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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Aldeia bordada de xisto

Chelas, Mirandela – "Aldeia bordada de xisto"
Igreja Matriz de Chelas, Mirandela
«Aldeia bordada de xisto» foi o epíteto dado pelo Cónego Silvério Pires, pároco de Chelas, do concelho de Mirandela, por ter no casario antigo e arruinado como material mural o belo e nobre xisto. Todo o arciprestado de Mirandela mostrou desinteresse em ficar com o pároco de Chelas. Há valores que vão para além do somatório das «côngaras» dos paroquianos e talvez o Cónego Silvério tenha querido dar esta sábia lição aos demais padres.
Apesar de ser uma pequena aldeia, outrora sede de freguesia e famosa pelas «barbas» e pelas «Barcas de Chelas» por onde, até final do século XIX, se escoavam muitos dos produtos agrícolas e pecuários, de toda a lombada ou corda que se estende até ao extremo das Terras de Lomba. Apesar de pequena, a Igreja matriz, dedicada a Sta. M.ª Madalena, edificada no sentido poente-nascente, uma linha imaginária a passar pelo meio da porta principal/campanário e do altar-mor divide-a em duas partes: as Eiras a Norte da Igreja (Nova) e o Carrascal a Sul. Carrascal tem como sinónimo sardoal ou azinhal. Os moradores das Eiras julgavam-se mais importantes do que os do Carrascal. O Carrascal tinha mais operários e um só casal (a Casa Lima ou Casal dos Limas) importante.
Nas Eiras havia os casais: Casal do João Vaz (herdado pela esposa), o Casal da D.ª Elisa (de Vassal-Valpaços), o Casal dos Sarmentos e o Casal do Capitão Ilídio Esteves. Na minha infância eram frequentes as brigas colectivas entre a garotada, bem como os desafios de futebol entre adultos ou entre crianças, os das Eiras contra os do Carrascal. E anunciava-se com pompa, como se fosse a fronteira entre duas nações: - Atenção, muita atenção!// Vai-se realizar um desafio internacional,// são «os das Eiras»,// contra «os do Carrascal»! Eram jogos de futebol renhidos como se fossem duas selecções de dois países rivais. Ninguém queria perder. Quando jogava o rapazio, às vezes, havia uma batalha campal à pedrada, em que o campo de morte era o Terreiro da Pôça.
A toponímia é implacável no campo da verdade ou da realidade. No Terreiro da Pôça, havia uma pôça de água, quase no seu extremo Noroeste, que eu vi com os meus olhos, quando o empedrado das ruas era a palha centêa que ali curtia, no Outono e Inverno, para se transformar em estrume. Cada lavrador deitava a palha na sua rua. Quando curtida era levada para a estrumeira em que se iam colocando camadas sucessivas de palha curtida e de estrume das loijes ou do curral. Nas estrumeiras, de forma rectangular, nasciam na primavera frágeis cogumelos ou fungos a que se chamava mijacões.

(Nota escrita com base no livro «Mirandela Outros Falares», pág. 33 e 118)

Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net

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