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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

47 anos depois: como fazer as pazes com o Parque Natural de Montesinho


 O Parque Natural de Montesinho é uma das mais extraordinárias áreas protegidas de Portugal, criada em 1979 para preservar um património natural, paisagístico e humano singular.

Celebrar este aniversário é muito mais do que recordar uma data. É refletir sobre a visão daqueles que, há quase meio século, compreenderam que este território merecia ser protegido, valorizado e transmitido às gerações futuras. Foi essa visão que levou à classificação do Parque Natural de Montesinho, reconhecendo os seus valores naturais, paisagísticos e humanos, mas também o potencial que aqui existia para um desenvolvimento harmonioso entre as pessoas e a natureza.

Ao longo destes 47 anos, Montesinho tornou-se uma referência nacional e internacional.

Não apenas pela riqueza da sua biodiversidade, pelos seus rios, serras, carvalhais e soutos, mas também porque continua a ser um território vivo, habitado, trabalhado e cuidado por milhares de pessoas distribuídas pelas suas aldeias.

Mas importa dizer, com toda a clareza, que nenhum parque natural sobreviverá apenas por força da lei ou das entidades que o administram. Um parque natural só existe verdadeiramente quando as pessoas o sentem como seu.

Por isso, nesta ocasião simbólica, gostaria de deixar uma mensagem muito simples: devemos fazer as pazes com o Parque Natural de Montesinho.

Durante anos, houve quem olhasse para o parque sobretudo através das limitações, das condicionantes e das restrições que a proteção da natureza inevitavelmente impõe.

Compreendo essas preocupações. Mas não podemos continuar a olhar para o parque apenas pelo que não deixa fazer. Devemos, sobretudo, olhar para aquilo que nos permite ser.

O Parque Natural de Montesinho é uma extraordinária oportunidade de futuro.

Num mundo cada vez mais urbanizado, onde milhões de pessoas procuram autenticidade, tranquilidade, natureza preservada e experiências genuínas, nós temos exatamente aquilo que muitos procuram. Temos paisagem. Temos património. Temos biodiversidade. Temos cultura. Temos gastronomia. Temos tradição. E temos aldeias que continuam a preservar uma identidade única.

É por isso que o turismo de natureza representa hoje uma das maiores oportunidades para este território.

Cada visitante que escolhe percorrer os nossos trilhos, observar a fauna e a flora, conhecer as nossas aldeias ou permanecer alguns dias entre nós está a gerar rendimento para as famílias, para os restaurantes, para os produtores locais e para os alojamentos turísticos.

Cada casa recuperada para alojamento local representa um edifício salvaguardado e uma família que encontra uma nova fonte de rendimento.

Cada jovem que decide investir na sua aldeia está a contribuir para manter vivo um território que muitos consideravam condenado ao despovoamento.

O parque não é um obstáculo ao desenvolvimento. O parque é, cada vez mais, uma condição para um desenvolvimento sustentável e diferenciador.

É também neste espírito de responsabilidade partilhada que queremos assumir um novo compromisso com o futuro deste território, através do Plano-Piloto de prevenção e redução do risco de incêndio e recuperação de habitats no Parque Natural de Montesinho, “Montesinho Mais Resiliente”.

i) Restaurar as áreas que foram percorridas por incêndios;

ii) Promover a prevenção e a redução do risco de incêndio no PNM;

iii) Implementar ações de desenvolvimento socioeconómico, que incluam a valorização dos recursos endógenos e promovam a criação de novas oportunidades de negócio;

iv) Informar, auscultar e envolver ativamente a população residente e os agentes locais na implementação do plano, com enfoque para o reforço do papel da ação humana na Gestão do Fogo Rural.

Por isso, o maior desafio para os próximos anos talvez não seja aumentar o número de visitantes, nem criar mais infraestruturas. O maior desafio será fortalecer a ligação emocional das pessoas ao seu território.

Que cada habitante das aldeias do Parque seja também um embaixador deste território.

Que cada criança aprenda a valorizar aquilo que herdou.

Que cada visitante encontre aqui uma comunidade orgulhosa da sua identidade.

E que todos compreendamos que proteger a natureza não significa impedir o progresso. Significa garantir que o progresso acontece sem destruir aquilo que nos torna únicos.

Hoje, ao celebrarmos 47 anos do Parque Natural de Montesinho, homenageamos todos aqueles que contribuíram para a sua preservação: as populações locais, os agricultores, os pastores, os baldios, as juntas de freguesia, as associações, os investigadores, os técnicos e todas as instituições que, ao longo das décadas, ajudaram a construir esta história coletiva.

O futuro do Parque Natural de Montesinho dependerá da nossa capacidade de trabalhar em conjunto, de conciliar conservação e desenvolvimento, tradição e inovação, natureza e qualidade de vida.

Tenho a convicção de que saberemos estar à altura dessa responsabilidade.

O Parque Natural de Montesinho não é apenas um parque natural. É parte da nossa identidade, é parte da nossa história e tem de continuar a ser parte do nosso futuro.

Isabel  Ferreira
(Presidente da Câmara Municipal de Bragança e da Comissão de Cogestão 
do Parque Natural de Montesinho)

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