A iniciativa foi promovida pela Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, com sede no concelho de Vimioso e, segundo o seu presidente a mobilização foi surpreendente.
“Tínhamos alguma confiança que fôssemos conseguir. Efetivamente, houve uma grande mobilização da sociedade civil, além de toda a rede que felizmente vai acompanhando o nosso trabalho e o trabalho dos nossos parceiros. Tivemos de forma muito interessante momentos de intensificação de apoios de pessoas comuns, da sociedade civil no seu todo, e depois um conjunto de empresas e organizações também internacionais, nomeadamente a Light Source e a REN, que acabaram por corresponder às nossas necessidades”, explicou José Pereira.
Entre as ações já concretizadas está a conclusão do período de aclimatação de seis abutres-pretos, que regressaram à natureza no final de outubro de 2025. Foi também realizada a limpeza da área ardida, reaproveitada a estrutura de um contentor destruído pelo fogo para construir uma nova infraestrutura de apoio e adquiridos equipamentos essenciais, como painéis solares e baterias, para garantir o funcionamento autónomo do sistema de videovigilância.
Já foram também construídos três ninhos artificiais e reconstruídas quatro plataformas-ninho afetadas. Paralelamente, foram instalados bebedouros e comedouros para a fauna selvagem, promovendo a recuperação da base alimentar do ecossistema a médio e longo prazo.
Mas ainda há muito para fazer. “O tempo e a meteorologia não têm ajudado, por isso tem havido alguns atrasos que não eram expectáveis, mas pronto, está tudo em andamento na medida do possível. E se tínhamos previsto, por exemplo, fazer cerca de 20 hectares de sementeiras para a fauna selvagem e apoio à pastorícia, fruto deste temporal constante não conseguimos atingir esse objetivo. Estamos agora a adaptar e iremos instalar sementeiras de primavera, não é, com outro tipo de variedades, com outro tipo de fundo de leguminosas para tentar continuar a dar resposta”.
A monitorização da colónia tem sido contínua e intensiva, permitindo avaliar os impactos do fogo e ajustar as medidas de conservação. “E naturalmente temos um reforço muito significativo das equipas no terreno para monitorizar a população e no fundo a resposta que dão ao evento extremo que tivemos em agosto, mas também e nesta fase muito concreta estamos muito preocupados naturalmente com o impacto que esta tempestade ou estas tempestades que se vão acumulando possam ter também nestes ninhos. Por isso estamos no terreno também sempre a monitorizar e preparados para dar uma resposta urgente”, concluiu.
A campanha de angariação de fundos “Ajudar o abutre-preto após incêndio no Douro Internacional”, lançada em agosto de 2025, e com ela conseguiram angariar-se 30 mil euros para fazer face ao que o incêndio no Parque Natural do Douro Internacional destruiu.

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