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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues e João Cameira.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Miranda do Douro foi palco do primeiro Encontro de Capas Ibéricas um evento único na Península Ibérica

 Miranda do Douro recebeu, este fim-de-semana, dezenas e dezenas de pessoas, de Portugal e Espanha, que com orgulho põem a capa às costas


O Encontro de Capas Ibéricas aconteceu pela primeira vez e é único na Península Ibérica. Decorreu durante as cerimónias da exaltação da Capa de Honras Mirandesa.

Para a presidente do município, Helena Barril, foi um marco importante para a preservação deste símbolo identitário do concelho, lamentando que muitas tenham sido deitadas fora. “Todos os anos vamos encontrando capas antigas que estão nos baús, naturalmente protegidas. Neste momento não consigo avançar com um número, porque todos os anos há sempre alguém que acrescenta mais uma capa, este magnifico património que temos, e só temos a lamentar que muitas capas tenham sido deitadas ao lixo, porque foram picadas pelo bicho e as pessoas pensavam que já não tinham ali património, que tinham algo estragado”, lamentou.

Para salvaguarda urgente da peça de vestuário feita em burel, o município inscreveu a sua confeção no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial da UNESCO.

Leopoldina de Castro seguiu as pisadas da mãe e da sua irmã e é uma das poucas pessoas que ainda confeciona capas. No seu olhar é possível ver o orgulho que tem no que faz. Uma tradição que já transmite às suas pequenas sobrinhas. “Chamam-se Alice e Inês, têm sete anos. E nós dizemos para abrirem um buraquinho com a tesoura e elas recortam e pedem para encher as rodinhas com enchimento. Elas já sabem que tem de ser com a ponta da tesoura, meter para dentro e encher. Perguntam ‘tia está bem? Mãe está bem? Avó está bem?’. E eu digo que está ótimo, se não estiver também não há problema, a minha mãe sempre nos deixou imaginar, fluir e é assim que isto existe”, contou.

As capas são a prova de que não há fronteiras, pelas semelhanças que existem entre portuguesas e espanholas. Luís Filipe de Castro, da Associação para a Promoção e o Estudo da Capa Parda Alistana, sublinhou a parecença entre a capa de Aliste e a capa de Miranda do Douro. “É de lã de ovelha escura e é trabalhada desde sempre, tanto por alfaiates aqui de Portugal, nesta zona de raia, como por pessoas de Aliste. São muito parecidas, mas há algumas, porque cada artista faz pequenas inovações”, referiu.

Já a capa de Béjar não podia ser mais diferente. Azul escura, com pequenos bordados na zona do peito e do pescoço e com um interior vermelho. Era usada por gente rica e, hoje em dia, já são poucos os que a vestem. Um cenário que a Associação de Amigos da Capa de Béjar quer mudar. “A nossa capa é de gente com dinheiro. Com o passar dos anos vai-se usando cada vez menos e agora a associação está a tentar reavivá-la. Por exemplo, aqui em Miranda há muitos jovens que usam a Capa de Honras, mas para nós é um difícil que os jovens usem a nossa capa”, adiantou o presidente da associação, Juan Carlos Marquez.

O primeiro Encontro de Capas Ibéricas contou com a presença de associações do Norte e Sul de Espanha, mas também confrarias do Norte de Portugal. Foi organizado pelo município de Miranda, conjuntamente com a Diputación de Zamora e a Fundación Rei Afonso Henriques. Tudo aponta para que o segundo evento aconteça em Zamora.

Escrito por Brigantia 
Jornalista: Ângela Pais

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