Numa aldeia com pouco mais de 200 habitantes, o Carnaval descrito como “genuíno e português” tornou-se um símbolo nacional e um polo de atração internacional. Segundo António Carneiro, presidente da Associação dos Caretos de Podence, entidade organizadora do evento, a localidade “transforma-se completamente” durante os quatro dias de festa, recebendo visitantes de todo o país e também do estrangeiro, nomeadamente de Espanha, Estados Unidos e França.
A abertura oficial acontece no sábado, dia 14, com o desfile dos facanitos, as crianças da aldeia trajadas à imagem dos caretos, dando início a um programa que envolve toda a comunidade. Adegas e garagens fechadas ao longo do ano convertem-se em tabernas tradicionais, onde se destacam sabores como butelo, enchidos e grelos. Ao todo, estarão em funcionamento 30 tabernas e cerca de 40 expositores no habitual mercadinho tradicional.
Entre as atividades previstas, os visitantes poderão participar numa oficina de máscaras, iniciativa que visa simultaneamente proporcionar uma experiência cultural e preservar a tradição. Haverá ainda caminhadas e passeios de barco, pensados para quem procura contacto com a natureza.
Uma das novidades desta edição é a apresentação de dois livros infantis dedicados aos rituais e simbolismo dos caretos, com o objetivo de aproximar as novas gerações desta herança cultural.
Os caretos continuam a ser “os grandes anfitriões da festa”, mas momentos como o pregão casamenteiro e a noite mágica, na segunda-feira, dia 16, figuram entre os pontos altos do programa. O encerramento, na terça-feira de Carnaval, cumpre-se com a tradicional queima do careto gigante, figura com cerca de oito metros de altura que simboliza a purificação e a renovação.
A identidade visual da aldeia reforça-se ainda através dos murais pintados nas fachadas, onde surgem figuras como Papa Francisco, Marcelo Rebelo de Sousa e Cristiano Ronaldo. Este ano será inaugurado um novo mural, descrito pela organização como “fora da caixa”, inspirado numa figura americana.
Desde a classificação pela UNESCO, o evento tem registado forte crescimento de público e impacto económico. A hotelaria encontra-se lotada em toda a região, de Bragança a Vila Real, sinal de que a tradição gera uma relevante dinâmica de economia circular, sublinha António Carneiro.
Apesar do sucesso, persistem limitações estruturais. A organização continua a reivindicar mais infraestruturas, casas de banho e espaço para uma tenda, essenciais para garantir sustentabilidade e melhores condições de acolhimento. A expectativa é que estas necessidades possam ser resolvidas até à próxima edição, permitindo consolidar o Entrudo Chocalheiro como um dos principais eventos culturais do país.

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