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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Sr. Mariano Preto (O Ti Mariano)

Festas, Festividades e Eventos

Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas – 30 de Julho


 O Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, celebrado anualmente a 30 de julho, é uma das mais importantes datas internacionais dedicadas à defesa da dignidade humana, dos direitos fundamentais e da liberdade das pessoas em todo o mundo.

Instituído pelas Nações Unidas, este dia pretende alertar a sociedade para uma das formas mais graves de violação dos direitos humanos da atualidade: o tráfico de seres humanos.

Milhões de homens, mulheres e crianças continuam a ser vítimas de redes criminosas que exploram pessoas para fins de:

exploração sexual; 
trabalho forçado; 
escravidão moderna; 
mendicidade forçada; 
tráfico de órgãos; 
casamento forçado; 
recrutamento infantil; 
exploração criminosa. 

Apesar dos avanços civilizacionais, o tráfico humano permanece uma realidade global profundamente cruel e desumana, afetando praticamente todos os países do mundo.

O Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas foi oficialmente proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2013, através da resolução A/RES/68/192.

A criação desta data surgiu da crescente preocupação internacional com o aumento das redes de tráfico humano e com a necessidade urgente de:

proteger as vítimas; 
sensibilizar as populações; 
reforçar a cooperação internacional; 
combater o crime organizado transnacional. 

As Nações Unidas reconheceram que o tráfico de pessoas constitui uma ameaça grave à segurança, à justiça social e aos direitos humanos universais.

Desde então, o dia 30 de julho tornou-se um momento global de reflexão, consciencialização e mobilização contra esta forma moderna de escravidão.

O tráfico de pessoas consiste no recrutamento, transporte, acolhimento ou exploração de seres humanos através de:

ameaça; 
violência; 
fraude; 
engano; 
abuso de poder; 
coação; 
vulnerabilidade económica ou social. 

O objetivo é sempre a exploração da vítima para benefício de terceiros.

O tráfico humano é considerado um dos crimes mais lucrativos do mundo, movimentando milhares de milhões de euros por ano através de redes criminosas internacionais.

Embora o tráfico de pessoas seja frequentemente associado à atualidade, a exploração humana acompanha a História desde as primeiras civilizações.

Na Antiguidade, muitas sociedades utilizavam trabalho escravo:

Egito; 
Grécia; 
Roma; 
impérios asiáticos; 
civilizações africanas. 

Os escravos eram frequentemente prisioneiros de guerra, devedores ou pessoas capturadas e vendidas como propriedade.

Na época, a escravidão era socialmente aceite em muitos contextos históricos.

Entre os séculos XV e XIX ocorreu um dos períodos mais sombrios da História humana: o tráfico transatlântico de escravos africanos.

Milhões de homens, mulheres e crianças foram capturados em África e transportados em condições desumanas para as Américas.

Este sistema alimentou economias coloniais através do trabalho forçado em:

plantações; 
minas; 
agricultura; 
construção. 

Milhões morreram durante as capturas, viagens marítimas e condições brutais de exploração.

A abolição oficial da escravatura no século XIX representou um marco histórico importante, mas não eliminou totalmente a exploração humana.

Hoje, o tráfico de pessoas é frequentemente descrito como uma forma contemporânea de escravidão.

As vítimas continuam a ser privadas de:

liberdade; 
dignidade; 
segurança; 
direitos fundamentais. 

Muitas vivem sob ameaça constante, isolamento, violência física e psicológica.

A escravidão moderna assume formas menos visíveis do que no passado, mas continua profundamente presente em diferentes regiões do mundo.

Uma das formas mais conhecidas de tráfico humano envolve a exploração sexual de mulheres, jovens e crianças.

As vítimas são frequentemente enganadas com falsas promessas de trabalho ou melhores condições de vida.

Acabam depois sujeitas a:

prostituição forçada; 
violência; 
abuso; 
privação de liberdade. 

Milhões de pessoas trabalham em condições desumanas em setores como:

agricultura; 
construção; 
indústria; 
pesca; 
trabalho doméstico; 
mineração. 

Muitas vezes recebem salários miseráveis ou nenhum pagamento.

As crianças são particularmente vulneráveis ao tráfico humano.

Podem ser exploradas para:

trabalho infantil; 
mendicidade; 
exploração sexual; 
recrutamento militar; 
atividades criminosas. 

A pobreza, os conflitos armados e a ausência de proteção social aumentam os riscos.

Em alguns casos, vítimas vulneráveis são exploradas para extração ilegal de órgãos humanos, alimentando redes criminosas internacionais.

Embora qualquer pessoa possa tornar-se vítima, certos grupos enfrentam maior vulnerabilidade:

mulheres; 
crianças; 
migrantes; 
refugiados; 
pessoas em situação de pobreza; 
desempregados; 
pessoas deslocadas por guerras ou catástrofes. 

A desigualdade social e económica constitui um dos principais fatores de risco.

O tráfico de pessoas está fortemente ligado ao crime organizado internacional.

Estas redes criminosas aproveitam-se de:

fronteiras frágeis; 
corrupção; 
instabilidade política; 
pobreza; 
falta de fiscalização. 

Os traficantes utilizam frequentemente:

falsas agências de emprego; 
redes sociais; 
promessas de imigração; 
relações de confiança; 
manipulação emocional. 

A comunidade internacional tem procurado reforçar o combate ao tráfico humano através de convenções e acordos internacionais.

Um dos documentos mais importantes é o:

Protocolo de Palermo (2000)

O “Protocolo para Prevenir, Reprimir e Punir o Tráfico de Pessoas” foi adotado pela ONU em 2000, na cidade italiana de Palermo.

Este tratado internacional definiu estratégias globais para:

prevenir o tráfico; 
proteger vítimas; 
punir traficantes; 
promover cooperação entre países. 

O Protocolo de Palermo tornou-se uma referência mundial no combate ao tráfico humano.

Portugal é simultaneamente país de origem, trânsito e destino de vítimas de tráfico humano.

As autoridades portuguesas têm identificado casos relacionados com:

exploração laboral; 
exploração sexual; 
tráfico de migrantes; 
trabalho agrícola; 
construção civil. 

O país desenvolveu estruturas especializadas de apoio às vítimas e cooperação policial internacional.

Diversas organizações portuguesas trabalham na:

prevenção; 
sensibilização; 
proteção das vítimas; 
apoio psicológico e jurídico. 

O combate ao tráfico humano não depende apenas das autoridades.

Toda a sociedade tem responsabilidade na prevenção deste crime.

É importante:

reconhecer sinais de exploração; 
denunciar situações suspeitas; 
combater preconceitos; 
proteger vítimas; 
promover educação e inclusão social. 

A sensibilização pública é fundamental para quebrar o silêncio e reduzir a vulnerabilidade das populações.

Todos os anos, a ONU escolhe temas específicos para esta data, focando áreas como:

apoio às vítimas; 
proteção infantil; 
migração segura; 
combate ao trabalho forçado; 
utilização da tecnologia no tráfico humano; 
responsabilização dos criminosos. 

As campanhas internacionais procuram mobilizar governos, instituições e cidadãos.

Por detrás das estatísticas existem histórias reais de sofrimento humano.

As vítimas enfrentam frequentemente:

trauma psicológico; 
violência física; 
isolamento; 
medo; 
perda de identidade; 
dificuldades de reintegração social. 

Muitas necessitam de apoio prolongado para reconstruírem as suas vidas.

A educação é considerada uma das ferramentas mais eficazes no combate ao tráfico humano.

Informar as populações sobre:

falsas promessas de emprego; 
riscos da imigração ilegal; 
exploração online; 
direitos humanos 

pode salvar vidas.

O acesso à educação, emprego digno e inclusão social reduz significativamente a vulnerabilidade das pessoas.

O Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas é uma chamada global à consciência, à solidariedade e à ação.

Esta data recorda que milhões de pessoas continuam privadas da sua liberdade e dignidade por redes criminosas que transformam seres humanos em mercadoria.

Celebrar o dia 30 de julho significa reafirmar valores fundamentais da humanidade:

liberdade; 
justiça; 
dignidade; 
igualdade; 
direitos humanos. 

O combate ao tráfico de pessoas exige cooperação internacional, leis eficazes, educação, proteção das vítimas e uma sociedade mais consciente e solidária.

Nenhum ser humano deve ser tratado como objeto de exploração.

A defesa da dignidade humana é uma responsabilidade coletiva e permanente.

Texto: HM - com IA e IN

Dia Internacional da Amizade – 30 de Julho


 O Dia Internacional da Amizade, celebrado a 30 de julho, é uma data relativamente recente no calendário global, mas assenta numa ideia tão antiga quanto a própria humanidade: a importância das relações de amizade como base para a convivência pacífica, solidária e harmoniosa entre indivíduos e povos.

A origem desta celebração remonta a iniciativas que surgiram ao longo do século XX. Uma das primeiras propostas conhecidas apareceu no Paraguai, em 1958, quando o médico e filósofo Ramón Artemio Bracho criou a “Cruzada Mundial da Amizade”. O objetivo era simples, mas ambicioso: promover a amizade como um valor universal capaz de unir culturas, religiões e nações. Esta ideia ganhou força sobretudo na América Latina, onde vários países começaram a adotar datas próprias para celebrar a amizade.

Contudo, foi apenas décadas mais tarde que a iniciativa ganhou reconhecimento global. Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou oficialmente o Dia Internacional da Amizade, estabelecendo o dia 30 de julho como a data oficial. Esta decisão surgiu num contexto de crescente preocupação com conflitos, desigualdades e tensões sociais em diversas partes do mundo. A ONU reconheceu que a amizade entre povos, países e culturas poderia inspirar esforços de paz e construir pontes onde existem divisões.

A resolução que instituiu esta data enfatiza que a amizade não deve ser vista apenas como uma relação pessoal, mas também como um instrumento de transformação social. Através dela, é possível promover o diálogo intercultural, o respeito pela diversidade e a compreensão mútua. Em particular, destaca-se o papel dos jovens, considerados agentes essenciais na construção de uma cultura de paz baseada em valores como solidariedade, empatia e cooperação.

Historicamente, a amizade sempre teve um lugar central no pensamento humano. Filósofos da Grécia Antiga, como Aristóteles, já refletiam sobre o seu valor, classificando-a como uma das formas mais elevadas de relação humana. Para Aristóteles, a verdadeira amizade era baseada na virtude e no desejo genuíno de bem para o outro, indo muito além de interesses ou conveniências.

Ao longo dos séculos, a amizade também desempenhou um papel importante em momentos históricos decisivos. Alianças entre povos, pactos políticos e movimentos sociais frequentemente nasceram de relações de confiança e cooperação que podem ser vistas como formas ampliadas de amizade. Mesmo em contextos de conflito, a capacidade de criar laços e entendimento tem sido fundamental para alcançar a paz.

Na atualidade, o Dia Internacional da Amizade assume novos significados. Num mundo cada vez mais digital e globalizado, as formas de criar e manter amizades transformaram-se profundamente. As redes sociais e as tecnologias de comunicação permitem ligar pessoas de diferentes partes do planeta, ultrapassando fronteiras geográficas e culturais. No entanto, também colocam desafios, como a superficialidade das relações ou o isolamento social, tornando ainda mais relevante refletir sobre o valor da amizade autêntica.

Celebrar este dia é, portanto, mais do que trocar mensagens ou recordar momentos partilhados. É uma oportunidade para fortalecer laços, reconciliar diferenças e reconhecer o impacto positivo que a amizade tem na saúde emocional, no bem-estar e na construção de comunidades mais justas e inclusivas.

Em síntese, o Dia Internacional da Amizade, celebrado a 30 de julho, representa um convite global à união e à empatia. Ele recorda-nos que, apesar das diferenças, a capacidade de criar laços sinceros continua a ser uma das forças mais poderosas para transformar o mundo num lugar melhor.

Texto: HM - com IA e IN

quarta-feira, 29 de julho de 2026

O Museu da Terra de Miranda recebe, em depósito de longa duração, três importantes instrumentos musicais pertencentes às coleções do Museu Nacional de Etnologia: duas flautas e uma gaita de foles, recolhidas pela equipa de Ernesto Veiga de Oliveira durante as campanhas de investigação etnográfica realizadas na Terra de Miranda.

 Estas peças, de elevado valor histórico, científico e patrimonial, regressam agora ao seu território de origem para integrar a renovada exposição de longa duração do Museu da Terra de Miranda, reforçando a ligação entre o património, a comunidade e a memória coletiva.


Este depósito representa um importante gesto de cooperação entre instituições e contribui para a valorização e divulgação da cultura material mirandesa.

Agradecemos ao Museu Nacional de Etnologia a confiança e a colaboração, que tornam possível dar a conhecer ao público testemunhos únicos da identidade da Terra de Miranda.

🌿 Os Serviços Explicam | Espaços Verdes 🌳

 Nesta edição da rubrica “Os Serviços Explicam”, damos a conhecer o serviço de Espaços Verdes, integrado no Departamento de Ambiente e Território, responsável pela gestão, manutenção e valorização dos espaços verdes do concelho.
Este serviço assegura a conservação de jardins, parques e restantes áreas verdes municipais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, da sustentabilidade ambiental e da valorização da paisagem urbana.

Conheça melhor este serviço e as suas principais funções.

Festas, Festividades e Eventos

Festas, Festividades e Eventos

Como ter um jardim amigo dos animais? Conheça algumas plantas tóxicas a evitar

 Na série “Abra espaço para a natureza”, Carine Azevedo responde às dúvidas que temos quando pensamos em tornar um espaço mais amigo do mundo natural.

Pervinca (Vinca difformis). Foto: Luis Fernández García/Wiki Commons

As plantas, sejam elas quais forem, são bonitas e frondosas, algumas são mais delicadas e outras estão muitas vezes acompanhadas de flores exuberantes que facilmente nos atraem. No entanto, nenhuma traz consigo um aviso de segurança. É por isso importante conhecer as plantas que queremos ter nos nossos jardins ou dentro de casa, uma vez que algumas podem ser tóxicas e causar danos à saúde humana e animal. 

O que são plantas tóxicas?

Na maioria das vezes, as plantas só são vistas do ponto de vista do seu interesse ornamental, pela sua beleza, aroma, cores, etc., ou pela da sua utilidade (produção de frutos, fibras, madeira, entre outros). 

É comum o desconhecimento sobre o perigo de algumas plantas. A ingestão, a inalação ou mesmo o contacto com algumas espécies vegetais pode causar graves problemas de saúde, desde irritação na pele, irritação ocular, náuseas, vómitos, distúrbios digestivos, arritmia, convulsões e até mesmo a morte. As crianças e os idosos são os principais grupos de risco, seja por descuido ou por desconhecimento. 

Os animais domésticos são outras das vítimas das plantas tóxicas, pois, por curiosidade ou por brincadeira, gostam de explorar as plantas que temos nos nossos jardins ou que estão no interior das nossas casas.

Flores de loendro (Nerium oleander). Foto: Konevi / Pixabay

Os cães e os gatos adoram esconder-se entre a folhagem, escavar o solo e até mordiscar algumas folhinhas. No entanto, deve evitar-se que tal aconteça, pois algumas plantas podem causar vómitos, diarreia, tremores, falta de coordenação, salivação excessiva, entre outros problemas mais graves, como a cegueira, por exemplo.

As plantas tóxicas contêm substâncias químicas como alcalóides, heterósidos, taninos, ácido oxálico, óleos essenciais, prótidos e venenos minerais, que podem causar inúmeras reações adversas nos seres vivos. 

Quais as plantas tóxicas mais comuns?

De entre as espécies ornamentais mais utilizadas no interior das nossas casas e nos nossos jardins, sejam elas nativas ou exóticas, as seguintes destacam-se pela sua toxicidade: 

  • Loendro (Nerium oleander)
  • Teixo (Taxus baccata)
  • Lírio-dos-vales (Convallaria majalis)
  • Trombeta-dos-anjos (Brugmansia arborea)
  • Amargoseira (Melia azedarach)
  • Dama-da-noite (Cestrum nocturnum)
  • Hortense (Hydrangea spp.)
  • Lantana (Lantana camara)
  • Pervinca (Vinca difformis)
  • Rododendro (Rhododendron spp.)
  • Tremoço (Lupinus spp.)
  • Louro-cerejo (Prunus laurocerasus)
  • Cerejeira-brava (Prunus avium) 
  • Fisális (Physalis spp.)
  • Trovisco (Daphne gnidium) 
  • Dedaleira (Digitalis purpurea)
  • Sabugueiro (Sambucus nigra)
  • Delfínio (Delphinium spp.) 
  • Agapanto (Agapanthus spp.)
  • Agave (Agave spp.)
Murta (Myrtus communis) em floração. Foto: Grey Geezer/Wiki Commons

  • Murta (Myrtus communis)
  • Estrela-de-natal (Euphorbia pulcherrima)
  • Cica (Cycas revoluta)
  • Espada-de-são-jorge (Sansevieria trifasciata)
  • Glicínia (Wisteria spp.)
  • Jarro (Zantedeschia aethiopica)
  • Antúrio (Anthurium spp.)
  • Costela-de-adão (Monstera deliciosa)
  • Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)
  • Lírio-da-paz (Spathiphyllum spp.)
  • Filodendro (Philodendron spp.) 
  • Aloé (Aloe vera)
  • Avenca (Adiantum capillus-veneris)
  • Loureiro (Laurus nobilis)
A maioria das espécies bulbosas que plantamos nos nossos jardins, e que se mantêm durante uma grande parte do ano “escondidas” no solo, contêm substâncias tóxicas que podem causar problemas de saúde a pessoas e animais. Algumas das plantas bulbosas tóxicas mais utilizadas em Portugal são:
  • Muscaris (Muscari neglectum) 
  • Narciso (Narcissus spp.)
  • Narciso-bravo (Narcissus serotinus)
  • Campainha-amarela (Narcissus bulbocodium)
  • Alho-porro-bravo (Allium ampeloprasum) 
  • Cebola (Allium cepa)
  • Alho-comum (Allium sativum) 
  • Campainha-de-outono (Acis autumnalis)
  • Bordões-de-são-josé (Amaryllis belladonna)
  • Tulipa (Tulipa spp.)
  • Lírio-amarelo (Iris pseudacorus)
  • Lírio (Iris germanica)
Narciso-bravo (Narcissus serotinus). Foto: Nunosanchez/Wiki Commons

Outras espécies menos frequentes em jardins, mas que também são potencialmente perigosas, são:

  • Cicuta (Conium maculatum)
  • Jarro-dos-campos (Arum italicum subsp. italicum)
  • Arruda (Ruta graveolens)
  • Cebola-albarrã (Drimia maritima)
  • Hipericão (Hypericum perforatum)
  • Erva-do diabo (Datura stramonium)
  • Rícino (Ricinus communis)
  • Lírio-das-areias (Pancratium maritimum)
  • Pepino-de-são-gregório (Ecballium elaterium)
  • Morganheira-das-praias (Euphorbia paralias)
Pepino-de-são-gregório (Ecballium elaterium). Foto: RickP/Wiki Commons

Os venenos não são para todos

A lista apresentada não é exaustiva, podendo existir muitas outras espécies. Cerca de um terço das espécies vegetais do mundo produzem substâncias tóxicas, mas nem todas são perigosas.

Os níveis de toxicidade são diferentes de planta para planta e podem variar. A toxicidade de uma determinada planta pode ser afetada por diversos fatores. Algumas espécies produzem níveis de toxicidade ao longo de todo o seu ciclo de vida, enquanto outras apenas o fazem quando frutificam, ou quando são muito novas, por exemplo. 

Há também uma grande variação na quantidade de substâncias tóxicas nas diferentes partes de uma planta. Geralmente, as sementes concentram a maior quantidade de substâncias tóxicas; no entanto, a maioria das intoxicações ocorre pela ingestão de folhas.

As substâncias tóxicas das plantas não atuam da mesma forma em todos os animais e nos humanos. Os efeitos adversos da toxicidade de uma determinada espécie também dependem do tipo e da concentração do veneno, e ainda da condição física da vítima. Muitas das espécies podem ser nocivas para os animais e não serem nocivas para os humanos, e vice-versa.

Lírio-das-areias (Pancratium maritimum). Foto: Tomi/Wiki Commons

Tenho algumas destas plantas em casa/no meu jardim! E agora?

Se tem qualquer uma destas plantas em casa ou no seu jardim não precisa de as eliminar. Deve, sim, saber identificá-las para estar informado sobre como agir em caso de acidente. Além disso, convém ter alguns cuidados particulares, como: 

  • Usar luvas e roupas de proteção para evitar o contacto com a pele, sempre que as manusear, até porque determinadas plantas tóxicas não precisam de ser ingeridas para causar efeitos nocivos. Algumas espécies libertam uma substância leitosa – látex – em resposta ao corte de um raminho ou de uma folha, por exemplo. O contacto com a pele ou a ingestão dessa substância podem provocar irritações cutâneas e oculares, queimaduras, tonturas, diarreia, entre outros.
  • Posicionar as plantas de forma a ficarem fora do alcance dos animais. No caso de não puder reposicioná-las, sobretudo no exterior, pode aplicar repelentes na proximidade destas, de forma a afastar os seus animais de estimação. 
  • Sinalizar as plantas “problemáticas” e informar todos os que possam ter contacto com elas, sobretudo as crianças. É fundamental ensinar os mais pequenos que não devem utilizar as plantas do jardim, ou dos vasos do interior, como alimento ou brinquedo.
  • Não comer frutos, raízes ou folhas de plantas que não conhece. Embora muitas plantas sejam comestíveis, a verdade é que também há muitas outras que não o são, sobretudo para os humanos.
Se por outro lado está a pensar instalar um jardim, ou comprar uma planta para colocar dentro de casa, e se quer garantir a segurança dos seus animais domésticos e das pessoas que partilham o espaço, pode sempre evitar qualquer uma das plantas acima referidas.

Teixo (Taxus bacata). Foto: Yoel Winkler/Unsplash

Num próximo texto apresentarei algumas espécies botânicas que são seguras para os animais domésticos e para os humanos em geral, para que se possa garantir que todos desfrutam da beleza que a natureza proporciona em segurança e com bem-estar.

No entanto, é importante lembrar o que Paracelsus (médico, alquimista, teólogo e filósofo) escreveu, ainda no seu tempo (século XVI), ‘What is there that is not poison? All things are poison and nothing is without poison. Solely the dose determines that a thing is not a poison‘. Ou seja, tudo na Natureza é veneno e nada há que não o seja. Apenas a dose é que determina o que é veneno ou não. 

Na série Abra espaço para a natureza, encontrará mais alguma informação que o ajudará na escolha das espécies e nos cuidados a ter com as suas plantas. E se explorar a série O que procurar: espécies botânicas, irá encontrará um vasto leque de espécies nativas que se poderão adequar às diferentes condições do seu jardim.

Aproveite para partilhar as fotos do seu jardim nas redes sociais com #jardimtemático e no Instagram, comigo (@biodiversityinportuguese) e com a Wilder (@wilder_mag).

Sr. Cândido Velasco

Distrito de Bragança continua com menor número de nascimentos do país

 O distrito de Bragança continua a registar o menor número de nascimentos do país, com 263 bebés rastreados no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).


Tal como no último relatório apresentado em abril, Bragança mantém-se no final da tabela dos distritos com menos recém-nascidos estudados, seguido de Portalegre, com 272 testes do pezinho, e da Guarda, com 358.

Em contraste, Lisboa e Porto continuam a registar os números mais elevados, com 13.217 e 7.733 testes realizados, respetivamente, seguidos de Setúbal, com 3.513, e Braga, com 3.243.

No primeiro semestre de 2026, a nível nacional, foram estudados 43.181 recém-nascidos, mais 931 do que no mesmo período de 2025, em que tinham sido rastreados 42.250 bebés.

Em 2025, foram rastreados 87.708 bebés, o valor mais alto dos últimos dez anos.

No primeiro trimestre de 2025, no distrito de Bragança nasceram 137 bebés, são mais 126.

Estes dados são obtidos no âmbito do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), através da Unidade de Rastreio Neonatal, Metabolismo e Genética do Departamento de Genética Humana do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Maria João Canadas

Central Eólica da Fronteira em Avelanoso com 5.893 hectares de área de estudo

 A Central Eólica da Fronteira, na freguesia de Avelanoso, em Vimioso, tem 5.893 hectares de terreno em área de estudo, para 157,5 MW (megawatts) de potência instalada.


Na Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacte Ambiental do Projeto da central, hoje publicada no portal participa.pt, e em consulta pública até 17 de agosto, pode ler-se que o centro eletroprodutor assenta numa área de estudo aproximada de 5.893 hectares, para assentar 35 aerogeradores, interligados com a Central Hidroelétrica de Picote.

Em conjunto, estes dois centros produtores formarão uma exploração híbrida (eólica e hídrica), com o objetivo de combinar a produção de energia de ambos os projetos, num ponto de injeção comum – o da Central Hidroelétrica de Picote.

A linha elétrica associada ao projeto da Central Eólica (no caso, dos dois corredores de estudo alternativos selecionados para a implantação da linha elétrica) desenvolver-se-á também nos municípios de Miranda do Douro e Vimioso.

A energia produzida na Central Eólica (estimada em cerca de 489 GWh/ano) será injetada na Rede Elétrica de Serviço Público (RESP), através de uma nova linha elétrica aérea de Muito Alta Tensão, à tensão de exploração de 220 kV, estando propostas alternativas com cerca de 25 quilómetros de extensão.

A proposta de definição do âmbito menciona já que a central não será instalada “em zonas sensíveis”, para toda a área de estudo, mas aponta para a forma como as alternativas de corredores de ligação à rede elétrica “intersetam uma ocorrência de património classificado”, no caso o empreendimento hidroelétrico do Douro Internacional/Picote, classificado como Conjunto de Interesse Público.

Entre as intersecções estão zonas que integram a Rede Nacional de Áreas Protegidas, entre elas o Parque Natural do Douro Internacional e a Rede Natura 2000, incluindo três Zonas Especiais de Conservação (ZEC).

“Refira-se, porém, que o posto de corte da REN, que atualmente faz a interface entre a central de Picote e a RESP, dispõe de várias ligações de linhas elétricas, sendo possível concretizar a nova ligação sem afetação material dos valores patrimoniais e ecológicos”.

A PDA deste projeto, resulta da intenção de hibridização da central hidroelétrica de Picote, no concelho de Miranda e respetiva ligação à rede elétrica nacional.

Segundo o documento, a área de estudo da Central Eólica localiza-se nos concelhos de Miranda do Douro (freguesia de Póvoa, freguesia de São Martinho de Angueira, freguesia de Genísio e União das freguesias de Constantim e Cicouro) e Vimioso (União das freguesias de Vale de Frades e Avelanoso e União das freguesias De Caçarelhos e Angueira).

Francisco Pinto

Já foi aberto novo concurso para a ligação Bragança-Vinhais por mais 2,5 milhões de euros

 Foi publicado esta terça-feira o anúncio do concurso público para a segunda fase da requalificação da Estrada Nacional 103, entre Bragança e Vinhais já com o preço revisto, confirmou ao Mensageiro a presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira.


“É determinante que esta ligação seja concluída como outras ligações rodoviárias que envolvem o concelho. As acessibilidades são fundamentais para o desenvolvimento económico e coesão territorial”, frisou a autarca, em declarações ao jornal diocesano.

O valor do preço-base do procedimento foi fixado em 82,5 M€, mais 2,5 milhões do que no concurso inicial, sendo que, caso todas as propostas sejam excluídas, poderá ser adjudicada a proposta que seja ordenada em primeiro lugar de acordo com o critério de adjudicação e cujo preço não exceda em mais de 10 % o montante do preço base.

A data limite para a entrega de propostas é o próximo dia 7 de setembro e o prazo para a execução da empreitada é de 24 meses.

O lançamento deste novo procedimento decorre do facto do primeiro concurso não ter tido propostas que tivessem respeitado as condições de preço então fixadas.

Esta segunda fase implica a construção de uma variante a Vila Verde, um troço com cerca de quatro quilómetros, que inclui dois viadutos de grandes dimensões. Um sobre o Vale do Tuela, com o ponto mais alto a atingir cerca de 160 metros de altura, e outro sobre o Vale de Cabrões.

A consignação da obra está prevista para janeiro de 2027.

António G. Rodrigues

Festas, Festividades e Eventos

Festas, Festividades e Eventos

Do alto do Miradouro de São João das Arribas, a paisagem impõe-se em toda a sua magnitude.

 A pequena Capela de São João das Arribas, erguida junto ao antigo castro, reforça a singularidade deste lugar, onde a força do Douro e das arribas se cruza com séculos de presença humana.

É um daqueles cenários onde a imponência da natureza deslumbra.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Coreto da Praça da Sé - Inaugurado em setembro de 1910

Quando o fungo é um estranho viajante à boleia da natureza

 Os fungos estão a aparecer em novos locais com consequências inesperadas.

AGORASTOS PAPATSANIS - Os cogumelos-porcelana, como estes que crescem numa bétula do monte Olimpo, podem medir 2,5 a 8 centímetros.

Anne Pringle examinava cogumelos num campo do Parque Estadual de Tomales Bay, a norte de São Francisco, quando teve um problema. Estava rodeada por um mar de um dos cogumelos mais perigosos do mundo: Amanita phalloides, conhecido como cicuta-verde ou amanita-falóide.

Anne Pringle examinava cogumelos num campo do Parque Estadual de Tomales Bay, a norte de São Francisco, quando teve um problema. Estava rodeada por um mar de um dos cogumelos mais perigosos do mundo: Amanita phalloides, conhecido como cicuta-verde ou amanita-falóide.

A cicuta-verde é a culpada da maioria dos envenenamentos relacionados com cogumelos. As suas potentes toxinas começam a atacar o organismo humano seis horas após o seu consumo, causando dor abdominal, náusea e vómitos. Se não forem tratadas, podem provocar insuficiência hepática fatal. Em Agosto do ano passado, três pessoas morreram na Austrália devido à ingestão de cicuta-verde. O cogumelo, com cerca de 12 centímetros de altura e um chapéu branco ligeiramente amarelo-esverdeado, pode facilmente ser confundido com um espécime comestível.

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Podendo ser facilmente confundida com um um cogumelo comestível, A cicuta-verde é responsável pela maioria dos envenenamentos relacionados com cogumelos.

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Contudo, a cicuta-verde não evoluiu para matar pessoas. Este cogumelo é um fungo micorrízico. Aflora de um emaranhado de filamentos fúngicos que crescem no solo e se enrolam em torno das raízes das árvores, ajudando-as a obter nutrientes. Esta actividade subterrânea intriga e preocupa cientistas como Anne Pringle, pois sabemos pouco sobre o reino dos fungos e sobre aquilo que acontece quando estas redes subterrâneas sofrem alterações.

No último século, o mundo tornou-se mais interligado do que nunca e os fungos embarcaram em deslocações globais, viajando à boleia de plantas importadas ou, simplesmente, voando centenas de quilómetros com o vento. Agora, as alterações climáticas estão a permitir que muitos destes organismos prosperem em ecossistemas que eram, no passado, demasiado frios e secos. Se a história já nos ensinou algo é que provavelmente não estamos prontos para o que aí vem.

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Os fungos embarcaram em deslocações globais, viajando à boleia de plantas importadas ou, simplesmente, voando centenas de quilómetros com o vento.

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Os fungos são uma dimensão terrestre escondida que estamos a aprender a ver. Prosperam no solo e produzem estruturas comestíveis, como as plantas, mas muitas características nada têm que ver com as das plantas. Enquanto estas têm paredes celulares com celulose, as dos fungos têm quitina, um tipo de fibra também encontrada nos exoesqueletos de insectos e crustáceos. E os fungos são heterotróficos – capazes de se alimentarem de outros organismos, ou de madeira e matéria vegetal morta, excretando enzimas e absorvendo os nutrientes. Sem os fungos, plantas e animais mortos acumular-se-iam no chão da floresta e a maioria das árvores teria dificuldade em encontrar os nutrientes necessários para sobreviverem. “Provavelmente são mais próximos dos animais do que pensamos”, diz Rabern Simmons, curador de fungos do Herbário da Universidade de Purdue.

Durante milhões de anos, evoluíram para viver em ambientes específicos, por vezes em parceria com apenas outra espécie. Porém, quando um fungo é movido para milhares de quilómetros de distância, essas relações complexas podem correr mal. “Os fungos patogénicos podem gerar uma tempestade perfeita”, diz Stephen Parnell, epidemiologista da Universidade de Warwick que estuda a disseminação de doenças em plantas.

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Sem os fungos, plantas e animais mortos acumular-se-iam no chão da floresta e a maioria das árvores teria dificuldade em encontrar os nutrientes necessários para sobreviverem.

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Existem diversas estratégias de reprodução que ajudam os fungos a sobreviver. Esporos aerotransportados de diferentes espécies podem misturar-se num novo habitat ou os cogumelos podem fundir os filamentos que formam as suas redes subterrâneas. Em caso de necessidade, porém, muitos podem reproduzir-se de forma assexuada.

AGORASTOS PAPATSANIS - Dando início à nova geração e ao ciclo de crescimento, os esporos de um cogumelo de chapéu cor-de-veado no monte Olimpo libertam- se e dançam no ar sob as suas lâminas.

Com os climas e as paisagens em mudança, estas características reprodutivas tornam os fungos singularmente adaptáveis. Fungos exógenos podem disseminar-se em novos ambientes e refazer a topografia em seu redor. Os castanheiros-americanos foram outrora gigantes dos Apalaches. No início do século XX, porém, o fungo Cryphonectria parasitica aterrou no território americano. No Japão e na China, era um mero incómodo para os castanheiros asiáticos. No castanheiro-americano, causou úlceras profundas que o privavam lentamente de água e nutrientes. Estima-se que quatro mil milhões de árvores tenham morrido no século seguinte.

Enquanto os últimos castanheiros-americanos definhavam, rãs e outros anfíbios enfrentavam um perigo semelhante devido a um patógeno fúngico conhecido como quitrídio. Este fungo, que se pensa ser originário da península coreana, vivia em harmonia com os anfíbios locais. Espalhou-se pelo mundo nos últimos 150 anos e está agora associado ao declínio de pelo menos quinhentas espécies de anfíbios. Causou o desaparecimento de 90 espécies dos seus habitats e foi descrito como a pior doença que afectou a vida selvagem em toda a história.

“Estamos a deslocar material biológico pelo mundo numa questão de horas para continentes que, durante muito tempo, estiveram separados”, diz o ecologista Ben Scheele. “No fundo, estamos a recriar uma Pangeia disfuncional.”

No outono passado, Anne Pringle e um dos seus alunos passaram semanas a colher centenas de cicutas-verdes em florestas do Reino Unido, Hungria, França e Polónia. Estas amostras poderão ajudar os cientistas a compreender melhor a razão pela qual a cicuta-verde prospera em alguns ecossistemas e não noutros.

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Um patógeno fúngico conhecido como quitrídio foi descrito como a pior doença que afectou a vida selvagem em toda a história.

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Os investigadores procuravam um predador ou patógeno que pudessem replicar, de forma a impedirem estes cogumelos de invadirem o solo das florestas – um método chamado biocontrolo. No entanto, uma das maneiras mais eficazes de manter os fungos no ambiente certo é através da prevenção e monitorização da importação de espécies estrangeiras, testando-as em busca de fungos.

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“Estamos a deslocar material biológico pelo mundo numa questão de horas para continentes que, durante muito tempo, estiveram separados”, diz o ecologista Ben Scheele.

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Quando não se consegue impedir que as doenças fúngicas entrem num determinado ambiente, o seu tratamento pode revelar-se uma tarefa colossal. Vários cientistas têm trabalhado em projectos de cultivo, com décadas de duração, destinados a restaurar o castanheiro-americano. Uma das campanhas envolve uma polémica árvore geneticamente modificada. E embora as rãs possam curar-se do quitrídio a nível individual, a erradicação do fungo em ambientes onde o fungo se estabeleceu é praticamente impossível. No ano passado, um novo estudo sobre a maneira como a cicuta-verde produz a sua poderosa toxina abriu a porta a um possível antídoto.

Algumas empresas tecnológicas emergentes e organizações sem fins lucrativos têm prometido soluções que ajudem os fungos a ajudar-nos. A Funga, uma empresa sediada no Texas, identifica fungos autóctones capazes de ajudar as árvores a armazenar mais carbono. A SPUN, uma organização de investigação científica, está a cartografar os fungos do planeta para identificar pontos críticos regionais que precisam de ser conservados. Existem pelo menos 350 espécies em risco de extinção, embora o número real deva ser muito superior.

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Um recente estudo sobre a maneira como a cicuta-verde produz a sua poderosa toxina abriu a porta a um possível antídoto.

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Para Rabern Simmons, vencer a corrida contra-relógio da biodiversidade é fundamental – tanto para a humanidade como para os fungos. “Estamos a descobrir facetas benéficas para a humanidade de alguma forma, seja na produção de compostos como biocombustíveis ou de compostos com possíveis fins medicinais.” Aquilo que for protegido poderá um dia resolver o próximo problema que possamos criar.

Artigo publicado originalmente na edição de Junho de 2024 da revista National Geographic.

Sarah Gibbens
Actualizado a 19 de junho de 2024