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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Memórias Orais: Fernando Junqueiro

De barman a mecânico. Fez vida como comerciante e agora é agricultor. A vida como seminarista não lhe assentava bem e a “chamada” para a tropa havia de ser o primeiro passo para uma vida de viajante.
Fernando Junqueiro saiu ainda novo para a Guiné, o sítio considerado por muitos como o mais complicado na Guerra Colonial. Regressou. A Lisboa chegou ferido e durante um ano esperou, até voltar para o continente africano, desta vez para Moçambique. “ Trabalhava no bar, era o barman. Sempre tive um bocado de jeito para a cozinha e os portugueses como não gostavam da comida americana diziam para ver se eu lhe arranjava lá comida à portuguesa”. Nesta altura estava a bordo de um barco na prospecção de petróleo cuja companhia esteve perto de o levar para o Alasca. Fernando acabou por não ir. Uma irmã tratou-lhe dos papéis e acabou por ir para Durban, na África do Sul. 
Esteve por lá doze anos mas a vida nem sempre foi fácil. “Tive um supermercado. Não trabalhava 24 horas por dia mas não tinha descanso, trabalhava todos os dias, não havia sábados e domingos, estava sempre aberto. Ganhava-se muito dinheiro mas não havia segurança porque às vezes o Banco vinha buscar o dinheiro, outras vezes tínhamos que o levar nós e era um problema quando a gente o levava, estávamos sempre com medo”. Nunca foi assaltado mas os tempos não permitiam tranquilidade. “Andava sempre com a pistola na cinta. Tirei uma licença e andava com ela sempre, toda a gente via que eu trazia a pistola. Não era futuro...” A vida e o futuro de uma filha falaram mais alto e Fernando acabou por regressar com a família a Portugal. 
Agora está por Ligares e aos 72 anos ainda não se reformou. É agricultor, o pai tinha-o ensinado desde menino. “Amendoal tenho uns vinte e tal hectares, de olival uns sete hectares e de vinha dois, de vinha tenho pouca”. Enquanto puder vai fazendo. Agora também é um “comerciante” mas a trabalhar a terra para que o produto saia o melhor possível.

Texto: Joana Vargas
(abril de 2015)

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