O Encontro de Capas Ibéricas aconteceu pela primeira vez e é único na Península Ibérica. Decorreu durante as cerimónias da exaltação da Capa de Honras Mirandesa.
Para a presidente do município, Helena Barril, foi um marco importante para a preservação deste símbolo identitário do concelho, lamentando que muitas tenham sido deitadas fora. “Todos os anos vamos encontrando capas antigas que estão nos baús, naturalmente protegidas. Neste momento não consigo avançar com um número, porque todos os anos há sempre alguém que acrescenta mais uma capa, este magnifico património que temos, e só temos a lamentar que muitas capas tenham sido deitadas ao lixo, porque foram picadas pelo bicho e as pessoas pensavam que já não tinham ali património, que tinham algo estragado”, lamentou.
Para salvaguarda urgente da peça de vestuário feita em burel, o município inscreveu a sua confeção no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial da UNESCO.
Leopoldina de Castro seguiu as pisadas da mãe e da sua irmã e é uma das poucas pessoas que ainda confeciona capas. No seu olhar é possível ver o orgulho que tem no que faz. Uma tradição que já transmite às suas pequenas sobrinhas. “Chamam-se Alice e Inês, têm sete anos. E nós dizemos para abrirem um buraquinho com a tesoura e elas recortam e pedem para encher as rodinhas com enchimento. Elas já sabem que tem de ser com a ponta da tesoura, meter para dentro e encher. Perguntam ‘tia está bem? Mãe está bem? Avó está bem?’. E eu digo que está ótimo, se não estiver também não há problema, a minha mãe sempre nos deixou imaginar, fluir e é assim que isto existe”, contou.
As capas são a prova de que não há fronteiras, pelas semelhanças que existem entre portuguesas e espanholas. Luís Filipe de Castro, da Associação para a Promoção e o Estudo da Capa Parda Alistana, sublinhou a parecença entre a capa de Aliste e a capa de Miranda do Douro. “É de lã de ovelha escura e é trabalhada desde sempre, tanto por alfaiates aqui de Portugal, nesta zona de raia, como por pessoas de Aliste. São muito parecidas, mas há algumas, porque cada artista faz pequenas inovações”, referiu.
Já a capa de Béjar não podia ser mais diferente. Azul escura, com pequenos bordados na zona do peito e do pescoço e com um interior vermelho. Era usada por gente rica e, hoje em dia, já são poucos os que a vestem. Um cenário que a Associação de Amigos da Capa de Béjar quer mudar. “A nossa capa é de gente com dinheiro. Com o passar dos anos vai-se usando cada vez menos e agora a associação está a tentar reavivá-la. Por exemplo, aqui em Miranda há muitos jovens que usam a Capa de Honras, mas para nós é um difícil que os jovens usem a nossa capa”, adiantou o presidente da associação, Juan Carlos Marquez.
O primeiro Encontro de Capas Ibéricas contou com a presença de associações do Norte e Sul de Espanha, mas também confrarias do Norte de Portugal. Foi organizado pelo município de Miranda, conjuntamente com a Diputación de Zamora e a Fundación Rei Afonso Henriques. Tudo aponta para que o segundo evento aconteça em Zamora.
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