Fernando Junqueiro saiu ainda novo para a Guiné, o sítio considerado por muitos como o mais complicado na Guerra Colonial. Regressou. A Lisboa chegou ferido e durante um ano esperou, até voltar para o continente africano, desta vez para Moçambique. “ Trabalhava no bar, era o barman. Sempre tive um bocado de jeito para a cozinha e os portugueses como não gostavam da comida americana diziam para ver se eu lhe arranjava lá comida à portuguesa”. Nesta altura estava a bordo de um barco na prospecção de petróleo cuja companhia esteve perto de o levar para o Alasca. Fernando acabou por não ir. Uma irmã tratou-lhe dos papéis e acabou por ir para Durban, na África do Sul.
Esteve por lá doze anos mas a vida nem sempre foi fácil. “Tive um supermercado. Não trabalhava 24 horas por dia mas não tinha descanso, trabalhava todos os dias, não havia sábados e domingos, estava sempre aberto. Ganhava-se muito dinheiro mas não havia segurança porque às vezes o Banco vinha buscar o dinheiro, outras vezes tínhamos que o levar nós e era um problema quando a gente o levava, estávamos sempre com medo”. Nunca foi assaltado mas os tempos não permitiam tranquilidade. “Andava sempre com a pistola na cinta. Tirei uma licença e andava com ela sempre, toda a gente via que eu trazia a pistola. Não era futuro...” A vida e o futuro de uma filha falaram mais alto e Fernando acabou por regressar com a família a Portugal.
Agora está por Ligares e aos 72 anos ainda não se reformou. É agricultor, o pai tinha-o ensinado desde menino. “Amendoal tenho uns vinte e tal hectares, de olival uns sete hectares e de vinha dois, de vinha tenho pouca”. Enquanto puder vai fazendo. Agora também é um “comerciante” mas a trabalhar a terra para que o produto saia o melhor possível.
Texto: Joana Vargas
(abril de 2015)

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