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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

COMO EÇA EXPLICA A FALTA DE PATRIOTISMO

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Como se sabe, o nacionalismo é o amor que se sente pela Pátria, onde se nasceu, e se foi criado. Segundo José Maria Coloma (Léxico de Política), o termo equivale a patriotismo.

Eça, assevera – que o patriota, o que ama sua Pátria, o torrão onde nasceu e viveram os ancestrais, nunca pode ser cosmopolita.

Ao adquirirem idiomas, costumes, hábitos, e expressões de outros povos, o poliglota, esquece-se, lentamente a pátria, e a língua materna dilui-se em contacto com idiomas estranhos.

Certa ocasião, nos anos cinquenta, conheci jovem francesa, que estudara em Bordéus, mas pouco conhecia, além da pequena povoa em que vivia.

Um dia resolveu conhecer a terra dos antepassados, e abalou para Portugal.

Tudo lhe parecia estranho, e não compreendia, comportamentos e modos de pensar dos portugueses.

Como beijava todos que encontrava, recomendaram-na a não o fazer, principalmente homens. Respondeu envergonhada:

-"Desculpem, mas eu sou francesa, e beijar é a forma de cumprimentar na minha terra!"

Atualmente, com a globalização, o turismo, a vinda maciça de imigrantes, a sociedade europeia, de raiz cristã, transformou-se: hábitos alteraram-se, assim como antigos valores e costumes, que eram características de cada nação, desapareceram

Mas, leia-se o que disse Eça: 

"Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - toda a outra deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças;  e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo" – " 

“Correspondência de Fradique Mendes." - (A " Madame" S.)


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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