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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

“Maior Açorda de Cogumelos do Mundo” voltou a juntar centenas de pessoas em Vale Pradinhos

 A açorda estava “divinal” e o ambiente superou as expectativas. Foi este o balanço de quem participou, este sábado, na 12.ª Jornada Micológica de Vale Pradinhos, no concelho de Macedo de Cavaleiros, que voltou a ter como ponto alto a confeção da “Maior Açorda de Cogumelos do Mundo”.


Miguel Santos, de Macedo de Cavaleiros, participou pela primeira vez e saiu satisfeito com a experiência:

“Achei fantástico. A açorda estava divinal. O ambiente também. Tudo muito bom. Superou completamente as expectativas.”

Já Carla Marques veio da Marinha Grande pelo segundo ano consecutivo. A paixão pelos cogumelos e a componente gastronómica do encontro são motivos para regressar:

“Somos um bocadinho aficionados pelos cogumelos e viemos por ser a maior açorda aqui da zona. A açorda é ótima. Recomendo a açorda e tudo o resto.”

Também Daniel Simões, natural da Figueira da Foz e residente em Viana do Castelo, regressou ao concelho de Macedo de Cavaleiros pela terceira vez:

“Não é o primeiro ano. Já é o terceiro.

A iniciativa, tanto ao nível dos cogumelos como de outros aspetos da vida social, é sempre espetacular. Acho que devemos socializar a todos os níveis, e os cogumelos são algo que nos atrai.

Também estou ligado profissionalmente à floresta e à agricultura. O que mais me leva a vir a Vale Pradinhos são as pessoas e a floresta. Gosto da açorda, gosto de tudo, mas gosto ainda mais das pessoas.”

Fernando Peraltinha, natural de Beja e residente no Algarve, regressou também pelo segundo ano consecutivo. Chef de cozinha, não poupa elogios à açorda:

“Não é o primeiro ano. É o segundo. Estive cá no ano passado e hoje voltei porque gostei muito. Posso dizer que sou chefe de cozinha e nunca comi uma açorda como esta. Se quisesse fazer uma igual, não conseguiria.

Foi uma experiência muito boa, uma verdadeira degustação de tudo. Gostei muito.

Só vou recomendar, porque isto aqui não é só comida. É todo o espaço envolvente, é irmos para o campo e trocarmos ideias sobre os cogumelos.

Há cerca de cinco anos comecei a interessar-me pelos cogumelos, porque gosto muito da natureza. E cada vez me atraem mais e me satisfazem mais.”

A iniciativa atraiu participantes de várias regiões do país, que procuram não só a gastronomia, mas também o contacto com a natureza e o convívio.

Para a organização, a adesão superou as expectativas. O representante da Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Vale Pradinhos, Armando Edra, aponta mesmo para uma das melhores edições de sempre:

“Muito, muito positivo. Superou as expectativas. Penso até que foi a melhor edição de sempre.

Estávamos um pouco reticentes por causa dos preços dos combustíveis, mas foi uma surpresa muito agradável.

Estiveram aqui mais de 300 pessoas, cerca de 325, vindas de todos os pontos do país.”

Apesar de este não ter sido um ano favorável à apanha de cogumelos, a organização destaca o peso da gastronomia regional e de outros produtos tradicionais na atração de visitantes:

“Não é ano de cogumelos, o tempo não prometeu isso, mas as pessoas também apreciam outras coisas, como a nossa gastronomia e o nosso lugar, que é muito bonito.

Deliciaram-se com a açorda, com o javali e com todo este carinho e esta animação.”

A Jornada Micológica está também a ganhar uma dimensão de feira, com a presença de artesãos, expositores e produtores locais. Armando Edra garante que a organização pretende continuar a fazer crescer o evento:

“Neste momento já é uma realidade, porque este ano já temos expositores, já temos artesãos e outras coisas com produtos locais também, e está a ser um sucesso.

O balanço superou as nossas expectativas e vamos continuar.”

Para além da vertente gastronómica, o encontro procura valorizar os cogumelos enquanto recurso natural e económico.

O especialista espanhol em micologia aplicada e autor de mais de 20 livros sobre o tema, Juan Antonio Sanchez, considera que este recurso pode contribuir para criar emprego e combater a despovoação dos territórios rurais:

“Esta iniciativa é importante para o desenvolvimento rural e para a criação de emprego no meio rural. Os cogumelos são muito importantes para combater a despovoação, porque criam emprego e trazem novos recursos.

Portugal sempre foi considerado um país micófobo, ou seja, sem tradição na micologia.

Mas agora começaram a fazer as coisas muito bem. O que falta é regulamentação. Portugal é o único país da Europa que não tem regulamentação para a comercialização de cogumelos.”

O especialista sublinha ainda a importância do conhecimento das diferentes espécies, nomeadamente para distinguir cogumelos comestíveis, tóxicos e protegidos.

Defende também o aproveitamento do potencial do micoturismo, uma atividade que pode atrair visitantes interessados em descobrir, observar e fotografar cogumelos.

A organização quer continuar a apostar na Jornada Micológica, aliando a gastronomia tradicional à valorização dos recursos naturais e dos produtos locais e dando a conhecer o potencial dos cogumelos na região de Trás-os-Montes.

A iniciativa esteve a cargo da Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Vale Pradinhos, com o apoio do Município de Macedo de Cavaleiros e da Junta de Freguesia de Sezulfe.

Maria João Canadas

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