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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 19 de junho de 2018

O VELHO QUARTEL DE BRAGANÇA

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."

Falar do antigo BC3, é falar dos militares, que passaram por esse improvisado quartel, defendido por rudimentar cerca de aramados, que o limitavam.
Resumia-se ao pavilhão do Comando. Edifício de reboco, pintado a branco, onde funcionava: a Secretaria e o Conselho Administrativo; e, mais alguns serviços, de menor importância.
Nele ficava o Gabinete do Comandante, que nesse tempo 1967 (?), era o Major Montanha – um homem bom.
Havia, ainda outros pavilhões, que serviam de: caserna, cozinha, refeitório e balneário.
Junto ao refeitório, foi criado, mais tarde, compartimento, onde funcionava a Escola Regimental; e onde os recrutas, que não alcançaram a terceira classe, tentavam obtê-la.
Um dia, jovem professor, que substituíra o Primeiro-sargento Mário, assentou, com alguns alunos, mais aplicados, prepará-los para concluir a quarta classe.
Era acontecimento inédito! …
Deu-se aulas de: Geografia, noções de História de Portugal, e Ciências.
O Professor Bi veio realizar os exames. Interrogou os examinados, com perguntas simples. Falou-se de: D. Afonso Henriques, D. Carlos, de Salazar, e outras figuras da nossa História, que o tempo varreu-me da memória.
Houve hesitações; houve titubeação; e muitos “ nervos”…Todos ficaram aprovados. Foi uma festa! … Uma explosão de júbilo! …
Um deles, mancebo alto e magro, natural da Madeira, exclamou eufórico:
-” Agora já posso concorrer para a Polícia! …”
Na sala da Escola, havia: mesas para os alunos, quadro de ardósia, vitrine com: pesos de ferro, metros de metal e medidas de madeira. Suspenso da parede estucada, um vistoso mapa de Portugal, envernizado.
O Padre Telmo vinha (uma vez por semana,) à sala de aula, fazer preleções sobre o Evangelho e doutrina cristã.
Tinha o BC3, como Comandante de Companhia, tenente, que era o terror dos soldados, e até dos cabos-milicianos. Era o Tenente Moscoso; mais tarde substituído pelo irmão de Artur Anselmo – não me recordo o nome, – oficial de carreira, e afável.
Os militares animavam a cidade e transmitiram-lhe, com sua juventude e irreverência, nova alma.
Alguns, que namoravam com brigantinas (quase todas de grande beleza, de grandes e belos olhos claros ou castanho profundo,) chegaram a casar… e foram, segundo se dizia, muito felizes.
Mais tarde, começaram a erguer, de raiz, quartel, de esplêndidas instalações, no mesmo local.
Um dia, revista militar, publicou texto, escrito em prosa poética e sentimental, sobre o BC3, acompanhado de fotografias. Foi um sucesso!; e muito comentado. O autor era antigo furriel, que passara à reserva.
Decorridos muitos anos – meio século (?) – certamente poucos se recordam do velhinho BC3, levantado no topo de colina, de terra barrenta, um pouco acima da Escola e da Estação Ferroviária.
É sempre bom recordar o passado; já que o passado, é a alma da cidade. Alma que se vai, pouco a pouco, transfigurando, com o progresso, e principalmente com a chegada de gente, com outros usos e outros costumes.


Humberto Pinho da Silva, nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA.Foi redactor do jornal: “Notícias de Gaia"” e actualmente é o responsável pelo blogue luso-brasileiro: " PAZ".

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