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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O "TROULA"

José Manuel, de seu nome. Natural de Vila Nova, hoje a paredes-meias com a cidade.
Recordo-o. Alto, para o seco ou delgado, pés enfiados nuns socos estrepitosos, escorregadios quando os paralelos ficavam cobertos de gelo acetinado. O seu olhar doce, desprovido de malícia, desarmava o mais temível e feroz dos homens. 
Vestia pobremente, roupas provindas da caridade, no fio, à volta do esgargalado pescoço duas ou três gravatas rançosas, cujas pontas esvoaçavam conforme a vontade do vento. Uma gabardina surrada tapava os risos alarves das outras peças do seu vestuário.
Enquanto andava, os braços balouçavam a modos de baquetas a baterem num tambor.
Numa das mãos um realejo, talvez da marca honner, na outra, um cigarro semi-apagado, o que lhe dava muito trabalho a acender.
Vinha com frequência a Bragança. A pé, Nem de outra forma poderia ser, dada a penúria em que vivia. A rapaziada, quando o via surgir ao longe, junto às oficinas da Junta Autónoma das Estradas, passava a palavra:
- Lá vem o José Manuel!
O “Troula”? – Perguntava um deles.
- Sim, o “Troula”!
O “Troula”, entrava na taberna do Sr. António Júlio. Durante alguns momentos nem bulia uma mosca. Depois, entre ditos e gracejos, o “Troula”, pedia cigarros. Recolhia alguns, não sem antes ter de roufenhar no realejo.
A descida da Avenida João da Cruz era feita sacrificando o realejo e a solicitar cigarros. A colheita atingia boa expressão, especialmente nos dias de feira. No entanto, de quando em vez, recolhia a Vila Nova, com reduzido pecúlio cigarral. Por isso, acontecia-lhe chegar à aldeia a soprar uma última beata.
Como um autómato, retrocedia em direcção a Bragança. Para pedir mais cigarros. Nada mais.

in: Figuras notáveis e notórias bragançanas
Textos: Armando Fernandes
Aguarelas: Manuel Ferreira

5 comentários:

  1. uma descriçao completa e certissima acerca do Zé Manel,,gostei

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  2. Amiga Augusta.
    É um enorme prazer vê-la neste espaço.
    Bem-vinda.

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  3. Recordo "o Troula" com muito carinho! "Lavrava um campo" junto à escola de Vila Nova, onde fiz a 1ª classe! Recordo-o, também, a dar à bomba para encher o tanque em casa dos meus avós! Sempre com o realejo! Esta homenagem é bem merecida! Parabéns!

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  4. Imaginar tambores!!!!Sempre tão tradicional em mentes realmente nobres e africanas de Portugal... Como é bom sonhar com um mundo que não existe!!!!Em delírios como esse, tão tipicamente carcamano - lusitanos, nos deparamos sempre com nossa verdaira origem projetada em pessoas que são mais importantes que nós...

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  5. Um blog bem estruturado. O texto que li e gostei da homenagem a um homem do mundo ( ser humano). Parabéns

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