que pode ser feito e que pode, realmente, acontecer.

É possível atrair os jovens? Parece que se interessam mais por espaços como o centro de arte...

O Museu do Abade de Baçal tem um número de visitantes penso que, quando comparado com o Centro de Arte Contemporânea, não seja muito diferente. Aliás, o museu tem uma estratégia de serviço educativo e esta relação com as escolas é muito activa. É preciso torná-la ainda mais. Temos que nos socorrer de um conjunto de estratégias para continuar a levar os brigantinos ao museu. Também a Domus Municipalis será uma grande aposta, pois precisa de alguma dinâmica. É preciso mostrá-la. Na Primavera/Verão, haverá uma exposição sobre ela, dentro da própria Domus. Muitas vezes, quem chega e quem visita o monumento desconhece que existe uma cisterna e até a própria história da reconstrução daquele monumento. Há muitas coisas, nomeadamente fotografias do Abade de Baçal no monumento, antes de este ser reabilitado. Há muito a mostrar. Isto pode resultar também numa estratégia canalizadora de visitantes da Domus para o museu. A minha aposta é fazer do museu, parafraseando uma expressão do director do Teatro de São João, mas alterando-a um bocadinho, “um museu de elite para todos”. Quero que seja acessível a toda a gente. Falarmos de elitismo é falar de qualidade. O público procura a qualidade e não podemos dar-lhe qualquer coisa. Isso é muito importante. Quero que quem lá vá saiba que vai gostar da visita. Quero que as pessoas saiam do museu e sintam que a visita valeu a pena. Quero que quem entre no museu tenha uma experiência extraordinária.

Esta vontade de dar o seu contributo ao Museu do Abade de Baçal já estava planeada há algum tempo ou foi algo que surgiu recentemente?

Já ia sendo pensada há algum tempo. Não foi uma coisa momentânea.

Já falou do que pretende dar àquele espaço, mas o que acha que o museu lhe pode dar a si? 

Estou muito feliz, mas sobretudo muito motivado. Aquilo que tenho em projecto só será possível com a colaboração da equipa do museu. Quero partilhar estas ideias todas e motivar a equipa. Valorizo muito as relações pessoais e quando há uma boa relação e há empatia tudo corre melhor. A tal ideia que, vulgarmente, chamamos de ‘vestir a camisola’... eu quero que a equipa vista a camisola porque eu já a vesti. Acredito que a equipa a vai vestir comigo. Isso é a grande expectativa que tenho para o começo do meu trabalho no Museu do Abade de Baçal.

Jornalista: Carina Alves

FREIXO DE ESPADA À CINTA: VILA MANUELINA ONDE A SEDA É OURO

 
No âmbito do “Concelho em Destaque”, lançado este ano no Jornal Nordeste, o mês de Outubro foi dedicado a Freixo de Espada à Cinta. A arte rupestre, a agricultura, a história e a seda são os protagonistas desta vila com cerca de três mil habitantes

Situada numa zona de raia, com pouco mais de 3 mil habitantes, Freixo de Espada à Cinta é conhecida como a vila Manuelina. Sabia que há três lendas associadas ao nome da vila? E que é o único local da Península Ibérica onde ainda se produz seda de forma artesanal? Respostas que vai encontrar nesta reportagem, onde vai conhecer o concelho freixenista, rico em amêndoa, azeite, vinho e laranja.

Vinho de excelência

Parte de Freixo de Espada à Cinta já pertence ao Douro Superior e falar de Douro é falar de vinho. Numa das viagens pelo concelho fomos conhecer a Quinta dos Castelares, um projecto que nasceu em 2011, um ano depois de ter sido idealizado. Por ano produzem cerca de 900 toneladas de uva, o que se traduz em 500 mil garradas de vinho. Um sonho de Manuel Joaquim Caldeira que se tornou realidade. É o grande responsável pela qualidade da uva, visto que controla todos os trabalhos feitos na vinha, desde a rega à poda. E que trabalho dá produzir vinho? Se pensa que é apenas colher a uva, pisá-la e que o vinho surge, engana-se. “É mais difícil do que as pessoas pensam”. E que o diga Pedro Martins, enólogo e genro de Manuel Caldeira. São dois meses de vindima para 10 meses de trabalho após, ou seja, um ano de dedicação. 

Na Quinta dos Castelares, a vindima começa por ser um trabalho de precisão, visto que são “feitas mostragens de bagos de uva e depois a equipa anda a saltar de talhão em talhão, porque o talhão A está melhor que o B” e é ali que vão colher o fruto. Para Pedro Martins a qualidade do vinho “não vem da adega”, mas da “matéria-prima”. Para isso é preciso que a uva chegue à adega “no seu momento ideal, em termos de maturação, acidez e estado sanitário”, o que significa que teve, na “altura certa”, a “adubação” e a “desfolha”. Sobrecarregar a videira também não é o melhor. “Nós fazemos muitas vezes o corte da futura uva para o chão porque achamos que vai haver uma carga excessiva na planta e a planta não precisa de tanto”, explicou, salientando que na adega é apenas o “cozinheiro” e, por isso, não pode deixar “estragar” o produto. “Nós podemos ter as melhores condições do mundo, as melhores barricas do mundo, a melhor equipa enológica do mundo, mas se não tivermos boa matéria-prima não conseguimos fazer um grande vinho”, afirmou. Os vinhos tinto da Quinta dos Castelares têm 14/14,5 graus e os branco entre 12,5 e os 13,5. Os de gamas mais baixas caracterizam-se por serem “fáceis de beber”, já que são vinhos com “boa acidez, frescura e com um fim de boca relativamente curto”. Já os de gamas superiores, distinguem-se pela sua “untuosidade”, num “casamento perfeito com a madeira”. “Os nossos vinhos são vinhos que se comem, que se mastigam, que têm corpo”, sublinhou Pedro Martins. Com a pandemia as exportações diminuíram. 

Actualmente, 60% do seu mercado é português e o restante é internacional, maioritariamente brasileiro. Com a seca tiveram uma quebra de 10% de produção de uva, mas 80% da produção de vinho já está vendida.

Laranja bastante doce mas pouco conhecida

Ainda no sector agrícola, falamos-lhe da laranja de Freixo de Espada à Cinta. A qualidade é inquestionável para quem a produz e para quem a consome. Dizem ser bastante doce e distingue-se não só pela qualidade, mas também porque é colhida na altura do Natal. Ulisses Caraval é um dos agricultores do concelho que tem laranjas. É proprietário de cerca de um hectare na Congida, nas margens do rio Douro. Produz não só Dalmau, como outras variedades e, por ano, isso traduz-se em cerca de 2 mil quilos de laranjas. Grande parte dos agricultores de Freixo de Espada à Cinta também produz laranja, mas não passa de um “mercado pequenino”. “Vendo a laranja em pequenos nichos, mercados locais, ofertas a amigos e familiares, não tem assim um impacto muito forte na economia”, contou Ulisses Caraval. O produtor acredita que esta laranja pode ser mais divulgada e defende que o mercado dos gelados e até dos sumos pode ser uma mais- -valia para a valorização do fruto. “Penso que no que toca à laranja está tudo muito parado”, afirmou, sugerindo que até podia ser criada uma feira na época do Natal para divulgação. A seca, este ano, também vai ser um problema, visto que a pouca água não só vai provocar quebra na produção, como também torna a casca da laranja “mais grossa”.

Terra de amendoeiras

Além de laranjas, Ulisses Caraval tem também amêndoa, mais concretamente 50 hectares, o que significa entre 40 a 50 toneladas do fruto anualmente. Mas, este ano, já está a prever uma quebra para metade. “Houve uns frios tardios, embora tenha variedades novas, que queimaram alguma flor. Depois veio o calor na altura de Maio, muito precoce, e a amêndoa não chegou a ficar grada e com o decorrer do verão não chegou a concluir o ciclo completo e o grão não ficou totalmente cheio”, referiu. Não sendo vista como um bem de “primeira necessidade”, o consumo da amêndoa tem vindo a cair. O que para os produtores tem sido um problema, já que a “venda não suporta os gastos”. 

Agricultor há cerca de 20 anos queixa-se que “fazer agricultura na nossa região é empobrecer alegremente”, isto porque a qualidade dos produtos não é valorizada no mercado. “A base do problema na agricultura é que no fim o que interessa na colheita são os quilos, isso é que nos traz os quilos. Nós temos qualidade, mas ninguém nos a paga. Pode haver um pequeno nicho que queira especificamente aquele produto de qualidade, mas isso estamos a falar de dezenas de quilos, nunca chegamos às centenas ou toneladas”, afirmou. Embora também produza vinho e azeite, a amêndoa sempre foi a sua “paixão”. “Quando comecei a plantar os primeiros amendoais, as pessoas comentavam que eu não estava bem da cabeça, que isto não ia dar nada, porque na altura ninguém queria amêndoa. Mas já ganhei dinheiro com amêndoa, actualmente dá para os gastos”, disse.

O ouro de Freixo de Espada à Cinta

Com a vinda dos Judeus para Freixo de Espada à Cinta, na altura em que foram expulsos de Espanha, o índice demográfico aumentou e surgiram novas profissões. Assim, no século XVI começou a produzir-se seda neste concelho. No século XVIII, tinha 16 fábricas de seda, a maior empregava 18 pessoas, o que naquela altura já tinha “um certo relevo”. Mas a pebrina, doença da amoreira, terminou com toda a indústria ligada à seda. Mas, nem por isso, acabaram as produções. As mulheres, que naquela altura não trabalhavam e ficavam em casa a cuidar dos filhos e do lar, começaram a fazer peças, de forma artesanal, e que eram vendidas às meninas novas e abastadas. Assim, ajudavam a sustentar a família e ao mesmo tempo as jovens ricas construíam o seu enxoval com tecido “nobre”. E através da transmissão de conhecimento de “avó para neta”, a produção de seda sobreviveu até aos dias de hoje em Freixo de Espada à Cinta. 

Para os mais curiosos, todo o processo artesanal pode ser visto no Museu da Seda e do Território, onde estão três tecedeiras a trabalhar diariamente a arte. Segundo o director do museu, Jorge Duarte, ali trabalha- -se a seda como há séculos, de forma artesanal, visto que o “tear é manual, o rodeleiro é normal, o sarilho é normal e tudo feito em madeira”. Sónia Lopes tem 46 anos e há quatro que se dedica a esta arte. É de Mogadouro e pouco sabia sobre a seda. Já tinha ouvido falar dos bichos-da- -seda, mas não sabia “como se criavam, o que comiam”. Decidiu fazer um curso e apaixonou-se. É uma das funcionárias que está a trabalhar no museu. “Achei interessante a criação do bicho-da-seda, depois comecei a trabalhar. Gosto de fazer as duas coisas, mas gosto mais de fazer a criação do bicho, porque é muito interessante”, disse, enquanto estava num pequeno tear a fazer uma “saquinha” que serviria para pôr chá ou outros produtos para perfumar a casa. Em média, demora uma hora a fazer uma destas “saquinhas”, que depois têm que ser costuradas à mão. Um trabalho que admite que não é pêra doce. Desde a criação do bicho-da-seda, entre Março e Junho, à extracção da seda e à sua lavagem para ser trabalhada no tear. “Depois de lavarmos a seda tem que se urdir uma teia que são fios que têm que passar por buraquinhos, depois passa por um pente e aí sim podemos começar a fazer a peça”, explicou. Mas, para si, o mais difícil é “urdir a teia”, porque “são precisos certos pormenores e não podem falhar, porque podem não bater certo e depois o trabalho fica com defeitos”. “É preciso ter gosto para uma pessoa trabalhar aqui e quanto mais uma pessoa faz, mais quer fazer. Vai tendo novas ideias, vai-se aperfeiçoando, porque quando vimos para aqui vimos com poucas noções e depois uma pessoa vai adquirindo com as senhoras que estão cá mais antigas ou em conversa com uma colega”, concluiu. 

Como sua “colega” tem Otilde Tavares, de 57 anos. É tecedeira há tanto tempo quanto Sónia Lopes. Nas mãos tinha o que viria a ser um “porta- -óculos”. Já só faltavam os acabamentos, porque já tinha sido feito no tear e até já tinha passado pela máquina de costura. “É um trabalho que é preciso muito cuidado, porque a seda tem que se trabalhar com muita delicadeza”, salientou, rematando que é preciso ter “muita paciência”. Para se tornar uma boa tecedeira são precisos 20 anos e Otilde Tavares não podia estar mais de acordo. “Isto demora muito aprender, porque é difícil de aprender. Para se fazer bem tem que se demorar muito. Hoje aprende-se uma coisa, amanhã outra, isto vai devagar, não é chegar aqui e fazer logo”, contou. Nos dias de hoje, produzir seda de forma industrial e aos níveis de XVI não é viável, segundo o Jorge Duarte. O director do museu explicou que os “conhecimentos se perderam” e que, neste momento, estão até a ser reinventados os saberes de tinturaria, além de que Portugal não consegue competir com a China, Itália e Brasil, no que toca a seda industrial. “Temos um pequeno nicho que é a seda artesanal que poderá mais tarde, se forem feitos os investimentos certos, a vir a ser mais uma forma de sustento local, mas não nacional”, referiu, acrescentando que “para se ter um quilo de seda é preciso cinco quilos de casulos, que necessitam de milhares de bichos que comem milhões de folhas de amoreiras”. Coloca-se ainda o problema de “formar gente para trabalhar a seda” e o que “se pode ganhar para a trabalhar”. “Hoje nós temos de estar a pensar no que será a seda daqui a 15 ou 20 anos, se estas novas gerações estão dispostas a essa situação”, referiu.

O Cavalo de Mazouco e a Fraga do Gato

Foi no concelho de Freixo de Espada à Cinta que se encontrou a primeira gravura do Paleolítico ao ar livre. Recuamos à década de 70, quando Nelson Rebanda soube que havia uma gravura na aldeia de Mazouco. Na altura andava no secundário e eram poucas as pessoas que sabiam. Falava-se de um “carneiro a olhar para um tesouro”. “Eu e o meu primo fomos para ali e foi quando vi pela primeira vez a gravura. Andei sempre a matutar no que seria aquilo e quem o teria feito. As pessoas atiravam sempre para os mouros. Mais tarde, vi outras coisas semelhantes, até no próprio livro do secundário, mas em pintura, não em gravura, mas era algo parecido e isso sempre me desperdiçou interesse e curiosidade”, contou o agora arqueólogo. Em 1981, quando entrou na universidade, numa das disciplinas, propôs fazer um trabalho sobre a gravura, tentando provar que tinha sido feita no período Paleolítico e foi aí que foi dado o primeiro passo para que fosse dado a “conhecer à ciência” o Cavalo de Mazouco. “O que é relevante em Mazouco é que não é em gruta, como habitualmente estas manifestações de arte rupestre acontecem”, afirmou, explicando que conseguiu aguentar até aos dias de hoje porque uma “pala” a “protegeu”. O que significa? Essa é sempre a “grande dúvida”, porque remete para o significado da arte pré-histórica, da qual já surgiram várias teorias. 

Mas esta não é a única arte que foi encontrada neste concelho. Na freguesia de Poiares, em Alpajares, anos mais tarde, em 1985, numa conversa de café soube de uma figura que seria um “gato”. Nelson Rebanda veio a descobrir que se trata da pintura de uma lontra com um bufo sobreposto, também do período Paleolítico. A lontra está pintada a ocre e o bufo a negro. “Está numa superfície vertical, mas tem uma espécie de pala, que protegeu a pintura. A calcitização, com a humidade criou uma pelicula que protegeu a pintura, ficou debaixo da pele da pedra”, explicou. O Cavalo de Mazouco está na embocadura de uma ribeira com vista para o rio Douro e a Fraga do Gato, em Alpajares, junto de uma calçada com um ribeiro em baixo.

“Freixo Espada Cinta”

Afinal como surgiu o nome da vila? Há três lendas associadas. Reza uma das lendas que um primo de São Rosendo chegou a esta zona de Freixo e achou-a tão pitoresca, tão rica, com gente tão boa que decidiu formar ali uma vila e como tinha por bandeira um freixo com uma espada atravessada, a vila tomou o nome de Freixo de Espada à Cinta. Outra lenda conta que um capitão godo, chamado Espada à Cinta, depois de uma batalha com os mouros, junto ao rio, chegou ali e viu um freixo muito frondoso e bonito, pendurou lá a espada e descansou. Quando acordou sentiu-se tão revigorado e rejuvenescido que decidiu criar ali uma povoação e como tinha a espada pendorada no freixo onde descansou, deu à povoação o nome Freixo Espada Cinta. E há ainda uma terceira lenda, associada a Dom Dinis, que quando andava pela região transmontana por causa da guerra de sucessão com um filho bastardo, chegou àquela zona, onde dormiu à sombra do freixo, pendurou a espada e enquanto dormia teve um sonho e o espírito do freixo disse-lhe em segredo como havia de pacificar o país e como havia de tornar Portugal num país de futuro. Com as chaves para o seu reinado e para o seu sucesso, o rei Dom Dinis decidiu formar ali uma vila a que deu o nome de Freixo Espada Cinta.

Sabia que... O “à” no nome da vila é um “salazarismo”? Nos documentos até ao século XVIII o nome da vila era Freixo Espada Cinta. Os escrivães, que não conheciam o nome, começaram a aplicar o “à”, alterando a sua semântica. Durante muito tempo houve as duas formas de escrita, mas para evitar confusões, determinou-se aplicar o termo mais simples. A 30 de Abril de 1934, Oliveira Salazar autorizou que, a partir desse dia, tudo quanto fosse documento municipal seria dirigido a “Freixo de Espada à Cinta”.

Vila Manuelina

Os Judeus tiveram também impacto no crescimento urbanístico da vila e na maneira como as casas eram construídas. Tratando-se de pessoas com “dinheiro”, queriam ter habitações distintas das que já existiam e, por isso, contrataram os pedreiros que andavam a construir a Igreja Matriz para fazer “arte nas suas casas”. “Esses pedreiros reproduziram nas casas aquilo que existe na igreja. Os motivos de ornamentação das janelas, os motivos de ornamentação das portadas são exactamente os motivos de ornamentação das colunas da igreja, da porta da igreja. Rara é a que não repete”, explicou o director do Museu da Seda e do Território, Jorge Duarte. Ao andar pelas ruas do Manuelino em Freixo de Espada à Cinta pode observar esse estilo nas casas. Pode ainda aproveitar para ver o que sobrou do castelo roqueiro que existia na vila: a torre. 

O castelo era um ponto de defesa de Freixo e, ao contrário das outras localidades, a vila começou a desenvolver- -se fora das muralhas. Começou a ser construído na romanização, como castelo de paliçada e ao longo dos séculos foi sendo feito em pedra roqueira e depois em granito. Mas, a partir de 1820 foi sendo destruído e as pedras foram utilizadas pelos habitantes para construírem as suas casas. Quem visitar a vila, vai poder ver nos muros das propriedades pedras do castelo. As ruínas acabaram por ser aterradas e agora no adro do castelo está o cemitério municipal. Na vila pode ainda ver a Casa Natal de Guerra Junqueiro, onde nasceu o poeta, político e jornalística português. Fica situada na Rua das Flores e é onde está a colecção de livros e as pautas da Marcha do Ódio de Guerra Junqueiro. Pode ainda ser visitada a casa da sua família, onde está uma mostra de objectos agrícolas, roupa, utensílios de cozinha, de modo a exemplificar como vivia uma família abastada no século XIX. O Museu da Seca e do Território, que além da seda, tem ainda artefactos arqueológicos, e as duas casas de Guerra Junqueiro podem ser visitados de terça-feira a domingo, incluindo feriados. Outras das grandes atracções do concelho é a paisagem e, por isso, miradouros não faltam. Aprecie a vista através dos miradouros de Penedo Durão, Cruzinha, Carrascalinho, Colado e Alminhas.

Município quer voltar a colocar Freixo no calendário nacional do motocross

Paulo Alberto, Luís Outeiro, Sandro Peixe, Luís Correia, entre outros tantos pilotos, considerados a nata do motocross nacional, passaram vezes sem conta pela Pista Multiusos de Freixo-de-Espada à Cinta, que até 2018 recebeu o Campeonato Nacional da modalidade. Os aficionados vinham de vários pontos do país e também de Espanha. A hotelaria e a restauração tinham lotação esgotada. Freixo de Espada à Cinta era mesmo considerada a capital nordestina do motocross. Desde 2018 que os motores deixaram de se ouvir na pacata vila manuelina e, agora, o executivo liderado por Nuno Ferreira quer voltar a colocar Freixo no mapa do motocross. “Nesse momento o executivo camarário está a trabalhar em parceria para conseguir devolver aquilo que, num passado bem recente, alguns deixaram fugir. A pista de Freixo-de-Espada à Cinta era considerada a segunda melhor a nível nacional, depois da de Águeda. Passaram por Freixo os melhor pilotos nacionais e internacionais”, destacou o presidente do município. 

Nuno Ferreira considera importante recuperar as provas, principalmente as etapas do Campeonato Nacional, pois davam visibilidade a Freixo e a economia da vila agradecia. “Alguém deixou fugir um evento desta envergadura que estimulava a economia local, com a restauração lotada, a hotelaria lotada, as bombas de gasolina com um fluxo enorme devido aos pilotos e aos aficionados do motocross que vinham a Freixo. De referir que durante o ano vários pilotos vinham treinar à pista multiusos. Tudo isso se perdeu e foi abandonado. Estamos a trabalhar para devolver o motocross a Freixo e voltarmos a ter as provas do nacional”, garantiu. No entanto, o processo está a revelar-se complicado pois a ausência de Freixo do calendário nacional, nestes seis anos, deixou vaga para outras localidades entrarem na organização das provas. “Quando tomámos posse já estava a decorrer a programação do nacional motocross. Estamos a estabelecer contactos com a federação para podermos participar já num futuro próximo e fazer parte do calendário nacional. Nada está relacionado com condições financeiras até porque a etapa do nacional pagava-se por si só”, afirmou o autarca. Nuno Ferreira admite que “no próximo ano será difícil” voltar a trazer o Campeonato Nacional para Freixo de Espada à Cinta, mas assegura que estão a ser feitos todos os esforços para que regresse o mais breve possível. “Nós queremos voltar a trazer o motocross, mas queremos que volte nas condições que tinha no passado, nomeadamente termos a prova de abertura. Caso não consigamos ter a prova de abertura pelo menos vamos trazer uma etapa do campeonato. Vamos dar passos seguros para que o regresso do motocross não seja uma miragem mas uma realidade”. 

A pista multiusos, em tempos considerada a segunda melhor do país, ficou ao abandono e Nuno Ferreira adianta que o espaço terá quer ser intervencionado para voltar a receber as provas. “O espaço pura e simplesmente ficou ao abandono, por parte de quem estava a lidar o município e a União de Freguesias de Freixo e Mazouco, e terá que ser requalificado, no sentido de fazer a sua limpeza e dar-lhe condições condignas, que outrora já teve. Voltar a colocar a torre funcional, que demorou a ser construída com muito empenho e trabalho, na altura pelo professor Raul Ferreira, que presidia a união de freguesias, limpar e reestruturar”. Também por Freixo de Espada à Cinta já passaram jovens talentos internacionais. Em 2012, a vila freixenista recebeu o Campeonato Europeu de Motocross em iniciados.

Jornalista: Susana Madureira

O Presidente

Nome: Nuno Manuel Rocha Gomes Ferreira
Idade: 40 anos
Tempo de Mandato: 1 ano
Profissão: Licenciado em Ensino Básico na variante de Educação Física e Mestre em Ensino Especial

Porque decidiu dedicar-se à política?

Desde cedo que convivo com a política, por influência de familiares próximos, como o meu pai e o meu avô, e sendo eu um defensor incondicional do meu concelho e das minhas raízes fazia todo o sentido dar o meu contributo para o desenvolvimento deste território. Até ser Presidente da Câmara, passei por alguns cargos políticos que me ajudaram a construir e a perceber as tónicas da política, a escutar as pessoas e a agir em conformidade. Fui membro e líder de bancada da Assembleia Municipal e vereador da oposição no Município de Freixo de Espada à Cinta, tendo depois, nas duas anteriores legislaturas assumido funções como Adjunto do Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Chefe de Gabinete em regime de substituição no Governo. Quando se colocou a questão de abdicar de um cargo no Governo em detrimento de assumir os destinos da minha terra natal, não houve qualquer dúvida.

Como é ser presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta?

A política faz-se todos os dias. Por isso, enquanto Presidente da Câmara trabalho com base na premissa de que os lugares são de passagem e enquanto estivermos devemos dar o nosso máximo e fazer o nosso melhor, trabalhando com os pés bem assentes no presente a construir o futuro, e governando com o máximo rigor, transparência e proximidade. Somos um território 80% agrícola e 20% turístico e é alavancando a nossa estratégia nesses dois eixos que podemos almejar ser mais do que um concelho rural, do interior, fortemente constrangido. Somos pequenos em território sim, mas somos muito fortes em potencialidades e oportunidades por explorar. Ser Presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta é um motivo de orgulho e é com grande responsabilidade e satisfação que assumo os destinos da nossa população cuja vontade foi inequívoca, nas últimas eleições autárquicas: a necessidade de mudança era essencial, era já urgente mudar o rumo deste concelho.

Quais são os maiores desafios enquanto autarca?

Sabia, desde o início, que Freixo de Espada à Cinta era um diamante por lapidar. Começámos a trabalhar na potencialização da agricultura, na dinamização turística e na reestruturação de eventos e tradições singulares que estavam a cair no esquecimento. Criámos novas iniciativas ligadas ao desporto. Estamos a tratar da certificação da nossa seda. Na questão da saúde conseguimos trazer para o Município consultas de algumas especialidades médicas, uma vez por mês, totalmente gratuitas, um projecto em parceria com um grupo de médicos voluntários, a ULSNE e o Centro de Saúde local. Apoiamos a 100% o transporte de doentes oncológicos e estamos em activas conversações com o Governo Central para o alargamento do horário nocturno de funcionamento do Centro de Saúde, das 22h para as 24h. Outro dos desafios que temos pela frente é a questão da educação. Por isso, trabalhámos no sentido de implementar, já neste ano lectivo, o Ensino Secundário Profissional. Comparticipamos também a 100% os transportes dos restantes alunos que enveredam pelo ensino regular. As pessoas não são números, não servem apenas para visitar aquando dos momentos eleitorais e têm uma palavra a dizer no futuro deste concelho.

Jornalista: Ângela Pais

ANTESTREIA DE “ALMA VIVA” ENCHE SALA DE CINEMA EM MIRANDELA

Arquivo Distrital de Bragança – 106 Anos ao Serviço da Memória Coletiva [1916-2022]

 O Arquivo Distrital de Bragança (ADBGC) reúne tesouros antigos detendo, a par, potencialidades da inovação tecnológica, que usa na salvaguarda do Património Arquivístico do Distrito. Existe uma simbiose dialética entre o passado, o presente e o futuro, como elemento identitário fundamental, na confluência da tradição e da renovação transfiguradora.


Na sua missão de promoção, salvaguarda, valorização, divulgação, acesso e fruição do património arquivístico da região do Nordeste Trasmontano, o Arquivo Distrital de Bragança detém 7 km de documentação, desde o século X, garantindo os direitos do estado e, dos cidadãos neles consubstanciados, bem como a sua utilização como recursos da atividade administrativa e fundamento da memória coletiva.
O Arquivo Distrital de Bragança não é mais que a memória parcial e fragmentária, da vida de homens e mulheres, que queremos cada vez menos parcial, transformando-se num espaço público de liberdade, onde cada cidadão do mais humilde ao mais destacado, tem ali o seu nome inscrito, não para ser esquecido, mas para ser perpetuado e a sua história contada, pela memória vitalícia.
Um Arquivo, é sempre uma catedral de memórias onde é patente a existência humana, o gene, o ADN, que torna a consciência num ato renovador e impulsionador da sua própria identidade. Urge a necessidade imperativa natural de pôr em relevo as figuras proeminentes e iniciáticas como o singular Homem Francisco Manuel Alves (Abade Baçal), enquanto autodidata no que concerne aos seus estudos históricos, abarcando um grande horizonte à paleografia, à epigrafia e numismática, até ao conhecimento da arqueologia e etnografia e história geral do Distrito de Bragança, e o ilustre Cónego Belarmino Afonso, de grande robustez intelectual e sagaz, procurou como princípio basilar encontrar um espaço, onde pudesse instalar o acervo documental do Arquivo Distrital de Bragança. Figura incontornável, que nas palavras da diretora atual, Élia Correia, o descreve como “ ….Longo e difícil foi o percurso deste espólio documental até chegar à situação atual, desde a criação do Arquivo Distrital de Bragança, por decreto n.º 2858, de 29 de novembro de 1916. Passando por sucessivas moradas provisórias, primeiro no Paço Episcopal, depois no Convento de São Francisco, posteriormente, no Bairro Coronel Salvador Teixeira e por último, definitivamente, no Convento de São Francisco, edifício de grande valor histórico que constituiu uma importante parcela do património arquitetónico da cidade de Bragança. 
Mas as dificuldades sentidas não se refletiram apenas no problema das instalações, foi necessário esperar 50 anos até ser nomeado um novo diretor. Em suma foi o Padre Francisco Manuel Alves, que organizou a documentação e dirigiu o Arquivo entre 1925 e 1935, só em 1985 é que o Cónego Belarmino Afonso é nomeado novo diretor.
Como lugar de memória, pretende-se que o Arquivo se constitua como organismo vivo e atuante, tal reconhecido pela comunidade em que se insere.
As novas tecnologias, poderoso fator de revitalização do Arquivo Distrital, reforçando o seu papel no panorama cultural da região e do país.
Os desafios colocam-se perante as próprias oportunidades e desafios que o mundo proporciona e enfrenta na contemporaneidade. Cientes da necessidade de reforçar o Arquivo de um maior investimento tecnológico e mais recursos humanos adequados, para a salvaguarda de uma memória para os conteúdos digitais como um elo de lealdade na permanência. Estes documentos são a nova realidade, com caraterísticas diferentes das dos documentos em suporte papel e o maior desafio é o da preservação da informação digital mantendo as suas propriedades intrínsecas, abrindo espaço à sua transparência, nitidez, avivando e renovando o seu corpo textual.
Este é o paradigma vigente, outros virão com os mesmos princípios que estão na sua génese: preservação e conservação. Afinal, a memória coletiva é o nosso bem precioso, universal. O Arquivo Distrital de Bragança incorpora esta realidade, inovando, projetando novas metodologias de cariz múltiplo para desvelar a Memória na sua transparência e fidelidade. Mantemos assim, um compromisso de responsabilidade com a comunidade.

Fonte: Arquivo Distrital de Bragança

Castela e Leão quer estradas, combate a despovoamento e rios na agenda

 A região espanhola quer que na Cimeira Ibérica sejam debatidos os acessos entre os dois países ibéricos, o combate ao despovoamento no interior e as políticas para os rios comuns.


A região espanhola de Castela e Leão quer melhores ligações rodoviárias e ferroviárias com Portugal, benefícios fiscais para combater o despovoamento nas zonas transfronteiriças e novas regras para os rios comuns, atendendo à seca e ao avanço da agricultura.

O governo regional de Castela e Leão, uma região autónoma espanhola que faz fronteira com os distritos de Bragança e Guarda, disse à Lusa que gostaria que alguns destes temas fossem abordados na próxima cimeira ibérica, que reunirá os executivos de Portugal e Espanha em Viana do Castelo na sexta-feira, 4 de novembro.

Entre esses temas estão reivindicações comuns com o Centro e Norte de Portugal “no âmbito das infraestruturas”, como pedidos para ser melhorada a estrada que une Zamora a Quintanilha, no distrito de Bragança, ou a que liga Bragança com Puebla de Sanabria, no lado espanhol, onde existe uma estação de comboios de alta velocidade.

Também neste âmbito estão reivindicações dos dois lados da fronteira para que seja construída uma ligação rodoviária entre Bragança e Rio de Onor (à qual Portugal já destinou fundos europeus) e, no lado espanhol, desde a fronteira de Rionor até Puebla de Sanabria.

“Esta ligação é fundamental para potenciar a estação de alta velocidade de Sanabria, melhorando a ligação do Centro e Norte de Portugal e de Castela e Leão com o resto de Espanha”, defendeu o executivo da região espanhola, numa resposta escrita a questões da agência Lusa a propósito da próxima cimeira ibérica.

Castela e Leão insistiu também na eletrificação da linha de comboios entre Medina del Campo e Salamanca (em Espanha), que considera fundamental dentro do designado Corredor Atlântico, para transporte de mercadorias para toda a Europa.

Outra proposta de Castela e Leão é a adoção de “medidas que fomentem a atividade económica e de atração e retenção de população”, através de incentivos fiscais, por exemplo, avaliando junto da União Europeia a possibilidade de aplicar os regimes excecionais das zonas ultraperiféricas (como os Açores, a Madeira ou as Canárias) nas zonas transfronteiriças de Portugal e Espanha, genericamente muito despovoadas e “afetadas pelo desafio demográfico”.

As autoridades regionais dos dois países propõem também a criação de um portal para vendas na internet de produtos agroalimentares produzidos em Portugal e Espanha, com um selo de “alimentos saudáveis”.

Em relação à água e aos rios comuns (os que nascem em Espanha e desaguam em território português), o executivo de Castela e Leão ressalvou, em resposta a uma questão da Lusa específica sobre este tema, que é um assunto “de competência estatal”, ou seja, da esfera da relação entre os dois governos nacionais, que têm previstas reuniões ainda este ano, “de alto nível”, para uma avaliação do ano hidrológico de 2021/2022, que terminou no passado dia 30 de setembro e ficou marcado pela seca e as ondas de calor.

Ainda assim, o executivo regional defendeu que a Convenção de Albufeira (que regula a gestão e os caudais dos rios partilhados) “deveria contemplar a atual situação climática” e “os novos usos da agricultura”.

A questão dos rios partilhados por Portugal e Espanha ganhou protagonismo em meados de setembro por causa de protestos de agricultores de Castela e Leão contra as descargas de água no Douro que Espanha teria ainda de fazer para cumprir os caudais inscritos na Convenção de Albufeira.

Espanha, de acordo com Portugal, acabou por não libertar este ano no Douro (e também no Tejo) toda a água prevista na convenção (as descargas ficaram em cerca de 90% do estabelecido).

Os dois governos fizeram em 28 de setembro um comunicado conjunto em que se comprometeram a encontrar “soluções que minimizem os impactos” da seca, admitindo preocupação perante as previsões meteorológicas que obrigarão ao reforço da coordenação da gestão da água e da libertação de caudais.

Tiago Petinga/Lusa

Bike Solidária, Projeto Cultural da Escola Miguel Torga, que leva alunos a “adotar” idosos

 A iniciativa está integrada no Plano Nacional das Artes - Projeto Cultural de Escola Arte(S) de Crescer – e leva alunos do 5º e 6º ano do Agrupamento de Escolas Miguel Torga a interagir com os idosos da Fundação Betânia, em Bragança.


Depois do enorme sucesso do projeto do ano transato, “Ao Património de Bike”, que levou todos os estudantes do Agrupamento de Escolas (AE) Miguel Torga a explorar e aprender com a arte de rua na cidade de Bragança, este ano os promotores decidiram manter a temática da bicicleta, promovendo a sustentabilidade ambiental ao incentivar os alunos a fazer as suas deslocações de bicicleta, e, em simultâneo promover a solidariedade e a interação intergeracional.

Com a parceria da Fundação Betânia, os alunos do 5º e 6º daquele agrupamento, visitam aquela instituição deslocando-se de bicicleta, onde são recebidos pelos mais velhos tendo a oportunidade de participar em atividades diferentes.

“O objetivo é proporcionar aos estudantes a possibilidade de conhecer o património cultural imaterial valorizando os saberes, os ofícios e a experiência de vida dos mais velhos”, explica um dos promotores, o professor José Domingues, acrescentando que ao mesmo tempo, a presença dos jovens naquela instituição é uma forma de promover “o envelhecimento ativo e o contacto intergeracional”.

Os ganhos são óbvios para as duas partes.

À chegada os alunos que se deslocam de bicicleta, são acolhidos com um chá, para recuperarem do percurso. Depois participam no bingo de apadrinhamento. “Através deste jogo e de acordo com os números que saírem cada aluno fica destinado a um dos nossos idosos”, explica a diretora da Fundação Betânia, Paula Pimentel. A esta iniciativa chamam “apadrinhar um avô” e a ideia é promover maior interação entre o estudante com o idoso, para que o processo de aprendizagem possa ser mais efetivo.

Uma das temáticas é o tricot e o croché. O grupo de utentes ensina as crianças a fazer tricot/crochet, exemplificando para as próprias crianças perceberem melhor os pontos básicos. “Nesta atividade os utentes explicam todo o processo da lã, deste a tosquia das ovelhas até ao tratamento da lã”, acrescenta aquela responsável, referindo que algumas utentes até mostram aos alunos como se fia a lã.

Depois há outra iniciativa /oficina com a designação de Contadores de Tradições. Nesta temática os utentes da Fundação Betânia abordam a vindima, a apanha da castanha, a apanha do marmelo, a apanha da azeitona, a apanha dos frutos da época. Partilha das profissões mais antigas e o modo de vida, associando a cada atividade músicas tradicionais e cantares.

A terceira oficina pretende criar uma peça de teatro sobre “Os serões de antigamente”.

Os alunos e os utentes vão ter de preparar em conjunto o cenário para recriar os serões, com mochos antigos, lenha, o pote, colher de pau, faca para torrada, assador de castanhas, mantas farrapeiras etc. As personagens podem incluir as utentes da Betânia a fazer na meia, na renda, a fazer a cevada no pote e as torradas à lareira e assador de castanhas. Um utente pode encarnar a personagem de um lavrador e contar a história, e uma criança deve preparar o saquinho da escola para o dia seguinte.

Por fim, a iniciativa pretende encerrar com uma última oficina que visa “Criar um Livro de “Testemunhos”, em conjunto com os alunos.

Todas estas atividades vão acontecer ao longo do ano, organizadas em Conselho de Turma, uma vez que envolvem professores de diversas disciplinas.

No dia 26 de outubro já aconteceu uma espécie de “ensaio”, alguns alunos visitaram pela primeira vez a Fundação Betânia e deu para perceber que “a interação foi muito fácil, espontânea”, refere Paula Pimentel, deixando antever que a iniciativa terá enorme acolhimento por parte de alunos e utentes.

No dia 3 de novembro arranca “oficialmente o projeto”, com uma turma de 6º ano a passar a manhã na Fundação Betânia, numa primeira dinâmica de interação e aprendizagem.

Jorge da Costa é o novo Diretor do Museu Abade de Baçal

 A sessão de tomada de posse do novo diretor do museu de Bragança terá entrada livre e irá decorrer com a presença de Laura Castro, Diretora Regional de Cultura do Norte, instituição a quem a instituição museológica de Trás-os-Montes está afeta.


Jorge da Costa é o novo Diretor do Museu do Abade de Baçal e da Domus Municipalis e toma posse no dia 2 de novembro.

A sessão de tomada de posse do novo diretor do museu de Bragança terá entrada livre e irá decorrer com a presença de Laura Castro, Diretora Regional de Cultura do Norte, instituição a quem a instituição museológica de Trás-os-Montes está afeta.

Jorge da Costa é licenciado em Humanidades, pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa de Braga; Pós-Graduado em Arte Contemporânea, pela Escola das Artes da Universidade Católica do Porto; Mestre em Arte Contemporânea, pela Escola das Artes da Universidade Católica do Porto; Doutorando em Estudos do Património – Museologia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Membro da equipa da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC) da Direção-Geral das Artes (DGARTES). Membro do Laboratório de Artes na Montanha – Graça Morais.

Foi docente do ensino secundário até 2007. Exerceu, desde 2007, como Técnico superior do Departamento Cultural da Câmara Municipal de Bragança, funções de direção artística e curadoria no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, e simultaneamente, desde 2013, no Centro de Fotografia Georges Dussaud. Entre 2007 e 2018, coordenou e programou o Museu Ibérico da Máscara e do Traje e o Centro Cultural Municipal de Bragança.

Comissariou mais de 80 exposições de artistas nacionais e estrangeiros, bem como de importantes coleções públicas e privadas, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, no Centro de Fotografia Georges Dussaud, e em diversos museus e Bienais de Arte do país.

Tem participado, como orador, em conferências e colóquios nacionais e internacionais, sobre domínios como a história da arte, a educação, mediação e o património. Tem-se dedicado à inventariação, gestão e estudo de coleções. Tem participado como júri convidado em diversos projetos artísticos nacionais e internacionais.

É autor de inúmeros títulos publicados em livros, catálogos e publicações periódicas.

Cão defende armazém de alegada tentativa de furto em Lamas

 É uma história que não é feliz mas podia ter acabado pior.

Foto meramente ilustrativa

Na semana passada, um individuo tentou, alegadamente, furtar um armazém utilizado para guardar máquinas agrícolas, a cerca de 400 metros da aldeia de Lamas no concelho de Macedo de Cavaleiros. O crime não chegou a consumar-se ao que tudo indica não só graças ao alarme instalado mas também à braveza de um cão, de grande porte, que defendeu a propriedade com todas as força que tinha.

O proprietário, Lionel Pires, conta que o suspeito ainda chegou a lutar com o cão, já dentro da zona envolvente ao armazém, mas não conseguiu passar dali:

“Ele entrou lá dentro porque eu tenho um cão grande, do gado, e tem várias marcas de terem lutado.

Fartou-se de rapar na direção da porta do armazém para tentar soltar-se, até que conseguiu, rebentando o cadeado.

O que fez depois não sei.”

Quanto Lionel Pires recebeu o alerta do alarme no telemóvel, dirigiu-se ao armazém e ainda conseguiu ver uma viatura a pôr-se em fuga. Resolveu persegui-la:

“Vejo uma carrinha junto do armazém e ao ver as luzes do meu carro, o condutor arrancou por um caminho. Como eu estava ao volante de um carro ligeiro, não consegui ir por aquele caminho. Dei a volta pela estrada para ver se conseguia sair à frente dele, mas como não consegui, segui em direção à zona industrial, onde o fui intercetar.

Tirei a matrícula, ultrapassei a carrinha para ver se conseguia reconhecer a pessoa, consegui ver a cara mas não o conheci.

Entretanto liguei para a GNR, dei-lhe os dados da matrícula e disseram que iriam mandar uma patrulha, mas acabaram por não ver nada.

Mas eu já tenho os dados todos.”

Apesar desta alegada tentativa de furto não se ter concretizado, Leonel Pires decidiu prosseguir na mesma com a participação para as autoridades:

“Fizemos uma participação e agora estamos à espera.

Acho que é uma pouca vergonha os vários assaltos que andam a acontecer.

Quando alguém é assaltado, se não fizer uma participação, as coisas vão acontecer igual. Não pode ser assim pois a vida custa a todos mas custa muito menos a quem rouba porque consegue as coisas de borla.

A intenção não é que se resolva só este caso mas que se evite que outros assaltos possam ser consumados.”

O caso está a ser investigado pela GNR.

Escrito por ONDA LIVRE