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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

1976 - A Consolidação da Liberdade e o Despertar de uma Nova Cultura Juvenil


 O ano de 1976 marcou um momento crucial na consolidação da democracia portuguesa. Após o fervor revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril, o país entrou num período de maior estabilidade política e institucional, simbolizado pelas primeiras eleições legislativas livres da nova República. Pela primeira vez em muitas décadas, os cidadãos puderam escolher livremente os seus representantes, num ambiente de entusiasmo e esperança. Era o início de uma nova fase, em que a liberdade política começava a enraizar-se e o país procurava definir o seu rumo após o turbilhão da revolução.

Apesar da sociedade caminhar para uma maior estabilidade, a juventude portuguesa mantinha-se fortemente motivada na mudança. Nas universidades, nos movimentos culturais e nos bairros, continuavam vivas as discussões sobre política, justiça social e identidade nacional. Muitos jovens viam-se como os herdeiros diretos do espírito de abril, dispostos a transformar a sociedade através da cultura, da arte e da participação cívica. Este entusiasmo coexistia, contudo, com o desejo de viver plenamente a liberdade recém-conquistada, uma liberdade que se expressava não apenas nas ruas e nas urnas, mas também nos palcos, nas rádios e nas pistas de dança.

Foi também nesta época que a televisão começou a afirmar-se como o grande meio de comunicação de massas. A RTP expandia a sua programação, e pela primeira vez surgiam programas dedicados aos jovens, que exploravam temas como a música, o lazer e a moda. A televisão, ainda a preto e branco na maioria das casas, tornava-se um novo espaço de encontro simbólico, uma janela aberta para o mundo e um instrumento poderoso na formação de uma nova consciência social e cultural.

Paralelamente, nas grandes cidades, discotecas e bares noturnos começavam a ganhar popularidade, refletindo a vontade de uma geração em festejar a liberdade e em adotar hábitos mais modernos e cosmopolitas. Estes espaços tornaram-se pontos de encontro de jovens urbanos, locais de socialização e experimentação, onde a música e a dança serviam como formas de expressão e afirmação pessoal. Era o nascimento de uma cultura de lazer moderna em Portugal, marcada por uma crescente influência estrangeira, especialmente anglo-saxónica.

No campo musical, o “rock português” dava os seus primeiros passos, ainda de forma tímida, mas já a revelar o potencial de uma nova identidade sonora. Grupos emergentes começavam a misturar influências internacionais com letras em português, explorando temas do quotidiano, da liberdade e das transformações sociais. Esta fase embrionária iria preparar o terreno para a explosão do movimento do rock português nos anos seguintes, quando nomes como UHF, Rui Veloso e Xutos & Pontapés viriam a definir uma era.

1976 foi um ano de transição, entre a efervescência revolucionária e a construção democrática, entre a utopia e a realidade,  entre o sonho coletivo e as novas formas de expressão individual. Foi o tempo em que Portugal, e sobretudo a sua juventude, começou verdadeiramente a descobrir o significado da liberdade vivida no dia-a-dia, nas palavras, na música, na arte e na forma de estar no mundo.

A liberdade de sermos, estarmos e podermos opinar, foi conquistada. Não foi sempre assim, como agora. Não podemos deixar fugir, pela nossa ausência, ignorância ou desleixo... a liberdade... !

HM

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