Em devido tempo o Dr. Hirondino Isaías, Presidente da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em Lisboa, convidou-me a participar no IV Congresso que teve lugar no Pavilhão do Conhecimento no Parque das Nações nos dias 25 e 26 do mês passado. Aceitei tecer considerações sobre turismo e património esperançado em dirimir opiniões com outro convidado, o Dr. Melchior Moreira, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e do Norte de Portugal. Anunciado estava, todavia não compareceu.
Bem-mandado, cheguei pontualmente, fui recebido cordialmente, deram-me um passaporte de entrada para dependurar no pescoço e um exemplar da Antologia de Escritores do reino Maravilhoso. Manda a verdade dizer que nunca me intitulei escritor, nem me vou intitular, tenho imenso respeito pelos escritores, vou escrevinhando crónicas lavadas e deslavadas, textos de opinião, trabalhos relativos a investigações do universo da alimentação, usanças e práticas culinárias, qualificar-me como escritor seria presunção a mais apesar de cada qual poder tomar quanta queira reafirma o anexim. Sim, eu sei quão grande é a legião de «escritores» quase a rivalizar com determinado pás latino-americano, onde cada escritor são dois, ele e a própria sombra. No Nordeste estamos prestes a atingir tal meta.
De chapa identificadora no peito (retirei-a depois) e livro debaixo do braço rumei ao Anfiteatro, sem surpresa verifiquei ser reduzida a assistência apesar do denodo e simpatia de Hirondino Isaías, mas quando escasseiam as pessoas cai pela base o argumento de 90% dos sócios da Casa residem, trabalham ou estudam em Lisboa. A asserção do seu Presidente é verdadeira, os sócios pura e simplesmente ignoraram o Congresso, deixando mal a Direcção, o que lastimo. A sessão inaugural sofreu dois atropelos – a não presença do esperado Presidente da República e a generosa anfitriã, Rosalia Vargas ter proferido breves palavras antes do tempo em virtude de não poder adiar uma reunião com o Ministro da tutela (ele devia estar presente no Congresso escrevo eu, bem como outros governantes) por isso o desvão protocolar.
Um Senhor Coronel Engenheiro encarregou-se de esmiuçar a Antologia dos Escritores prejudicando a sua apresentação por parte do seu organizador, Doutor Armando Palavras, o qual de forma polida referiu o esvaziamento da sua intervenção e elegantemente a resumiu a meia dúzia de palavras. Muito bem, Senhor Doutor.
A homenagem ao Professor Adriano Moreira foi antecedida pela passagem de um filme sobre o seu percurso, uma voz monocórdica e sonolenta comentou as imagens, a deputada Edite Estrela interveio, o Homenageado teve o cuidado de apelar à nossa reflexão relativamente aos males que apoquentam o Mundo, e a sessão terminou. Cá fora duas ou três dezenas de stands vendiam produtos comestíveis da nossa Província.
No dia imediato, à hora marcada, compareci no intuito de ler um documento, a falta de assistência e de oradores levou o abnegado Dr. Isaías a aglutinação de todos os falantes e penitentes no Anfiteatro, mesmo assim a primeira plateia não encheu, longe disso. Abjurei do escrito, enunciei veios e linhas de análise sobre o tema, gastei alegremente os vinte minutos concedidos, escutei as restantes intervenções até às 13.00, o estômago reclamava, fui almoçar e já não regressei a fim de ouvir as conclusões. Se me exigissem sintetizar o Congresso em duas palavras diria: pobrete e tristonho. A leste do alegrete.
Noutro registo julgo este Congresso como exemplo de uma boa intenção ter sido torcida à nascença dada a falta de colaboração da maioria das Autarquias, registei com agrado a presença do Dr. Hernâni Dias, ouvi o autarca de Mogadouro, segundo me disseram a Presidente da Câmara de Mirandela, Dra. Júlia Rodrigues, no debate final terá assegurado casa e agasalho para acolher nova edição do Congresso. Ainda bem. Este foi o Congresso destinado aos transmontanos residentes em Lisboa. Tal como os deputados primaram pela ausência. Os primeiros estavam assoberbados com o trabalho nas aldeias desertas. Os segundos preferiram ouvir e ver a novela sportinguista
Armando Fernandes
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(Henrique Martins)
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sexta-feira, 8 de junho de 2018
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