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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Memórias Orais: José Garcia

“Cheguei muitas vezes a dormir ao relento e “botar” uma manta por cima e estar ali toda a noite de roda delas, do gado... A minha vida tem muito que contar, ai tem, deixe lá...”
Tinha 10 anos quando começou a seguir os passos do pai. Conheceu-lhe os caminhos por onde passeava o gado, que era o sustento dele e de mais seis irmãos. José Garcia era o mais velho e calçou pela primeira vez uns sapatos tinha já 16 anos. “Naquele tempo para a gente andar calçado era um problema, já era um homem ainda andava descalço. Às vezes quando vinha a noite os pés até vertiam sangue de andar a gente por lá descalços. A vida de uma pessoa era complicada...”.
Aos 87 anos ainda não se quer preso nem dependente de ninguém. Já esteve no Lar quando tinha a companhia da mulher. Quando ela partiu José regressou à casa de ambos. “Podia estar em casa dos meus filhos mas eu ainda me quero à liberdade podia estar tanto com um como com outro, que eles querem-me. “Bô”, mas enquanto puder arrastar as pernas...” 
Nunca saiu de Ligares. Nasceu e criou-se por lá e quando começou a andar “por sua conta” foi agricultor. Só se lembra de estar doente uma vez e quando era ele o cuidador chegou a levar a mulher amparada com um xaile para que não lhe caísse do macho. “Estava a gente sempre de olho nela, não caía”. Ainda guarda, diz, o xaile com que a agasalhava...

Texto: Joana Vargas


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