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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

O francês está-se a rir

Por: Fernando Calado
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")

O dia estava claro e o sol há muito tempo que se espraiava na vastidão do serro, onde o trigo já ondulava.
- Lindo dia… lindo dia!
Dizia um homem velho, habituado ao bom e ao mau tempo, na longa caminhada duma vida de fome e servidão.
Entra em casa e o filho mais novo, que não lhe custava a pagar as contas, tinha a pequena lâmpada da cozinha acesa.
- Isso tem a luz acesa que o francês está-se a rir!
E sem mais delongas, já mal disposto, apaga a luz gastadora e que tanto fazia rir o enigmático francês.
Mas porquê que um desconhecido e distante francês se haveria de rir das desgraças dum pobre velho, perdido na lonjura do Nordeste?!
A História regista sempre saberes que vêm do tempo e de memórias antiquíssimas.
No ano de 1921 era inaugurada em Bragança a primeira mini-hídrica, instalada pelo engenheiro francês, Lucien Guerche, no rio Fervença. E na noite de 29 de Outubro, do mesmo ano, a Praça da Sé estava esplendorosamente iluminada por três lâmpadas eléctricas, para contentamento de toda a cidade que assistia atónita à chegada tardia da era das luzes.
Simbolicamente na noite de 22 de Dezembro, os estudantes, acenderam um candeeiro de petróleo para de seguida o apagarem, ponto fim a um tempo de escuridão e iniciando o novo ciclo da luz. E toda a cidade aplaudiu efusivamente, batendo palmas e dando vivas ao progresso.
Mas depois, muito mais tarde, a electricidade fornecida pelo Engº Francês entrava nas casas mais humildes e daí, quanto mais electricidade se gastasse, mais contente ficaria o francês, mais se ria, por ver aumentar os lucros do seu investimento.
E já agora vou apagar a luz… não quero que o novo francês se ria!... mas parece-me que cada vez se ri mais… com o aumento desmesurado da electricidade que curiosamente é produzida nas albufeiras dos nosso rios.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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