(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

… e assim estaria tudo bem! E até os cães do gado que até podiam morder…ladrar… se calam para que a côdea do pão duro não falte no bornal sebento do pastor.
Claro que no final do Verão teria que sofrer as grandes secas… os prados cinzentos de terra dura… comida pouca… mas o pastor lá estaria para manter o gado unido… Ele sabe que metade das ovelhas vão morrer de fome…de sede… e de doenças…muitas… Mas só é preciso esperar… logo o prado será verde… a água fresca…não se sabe quando… mas será… e o rebanho adormecido… cala-se… deixa de balir…e morre e o pastor já nem se importa…
…que rebanho é este…até tem medo de morrer!… Diz o pastor. Na verdade poucas ovelhas chagarão à próxima primavera… mas que raio… que se há de fazer?!
Nada… não se faz nada… o melhor é ficar no rebanho… é o melhor… sem a maçada de dizer não… sem o incómodo do pensamento… sem a estranheza apocalíptica da ovelha morder o pescoço do cão.
…ficar… balindo… balindo… e não fazer mais nada!
O pastor é que gosta de um rebanho assim… amigo do seu pastor… manso… com medo do lobo!
… Se fosse do rebanho pouco se me dava! Mas… um dia, há milhares de anos, um sapiens sapiens assustou-se com a novidade do pensamento…e a maldição começou… perdemos o rebanho… ganhamos a revolução… perdemos o paraíso… ganhamos a humanidade… e agora já não podemos ser do rebanho… conquistamos o dom da divindade… inventamos a filosofia e todos os dias acordamos na intranquilidade do pensamento.
Platão anda por perto… e cedo abandonou o rebanho… e ao pastor... disse não… e disse:
“ “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”
…e disse! E o rebanho passa… só a balir… e não faz nada!
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.
Sem comentários:
Enviar um comentário