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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Município de Torre de Moncorvo entrega palha a produtores de gado do concelho

 No mês de agosto de 2022, a autarquia já tinha entregue 54 toneladas de alimento, como forma de apoiar os produtores devido à seca e à falta de recursos hídricos que se fizeram sentir.


A Câmara Municipal de Torre de Moncorvo está a proceder à entrega de palha aos produtores de gado do concelho, sendo atribuído um fardo de 300kg por cada dez animais registados na ADS/OPP de Torre de Moncorvo.

No total, o Município de Torre de Moncorvo vai distribuir perto de 83 toneladas de palha a pequenos ruminantes, bovinos, asininos e equídeos.

No mês de agosto de 2022, a autarquia já tinha entregue 54 toneladas de alimento, como forma de apoiar os produtores devido à seca e à falta de recursos hídricos que se fizeram sentir.

“O Município pretende assim fixar os produtores às suas produções para que, devido às várias dificuldades sentidas, não se verifique o abandono da atividade pecuária no concelho”, refere uma nota de imprensa distribuída à comunicação social.

Museu das Terras de Miranda é dos mais visitados na região Norte

 O Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro, é dos mais visitados na região, informou hoje a Direção Regional de Cultura do Norte.


Em 2021 passaram por aquele espaço, atualmente em obras, 19.686 visitantes, o que faz com que seja o quinto museu com mais visitas no Norte do país. O Museu do Abade de Baçal, na cidade de Bragança com 9.869 visitantes está em sexto lugar.

Segundo aquela Direção Regional, no na passado os sete museus sob a sua tutela registaram um total de 580.932 visitantes, o que equivale a uma subida de 29,9% em comparação com o ano de 2021.

O museu mais visitado é o Paço dos Duques de Bragança (em Guimarães) com 366.514 entradas; seguindo-se o Museu Alberto Sampaio (em Guimarães) com 68.490; o Museu dos Biscainhos e o Museu D. Diogo de Sousa (ambos em Braga) com 56.633 e 56.174 respetivamente. O que menos gente atraiu foi o Museu de Lamego com 3.566 visitantes, que encerrou ao público em novembro de 2021, por motivo de obras de reabilitação do edifício.

O conjunto dos museus e monumentos afetos à Direção Regional de Cultura do Norte totalizou 1.874.769 visitantes no ano passado, o que representa uma subida de 109,5% em comparação com o ano anterior. “Ainda longe dos resultados obtidos no período pré-pandemia (em 2019, foi registado o recorde de 2.232.154 entradas), esta subida no número de visitantes acompanha a tendência de evolução positiva do turismo em Portugal”, refere uma fonte daquela Direção Regional, dando conta que o número de visitantes nacionais foi ligeiramente superior ao número de estrangeiros (611.128 vs 605.508) o que contraria a propensão dos últimos anos pré-pandémicos.

Glória Lopes

Casal de idosos desalojado devido a incêndio na habitação em Mogadouro

 Um casal de idosos ficou desalojado, esta manhã, na vila de Mogadouro


Um incêndio destruiu totalmente o quarto e parte da casa foi também afectada pelo fumo. De acordo com o comandante dos Bombeiros, Rui Monteiro, a casa ficou inabitável, para já, mas os idosos, com 88 e 89 anos, já foram realojados em casa de familiares. 

A GNR está no local para perceber o que terá provocado o incêndio. O alerta foi dado por volta das 11h15.

Escrito por Brigantia

Feiras e minimercados são opção para muitos comprarem fruta e legumes mais baratos e de qualidade

 O ano novo já começou e a vida continua a complicar-se porque o preço dos bens alimentares voltou a subir


Perante o cenário, as pessoas preferem os mercados locais para comprar fruta e legumes, mas a mercearia e os produtos de higiene continuam a ser comprados nas grandes superfícies porque são mais baratos.

O aumento dos preços foi geral e, por isso, nem mesmo nos mercados mais pequenos ou locais é possível fugir à inflação. Mas ainda assim, há quem defenda que continua a compensar ir à feira, até porque ali a fruta, os legumes e até o fumeiro têm outra qualidade.

“Os produtos daqui são melhores, são tradicionais e de qualidade”, disse Clotilde Crisóstomo, cliente habitual da feira.

“Gosto destas maçãs, é o ano todo a comprar a esta senhora, é uma fruta biológica e tem outra qualidade que não tem a dos supermercados, tem outro sabor. E em termos de preço também é melhor”, contou Maria do Céu Gomes, outra cliente.

Maria de Lurdes faz a feira de Bragança há 30 anos e diz que "os preços aumentaram", no ano passado, sobretudo porque "o preço do combustível subiu muito". Ainda assim, garante que as pessoas continuam a procurar este mercado porque há produtos muito mais baratos e de melhor qualidade.

“As pessoas vêm à feira, porque vêm procurar as coisas do agricultor e aqui ainda se vende mais barato que nos comércios e tem outra qualidade, porque o produtor não põe ervecidas, não põe certos químicos”, referiu.

Helena Teixeira também é feirante. Confirma que neste mercado, apesar de se tudo mais barato, os preços também subiram. Mas as pessoas deixaram de ir em força, há já alguns anos, porque nos supermercados encontram tudo e ali não.

“Já aumentou o ano passado e este ano tudo que é salsicharia já tenho uma tabela nova para aumentos, de 15 a 20%. Chouriça posso dizer que subiu 1,5 euros o quilo. O queijo no ano passado foi uma loucura, porque o leite também não está barato. Ainda assim, é mais barato, mas as pessoas não vêm, porque infelizmente à feira quem vem são as pessoas de idade”, disse.

Os minimercados são também opção para muita gente, pela proximidade e pelo desenrasque. Há quem procure o estabelecimento Frutas Ferreira, em Bragança, pelos preços mais baixos das frutas e legumes, mas também pelos produtos de higiene.

“Temos pessoas que vêm só ao pão, temos que vêm fazer as compras do mês e temos aqueles clientes diários. Aqui o que mais vendemos é fruta e legumes, a nossa qualidade é superior e conseguimos ser mais acessíveis em termos de preço. Em termos de produtos de higiene, pastas de dentes, somos muito mais baratos que uma grande superfície”, responsável da loja, Marlene Rodrigues.

Os mercados locais a serem opção para muita gente, não só pela qualidade dos legumes e frutas, mas também pelos preços que, apesar de terem também aumentado, são ainda assim mais baixos do que nas grandes superfícies comerciais.

Os preços dos bens alimentares começaram a disparar em 2021, por causa do impacto que a pandemia teve na cadeia de abastecimento. A seca e a guerra trouxeram mais instabilidade. Enfim, muito tem levado a que seja cada vez mais complicado gerir o dinheiro para se continuar a comer.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves/Ângela Pais

Festival dos Sabores Mirandeses antecipado para 20, 21 e 22 de Janeiro

 O Festival dos Sabores Mirandeses já tem data marcada


Este certame, que acontece em Miranda do Douro, está de regresso depois da paragem imposta pela pandemia.

A grande novidade é que o festival foi antecipado. Desta vez vai realizar-se este mês de Janeiro, sendo que acontecia em Fevereiro.

A presidente da câmara, Helena Barril, explicou que esta é uma forma de potenciar o certame.

“Elegemos o fim-de-semana do 20, 21 e 22 de Janeiro para não andarmos com o problema dos fins-de-semana de Fevereiro quando ocorrem várias feiras. Vai decorrer à semelhança dos outros anos, com várias ofertas de produtos regionais, a mostra de animais das raças autóctones, grupos musicais”, acrescentou.

O festival atrai várias pessoas da região e de Espanha a Miranda e é uma forma de dinamizar o concelho.

“Nós sabemos que o grande ganho é para a economia local, para os restaurantes, dinamizam-se as hospedarias, os hotéis e todos temos a ganhar com isso”, afirmou.

O festival vai receber cerca de meia centena de expositores.

Esta é a vigésima quarta edição do festival.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Butelo com Cascas e Sílaba Tónica Aberta

Por: António Pires 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

Apesar de amplamente reconhecido que uma língua é tanto mais rica quanto maior for a sua diversidade em termos de falares regionais (variantes dialectais), existe ainda na nossa sociedade o preconceito em relação à não utilização da norma – padrão no acto comunicativo.
Sobre este assunto, o distinto professor de História, Luís Ferreira, pessoa por quem tenho consideração e estima, escreveu um interessante e bem estruturado artigo, disponível na internet, com o título “Um Povo, Uma Língua”, no qual se evidencia o traço identitário do falar bragançano, pertinentemente associado ao contexto geográfico e sócio – cultural.
Pela importância do tema, que me é muito caro, e porque o dito texto tem a virtude de destacar as marcas da oralidade deste canto do território luso, que são, por assim dizer, aquilo que nos distingue dos demais, não podia deixar de fazer uma pequena correcção, não que eu seja alguma autoridade em linguística (nem lá perto), mas como alguém que, nado e criado nestas paragens, tem a experiência do contacto com o verbalizar bragançano.
 Provavelmente por lapso, o Dr. Luís Ferreira, no dito texto, atribuiu ao linguajar bragançano uma peculiaridade que não lhe pertence, quando, por exemplo, refere que “ …O Voi e a Baca são outro exemplo desta região”.
Em Bragança, como, aliás, se verifica em todo o norte de Portugal, a maioria dos falantes, de indiferente classe social e grau académico, troca, conscientemente, o “v” pelo “b”. Uma troca de pronúncia de sons que dá pelo nome de betacismo.
Ao invés, a troca do “b” pelo “v” (por exemplo, nos contextos “voi”, em vez de “boi”, “vata”, em vez de “bata”, “vola”, em vez de “bola”), não pode ser considerado um traço diferenciador dialectal desta região, porque, além de, por cá, ser um fenómeno raríssimo, quase sem expressão, é transversal a todo o norte do país, desde Freixo de Espada à Cinta, a São João da Madeira, passando por Valença do Minho.
A este fenómeno (a troca do b pelo v), próprio daqueles sujeitos falantes (de um modo geral, com baixo nível de escolaridade) que, de uma forma levada ao exagero, tentam imitar a norma – padrão, com o objectivo de impressionar a “plateia”, dá-se o nome de hipercorrecção.
 Feito o reparo, queria deixar aqui também uma nota em relação à permanente dúvida sobre a pronúncia da palavra “butelo”, se bem que este objecto/manjar será sempre divinal, independentemente da forma como cada sílaba é articulada para o evocar.
À luz da regra da acentuação, a palavra “butelo”, formada a partir do sufixo “elo”, deve ser pronunciada com a vogal “e” aberta; isto é, “butélo”. Todavia, os mais desatentos poderão considerar que tal argumento é falacioso, na medida em que há palavras que, resultando deste mesmo sufixo – como os casos de “cotovelo”, “Lordelo”, “campelo”, “lombelo” e tantos outros – são pronunciadas com a vogal tónica fechada.
A explicação para a aparente incongruência (a que me parece mais consistente e razoável) é a seguinte: todas as palavras que têm origem, através do processo de derivação, no acrescento do sufixo “elo”, sejam diminutivos, sejam topónimos, só não são pronunciadas com a sílaba tónica aberta, porque, “à revelia” da regra geral da acentuação, se inserem no fenómeno (arbitrário) da convergência fonética. Simplificando: os falantes que pronunciam o “e” fechado, fazem-no para manter no mesmo plano de sonoridade, numa espécie de harmonia do conjunto, as vogais que ocorrem em cada uma dessas palavras.
Preciosismos à parte, o importante é que o butelo, com sílaba tónica aberta ou fechada, seja de qualidade e acompanhado com cascas/casulas; e que as entidades que o têm promovido, nomeadamente as Confrarias de Bragança e de Pinelo, continuem a fazê-lo com o dinamismo e a vivacidade que se lhes reconhece.
Aproveito para agradecer ao Dr. Luís Ferreira por ter “recuperado” uma das expressões mais deliciosas do riquíssimo património linguístico bragançano: o “bem m´eu finto”, a que acrescento as não menos fascinantes “Bô bício” e “Bô fé l´eu ponho”, significando, respectivamente, “era só o que mais faltava!” e “ não lhe dou nenhuma importância.


António Pires
, natural de Vale de Frades/S. Joanico, Vimioso. 
Residente em Bragança.
Liceu Nacional de Bragança, FLUP, DRAPN.

XXV Feira da CAÇA e TURISMO

Vaca-loura: Palombar integra Rede de Embaixadores de projeto que estuda população de escaravelho protegido

 A organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural integrou, em janeiro de 2023, a Rede de Embaixadores do projeto Vaca-Loura, que tem como objetivo principal compilar e organizar informação enviada pelos cidadãos sobre a distribuição e estado das populações daquele que é o maior escaravelho da Europa: a vaca-loura (Lucanus cervus), espécie protegida, bem como dos restantes escaravelhos da família Lucanidae em Portugal.

Disputa entre machos de vaca-loura. Fotografia João Ferreira.

O propósito final é contribuir para a Rede Europeia de Monitorização da Vaca-Loura, que avalia o estado de conservação desta espécie na sua área de distribuição na Europa.

Este projeto de ciência cidadã é coordenado pela Associação Bioliving, em parceria com a Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, a Sociedade Portuguesa de Entomologia e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Conta com uma Rede de Embaixadores que funcionam como um elo entre o projeto e as comunidades locais.

Enquanto embaixador, a Palombar irá contribuir para os três pilares deste projeto, que são: “Ciência cidadã e envolvimento da comunidade”, que fomenta a monitorização dos escaravelhos da família Lucanidae, em especial da vaca-loura, através do registo de observações; “Conservação e preservação de habitats”, que visa proteger e restaurar os habitats destas espécies, neste âmbito, a Palombar também irá aderir à Rede de Espaços de Madeira Morta; e “Educação e Sensibilização”, que pretende sobretudo informar a comunidade sobre a importância da madeira morta e das espécies a ela associadas.

Vaca-loura: que espécie é esta e qual a sua importância?

A vaca-loura (Lucanus cervus) é o maior escaravelho da Europa e pertence à família Lucanidae. Além deste, temos em Portugal mais três espécies desta mesma família: o Lucanus (Pseudolucanus) barbarossa, Dorcus parallelipipedus e Platycerus spinifer. Mas centremo-nos na espécie-bandeira deste projeto.

A vaca-loura é uma espécie protegida. Consta no Anexo II da Diretiva Habitats, no Anexo III da Convenção de Berna e está classificada como “Quase ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Em Portugal, encontra-se distribuída no norte e centro.

Porquê lhe chamam vaca-loura? Vaca é pelo facto de os machos terem as mandíbulas muito desenvolvidas, as quais parecem cornos. Loura porque tem uma fila de pelos louros que separam os segmentos do corpo. Dependendo da zona do país, é igualmente conhecida por cabra-loura, carocha ou ainda abadejo.

Macho x fêmea, a primazia do dimorfismo sexual

A espécie apresenta um grande dimorfismo (diferenciação) sexual. O macho é inconfundível devido às suas mandíbulas em forma de pinça que usa para combater outros machos. O comprimento do corpo pode variar entre 2,7 e 5,3 cm (sem contar com as mandíbulas). Se contar com estas, pode até ultrapassar os 8 cm de comprimento. O macho desta espécie, quando atinge a idade adulta, só vive cerca de um mês, período durante o qual o maior objetivo é acasalar para gerar a sua descendência, morrendo logo de seguida. Começam a aparecer durante a primavera, tendo o seu pico de atividade nos meses de junho e julho.

Macho de vaca-loura. Fonte: vacaloura.pt.

Já a fêmea é mais pequena, variando entre 2,6 e 4,1 cm. É brilhante, com a cabeça e tórax negros e abdómen e pinças acastanhados. Normalmente, podem ser vistas até setembro, uma vez que demoram mais tempo a pôr os ovos nos locais ideais para o sucesso reprodutor da espécie.

Fêmea de vaca-loura. Fonte: vacaloura.pt

Onde vive e o que come? Árvores antigas de folha caduca são o seu habitat

Vive na madeira e raízes de algumas árvores, principalmente espécies de folha caduca como o carvalho-alvarinho e o castanheiro. Tem preferência por árvores antigas e de grande porte e que já apresentam alguns danos no tronco e nos ramos. Os adultos alimentam-se principalmente de líquidos açucarados, como escorrências de seiva e fruta em putrefação. Já as larvas de vaca-loura vivem nas raízes de árvores antigas durante mais ou menos três anos e alimentam-se de madeira morta e em decomposição.

Vaca-loura presente, floresta saudável

Como todos os seres vivos, a vaca-loura cumpre um papel importante nos ecossistemas e presta serviços ecológicos gratuitos. O consumo e a degradação da madeira morta são fundamentais para manter o bom estado de conservação das florestas, ao permitir a formação de manta morta, a consequente regeneração florestal e o desenvolvimento de comunidades de outros insetos e fungos, os quais, por sua vez, são a base de várias cadeias alimentares. As vacas-louras, assim como outros escaravelhos decompositores de madeira, asseguram, desta forma, um serviço ecológico de grande importância. Além disso, servem de alimento nutritivo para a avifauna.

A existência de madeira morta em decomposição disponível, da qual dependem as vacas-louras e cerca de 20 a 30% das espécies existentes nas florestas mundiais nalguma fase do seu ciclo de vida, segundo estimativas, é essencial para a manutenção do ciclo de nutrientes nos espaços florestais, para a estabilização dos solos, para a fixação de carbono atmosférico, e contribui para a regeneração natural das florestas.

Com o processo de industrialização da floresta em Portugal, as áreas de floresta caducifólia e a disponibilidade de madeira morta em decomposição tornaram-se cada vez mais reduzidas e fragmentadas, tendo estes escaravelhos perdido muito do seu habitat, o que ameaça a sua conservação.

ACÇÃO DE FORMAÇÃO EM BIOLOGIA DO SOLO

 A Revolução Verde trouxe consigo a ideia de que o solo é uma tela de pintura em branco onde podemos fazer aquilo que queremos; um substrato sem vida que deve ser lavrado continuamente e alimentado com produtos químicos para sustentar assim as plantas que o habitam. Este tipo de uso do solo produz perda das camadas mais superficiais e férteis, pela excessiva lavra dos terrenos, e promove, por outro lado, o desenvolvimento de alimentos de baixa qualidade, pobres nutricionalmente, cujos nutrientes não podem ser adicionados de forma química.


O solo é um sistema integrado onde há uma grande quantidade de complexos minerais e componentes orgânicos, onde existe um número significativo de organismos que formam parte de uma cadeia alimentar da qual as plantas fazem parte. Ao promover um solo saudável estamos a assegurar uma correta nutrição das plantas. Plantas bem nutridas serão menos propensas a pragas e doenças, e terão um teor maior de nutrientes, contribuindo assim para uma alimentação mais saudável e adequada.

Nesta formação, Sílvia Floresta irá falar sobre a importância da criação e manutenção de solos saudáveis. Só compreendendo o seu funcionamento teremos as ferramentas para gerar ecossistemas mais produtivos e saudáveis, onde não são necessário o uso de químicos poluentes para a terra, para os alimentos e para o nosso organismo.

Durante a formação teremos oportunidade de aprender sobre as seguintes temáticas:

- Tipos de solo
- Biofertilizantes caseiros
- Paisagens rurais e urbanas
- Adubos verdes
- Acumuladores dinâmicos | Plantas auxiliares
- Vermicompostagem
- Compostagem caseira (fria)
- Compostagem termofilia (quente)

Conheça o programa e faça a sua inscrição.

Esperamos que este curso seja do seu interesse. Juntos podemos criar um mundo mais saudável e em simbiose com a natureza!

Formação Aeronáutica | Curso Técnico de Manutenção de Aeronaves

 A ATCentro – Centro de Formação Aeronáutica, vai ministrar o curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves, em Macedo de Cavaleiros, no Centro de Competências Aeronáuticas criado pela Câmara Municipal no edifício de Meios Aéreos e de Proteção Civil, sito no heliporto municipal.
O curso de Base a levar a efeito habilita para a profissão de Técnico de Manutenção de Aeronaves, categoria B1.3 – helicópteros de turbina.

O curso tem a duração de 2400horas (dois anos), compreendendo componente teórica e prática.

O preço do curso é de 14.500,00€, que inclui o valor da inscrição (1.000,00€), podendo ser pago em 25 mensalidades. O Município financiará 50% para as primeiras 12 inscrições, com reembolso futuro do valor financiado a cada formando.

As inscrições, com número de vagas limitadas, estão abertas e terminam a 24 de março de 2023, sendo necessário proceder à reserva de lugar, solicitando o formulário de inscrição pelo email geral@atcentro.pt ou pelo 920 493 581.

Não perca a oportunidade de obter novas competências qualificadas, assegurando um futuro profissional de sucesso.

Sabe o que são bulhacas?

 Lavanda, Sabor, Gorongosa, Hera e Bulhaca. O que têm estes nomes em comum?


Na AEPGA gostamos de batizar os nossos burros com nomes associados à Natureza. Mas se não é de Terras de Miranda, ou do distrito de Bragança, provavelmente não sabe o que significa “Bulhaca”, que segundo Corominas e Pascual, no seu “Diccionario crítico etimológico castellano e hispánico”, tem uma origem incerta embora, possivelmente, venha do celta bullaca.

Seja ou não a sua origem, em mirandês, bulhacas são excrescências frequentemente observadas nos carvalhos, que noutros pontos do país são designadas por “bugalhos” ou “galhas”. Apesar da confusão que estas estruturas causam a quem não as conhece, de acordo com Nieves-Aldrey (2001), bulhacas são “estruturas morfológicas anormais das plantas provocadas pela ação de um agente indutor (frequentemente um inseto) que costuma ter uma relação trófica com elas”.

Trocando por miúdos: após a picada de um inseto, ou ataque por outro agente (fungos, bactérias ou nemátodes), a planta responde à agressão externa, produzindo esta estrutura, que pode assumir formas muito variadas. Após esta estrutura estar formada, os insetos (frequentemente do grupo das abelhas, vespas e formigas) aproveitam estes locais para depositarem os seus ovos, assegurando nutrição e proteção para que as larvas cresçam em segurança até à idade adulta, altura em que saem das bulhacas. A saída dos insetos adultos fica registada nas bulhacas sob a forma de pequenos orifícios, facilmente observáveis a olho nu.

Além de as bulhacas fazerem parte do património natural do Planalto Mirandês, estão também incluídas na esfera da sua cultura popular. Nas Festas de Inverno que se aproximam, é frequente observá-las nos colares dos Mascarados de muitas localidades. Dois bons exemplos são a Festa do “Velho e da Galdrapa” de São Pedro da Silva e a “Festa do Menino” de Vila Chã da Braciosa, ambas no concelho de Miranda do Douro

Quando se podem fazer queimas e queimadas em 2023

 O uso do fogo encontra-se associado a várias práticas agrícolas e florestais, no entanto, são vários os casos em que estas atividades se descontrolam e originam grandes incêndios com graves consequências ecológicas e socioeconómicas. Cerca de 98% das ocorrências em Portugal Continental têm causa humana. Assim, torna-se urgente uma alteração de comportamentos na sociedade de modo a que possam ser realizadas as mesmas práticas, mas com um menor risco, ou seja, com uma menor probabilidade de originar incêndios rurais.


Quando se pode fazer uma queima de amontoados?

Nos espaços rurais, durante o Período Crítico e fora do período crítico quando se verifique o índice de risco de incêndio rural de níveis muito elevado e máximo a queima de matos cortados e amontoados e qualquer tipo de sobrantes de exploração, bem como a que decorra de exigências fitossanitárias de cumprimento obrigatório, está sujeita a autorização da autarquia local, nos termos do artigo anterior, devendo esta definir o acompanhamento necessário para a sua concretização, tendo em conta o risco do período e da zona em causa. (DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

Fora do período crítico e quando o índice de risco de incêndio não seja de níveis muito elevado ou máximo, a queima de matos cortados e amontoados e qualquer tipo de sobrantes de exploração, bem como a que decorra de exigências fitossanitárias de cumprimento obrigatório, está sujeita a mera comunicação prévia à autarquia local, nos termos do artigo anterior. (Artigo 28.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

Durante o período crítico ou quando o índice do risco de incêndio seja de níveis muito elevado ou máximo, a queima de matos cortados e amontoados e qualquer tipo de sobrantes de exploração, sem autorização e sem o acompanhamento definido pela autarquia local, deve ser considerada uso de fogo intencional. (Artigo 28.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

Quando se pode fazer uma queimada extensiva?

A realização de queimadas só é permitida após autorização do município ou da freguesia, nos termos da lei que estabelece o quadro de transferência de competências para as autarquias locais, tendo em conta a proposta de realização da queima, o enquadramento meteorológico e operacional, bem como a data e local onde a mesma é proposta. (Artigo 27.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

A realização de queimadas carece de acompanhamento, através da presença de técnico credenciado em fogo controlado ou operacional de queima ou, na sua ausência, de equipa de bombeiros ou de equipa de sapadores florestais. (Artigo 27.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

O pedido de autorização ou a comunicação prévia são dirigidos à autarquia local, nos termos por esta definidos, designadamente por via telefónica ou através de aplicação informática (Artigo 27.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro).

A realização de queimadas sem autorização e sem o acompanhamento definido no presente artigo, deve ser considerada uso de fogo intencional. (Artigo 27.º do DL n.º 14/2019, de 21 de janeiro)

→ Solicite AQUI autorização

→ Descarregue AQUI a aplicação para Android ←

O que é o período critico?

De acordo com o  Lei n.º 76/2017, de 17 de agosto o período crítico no âmbito do SDFCI vigora de 1 de julho a 30 de setembro, podendo a sua duração ser alterada, em situações excecionais, por despacho do membro do governo responsável pela área das florestas.

Coimas e Penalizações

Pode incorrer em contra-ordenação, cuja coima pode ir de 140€ a 5000€, para pessoas singulares, e 800€ até 60000€ para pessoas coletivas (da Lei n.º 76/2017, de 17 de agosto). Em caso de originar um incêndio, pode incorrer em crime de incêndio florestal ((Lei n.º 56/2011, 15 de novembro).

Como verificar o índice de risco de incêndio rural?

Consultado o site do IPMA, no separador Fogos Rurais acede ao tópico “Risco incêndio Continente”.

→ Risco de Incêndio Rural

Mais informação AQUI

LÉRIAS NÃO ADUBAM SOPAS

Por: Maria dos Reis Gomes
(colaboradora do Memórias...e outras coisas...)

Recentemente a ouvir a rádio, e depois daquelas entrevistas repetitivas sobre “casos e casinhos”, houve um intervalo no programa a sugerir uma visita a um qualquer lugar no interior do país. Aí um habitante, com um sotaque bem acentuado de quem vive há muito tempo “para lá dos montes”, dizia:
“Lérias não adubam sopas”.
Não ouvi mais nada. Aquela frase sintetizava tudo o que tenho pensado sobre o que vai no mundo e, sobretudo, no nosso país. Revi-me de volta à aldeia dos meus avós onde passei tantas férias de Verão. E chega-me a memória do silêncio das pessoas centradas, sobretudo, no seu trabalho árduo; da forma como se ajudavam mutuamente no trabalho da ceifa e, depois, da malha do centeio; da forma como respeitavam a pouca água que lhe era destinada na ”hora da rega” para refrescar a horta. Eram pouco “palavrosas”, mas muito eficientes. Gente séria, justa, de palavra e de princípios. E é esta seriedade e justeza que não vejo nos dias de hoje. Sobretudo dos exemplos que vêm de cima. E o que é menos mau acaba por ser “sufocado” por tanta anormalidade.
Não sou saudosista. Mas gosto de recordar as pequenas coisas que me fizeram feliz e quem sou. Sinto um orgulho enorme do lugar de onde venho, de ter vivido com os exemplos dessa gente que moldou a minha forma de estar e de ser.
Fico ofendida quando vejo as “deslumbradas” e os “deslumbrados” que viveram como eu a realidade que descrevi e hoje se aproveitam dos “tachos” que lhes são oferecidos (ou que mendigam, tanto dá) para aumentar o seu espólio
Inscrevem-se no Partido não para defenderem os valores proclamados nos seus princípios. Acredito mesmo que a maioria nunca os leu. Nada sabem sobre a sua fundamentação ideológica. Preocupam-se apenas com as leis que podem ajudar nos seus “arranjinhos”.
Sim, estou zangada com o meu país. Zangada com a descrença, zangada com as extorsões. Com um país onde uma grande parte dos governantes ou candidatos a governantes falam muito e fazem pouco, atrapalham-se nas suas confusões e perdem o norte. Quem passa o tempo a gerir conflitos ou a orquestrar a melhor forma de “passar a perna” ao outro não tem tempo para servir o povo que prometeu proteger.
Enquanto tudo isso, espera o SNS com hospitais e centros de saúde a precisarem de obras e equipamentos actualizados bem como o pessoal competente e comprometido com as suas obrigações, que devia ser pago com um preço justo; Espera a Escola Pública a viver, se não o pior, um dos seus piores tempos, com programas desajustados que tornam os alunos desinteressados, com turmas enormes e burocracias que cansam e fazem desistir professores mal remunerados e desclassificados 
Enquanto isso, esperamos a concretização das promessas com as quais se iludiram os portugueses a quem foi “anunciada” uma habitação condigna e uma vida longe da fome e da pobreza que se cola ao corpo; Esperamos pelos lares condignos, ou qualquer outro modelo de apoio, a preços acessíveis, que respeite os velhos isolados e abandonados. 
Podia continuar a elencar tudo que já sabemos e nos deixa na cauda da Europa. Merecemos mais e melhor.
Como “Lérias não adubam sopas” talvez precisemos de voltar à rua e gritar a nossa indignação…
Tal como dizia Zeca Afonso, "Não me obriguem a vir para rua gritar".

6 de Janeiro de 2023

Maria dos Reis Gomes
, nascida e criada em Bragança. Estudou na Escola do Magistério em Bragança, no Instituto António Aurélio da Costa Ferreira em Lisboa e na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação no Porto, onde reside.
Sempre focada no ensino e na aprendizagem de crianças com NEE (Necessidades Educativas Específicas) deu aulas no CEE (Centro de Educação Especial em Bragança). Já no Porto integrou o Departamento de Educação Especial da DREN trabalhando numa perspetiva de “ escola para todos, com todos na escola). Deu aulas na ESE Jean Piaget e ESE Paula Frassinetti. No Porto. A escola, a educação e a qualidade destas realidades, são os mundos que me fazem gravitar. 
Acredito que, tal como afirmou Epicteto “ Só a educação liberta”. Os meus escritos procuram reflectir esta ideia filosófica.

Miranda do Douro: Cantares dos Reis encheram o miniauditório

 Em Miranda do Douro, o Dia de Reis foi celebrado no sábado, dia 7 de janeiro, com um encontro dos grupos corais do concelho, que cantaram as tradicionais músicas de Reis, para o muito público que quis assistir ao espetáculo.


Na abertura do encontro, realizado no miniauditório, a presidente do município de Miranda do Douro, Helena Barril, expressou a sua alegria por ver o miniauditório repleto de gente e agradeceu o empenho dos vários grupos corais em manter viva a tradição de cantar os Reis.

“Que a luz da estrela que outrora guiou os reis magos, também nos ilumine a nós para tomar boas decisões ao longo deste novo ano!”, expressou a autarca.

O espetáculo iniciou-se com a atuação do grupo coral infantil, constituído pelas crianças da Escola Básica (EB1) de Miranda do Douro. Nesta atuação, os petizes, orientados pelo professor de música, Paulo Meirinhos, cantaram as músicas “Cantamos os Reis, não por interesse mas por amizade” e “Trigo, nozes e marmelada”.

No decorrer do encontro, a apresentadora, Zélia Fernandes, sublinhou que na região da Terra de Miranda existem muitas modas tradicionais e Cantares dos Reis, que importa preservar para não caírem no esquecimento.

Em Sendim, um dos grupos que procura salvaguardar este património musical e cultural, é o grupo “Magum”. Constituído em 2017, por homens, mulheres, jovens a adultos, os “Magos” surgiram precisamente para preservar a tradição de cantar os Reis.

Nesta sua atuação em Miranda do Douro, o grupo sendinês cantou “Trigo, Nozes e marmelada”, “Vimos dar as Boas Festas!” e “Eu hei-de dar ao Menino!”.

O espetáculo dos Cantares dos Reis prosseguiu depois com as atuações dos grupos corais da associação Mirandanças, da Universidade Sénior, do grupo de Cantares dos Reis de Duas Igrejas, do Centro Cultural de Sendim, da Banda Filarmónica Mirandesa e concluiu com a interpretação do grupo coral de Palaçoulo.

No final deste encontro, o professor de música e vocalista dos Galandum Galundaina, Paulo Meirinhos, felicitou a organização do evento e sublinhou a importância de cuidar deste património cultural.

“É muito interessante esta iniciativa de incentivar os grupos, das várias localidades do concelho de Miranda do Douro, a manter vivos os cantares e as músicas tradicionais alusivas à festa dos Reis e também de outras festividades”, disse.

Paulo Meirinhos, acrescentou que ao longo do ano, realiza um trabalho similar com as pessoas que participam nas atividades da universidade sénior, em Miranda do Douro.

“Nas aulas da universidade sénior procuramos recuperar e cantar músicas tradicionais das várias localidades da Terra de Miranda”, indicou.

O encontro “Bamos a cantar ls Reis” concluiu-se com uma ceia oferecida pelo município de Miranda do Douro, aos grupos corais e ao público, que assim tiveram a oportunidade de saborear um momento de convívio e confraternização.

No final do Encontro “Bamos a cantal ls Reis”, os vários grupos corais do concelho, foram presenteados pelo município de Miranda do Douro.

HA

Ex-autarca acusado de gastar 10 mil euros de freguesia de Bragança em despesas pessoais

 O ex-presidente da União de Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo José Pires começa a ser julgado no dia 18, por alegadamente ter pagado mais de dez mil euros de despesas pessoais com dinheiro da autarquia em Bragança.

José Pires foi, entre 2013 e 2017, presidente da freguesia mais populosa do distrito de Bragança, com mais de 21 mil eleitores, um número superior à maioria dos municípios da região, e, segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, nos dois últimos anos de mandato “engendrou um esquema tendo em vista o seu enriquecimento pessoal”.

O antigo autarca foi eleito pelo PSD, partido que nas eleições Autárquicas de 2017 apresentou outro candidato, enquanto José Pires concorreu com o movimento “Força da União” e é atualmente dirigente distrital do partido Chega, na região de Bragança.

O presidente da União de Freguesias que lhe sucedeu, o social-democrata Telmo Afonso, anunciou uma auditoria às contas da autarquia, mas acabou por remeter as questões suspeitas para o Ministério Público, por indicação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e depois de a Inspeção-Geral das Finanças (IGF) ter dito não ter disponibilidade para a fazer.

Da investigação do Ministério Público resultou a acusação, que dá origem ao julgamento, com início marcado para 18 de janeiro, e no qual José Pires responde por um crime de abuso de poder.

O antigo autarca é acusado de “lesar o erário público” em 10.480 euros e “à custa deste obter vantagem patrimonial no mesmo valor”.

A acusação aponta que José Pires ordenou “a realização de pagamentos em proveito pessoal a título de reembolso de quantias várias por si despendidas na aquisição de bens de consumo e serviços de natureza pessoal”.

O Ministério Público concretiza que estarão em causa “refeições e combustíveis sem justificação para a realização de tais despesas”, na medida em que recebia uma quantia mensal de 529 euros a título de despesas de representação enquanto presidente da junta de freguesia.

Segundo as contas do Ministério Público, no exercício destas funções públicas, o arguido ordenou aos serviços o reembolso de um valor total de 20.741 euros.

“No entanto, de tal valor global, nos anos de 2016 e 2017, o arguido ordenou e obteve o reembolso de despesas não orçamentadas no valor de 8.548 euros que, ao contrário das demais, não apresentavam qualquer fundamentação e justificação”, lê-se na acusação.

No caso concreto da rubrica relativa à alimentação, a investigação concluiu ainda que o arguido recebeu 1.795 euros correspondentes a 30 refeições e que beneficiou simultaneamente do subsídio de refeição, tendo alegadamente recebido 128 euros indevidos.

O antigo autarca é ainda acusado de ter recebido 1.803 euros referentes a “despesas relacionadas com o abastecimento de combustível no âmbito da sua vida privada”.

Os valores apurados pela acusação totalizam 10.480 euros que o Ministério Público considera “vantagem patrimonial proveniente da atuação criminosa” e pede para serem devolvidos e dados como perdidos a favor do Estado.

A Lusa contactou o antigo autarca que não quis prestar declarações, remetendo as explicações para o julgamento.

HFI//LIL
Lusa/fim

Mais de 110.000 pessoas passaram pela 8ª edição de “Bragança. Terra Natal e de Sonhos”

 A afluência de turistas, muito dos quais espanhóis e nacionais, nomeadamente da Área Metropolitana do Porto, Braga, Guimarães, Aveiro e do distrito de Bragança, ajudou a dinamizar o centro urbano e a magia de Bragança, Terra Natal e de Sonhos.


Terminou, ontem, dia 8 de janeiro, a edição mais participada de sempre de “Bragança. Terra Natal e de Sonhos”, por onde passaram mais de 110.000 pessoas. Um certame que, de 1 de dezembro de 2022 a 8 de janeiro de 2023, dinamizou o turismo e a economia da região.

O Posto de Turismo registou, no mês de dezembro mais de 1.000 atendimentos, dos quais 73% oriundos de Espanha, o que representa um crescimento de mais de 10%, face ao período homólogo de 2019 (pré-pandemia).

A afluência de turistas, muito dos quais espanhóis e nacionais, nomeadamente da Área Metropolitana do Porto, Braga, Guimarães, Aveiro e do distrito de Bragança, ajudou a dinamizar o centro urbano e a magia de Bragança, Terra Natal e de Sonhos.

Na Pista de Gelo, atrativo principal, passaram no total 30.527 patinadores – mais 6.006 do que o anterior melhor ano (2019), o que representa um aumento de cerca de 24,5%. Em média, diariamente, 783 pessoas visitaram Bragança para deslizar na famosa Pista e ‘funtrack’.

O alojamento, especialmente as unidades de turismo rural e a restauração do centro urbano, também, registaram um aumento na procura, contribuindo para a dinamização económica e deste importante setor.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Manuel Cardoso é o novo presidente da Associação de Beneficiários de Macedo de Cavaleiros

 A Associação de Beneficiários de Macedo de Cavaleiros já tem direção.


Recordo que desde novembro de 2022 que a gestora do aproveitamento hidroagrícola da Albufeira do Azibo ficou sem direção, que se demitiu por não concordar com os elevados encargos que esta se vê agora obrigada a assumir, o mais pesado com a manutenção e custos energéticos da estação elevatória, até agora suportados pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR).

Depois de convocado novo ato eleitoral, que ficou vazio, ao segundo sufrágio apresentou-se uma única lista candidata, que foi aprovada pelos associados.

A presidência é assumida por Manuel Cardoso, que ocupou o cargo de Diretor Regional de Agricultura e Pescas do Norte entre 2011 e 2018.

Assume a direção em representação da associada Samurais Castro, LDA, que dinamizou a candidatura, e cujo sócio-gerente, José Castro, explica que viu neste “problema” uma oportunidade de aumentar o número de regantes:

Podemos ver o copo meio cheio ou meio vazio.

Entendemos que é um desafio que tem de ser visto como uma oportunidade para trazer mais pessoas para o regadio, explicar as vantagens que tem e estamos convencidos que, olhando para o copo meio cheio, conseguiremos resolver o problema que à anterior direção pareceu intransponível.

Temos a convicção de que conseguimos ultrapassar este problema.”

E é desta forma que pretendem contornar o problema trazido com os novos encargos assumidos, sem ter de penalizar muito cada regante no preço a cobrar anualmente pela água.

O novo presidente da associação, Manuel Cardoso, adianta que o objetivo é encarecer o preço o menos possível, e para isso já foi pensada uma outra solução:

“Poderá haver o aumento normal das taxas que costuma ser feito paulatinamente, não para fazer face aos novos encargos, mas sim aos normais. Provavelmente não será necessário refletirmos dessa maneira.

Primeiro temos de analisar uma série de situações relacionadas com o universo dos regantes e, provavelmente, se distribuirmos o encargo pelo universo dos proprietários da área de rega e não apenas por aqueles que fazem parte da associação de regantes, se calhar conseguiremos uma distribuição justa e equitativa das despesas.”

Numa região onde há cada vez menos gente, a disponibilização de água para rega pode ser um dos caminhos para contrariar essa tendência, defende Manuel Cardoso:

” O facto de haver agricultura com água é uma fator fundamental para combater a desertificação geográfica e o despovoamento.

Ou seja, em todo o perímetro de rega a partir da barragem do Azibo temos um privilégio enorme de podermos contar com um fator decisivo para a permanência das pessoas no interior de Portugal.

Não foi desaproveitado pela direção anterior, aliás, foi compreendido e interiorizado, e agora queremos articular o trabalho já desenvolvido e fazê-lo de uma forma moderna, em conjunção com o que são os outros perímetros de rega em Portugal, fazendo com que seja um elemento distintivo para o progresso da nossa terra, da nossa agricultura e da nossa agroindústria.”

A nova direção da Associação de Beneficiários de Macedo de Cavaleiros foi eleita este sábado com 33 votos a favor, dois contra, seis em branco e um nulo.

Tem como presidente Manuel Cardoso e como vice-presidente Ricardo Trovisco, em representação da associada Green September.

Escrito por ONDA LIVRE

ESCULTURAS E PINTURAS DÃO VIDA À EXPOSIÇÃO “ANIMA” NO MATL EM MIRANDELA

E se pudéssemos saber como era a fauna do Portugal Medieval?

 Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano escreveram a quatro mãos o livro “Feras e Homens“, lançado em Novembro pela editora Bizâncio. Contaram à Wilder o porquê desta obra e o quão diferente era aquele Portugal, onde não faltavam ursos, lobos, zebros, águias e cabras-monteses.


WILDER
: Porque decidiram escreveram este livro?

Miguel Brandão Pimenta: Durante o período dedicado à investigação sobre o passado do urso em Portugal, reparamos que nos documentos da Idade Média existiam muitas citações a outros animais que habitavam o nosso território, nomeadamente às aves de rapina, aos peixes do mar e de água doce e aos mamíferos marinhos. Resolvemos que seria interessante dar corpo a uma nova publicação focada nesses grupos e aproveitar a ocasião para explorar a interação entre os homens e os animais selvagens. De notar que apenas as espécies que interagiam com o homem,  ou que por qualquer motivo despertavam o seu interesse, aparecem mencionadas nos documentos medievais. São referências à caça e à pesca, à exploração comercial dos animais, à utilização lúdica das aves de rapina, entre muitas outras encontradas nos documentos da época. Daí a razão da publicação deste livro, recheado de histórias e curiosidades, que nos ajudam a perceber como se relacionava o homem com os animais silvestres. 

W: E porque escolheram este período, a Idade Média?

Miguel Brandão Pimenta: Podíamos ter escolhido uma outra época ou estender o período de estudo até à Idade Moderna (séc. XVIII), por exemplo. Mas achamos mais lógico começar por concentrar os esforços na Baixa Idade Média. Se bem que, em certas ocasiões, tivéssemos que transpor as balizas do tempo. A escolha não foi um acaso. Este é um período ainda pouco conhecido, mas promissor devido à quantidade e qualidade (relativa) da informação existente. Para além disso, quisemos incluir um conjunto de novos dados relativos ao urso não mencionados no livro “Urso-pardo em Portugal” (2017) e que dizem respeito à época escolhida. 

W: Como conseguiram reunir informação sobre as espécies? Que fontes utilizaram? 

Miguel Brandão Pimenta: Foi um trabalho de pesquisa demorado e, por vezes, complexo. De entre as muitas fontes manuscritas e impressas começámos por selecionar aquelas que consideramos as mais credíveis. A nossa preocupação era encontrar o maior número possível de referências faunísticas e, como se disse, investigar as relações de interdependência homem/animal à luz da mentalidade da época. Para isso percorremos exaustivamente os forais medievais, alguns deles ainda não estudados, as inquirições gerais do reino, as chancelarias régias, as cartas de couto, a legislação da época, os livros de viagens e as crónicas medievais. Mas não só. Visitamos diversos museus e uma boa parte dos templos românicos portugueses. E como não poderia deixar de acontecer consultamos numerosas obras no âmbito das ciências biológicas e  florestais

W: Quanto tempo demorou a ser feito?

Miguel Brandão Pimenta: Uma parte da informação coligida data do período em que procedemos à investigação da presença e extinção do urso em Portugal. Alguns dos dados são até anteriores. Sendo assim, é difícil avaliar o tempo que o livro demorou a ser feito. Mas, sem dúvida, que os últimos três ou quatro anos foram os mais intensos porque à recolha da informação juntaram-se muitos outros aspectos fundamentais como a organização do livro, a redacção dos textos, as revisões, a escolha das imagens…Procuramos tanto quanto possível fazer um livro dirigido ao público em geral, escrito de uma maneira simples, acessível, sem esquecer, no entanto, o necessário rigor científico. 

W: Resumidamente, quão diferente era Portugal nessa época, em relação ao que é hoje? Quais as principais diferenças? 

Miguel Brandão Pimenta: Ao contrário do que é suposto, na Baixa Idade Média, o território não era um continuum florestal. O território português encontrava-se transformado devido, sobretudo, ao desbravamento das terras e à pastorícia – com o corte em massa do arvoredo. A madeira das árvores servia para tudo: para a construção naval, a construção civil, para o fabrico de instrumentos agrícolas, produção de sabão e vidro, para fertilizante e como combustível. Sem lenha não havia pão, alimentos cozinhados, calor e conforto. É claro que ,apesar das alterações que aconteceram, muitas das grandes manchas de floresta permaneceram mais ou menos intactas – sobretudo no norte e no centro de Portugal. Exemplo disso é o bosque de “Meijom Frio”, uma mancha de floresta que se estendia entre o castelo da Feira e as margens do rio Vouga, habitada pelo urso, o veado e o corço e que teria mais de vinte quilómetros lineares. No entanto, se quisermos caracterizar sumariamente o país, podemos dizer que o território português correspondia sensivelmente a um extenso mosaico de florestas naturais, charnecas, pântanos e áreas de cultivo.

W: Que espécies mais aparecem nos registos que encontraram dessa época? Quais os protagonistas naturais?

Paulo Caetano: O lobo é das espécies que mais surge nos registos históricos. E isso explica-se pela sua abundância de norte a sul do país, mas também pela permanente situação de conflito com o homem, por causa dos prejuízos no gado. Mais do que isso, na Baixa Idade Média, a floresta era um espaço imenso e desconhecido, escuro e perigoso, povoado por seres terríveis. Por lobos que se juntavam em alcateia e aterrorizavam os paisanos, pelos malefícios dos lobisomens e das peeiras ou fadas dos lobos. Esta dupla dimensão do lobo, o animal real e mitológico, deu-lhe essa visibilidade no registo antigo. Mas temos referências e histórias de muitos outros animais: o misterioso zebro, o imponente urso-pardo, o sempre presente javali, as fugidias cabras monteses… E, claro, as grandes rapinas que fascinavam a nobreza e a corte e que eram usadas na caça de altanaria e na cetraria, tudo muito regulamentado e hierarquizado. E fomos encontrando referências muito interessantes relativas à presença ou ao comportamento de linces, lontras, martas, abetardas, esturjões e caimões, entre vários outros exemplos.

W: Na Idade Média, quais eram as relações predominantes entre as pessoas e a vida selvagem? Que sentimentos existiam em relação ao bravio?

Paulo Caetano: Nessa época, os animais selvagens eram encarados como algo de utilitário. Como algo que podia ser comido, cuja pele era útil para vestir ou calçar, cujos ossos, cornos ou hastes podiam dar origem a adornos e a peças decorativas. Mas também eram vistos como competidores. Os lobos que matavam gado, os ursos que assaltam colmeias, os veados e javalis que fossavam nos campos cultivados, as raposas que assaltavam galinheiros, os coelhos e lebres que invadiam hortas, as pequenas aves que comiam frutos dos pomares… Quase toda a fauna selvagem, para a plebe, representava um custo quando estava viva e era um importante aporte de proteína depois de morta. Para a nobreza, a fauna silvestre tinha um encanto adicional: podia ser caçada. Ou seja, perseguir e caçar animais silvestres era o seu passatempo favorito, era um pretexto para deambular pelo campo e para conviver. E também servia como treino para a guerra, quando se enfrentavam animais de grande porte, como os ursos, os javalis ou os veados.

W: Identificaram preocupações com a conservação naturalista de algumas espécies ou com a necessidade de as estudar?

Paulo Caetano: Creio que a única preocupação com a conservação, se podemos chamar-lhes assim neste período histórico, vinha da corte e da nobreza. Como expliquei, a caça era uma das principais atividades das classes elevadas, em particular nos tempos de paz ou quando a guerra acalmava. Era a forma que a corte tinha de se desenfadar. Por isso, uma grande parte do território português estava coutado e a plebe estava proibida de caçar. Desta forma conseguiam manter efetivos populacionais para as suas montarias. No que se refere às aves de rapina, vivia-se uma situação idêntica. A pilhagem de ninhos era altamente regulamentada e restrita, porque as crias eram essenciais para manter o fluxo de futuros animais caçadores. Apesar destas restrições, com a intensificação da caça e do arroteamento dos campos, as espécies silvestres viram a sua distribuição reduzir-se na Idade Média. O urso, por exemplo, desapareceu no sul e no litoral durante este período. 

W: O que mais vos surpreendeu em todo o processo de escrita deste livro?

Paulo Caetano: O que mais nos surpreendeu foram as pequenas histórias que encontrámos. Os combates corpo a corpo com o urso, protagonizados por importantes figuras históricas, como o rei D. Dinis. A existência, já nesta época, de baleares que se dedicavam à caça de mamíferos marinhos que caçavam, chamando-lhes peixes e, por vezes, sereias. A pesca de gigantescos esturjões no Tejo, infelizmente extintos em Portugal na atualidade. Também o desaparecimento do mítico zebro, que era uma peça de caça muito apreciada…

FERAS E HOMENS – A FAUNA NO PORTUGAL MEDIEVAL
Por Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano
Editora: Bizâncio
Data de publicação: Novembro de 2022
Número de páginas: 320
Preço: 18,50 euros

Helena Geraldes

TRÊS CAÇADORES DETIDOS POR ATO VENATÓRIO ILEGAL EM MIRANDELA

 O Núcleo de Proteção Ambiental (NPA) da GNR de Mirandela deteve, este domingo, em flagrante, três homens pela prática de atos venatórios considerados ilegais, todos na freguesia de Alvites, no concelho de Mirandela.


Dois deles por estarem a caçar em zona de proteção e outro pela utilização de meio eletrónico (chamariz) não permitido por Lei.

O comandante da GNR de Mirandela confirma as detenções dos três caçadores, mas o capitão Hugo Torrado remete para um comunicado, a ser emitido mais tarde, os pormenores sobre estes casos. 

Os caçadores em causa foram notificados para comparecerem no Tribunal Judicial de Mirandela, amanhã, segunda-feira, para aplicação das medidas de coação.

Desde o mês de outubro de 2022, já foram detidos mais de três dezenas de caçadores no distrito de Bragança por atos venatórios ilegais e todos eles tiveram como medida de coação a suspensão provisória do processo mediante o pagamento de quantias monetárias, que variam entre os 300 e os 400 euros, a favor de instituições particulares de solidariedade social.

Artigo escrito por Fernando Pires
(jornalista)