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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues e João Cameira.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Clarificação

Por: José Mário Leite
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

Obviamente que é imperativo que a atuação de qualquer membro do Governo e, por maioria de razão, quem o chefia, seja clara e, quando o não for, por si mesma, tenha de ser clarificada. Mas, a clarificação não passa por bombardear o visado com novas perguntas, após cada pergunta respondida, com pedidos de esclarecimento a cada aclaração apresentada e, muito menos, embrulhar tudo em várias insinuações, mais invasivas e perniciosas do que qualquer acusação concreta por não afirmando impedir qualquer desmentido. Clarificar é expor, com nitidez e sem ambiguidades o verdadeiro fundamento do que se pretende esclarecer. O que, convenhamos, não se obtém com o questionamento em catadupa crescente nem, por maioria de razão, com uma qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito como ficou sobejamente demonstrado (se alguma demonstração fosse necessária) na última em que o texto primeiramente apresentado pela relatora de serviço, provavelmente já estaria escrito antes mesmo de aquele se ter iniciado ou, pelo menos, nada foi acrescentado às teses que deram origem à sua constituição. Mas, obviamente, constituiu uma pedra no sapato do Presidente da República, alvo assumido do partido que, potestativamente, a convocou, levando-o a queixar-se em jantar diplomático. Facilmente se adivinha o que aconteceria com o governo, aprisionado nas teias insidiosas de quem, mais do que o benefício público procura a descredibilização dos seus opositores políticos.
Mas, então, não é justo e adequado que os cidadãos sejam informados, esclarecidos e elucidados sobre o comportamento de quem os governa? Claro que sim, como comecei por escrever. Mas sobre o essencial e não sobre o acessório.
Montenegro cedeu as suas quotas à mulher. Mas, segundo especialistas (e, facilmente entendível por qualquer cidadão minimamente informado) tal cedência não retirou a empresa da sua esfera patrimonial. Claro que não. Porém, a questão que se coloca é: o crime do Primeiro-Ministro é patrimonial? Para se chefiar o Executivo não se pode ter património? Obviamente que o caso não é esse pois, se assim fosse, seria praticamente impossível formar governo, em Portugal. Mas se, pelo contrário, o que está em apreço é avaliar a exclusividade do Luís Montenegro, nas suas atuais funções, pois bem, essa situação resolve a questão porque ao ceder as quotas afastou-se da gestão empresarial. Formalmente, claro. Porque informalmente é impossível garanti-lo para Luís Montenegro, Pedro Santos ou qualquer outro candidato que tenha património empresarial no seu agregado familiar ou de amizades.
Quanto à “recondução” da lista da AD pelo distrito, depois da demissão do anterior Secretário de Estado, parece-me perfeitamente natural. Por duas razões: não há razão nenhuma para que quem se tenha afastado de uma qualquer profissão, por incompetência, falta de jeito ou imprudência, não esteja habilitado para exercer qualquer uma outra; se não houvesse eleições antecipadas, Hernâni Dias continuaria, calma e pacificamente, a ocupar o lugar conquistado na Assembleia da República.
O perigo, como muito bem alertou o insuspeito Manuel Alegre, não está na empresa do Montenegro, pelo contrário na sua substituição à frente do governo por alguém que não respeite a linha vermelha do “não é não”. A reunião, não anunciada nem esclarecida, de Moedas com Ventura, em Belém, a seguir ao Conselho de Estado, não augura nada de bom.


José Mário Leite
, Nasceu na Junqueira da Vilariça, Torre de Moncorvo, estudou em Bragança e no Porto e casou em Brunhoso, Mogadouro.
Colaborador regular de jornais e revistas do nordeste, (Voz do Nordeste, Mensageiro de Bragança, MAS, Nordeste e CEPIHS) publicou Cravo na Boca (Teatro), Pedra Flor (Poesia), A Morte de Germano Trancoso (Romance) e Canto d'Encantos (Contos), tendo sido coautor nas seguintes antologias; Terra de Duas Línguas I e II; 40 Poetas Transmontanos de Hoje; Liderança, Desenvolvimento Empresarial; Gestão de Talentos (a editar brevemente).
Foi Administrador Delegado da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, vereador na Câmara e Presidente da Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo.
Foi vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes.
É Diretor-Adjunto na Fundação Calouste Gulbenkian, Gestor de Ciência e Consultor do Conselho de Administração na Fundação Champalimaud.
É membro da Direção do PEN Clube Português.

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